quinta-feira, julho 19, 2007

A MORTE VIOLENTA

"Na morte violenta as sensações não são precisamente as mesmas. Nenhuma desagregação inicial há começado previamente a separação do perispírito; a vida orgânica em plena exuberância de força é subitamente aniquilada. Nestas condições, o desprendimento só começa depois da morte e não pode completar-se rapidamente.

O Espírito, colhido de improviso, fica como que aturdido e sente, e pensa, e acredita-se vivo, prolongando-se esta ilusão até que compreenda o seu estado. Este estado intermediário entre a vida corporal e a espiritual é dos mais interessantes para ser estudado, porque apresenta o espetáculo singular de um Espírito que julga material o seu corpo fluídico, experimentando ao mesmo tempo todas as sensações da vida orgânica. Há, além disso, dentro desse caso, uma série infinita de modalidades que variam segundo os conhecimentos e progressos morais do Espírito. Para aqueles cuja alma está purificada, a situação pouco dura, porque já possuem em si como que um desprendimento antecipado, cujo termo a morte mais súbita não faz senão apressar.

Outros há, para os quais a situação se prolonga por anos inteiros. É uma situação essa muito freqüente até nos casos de morte comum, que nada tendo de penosa para Espíritos adiantados, se torna horrível para os atrasados. No suicida, principalmente, excede a toda expectativa. Preso ao corpo por todas as suas fibras, o perispírito faz repercutir na alma todas as sensações daquele, com sofrimentos cruciantes."

O CÉU E O INFERNO - Alan Kardec II - 1



Na morte violenta e acidental, quando os órgãos ainda não estão enfraquecidos pela idade ou por doenças, a separação da alma e o término da vida ocorrem simultaneamente?
Geralmente é simultâneo, mas, em todos os casos, o momento dessa separação é muito curto.

LIVRO DOS ESPÍRITOS- Allan Kardec -p. 161


A tragédia ocorrida na última segunda feira em São Paulo com o avião da TAM, deixou-nos perplexos. As explicações de Kardec em "Céu e Inferno" e em "O Livro dos Espíritos" dão-nos certeza de que nosso cantinho da saudade é preenchido por algo real.

A erraticidade não é um estado etéreo, nublado e virtual. Feliz quem tem a certeza íntima da imortalidade da alma. Esse sim, o maior sofrimento, a maior angústia de alguém sobre a terra, ignorar a nossa origem, o nosso mister e o nosso destino na criação divina.

Alhures, alguém perguntou-me qual a maior caridade praticada por nosso querido Chico Xavier. Prontamente eu respondi que foi espraiar a todos os rincões desta terra a certeza íntima, aquela que não é dada pela razão, mas por uma razão temperada pelo sentimento, da Imortalidade plena da nossa individualidade. Esse é o maior mérito daquela alma simples que aplicou todos os mandamentos divinos, vivenciou em sua vida na íntegra o sermão da montanha e cumpriu com maestria os capítulos das "Leis Morais" de "O Livro dos Espíritos", tornando-se por isso um ser integral do terceiro milênio.

Não há perdas, não há ganhos, na economia divina, numa extensão cósmica da visão terrena de Lavoisier. As aparentes injustiças, os aparentes sofrimentos imerecidos são equilíbrios íntimos do metabolismo cósmico que ainda não se pode calcular e nem ponderar.

Estudemos a Doutrina Espírita com assiduidade, com humildade, com perseverança e coragem pois como dizia Jesus: "Não se sabe o dia e nem a hora."



5 comentários:

Yuri Amorim disse...

Estive aqui, li e fiquei mais penalisado pelas vítimas do vôo 3054.
mas valeu, aprendi um pouco mais.

Celso disse...

Flávio, muito importantes as suas ponderações. A última frase não foi concluída. Verifique.

Isabel Tavares disse...

Muito esclarecedor para nós sobre como ocorre o desprendimento.

Que Deus abençoe essas vítimas e as suas famílias.

ps: "O gênero de morte fica tão jogado os"... não terminou

Juliana disse...

Oi, pai!
Gostei do esclarecimento do Livro dos Espíritos, apesar de ter algumas dúvidas ainda...
Beijos!

AGIA disse...

Maravilhosa explicação à cerca do desprendimento do corpo fluídico da matéria...
Realmente há muito para ser estudado.