sábado, fevereiro 10, 2007

LULA deu opinião que é um mote para o Espiritismo

No Folha on-line, Lula deu uma entrevista, sobre a morte brutal do menor João Hélio

Fernandes, 6 anos, que morreu no Rio, após ter sido arrastado por sete quilômetros no assalto na zona norte do Rio de Janeiro. O Presidente questionou entre outras coisas, a idéia de que a violência tenha por causa, unicamente, a questão social.


"Os Estados Unidos, onde o problema da distribuição de renda não é problema, jovens matam dezenas de jovens em uma escola. Na Rússia, onde o problema da educação não é problema, jovens invadem escolas, seqüestram alunos, matam alunos. No Brasil, gente de classe média entra em cinema, atira e mata pessoas.", disse o Presidente.

Observamos dados estatísticos de criminalidade infanto-juvenil nos Estados Unidos, que são alarmantes. Lá, os menores são julgados e presos, mesmo sendo de classe social privilegiada. Na Rússia, onde o nível cultural é invejado por muitas culturas ocidentais, paralelamente, há a criminalidade entre jovens.Sendo assim, não seria razoável admitir somente uma causa social ou psicológica para o problema da criminalidade crescente nas faixas etárias baixas.


"Esse conjunto de barbaridades que envolve o comportamento humano hoje, nós não resolveremos aumentando a punição" , disse Lula reconhecendo que a simples redução da maioridade penal não seria a solução do problema. Seria antes uma solução apressada, emocional e gerada a partir de análises equivocadas. Um país que não oferece oportunidades ao jovem não pode puni-lo.

Entretanto, se não bastam as proposições educacionais e nem a melhoria do nível do Índice de Desenvolvimento Humano, quais seria as melhores propostas para o problema real?

Parte superior do formulário

A questão não é solucionada de modo simplista. Não pode ser reduzida à pauta socio-econômico-política. Não pode contrapartida ter uma explicação puramente com bases freudianas. Abre espaço para um novo tema: a Reencarnação!

Com a a visão da Complexidade , a introdução do paradigma reencarnacionista, observando o fenômeno por outro prisma, simultaneamente, enriquecerá a análise, que será mais respeitada, isto é, pode-se abordar o tema com mais prudência e equidade.

Na visão reencarnacionista, o escândalo foi necessário. A barbaridade aconteceu para restabelecer o equilíbrio de conta corrente espiritual do ser que a sofreu. Sem adentrarmos em possibilidades, aceita-se que não há injustiça na Lei de Deus.

E quanto aos autores, acredita-se que , respeitando o livre arbítrio, não eram a cometer o ato louco. Não foram por ninguém constrangidos à tal perversidade. Ao tomarem, todavia tal decisão, a Lei de Deus comprime o seu mal constrangendo-o a agir em favor da Lei. Isso nos é explicado de modo bem sucinto e didático por Pietro Ubaldi em A Lei de Deus.
Por isso o mal é limitado, pois os seus efeitos sempre são subordinados a uma necessidade da lei de causa e efeito universal.

Parte superior do formulário

"Mas, ai daquele por quem venha o escândalo", disse o Mestre. No entanto, isso de forma alguma livra os criminosos da culpabilidade do seu ato bárbaro.

O pequeno João é um herói! Resgatou seus débitos de modo corajoso, valoroso, honroso.

Os pobres seres que praticaram a infâmia, iniciam para si um drama cósmico que não se sabe até onde e quando durará. Mais do que em qualquer outra época da humanidade a oração faz-se necessária e imprescindível.

domingo, fevereiro 04, 2007

LEI DE ADORAÇÃO

LEI DE ADORAÇÃO

Pregação do domingo 04 de fevereiro de 2007

Flávio Mussa Tavares

"Em que consiste a adoração?

Na elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração,

aproxima o homem a sua alma."

Livro dos Espíritos, questão 649

A Prece

O Senhor da Verdade e da Clemência

Concedeu-nos a fonte cristalina

Da prece, água do amor, pura e divina,

Que suaviza rigores da existência

Toda oração é a doce quinta-essência

Da esperança ditosa e peregrina,

Filha da crença que nos ilumina

Os mais tristes refolhos da consciência.

Feliz o coração que espera e ora,

Sabendo contemplar a eterna aurora

Do além, pela oração profunda e imensa.

Enquanto o mundo anseia estranho e aflito,

A prece alcança as Bênçãos do infinito,

Nos caminhos translúcidos da crença.

