segunda-feira, dezembro 25, 2006

Aula de Hilda Mussa Tavares na sala Clovis Tavares, na véspera de Natal

NO PRIMERIO NATAL ESPERAVA-SE AQUELE QUE SEMPRE ESTEVE PRESENTE...

"No principio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por Ele e, nada do que foi feito, sem Ele foi feito. .Nele havia vida e ávida era a luz dos homens”
(Ev. João, 1, 1-4)

“‘Por isto, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma Virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamará de DEUS CONOSCO” (Is. 7,14)“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros e ele se chama : Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz” (Is.9,5)

1– Não há Natal para mim se o meu tempo não é o da eternidade.É no momento de minha decisão eterna que alcanço o sentido pleno do Natal.O homem foi feito para a eternidade. Dizia Alceu de Amoroso Lima que “o homem é um composto de tempo e eternidade. Ele encontra sua felicidade no tempo, preparando-se para a eternidade. Isto é construir na esperança, vigiar na fé e viver para a eternidade.”

O Natal tem a ver com a construção do Reino de Deus e foi para isso que Jesus nasceu!A palavra do Anjo anunciador do Natal, Anjo Gabriel, para Maria, para José e para os pastores foi : “Não temais".

Logo, a primeira atitude do cristão ante o Natal é de coragem para viver, embora com os pés no chão, mas, sobretudo, com o coração e alma na eternidade.A vida pode nos trazer montanhas de dificuldades e dores, mas o Natal é boa notícia para todos, motivo de alegria, de esperança porque para nós "nasceu um Salvador que é o Cristo Jesus”

É preciso coragem para ser cristão. É preciso coragem para aceitar Jesus como Salvador.

2 - Não há Natal sem conversão.
A conversão verdadeira admite que os nossos atos e critérios de ação se assemelhem aos atos e critérios de ação de Jesus Cristo.
E a conversão não é um momento , não é factual, é um processo, é um estado. Nós estamos nos convertendo. Paulo converteu-se ao longo de sua existência inteira.
A própria vida terrena é essencialmente tempo de conversão, de um voltar-se para Deus, de um encontrar-se sucessivamente com a pessoa de Cristo e seus ensinamentos.
Qual a influência do Natal sobre as nossas vidas? Ou o natal de Jesus me muda e me faz assumir compromissos de bondade, justiça, verdade, perdão e paz ou o natal será como ás águas de um rio que passam longínquas do terreno da minha história.

3 – Converter-se significa estar contribuindo para a construção do Reino de Deus.
A construção do Reino de Deus na Terra foi a razão do nascimento de Jesus, diz Emmanuel.Foi nas Mãos Sacrossantas de nosso Amado Mestre que Deus entregou a nebulosa que se desprendeu da nebulosa solar e deu origem à Terra.

Ao invés de olharmos pasivamente para o Jesus Menino, devemos buscar para as razões de seu nascimento. Não é nas nuvens do céu e nem no horizonte longínquo que acontece o Reino. É no homem! E foi para o homem que Ele nasceu!
Para sabermos como anda a construção do Reino dos Céus é só perguntar-nos: como está esta construção dentro de nós?
Como está esta construção em torno de nós?
Quantos milhares ainda morrem de fome ao nosso redor?
Quantos são traídos ou traem e precisam antes de mais nada perdoar e serem perdoados?
Quantos ainda cometem a ingratidão e quantos ainda usam de violência para alcançar os seus interesses, violência nos gestos e nas palavras? Quantos ainda sofrem perseguição por causa do Nome de Jesus?
E quantos ainda cometem crimes em Seu Nome?

4 - O Reino de Deus necessita de gestos concretos.
A nossa maior felicidade consiste em compreender que foi na noite
de Natal que “nos tornamos participantes da natureza divina”, como diz S. Pedro. “ A todos que O reconhecerem deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus". Jo.1,12

No Natal, não podemos permanecer somente na alegria do receber, mas devemos uma resposta àquele que se doou a si mesmo. Que não fechemos as portas do coração, da consciência e da inteligência; que não tenhamos vergonha da nossa pequenez ante a grandeza do amor de Deus.
Ele não veio para permanecer na manjedoura, caso não ache ainda lugar entre nós. Ele precisa encontrar abrigo em nossas vidas.
Ele é a esperança salvadora da humanidade.Mas é também no Natal de Jesus que se manifestam sanguinários como Herodes, o Grande, que manda matar os inocentes de Belém e dos seus arredores, com até dois anos de idade, por causa de seu espírito ambicioso, cruel e injusto.
Na terra, ainda, há Herodes habitando nos corações dos homens.
Natal juntamente com a noticia de alegria é também apelo à vigilância para que não deixemos que o espírito destruidor e injusto de Herodes comande nossas vidas, nossos atos, nossos sentimentos e julgamentos.
Natal é José e é Maria.

A humildade e renúncia de José, o compromisso levado a sério, o cuidado e a proteção. Maria, a fé, a confiança, o sacrifício, o silêncio. A prudência do Plano Espiritual mandou que a Sagrada Família fugisse para o Egito.

A doutrina que estava nascendo naquele natal não poderia ser sufocada. Em troca de sua vida, as das crianças, embora a responsabilidade do ato criminoso ficasse toda nos ombros de Herodes e na sua história espiritual que deveria ser resgatada, como foi.

O Natal, enfim, deve refletir uma humanidade aos pés de Jesus, ofertando dádivas que falem de sua conversão, de sua gratidão e de sua adoração. Sair do pecado de si mesmo e ir ao encontro de Jesus, isso é verdadeiramente NATAL!.

Um comentário:

Juliana disse...

Excelente a aula de vovó! Aliás, como sempre, suas interpretações do evangelho são especiais!
Bjs