quinta-feira, janeiro 07, 2010

DOIS ESPÍRITAS NO ALÉM

Aqui vai uma pequena história imaginária escrita pelo meu amigo Luciano Prado, psicólogo, mostrando o que pode ser o estado espiritual de dois espíritas recém- desencarnados. Um evidentemente aceita a teoria das colônias espirituais e o outro, aceita exclusivamente a codificação e não aceita a possibilidade de haver colônias no além.
Vale a pena conferir e pensar...


Luciano Prado

Amigos, vai aí uma historinha que me ocorreu. Não traz lição de moral, nem indiretas, nem sermões. É apenas ficção com fins de entretenimento baseada em minhas opiniões pessoais, nada além disso. Quem tiver paciência pra ler, espero que goste. Eu gostei de escrever.

Dois espíritas se encontram no mundo espiritual, após o desencarne. Um deles, Almeida, fala angustiado:

- Que bom que te encontrei, Miranda! Acho que estou enlouquecendo, ou estão querendo me enlouquecer! Eu estava em casa tranqüilo, senti uma dor no peito, e pedi pra minha mulher chamar a ambulância. Daí eu desmaiei, não lembro mais nada.
Mas quando acordei no hospital, apareceu um médico muito estranho - um psiquiatra maluco, desses de sanatório - dizendo que eu desencarnei! Eu até fiquei feliz, e perguntei pra ele:

- "Em que colônia eu estou, doutor?",


E sabe o ele me respondeu?

- "Você está na Terra ainda, num hospital espiritual de recuperação"

-Aí eu comecei a desconfiar, sabe? Como assim, "na Terra"? Eu li todos os livros de André Luiz, e eu tenho uma relação espiritual muito próxima com o Nosso Lar, sabe? Minha cunhada - que é médium forte - recebeu uma comunicação diretamente de André Luiz dizendo que minha mãe me espera numa casa lá!



Pois aí foi que eu comecei a olhar em redor. Analise comigo:

O tal médico não brilhava - e eu sei que os Espíritos bons brilham.

O tal do hospital era bem chinfrim - não tinha pétalas fluídicas caindo do alto, nem eu ouvia nenhuma "música das esferas".

E sabe o pior? Não era nem um apartamento amplo e arejado, mas um quartinho pequeno desses bem do SUS, sabe? Uma mesinha pobre, uma cortina frouxa - e uma janelinha que não dava pra ver nada.

Não tem como! Todo mundo sabe que nos hospitais espirituais a gente acorda num quarto arejado de paredes luminosas, e com janela enorme dando prum jardim cheio de rosas! Será possível que depois de tanta caridade que eu fiz e tantas palestras esclarecedoras eu iria parar num lugar estranho daqueles?

Aí eu saquei tudo, sabe? Eu andava um pouco irritado, agressivo. Vai ver que pensaram "O velho tá ficando cadudo" e me internaram. Mas podiam ter falado, eu deixava tudo pra eles e iria viver numa casa de repouso e não esse sanatório chinfrim que me enfiaram.

Aí quando o tal "médico espiritual" foi embora eu simplesmente fugi de lá. Tô indo a pé pra casa, mas nunca que chega. Que bom que te encontrei! Você sabe que bairro a gente tá? E essa neblina que nunca acaba? Além dessa fome, e eu não tenho um tostão no bolso!

Miranda ouve tudo com um sorriso no rosto, e quando Almeida finalmente se acalma, ele diz:


- "Ô, Almeida, não acredito que você caiu nessas baboseiras de colônia e hospital espiritual! É claro que tentaram te por no sanatório, mas eu vou te falar - fizeram a mesma coisa comigo. O mundo está perdido, ate a família da gente nos apunhala pelas costas!"

- É mesmo Miranda? Que absurdo! Fizeram o mesmo com você?

- A mesma coisa. Eu não me recordo bem, acho que me sedaram. Daí eu acordei também num sanatório, quase igual ao seu. A cama não era das piores, era branquinha e até perfumada. Eu fiquei perto da janela, e até vi um jardinzinho mais ou menos. Chamei a enfermeira e logo apareceu uma moça toda sorridente. Ela disse:

- Seja bem vindo, Sr. Miranda. Imagino que já sabe de sua situação.

Como eu estava atordoado, não consegui raciocinar direito, senão já tinha sacado tudo na hora também. Mas eu te juro, aquela mulher estava me hipnotizando. Aí eu fiquei confuso.

- Eu desencarnei? É isso?

- Exatamente. O senhor. está agora num hospital espiritual.

Só então a "ficha" começou a cair!

- Hospital? Pare de zombaria. Não existem hospitais no mundo espiritual!! Eu sou espírita e conheço muito bem a Codificação!

- Acalme-se e veja por si mesmo. Estamos aqui para ajudá-lo a se recuperar.

- Tudo bem, vamos lá. Se isto é um hospital, então me diga pra que serve esse lugar? O Espírito agora precisa de oxigênio, soro, UTI? Injeção, vacina? Faz-me rir! Me diga: você "suturam" perispírito aqui? Hahaha.

- Não precisamos de suturas nem injeções. Este local somente tem a aparência de um hospital, para que os que chegam da Terra possam repousar e refazer suas forças num ambiente conhecido. Todo tratamento é magnético, feito à base orações e passes
.

- Ambiente conhecido? Eu não preciso disso! Se estou livre da carne, então quero voar pelo Universo à velocidade do pensamento! Ou será que os Espíritos da Codificação mentiram?

Eu levantei da cama e fiz toda força mental pra me deslocar pelo pensamento, mas adivinha? É claro que não aconteceu nada - a não ser uma tontura que me fez cair estatelado no chão!
E sabe a maior? Eu ralei o meu "joelho espiritual"! E saiu "sangue espiritual"! Hahahahaha!


- E agora? - perguntei pra tal enfermeira. - Como você explica isso?

- Da mesma forma que o bebê recém nascido não consegue andar logo que sai da barriga da mãe, o recém desencarnado não consegue se deslocar pelo mundo espiritual nos primeiros dias do retorno! Exatamente por isso são criados estes locais que lembram um hospital, para que possa haver essa adaptação.

- Eu sou espírita, não preciso de adaptação! E meu joelho? E esse sangue?

- Você crê estar encarnado, e seu corpo perispiritual reflete essa crença. Agora acalme-se, vamos atenuar essa impressão mental.
Aí ela falou pra eu fechar os olhos, relaxar - pura hipnose, claro! - e colocou a mão por sobre meu joelho. Quando abri os olhos não tinha mais nenhum ferimento!

- Nossa Miranda! Então acho que é verdade mesmo! Estamos desencarnados!

- Deixe de baboseiras, Almeida! Você esqueceu que aquilo é um hospício? Desde a hora que você entra lá eles te enchem de remédio tarja preta! Aí até que é normal fica vendo coisas! Sem falar na hipnose barata daquela mulher! Ponha uma coisa na sua cabeça: não existe hospital espiritual! Existe é filho ingrato, que põe o próprio pai no sanatório! Eles sabem que a gente é espírita, aí tentaram nos enganar com essa ladainha saída de romance água com açúcar. Só que esqueceram que eu estudei Espiritismo a vida inteira, e não iam conseguir me enaganar assim tão fácil!

- A que ponto eles chegam pra enganar a gente, né? Por isso é que eu digo: o Espiritismo é o antídoto contra a ilusão!

E lá se foram dois espíritas Espíritos, muito estudiosos e profundos conhecedores da vida no Além!

Um comentário:

Écio Buck disse...

Muito criativa a sua " história" e não deixa de ser um alerta aos espíritas. Parabens!
Abraços.
Écio