João de Deus, Parnaso de Além Túmulo, psic.F. C.Xavier

Meus irmãos antes de iniciar o estudo do tema da Oração é preciso que eu explique o por quê deste estudo. Estamos no ano do sesquicentenário da Codificação Kardequiana e do lançamento de O Livro dos Espíritos. Quando do seu centenário, em 1957, meu Pai, Clóvis Tavares, mandou erigir esta pedra que se encontra na frente de nossa Escola, que é um dólmen, um monumento celta, em homenagem ao druida Allan Kardec. Precisamos , nesta celebração dos 150 anos, se não temos condição de homenageá-lo como meu Pai o fez, com a pedra e com a publicação de belo artigo no jornal A Cidade, inserido no livro póstumo Sal da Terra, é possível que passemos este ano comentando os pensamentos de Clovis Tavares sobre o Livro dos Espíritos. E valemo-nos de um presente da filha de D. Leda Diniz Nogueira que nos ofereceu uma cópia das anotações de aula de sua saudosa Mãe, palestrante de nossa Escola Jesus Cristo e aluna constante das aulas de Clóvis.

É preciso confessar também que escutei de uma pessoa de outra denominação, certa vez que haveria em sua igreja uma semana de adoração. Quando ela me falou isso, despertou-me um certo incômodo, pois há uma capítulo das Leis Morais em O Livro dos Espíritos, chamado Lei de Adoração! E por que nós espíritas não somos adeptos da Adoração?

A resposta da questão 649 é clara, elevamo-nos a Deus e aproximamos nossa alma da Dele.

Elevamo-nos pela razão e aproximamo-nos pelo coração.

É preciso concentração de nosso pensamento para podermos orar a Deus. É preciso focalizar a nossa mente em um ponto único. Somos vítimas do déficit de atenção, hoje propalado abertamente como distúrbio que acomete tanto a crianças como jovens e até mesmo adultos. vivemos dispersos, desconectados de nossa fonte. Vivemos fazendo muitas coisas e não completando nenhuma. Corremos, num nervosismo, numa pressa, numa hiperatividade de nossos sentidos e de nossos pensamentos de tal forma avassaladora, que mal temos tempo para orar...

Para orar é preciso silêncio. Um obstinado silêncio, como nos disse Jean Guitton, biólogo e filósofo católico francês, preocupado com os rumos do artificialismo e do hedonismo do final do século XX, quando ele desencarnou.

Deus é o centro. Nós somos a periferia. Orar é não apenas elevar o pensamento, mas concentrar-se Nele. Nossos erros afastam-nos no centro gravitacional da vida, direcionando-nos para a periferia e aumentando a nossa angústia existencial, tornando-nos dispersos e despreocupados.

Concentrar nossa mente, é exercício constante que exige força, coragem e determinação.

A oração é a respiração do espírito e como tal consiste na inspiração, que é a assimilação de Deus adentro de nós e da expiração que é a desintoxicação de nossa alma do dióxido de carbono psíquico que nos envenena na degradação de nosso materialismo.

As preces, sejam de louvor, rogativa ou agradecimento, é preciso que sejam concentradas e humildes. Segundo Santo Agostinho, se nós pedimos coisas más (petimus mala) nós não somos atendidos. Coisas que nos degradam mais, que aumentam nosso egoísmo. O rico da parábola se angustiava com a sua falta de celeiros para guardar sua supersafra. A burguesia se angustia com a falta de espaço em casa, nos armários, pra guardar sapatos e roupas. Outras vezes onde investir o dinheiro. E queremos que Deus nos ajude a resolver a nossa angústia paganizada e egoística. Essas preces não são ouvidas.

Se pedimos de modo errôneo (petimus male) , isto é com gritaria, com erudição, com orgulho, com falsidade, também não somos justificados, como o Fariseu da Parábola.

Se pedimos e não corrigimos nossas atitudes de vida, isto é continuamos maus, invejosos, cobiçosos, maliciosos, duros de coração, impiedosos, ( petimus mali) não recebemos também a justificação, que é a resposta de Deus às nossas preces.

E sabemos, por intermédio de André Luiz, que os espíritos inferiores que nos rodeiam, nos espreitam, de modo insidioso e oportunista, esperando nosso momento de invigilância, atuam numa área específica de nosso cérebro que é a córtex cerebral. A córtex é a área que refreia o nosso comportamento repetitivo e incoerente, de modo que uma vez reprimido por ação de obsessores, somos vítimas das obsessões compulsivas, repetitivas, fazendo de nós autômatos de seres poderosos que passam a governar nosso sentimento.

Clóvis Tavares, ensinava aqui nesta Escola um método de nós nos livrarmos dessas obsessões simples. São simples, por que é essa a denominação de Allan Kardec no Livro dos Médiuns.São simples por que é possível que percebamos em nós os sinais. Desde a impaciência, a pressa, o nervosismo, a irritação, como nos lembra o espírito de Scheila, já estamos começando a nos tornarmos vítimas de outras mentes.

