terça-feira, maio 01, 2007

LEI DE LIBERDADE


Tem o homem o livre-arbítrio de seus atos?
"Pois que tem a liberdade de pensar, tem também
a de obrar.
Sem o livre-arbítrio, o homem seria
máquina."
Livro dos Espíritos, questão 843

A Liberdade é condição essencial do homem sobre a Terra. É um dom preter-natural, ou seja foi forjado juntamente com o espírito pela mãos divinas. Imagem e Semelhança refere-se principalmente à esta faceta humana, ser livre. Essa condição natural é tratada no capítulo X da terceira parte de "O Livro dos Espíritos". Somos livres enquanto dotados de livre-arbítrio, mas a vida em sociedade nos impõe as limitações necessárias ao abuso, a ganância e ao totalitarismo.

A primeira forma de Legislação veio a Terra por meio da mediunidade de Moisés, no momento em que o povo hebreu após quatro séculos de servidão no Egito, ansiou e arriscou-se na jornada em busca da Liberdade. A liberdade é então um marco na nossa história. Foi a sua busca que nos proporcionou a recepção da primeira Revelação de Deus ao mundo. Moisés legislava e o povo lhe obedecia, sustentado pela promessa divina. Deixou o povo judeu no Egito, pequenas propriedade, alguma posse material, alguns animais. E visando um sonho contido em profecias de seu povo, trocaram a estabilidade mesquinha da terra da servidão, pela instabilidade promissora da terra prometida. Trocaram a mediocridade pela oportunidade, arriscaram tudo por uma promessa. Saíram do Egito, como Abrhão havia deixado a Caldéia, apenas com uma promessa divina de uma Terra dadivosa. Durante essa prolongada e tormentosa travessia, alguns tiveram saudade da servidão e dos velhos ídolos do imediatismo e da idolatria, mas Moisés foi enérgico e proibiu entre eles práticas que recordassem o período em que eram escravos, em que não tinham dignidade, em que não eram homens. Não há preço para a Liberdade. Todos os povos a almejam em todas as épocas da humanidade. Todos os povos submetidos ao imperialismo rebelaram-se e nesse particular, a Epopéia judaica da travessia do Mar Vermelho é incomparável. Erich Fromm refere-se ao Medo à Liberdade, que é o mesmo do pássaro que nasce no cativeiro e não sabe deixar a gaiola se aberta, e se deixá-la fenece.

Stephen King filmou um épico do cinema "Um Sonho de Liberdade", estrelado por Morgan Freeman e Andy Dufresne, onde prisioneiros de uma cadeia pública eram condenados à prisão perpétua por causa do autoritarismo corrupto de um cruel diretor. Quando um velhinho que cuidava da Biblioteca da prisão é libertado, vai para uma cidade e um tempo onde não conhecia mais nada e na melancolia extrema de lutar pela sobrevivência como empacotador de um supermercado, suicida-se. O medo da liberdade foi mais forte que o sonho dela.

Do sonho de Liberdade dos judeus, nasceu a Revelação. Apenas o anseio de liberdade poderia temperar o espírito do ser humano para compreender a Lei de Deus. Ali está o código sintético da Ética na Terra. Em primeiro lugar, Reverência à Deus e ao Seu nome. A seguir, reverência aos nossos progenitores, honrando o seu nome e a sua memória durante toda a nossa vida. E então, uma série de proibições, de limitações à nossa ação que longe de ser restrição à liberdade, são uma educação para ela. Sim, por que a questão 826 nos explica que apenas o eremita no deserto não deve seguir regras. Se estamos em Sociedade há que se respeitar a vida em comum e a nossa natureza de filhos de Deus. O decálogo é a síntese perfeita da ética na Terra. Segui-lo é o primeiro passo para se alcançar a Liberdade plena. Por isso não há como fugir da necessidade de educação. Por isso que Allan Kardec nos deixou a frase lapidar de O Espírito de Verdade: "Espíritas: Amai-vos! Eis o primeiro mandamento. Instruí-vos, eis o segundo!"

Instruir-se é conquistar cada vez mais a liberdade. É necessário conhecer a Lei. "Conhecereis a Verdade e esta vos converterá em homens livres"! Jesus expressou com perfeição, aprender a Lei é libertar-se!

A codificação espírita tem o grande mérito de embasar-se na razão! É através da cerebração dos postulados cristãos, que os internalizaremos em nossas consciências. Estamos há dois milênios aprendendo com o coração. Agora o cérebro precisa aprender apensar com a lógica cristã. É necessário que racionalizemos a nossa Fé para que os edifícios construídos a partir dela, não continuem a ruir como tem sido com as construções espirituais ao logo destes vinte séculos de mensagem cristã.

Somos espíritos em evolução, em passagem. A Fatalidade da Lei só é real para a determinação de nossa morte. Todos os outros momentos de nossa vida que aparentam fatalismo, são na verdade efeitos de ações por nós perpetradas no passado. Livremente agimos e havemos de colher os frutos que conscientemente semeamos. Disse-nos Paulo de Tarso:

Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Gl 6:7-9

Arremessamos livremente dardos em nosso passado cujas trajetórias compõem hoje o que chamamos destino, mas que são apenas as conseqüências das nossas ações conscientes.

Expiações e Provas são momentos específicos de nossa vida. No primeiro momento somos constrangidos a parar de errar pelas limitações físicas e mentais impostas pela Lei de Causa e Efeito, Ação e Reação ou Carma. No segundo momento estamos já amadurecidos, e instruídos para participar da Prova, dos testes. Na hora da prova, não há como pedir explicação. É a hora do julgamento, do juízo. Somos sustentados na hora da expiação, somos preparados para a hora da provação, mas não podemos pedir a ninguém para passar pelas nossas provas ou não podemos sofrê-las por ninguém. A cada um conforma as suas obras. O grande objetivo de Deus é a reparação.

Somos confrontados, pelas provações com as nossas tendências erradas, mas ao vencê-las com o exercício repetido da reencarnação, vencemos e trocamos os círculos viciosos de outrora, pelos círculos virtuosos da liberdade.

Santo Agostinho, revela em suas Confissões que roubava, na infância, as maçãs dos vizinhos, que havia em seu próprio pomar, apenas pelo prazer de pecar. A sublimação de seus instintos levou-o a descobrir o Prazer de Não Pecar.

Essa é a verdadeira Liberdade. Esse é o escopo de nossa vida!

2 comentários:

Isabel Rocha Tavares disse...

Muito sábias e interessantes suas palavras e seu estudo sobre a Liberdade.

Gostei muito da sua pregação na Escola. Sempre com uma quantidade enorme de aprendizado. Obrigada e parabéns pela sua dedicação e pelo seu estudo.

Um beijo da sua filinha Bebel

Anônimo disse...

Prezado Flávio,

disponibilize também aqui no blog as mensagens mediúnicas (psicografadas e psicofônicas)que vocês recebem no centro espírita!
Elas muito ajudam a ficarmos + centrados!

Tudo de bom!

Paz, progresso, luz!!!