quarta-feira, fevereiro 28, 2007

TAXA DE GRATIDÃO

Depois da morte do João Hélio somos defrontados agora com o brutal assassinato de um casal francês que organizou um ONG para tratar de garotos de rua. O mentor do crime, era um desses acolhidos pelo casal . Fazia dez anos que convivia com eles. Trabalhava na ONG, cursava uma faculdade, paga pela organização. Entretanto, ele envolveu-se em negócios escusos e desviou 80 mil reais. O medo levou-o a cometer esse ato bárbaro.

Como atribuir isso às condições sociais desfavoraveis, uma vez que ele havia sido resgatado do abandono rua? Uma vez que ele tinha acesso a informações? Será teremos que desacreditar no poder transformador do amor? Que mesmo ajudando a quem se encontra marginalizado, permanece a mágoa social e os motivos para se retornar à margem da sociedade?
E a questão da gratidão? E o amor devido a quem nos ajuda? Existe débito de gratidão? Pode-se amortizar uma dívida de gratidão? Ou somos todos insolventes diante de Deus?

Lembrei-me então dos 10 leprosos curados por Jesus.
A cura das lesões foi progressiva e lenta , de modo que ao verem-se completamente limpos eles já não estavam mais na presença de Jesus. Um deles teve vontade de retornar, para procurar Jesus e agradecer. Os outros, mesmo que sentissem uma gratidão verbal, não queriam dividir o tempo que naturalmente era pouco para fazer tudo que eles queriam, para "correr atrás do prejuízo" e do tempo "perdido". Um deles, apenas um, procura e encontra Jesus. E lhe agradece. Jesus então, faz o que nós muitas vezes temos até vergonha de fazer, isto é questionar o erro:

"Só veio você? Não foram dez os curados?"

Lembro-me também de que Jesus quando foi preso, já com as mãos e os pés atados, recebe o bofetão de soldado. Aquele então que ensinou aoferecer a outra face vai fundo na consciência do torturador e pergunta:

" Se eu fiz mal, dá testemunho do mal. Se porém, fiz o bem, por que me feres?"

Por isso, acredito muito na mensagem consoladora do Evangelho e do Espiritismo, mas entendo que consolação, como está na promessa de Jesus no Evangelho de João, é também colocar a justa medida das coisas, dar-nos sensação exata da justiça e do julgamento de nossas ações.

Aquele tem reconhecimento e é agradecido, é representado pelo hanseniano que retornou para a gradecer. Isso é da ordem de 10%.

Apenas dez por cento é a taxa de gratidão do planeta!

Lembro-me também, de uma palestra do Humberto Vasconcelos, que disse que não há como se resgatar uma dívida de gratidão. O Bem que se faz é impagável ! E que se alguém se tornou ingrato, é por que está doente da alma.

A espantosa taxa de 90 % é de ingratos, mal-agradecidos!

E pior do que isso, podem cair na situação extrema do assassino do casal francês e do soldado diante de Jesus: da ingratidão tão extrema que chega à crueldade.

Portanto, no meu entender, quero tomar por base o questionamento de Jesus ao hanseniano agradecido e curado no corpo e no espírito, e ao questionamento ao soldado violento. É necessário que o processo punitivo seja de uma constante rememoração da pessoa do que se fez de mal.
È ruim? Incômodo? Mas penso que é a única possibilidade psicoterapêutica neste momento atual.

Aos assassinos do João Hélio, do casal francês e outros da mesma natureza, preconizo aulas, programas de psicoterapia, em que se repetirá para eles, até a exaustão mental, tudo o que eles fizeram, analisando todas as consequências minuciosamente.

Acredito que o homem barbarizado e frio de sentimentos, precisa da forma antiga de se punir crianças em escola como escrever 1000 vezes: "Não devo bater no meu amigo".

Algo como a terapia de "Laranja Mecânica", obrigando o psicopata, sociopata a ver, ouvir e tornar a ver e escutar as cenas de barbaridade, violência e crueldade refinada, com as vozes e a visão das imagens das vítimas. Isso com acompanhamento psicológico, produzindo um estado mental de esgotamento e quase que um enjôo.

Acho que essa dispepsia, produzida pela exaustão dos órgãos digestivo sensíveis às cruedades praticadas, lhe causarão enjoo, náusea do mal, da violência, da covardia.

Entendo que desse modo, pode-se esperar alguma coisa das prisões, pois do contrário, de tanto se multiplicar todas as formas de delinquência, a psiquiatria em breve lançará mão de recursos químicos e cirúrgicos, numa concepção futurísitca sofisticada da Pena de Talião, o que significará um retrocesso para a humanidade que se diz cristã.

Acho, portanto, que a educação na forma de uma psicologia compertamental reeducativa a melhor solução no momento.

2 comentários:

Fernando Luiz disse...

Talvez fosse mais eficiente a mutilação do marginal. Levá-lo para uma sala de cirurgia e amputar mãos, pés, pernas, braços etc., de acordo com o crime cometido. Assim o "demônio" teria a necessidade, quando saísse do hospital, das pessoas pra qualquer coisa, como por exemplo, comer. Dependendo assim dos outros, para o resto da vida, talvez ele conseguisse compreender finalmente que precisa ser humilde. Mas, talvez isso não seja nada "cristão", não é?

Fernando Luiz disse...

Penso que um criminoso deve se tornar um aleijado, dependente da boa vontade alheia para o resto da vida! Se estivesse sob meu julgamento o "infeliz", eu mandaria meter uma bala em cada um dos dois joelhos e cotovelos dele. Mas acho que isso também não é um gesto muito "cristão, não é mesmo?