E a obsessão é simples, por que é fácil de começar. Jesus advertiu a Pedro que o espírito perverso estava querendo dominá-lo, mas só não o fazia por causa Dele, Jesus ao seu lado. E nós? Estamos orando para nos livrarmos das tentações? Vigiar e Orar, temos agido assim?

Mas esta obsessão simples é simples tanto para nos atingir, como para também sermos curados. É simples. Sentimos sua aproximação. E temos que ouvir os nossos próximos, os maridos escutar as críticas e conselhos de suas esposas e vice-versa. Também os namorados, os irmãos, os amigos, os colegas de escola e trabalho. Os próximos mais próximos nos avisam de que estamos irritadiços e impacientes.

E tão simples é a auto-desobsessão, que como diz o nome, podemos exercitá-la diariamente. Consiste na leitura à noite, em voz alta, de uma página aleatória de O Evangelho Segundo o Espiritismo e depois fazer a oração que Jesus nos ensinou O Pai Nosso. Fazer lentamente, concentradamente. Refletindo nas palavras que se diz. Respirando profundamente a cada frase dita. Inspirando o oxigênio e expirando o dióxido de carbono. Inspirando a palavra de Deus, e expirando o paganismo, o egoísmo, as vaidades, as nulidades da vida mundana. Repetir algumas frases como: Não nos deixe cair em tentação e livra-nos de todo o mal!

Não nos deixe cair em tentação e livra-nos de todo o mal!

Não nos deixe cair em tentação e livra-nos de todo o mal!

Não esquecermos também da oração coletiva que segundo Clóvis Tavares é uma força de vibração do grupo, é um pensamento congregado, como em Nosso Lar às 18 horas.

Segundo Gandhi, a oração deve ser a chave do dia e o ferrolho da noite. Somos cercados por uma nuvem de testemunhas segundo o apóstolo Paulo e nesse terreno espiritual infecto em que vivemos é essencial que busquemos a higiene, a assepsia do espírito.

Que Deus nos ampare, nos sustente, protegendo-nos das obsessões, e que nós, com fé, esperança e através da caridade, busquemos com sinceridade o Reino de Deus e Sua Justiça, para que sejamos ajudados por Ele.

domingo, janeiro 07, 2007

Aula da Sala Clóvis Tavares, do dia 07 de janeiro de 2007

A plataforma do Reino de Deus
(Leitura de palestra de Clóvis Tavares)

A plataforma do Reino de Deus , como alguém chamou ao Sermão da Montanha, termina com uma pequenina parábola, mas por mais estranho que seja para quem medita no sermão da montanha, para quem ama esse discurso do Monte, cheio de belezas, cheio de apelos sublimes, cheios de advertências celestiais, esta pequenina parábola dos dois fundamentos pode ser também como o prólogo de João no seu Evangelho, um prólogo para as meditações no Natal. Um prólogo que nos ensine finalmente, depois de dois mil anos de delongas nossas e de caridade permanente do Cristo, de perplexidades nossas e de sacrifícios imensos de Cristo e seus anjos e seus servos e dos espíritos sábios e benevolentes que estão sob a sua guia e as suas ordens. Esta pequenina parábola, pode ser um prólogo para estes dois mil anos de espera do coração de Cristo. Parábola para nós, para nós que precisamos pensar finalmente em construir o nosso destino como nos diz o professor Pietro Ubaldi no livro A Lei de Deus.

“Todo aquele pois, que ouve estas minhas palavras e as observa será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha e desceu a chuva e vieram as torrentes e sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa e ela não caiu, pois estava edificada sobre a rocha, mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as cumpre será comparado a um homem tolo que edificou a sua casa sobre a areia e desceu a chuva e vieram as inundações e sopraram os ventos e bateram com ímpeto contra aquela casa e ela caiu e foi grande a sua ruína.”

Aqui meus amigos e irmãos está a pequenina parábola, mas por ser pequenina não menos bela, não menos importante de um alcance imenso, a recordar-nos num símbolo muito antigo, como aliás muitos símbolos. O homem Rei, o homem soldado, o homem guerreiro, aqui um símbolo mais belo, o homem construtor e que somos nós, lembrando ainda mais uma vez Pietro Ubaldi: o que somos nós senão todos construtores de destinos ?

Este arquétipo do homem construtor é muito belo. Ainda mais, se nós nos recordarmos, se imaginarmos que Cristo que foi carpinteiro junto com José de Nazaré carpinteiro também naquela época eram os próprios homens, inclusive os mais pobres. Em regime de mutirão, construíam suas próprias casas. Jesus foi carpinteiro. Antes, foi o verbo encarnado, aquele que sendo rico se fez pobre para que pela sua pobreza nós nos enriquecêssemos. Imagem visível de Deus invisível, o verbo encarnado, foi também construtor como todo homem do oriente. Ele sabia que teria que construir a casa sobre a rocha. Em todas as estradas da Palestina, ainda hoje as fotografias, os álbuns, os Evangelhos ilustrados com lindas fotos, nos mostram as casas construídas sobre a rocha, casas fortes, mosteiros antigos da Idade Média, construções dos romanos, edificadas sobre a rocha. Como muitas, que existem por exemplo, nas estradas duras e rochosas, especialmente na estrada que desce de Jerusalém para Jericó. Lá, no alto, nos penhascos, as casas edificadas sobre a rocha. E os séculos passaram e as construções permanecem. Eis porque no oriente, no deserto, nas regiões de areias, nos infinitos areias do deserto os nômades não constróem casas, vivem em tendas. Tendas que eles armam e desarmam, tendas que também são um arquétipo da Bíblia. Uma palavra que aparece muito para mostrar a transitoriedade das nossas construções humanas. Na Bíblia, tenda é chamado nosso próprio corpo. Armou sua tenda entre os homens, que diríamos nós na nossa linguagem de hoje: o homem reencarnou-se na terra. Uma vida transitória. O que nós temos que construir, realmente, não é uma tenda, sempre transitória que o homem do deserto o beduíno arma e desarma nos areias sem fim. Mas construir algo na rocha.

Desde os profetas até os apóstolos, desde os apóstolos até os dias de hoje, aqueles que amam o Salvador, sabem e repetem uma expressão tão bela: Ele é a Rocha dos Séculos. Os séculos passam e Cristo permanece. Passam os grandes conquistadores, Gengis Khan , Alexandre Magno e Felipe II. Ninguém se lembra mais deles. Carlos Magno, Napoleão, até Hittler já está esquecido, já é um mito, já é figura histórica para os jovens de hoje. Todos passam. Napoleão soube sentir isso na prisão de Santa Helena:

“Todos os grandes guerreiros e conquistadores da história passaram. Só Cristo permanece para sempre. Cheguei a essa conclusão aqui no meio dessa ilha batida pelo mar, pela vastidão imensa dos oceanos. Agora compreendo que só o Cristo de Deus é eterno.“

Quando um homem orgulhoso como Napoleão Bonaparte, chega a escrever isso no seu memorial, é porque a experiência foi dura demais para ele como será dura demais para todos nós se não construirmos nossos destinos sobre a rocha dos séculos.
Todo homem é construtor! Nascemos construtores. Vide aqui como Cristo nos diz. Isso e nos dá essa certeza de uma verdade nesse arquétipo solene porque diz respeito a nossa própria felicidade e à nossa salvação. Na parábola, há um homem que constrói na rocha, outro constrói sobre a areia. Ao invés de construir uma tenda construiu uma casa com alicerce talvez de tijolos, de barro...

Todo homem é construtor e todo homem que edifica, que constrói, tem que fazer uma escolha do terreno. Todas as fundações, todas as construções que o homem fizer sofrerão os mesmos impactos da água, do vento, do clima. Terão que opor a mesma resistência. Mas Cristo nos diz que só uma permanecerá firme, esta é uma verdade fundamental! Antes, são três ou quatro verdades fundamentais desta parábola. Todos nós estamos construindo alguma coisa na nossa vida. Construindo com as nossas palavras. Falando, construímos. Silenciosamente, com os nossos pensamentos invisíveis, bons ou maus.

Construindo muito mais perigosamente, construindo muito mais seriamente, construindo muito mais a longo alcance e a longo prazo do que se fizéssemos realmente uma casa de tijolos ou de pedra, com fundações, porque estamos construindo na mente eterna. Estamos construindo no pensamento que sobreviverá a nossas construções transitórias. E as nossas ações geram carmas de ações transitórias e rápidas na face da terra. Os efeitos dos pensamentos, os efeitos das intenções permanecem vida após vida, até serem eliminados com a aceitação do carma. Ao passo que, as construções puramente humanas, podem ser muitas vezes apenas efeitos da leviandade ou da grosseria ou da ignorância do pobre homem terreno. Mas, aquele que pensa, está construindo a longo alcance, a longo prazo.

Cristo nos quer dizer, nesta parábola, que todos nós somos construtores, construímos pelo pensamento coisas que vão durar muito tempo. Estabelecemos pelo pensamento, pelo sentimento, pelas ações. Nestes três mundos em que vivemos aqui na terra: no mundo mental, no mundo dos pensamentos ou dos desejos. No mundo material, no mundo carnal e no mundo social. Dentro deste três mundo construímos permanentemente. O homem não é realmente o Homo sapiens, é o Homo constructor. Está sempre fazendo alguma coisa, sabendo ou não sabendo. Na sua sabedoria ou na sua ignorância, sendo inteligente ou néscio, prudente ou tolo, ele escolhe o terreno sobre o qual constrói a sua casa. O que quer dizer: escolhe o nível, o plano, o desígnio, a planta da vida sobre a qual edifica a sua construção espiritual e eterna, que é a sua própria existência.
“Todo aquele que ouve as minhas palavras e as cumpre e as observa será comparado a um homem prudente.”
Prudente quer dizer inteligente, sábio, ajuizado. que edificou sua casa sobre a rocha. Sobre fundamento firme, sobre fundação estável sobre alicerce garantidos, esta é a sabedoria da vida. Será que estamos fazendo isto? Se sabemos que Cristo é a Rocha dos Séculos, estamos construindo a sua vida sobre o alicerce que ele nos mostrou no Sermão da Montanha ou mais extensamente no seu Evangelho? A nossa casa está sendo construída de acordo com a planta do Evangelho, de acordo com o desenho do evangelho? Mas essa casa tanto quanto a outra sofre a mesma prova de resistência, então é o terceiro ponto de uma verdade soleníssima: todo homem é construtor, todo homem é obrigado a escolher o terreno para edificar a sua vida, o seu destino, uns são sábios, outros néscios. A inteligência escolhe a Rocha, o terreno firme. Não constrói tendas, constrói moradas. Não constrói acampamentos para diversão transitórias, para recreio de alguns dias, constrói uma morada eterna, como diz São Paulo. A construção que o néscio fez, construção sobre a areia, é construir a vida na terra de ilusão das criaturas. O néscio constrói sobre a areia, o sábio constrói sobre a rocha. O primeiro homem da parábola, o prudente, constrói sobre a rocha dos séculos. Constrói pelo desenho da planta arquitetônica dos Evangelhos. O outro, o beduíno, o viajante, o andarilho aloucado, constrói uma tenda que pode ser destruída pelos vendavais do deserto. A própria casa construída sobre a areia desavisadamente será destruída e será grande a sua ruína. Que construção afinal será esta ? Cada homem é um construtor, nós estamos construindo sempre, eu estou falando aqui e vós estais em silencio. Todos nós estamos construindo, construindo alguma coisa, isto que eu estou dizendo aqui, lembrando a parábola final do Sermão da Montanha, eu estou convicto de que isto é verdade!
Desejaria que estivesses convictos também que é preciso construir, mas construir firmemente e que construir firmemente só se consegue construindo-se sobre a rocha, mas a rocha aqui não é a terra dura, não é o penhasco da base das montanhas, não é a terra sólida, firme, da qual se fazem bons fundamentos e se lançam alicerces seguros. Nesta maravilhosa alegoria, nós podemos sentir com o coração. Ele é a Rocha dos Séculos. Construir de acordo com o Cristo. Ouvistes estas palavras, disse um dia o Senhor Jesus. Ouviste esta palavras, bem aventurados sereis se as cumprirdes! Nós estamos ouvindo aqui esta Parábola chave do Sermão da Montanha, esta Parábola que encerra o discurso do Monte. Ela nos convida a construir nossa vida, nosso destino, sob a filosofia de Cristo, de acordo com a realidade divina que Ele nos trouxe de Deus. E o verbo se fez carne e habitou entre nós e vimos a sua glória. A lei foi trazida por Moisés, mas a verdade e a graça vieram por Jesus Cristo. Construímos a nossa vida como o néscio que construiu na areia. Construímos na areia, na areia movediça da vida terrena, da instável vida terrena. Não é o que a maioria da humanidade faz ? Toda construção, construção de vida construção de destino é mais ou menos baseada em sonhos humanos, em ideais humanos. Nossos projetos, quero dizer, da quase totalidade da raça humana, nossos projetos são projetos para a Terra. Nossas construções são construções aqui na terra lodosa e triste. Nessa terra de que fala Auta de Souza;

Degredados na terra tenebrosa
Terra de sombra estranha e dolorosa
Recamada de prantos e de espinhos...

Nós construímos nessa terra dolorosa, nessa terra de sombra estranha... Aqui estão os nossos ideais, que vivem, sobrenadam e se estendem, ano após ano, como se tivéssemos que viver aqui eternamente. Nossos sonhos são plantados na terra. Nossos ideais são para um amanhã ou depois de amanhã, aqui mesmo na Terra. Quando nós falamos em futuro, falamos em futuro na Terra. Quando os pais olham para os filhos e pensam no futuro dos filhos, eles pensam em construir o futuro dos filhos aqui na Terra.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Pregação de Flávio em 31 de dezembro de 2006




Ó Deus, nosso Pai Celestial, renova-nos o sentido de tua gloriosa presença, e que ela seja, dentro de nós, um constante impulso para dar-nos paz, fidelidade e valor em nossa peregrinação. Deixa que nos apeguemos a Ti, com um coração amante e cheio de adoração; deixa que todos os nossos afetos se fixem em Ti, de tal modo que uma inquebrantável comunhão de nossos corações Contigo nos acompanhe em tudo o que façamos, através da vida e da morte.
Ensina-nos a orar de todo o coração; a ouvir tua voz dentro de nós e a nunca desatender a teus conselhos.
Eis que trazemos nossos corações, como um sacrifício, a Ti; vem e enche teu santuário e não conquistas que coisa alguma impura penetre neles.
(Tersteengem, Sal da Terra, Clóvis Tavares)


Algo muda após o Natal de Jesus.
A renovação íntima induzida pelo ano Novo e refletida na mudança dos hábitos escolares, do crescimento das crianças, dos hábitos de vida, da renovação visual de cada um, de seu vestuário, da necessidade de se desfazer de coisas velhas, da necessidade de doar algo de si mesmo e da esperança que permeia todos os corações ávidos de uma nova vida.
Por isso a poesia de Luís Alberto que reproduzo abaixo é um estímulo otimista, pois algo mudou, alguém mudou, alguém melhorou, alguém se recuperou, se renovou, se restruturou e na visão poética , podem ser "muitos".

Daquela hora em diante...
Desde ali nunca mais muitos homens choraram,
Desde ali nunca mais muitos homens sofreram,
Desde ali nunca mais muitos homens mataram,
Desde ali nunca mais muitos homens morreram,

Desde ali nunca mais muitos homens se odiaram,
Desde ali nunca mais muitos homens temeram,
Desde ali nunca mais muitos homens tramaram,
Desde ali nunca mais muitos homens cederam,

Desde ali nunca mais muitos homens blasfemaram,
Desde ali nunca mais muitos homens pecaram,
Desde ali nunca mais muitos homens se venderam,

Desde ali nunca mais muitos homens falaram,
Desde ali nunca mais muitos homens brigaram,
Porque desde ali muitos homens compreenderam... (Luís Alberto Mussa Tavares- O Nascimento de Jesus. Edição Própria. Campos-RJ, 2006)


A Esperança é ainda transmitida a todos com quem convivemos através de um simples “Feliz Ano Novo”!

De “Sal da Terra” retiro ainda além da oração inicial do sábio protestante Tersteengem, um texto do Sadu Sundar Singh, também um valoroso cristão indiano:

“Certo dia, um lixeiro passou por mim com uma vasilha de lixo tão malcheirosa que quase me fez vomitar. Ele, entretanto, estava de tal modo afeito aquilo que, com a outra mão, levava o alimento a boca. E o apostolo dos pés sangrentos assinala que nos habituamos de tal maneira ao pecado e ao mal, que vivemos no mundo quase sem os notarmos: mas, Cristo deveria sentir-se aqui como eu me senti naquele dia. É engano pensar que os sofrimentos de Cristo se limitaram à cruz. Ele esteve trinta e três anos na cruz”.

Isso nos faz recordar que nós também, assim como o lixeiro, estamos habituados ao odor fétido de nosso mundo. Que exala pecado em todas as suas formas e expressões.

As nossas células olfativas habituam-se sempre a um odor característico e já não o sentimos mais. Se em nosso ambiente de trabalho há um odor característico como hospital, usina de açúcar, com o seu vinhoto, laboratório químico, etc. passamos a não sentir nada quando ali estamos. Se , entretanto, recebemos uma visita no seu interior, ela logo comentará a sua sensação de cheiro desagradável.

Biologicamente a adaptação é uma parada na evolução. A desadaptação, ao meio , ao contrário, conduz o ser vivo a novas formas de adaptação, a mudanças em sua natureza, configurando uma evolução. Assim, o meio desfavorável, é paradoxalmente responsável pela evolução biológica. O ambiente hostil suscita “riquezas escondidas” nas espécies que a farão alcanças mecanismos biológicos mais sofisticados e evoluir. É isso que tem ocorrido ao seguir dos milênios de evolução planetária.

E é justamente diante das provas da vida que logramos evoluir, que logramos empregar os mecanismos mais sofisticados com que Deus nos tem prodigalizado a alma para alcanças maiores degraus em nossa escalada evolutiva através de nossa cadeia de vidas sucessivas e soldarias pelo planeta Terra.

E diz novamente Clovis Tavares em “Sal da Terra”:

“Os homens, ainda hoje, são aqueles mesmos seres de quem Jesus teve grande compaixão porque andavam desgarrados e errantes como ovelhas que não tem pastor. (Mat.9:36).
Hoje, graças a Deus, as trevas fogem e o esplendor das luminosidades eternas deslumbra e edifica as almas.
O dogma perde o seu fulcro e cai, para que a lâmpada seja colocada sobre o velador.
E a abençoada promessa do Cristo de Deus já é vista fulgurante e consoladora, pelos que tem olhos de ver, já é ouvida entre angélicas sinfonias, pelos que tem ouvidos de ouvir.
O Paráclito, o Espírito da verdade, já veio ensinar todas as coisas, guiar os homens em toda a verdade, repetir tudo o que o Mestre lecionara. (Jo. 14:26 e Jo.16:13).
E os seus ensinamentos, complementares da revelação messiânica, nos descem das sagradas regiões da luz, como a terceira explicação do Amor de Deus aos homens.
Allan Kardec, o Paulo de Tarso da história moderna, grande apóstolo cristão da geração de hoje, recebe de Deus a missão de clamar, como ordenava o profeta Isaias, anunciando á raça humana que são chegados os tempos em que são chegados os tempos em que o reinado da matéria terá que ser substituído pelo império do espírito.
A Nova Revelação, o Espiritismo, codificado pelo missionário lionêns, aparece aos que querem fazer do Evangélio o poder de Deus para salvar as criaturas como a legítima dispensação do Espírito da Verdade.
E não é a afirmativa gratuita: as novas luzes que ele traz, a palavra balsâmica de esperança, a prova da imortalidade do espírito, a revelação esplendorosa do Grande Alem, as grandes conversões de ateus à Verdade Divina, mostram a ascendência celestial do Espititismo, que anuncia hoje “os tempos do refrigério pela presença do Senhor”. (At.3.19).
Como consolador, ele fala as almas ctivas do desespero e das lagrimas, revelando-lhes a vida imortal, as muitas moradas da casa de nosso Pai.E aponta-lhes a pureza a virtude, o amor a divina ciência, entre as visões maravilhosas do infinito.
Como Espírito de verdade, vem dizer aos homens sem fé que uma vida se estende além da morte, dando aos descrentes e epicuristas as provas vivas e rigorosamente inabaláveis da sobrevivência do ser , da vida espiritual e, conseguidamente, da existência e do poder de Deus.
E as conversões se multipliquem, relembrando o dia glorioso de Pentecostes.
E o Consolador continua a sua obra divina, dando a palavra meiga de esperança aos que sofrem e fazendo brotar no coração dos ateus a fonte de água viva que mana para a Vida Eterna.”

E na qualidade de presidente da Escola Jesus Cristo, agradeço sinceramente a todos aqui presentes, a todos que freqüentaram todos as nossas reuniões públicas, de oração, de trabalho, de evangelização, nossos assistidos, nossas crianças , nossos jovens, nossos amigos, nossos visitantes do Rio, o já querido de todos, André Marinho, de Belo Horizonte, como o nosso querido Geraldo Lemos e Walter Barcelos e do Recife, o nosso estimado Humberto Vasconcelos.
Envolvemos todos em nossas vibrações melhores de Paz e reconhecimento, esperando que no próximo ano estejamos juntos lutando para sermos sempre melhores na ação, na palavra e na interação.

Assim seja.

Pregação de Flávio Mussa Tavares na sexta feira, 20 de dezembro de 2006


"Terminados os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém, para apresentá-lo ao Senhor
(conforme está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito será consagrado ao Senhor),
e para oferecerem um sacrifício segundo o disposto na lei do Senhor: um par de rolas, ou dois pombinhos.
Ora, havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem, justo e temente a Deus, esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele.
E lhe fora revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor.
Assim pelo Espírito foi ao templo; e quando os pais trouxeram o menino Jesus, para fazerem por ele segundo o costume da lei,
Simeão o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse:
Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra;
pois os meus olhos já viram a tua salvação,
a qual tu preparaste ante a face de todos os povos;
luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo Israel.
Enquanto isso, seu pai e sua mãe se admiravam das coisas que deles se diziam.
E Simeão os abençoou, e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este é posto para queda e para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição,
sim, e uma espada traspassará a tua própria alma, para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.
Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era já avançada em idade, tendo vivido com o marido sete anos desde a sua virgindade;
e era viúva, de quase oitenta e quatro anos. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.
Chegando ela na mesma hora, deu graças a Deus, e falou a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém. (Lc 2:22-38)


É interessante anotar a virtude da Esperança que predomina no rabino Simeão. Ele apenas “esperava”, mas com uma certeza tal que não cogitava de sua própria morte antes que tivesse certeza de que olhara nos olhos Aquele a Quem percebesse que era a Salvação do mundo.

No dia em que Jesus foi levado ao Templo, ele, já idoso, provavelmente não comparecia mais diariamente à Casa de Deus, mas neste dia foi “movido pelo Espírito”, isto é com uma forte intuição, predisposto por sua mediunidade apurada, por sua percepção, por sua pré-cognição, por sua premonição.

E lá chegando e vendo Jesus, seus sentidos espirituais se aguçaram ainda mais e através da “segunda vista” reconheceu Jesus pelo olhar.
É lindo saber que alguém pode reconhecer o outro pelo olhar.
“Meus olhos já puderam contemplar a salvação!”
“Vi através do brilho deste olhar de bebê, a Salvação, a Redenção, não somente para Israel, mas para tôo o mundo!”

Na narrativa do primeiro livro de Samuel, capítulo 9 , verso 17, há o relato de como Samuel reconheceu o Rei nos olhos de Saul:
“E quando Samuel viu a Saul, o Senhor e disse: Eis aqui o homem de quem eu te falei. Este dominará sobre o meu povo.”
Após a desobediência de Saul, Samuel foi buscar na pequena aldeia de Belém, entre os filhos de Jessé, os olhos de David: E Deus disse a Samuel: “Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura.. porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (I Sm 16:7)
E avistando David, fitando os seus olhos, reconheceu que era ele a quem o Senhor escolhera para ser o novo Rei do povo Judeu e de cuja descendência nasceria Jesus.

Assim, ainda no espírito do Natal, preparando os nossos corações para o Ano Novo, revisitemos Samuel e Simeão!

Escutemos as palavras de Deus, revelando-lhes através da pureza de seus sentimentos o que o olho humano não pode vislumbrar.

Purifiquemos nossos sentimentos, purifiquemos o nosso olhar sobre as coisas, aperfeiçoemos a nossa vivência e aproveitemos a graça doada por nosso Senhor de uma super-visão do espírito, que pode ver além dos olhos da carne e revelar-nos verdades que não são nem a carne e nem o sangue que nos revelam, mas o Pai que está no Céu.

sábado, dezembro 30, 2006

Sesqui-centenário de O Livro dos Espíritos



O maior monumento da humanidade em termos de Universalidade do Ensino dos Espíritos foi organizado por um dos baluartes da nova civilização, Allan Kardec. Ainda em fins do século XIX, esta monumental antologia da espiritualidade não passava de um par de décadas de existência e o nosso querido Dr. Bezerra, publicou no Reformador, artigo republicado em janeiro de 1974, onde dizia: "O Livro dos Espíritos, se for estudado carinhosa, detida e sistematicamente, durante cem anos, não será totalmente penetrado".

Equivocou-se Dr. Bezerra? Certo que não! Erramos nós! Temo-lo há 150 anos e ainda não o perpetramos integralmente!

Estudemos carinhosa, detida e sistematicamente pois, o Livro dos Espíritos!

Flávio Mussa Tavares

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Aula de Hilda Mussa Tavares na sala Clovis Tavares, na véspera de Natal

NO PRIMERIO NATAL ESPERAVA-SE AQUELE QUE SEMPRE ESTEVE PRESENTE...

"No principio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por Ele e, nada do que foi feito, sem Ele foi feito. .Nele havia vida e ávida era a luz dos homens”
(Ev. João, 1, 1-4)

“‘Por isto, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma Virgem conceberá e dará à luz um filho e o chamará de DEUS CONOSCO” (Is. 7,14)“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros e ele se chama : Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz” (Is.9,5)

1– Não há Natal para mim se o meu tempo não é o da eternidade.É no momento de minha decisão eterna que alcanço o sentido pleno do Natal.O homem foi feito para a eternidade. Dizia Alceu de Amoroso Lima que “o homem é um composto de tempo e eternidade. Ele encontra sua felicidade no tempo, preparando-se para a eternidade. Isto é construir na esperança, vigiar na fé e viver para a eternidade.”

O Natal tem a ver com a construção do Reino de Deus e foi para isso que Jesus nasceu!A palavra do Anjo anunciador do Natal, Anjo Gabriel, para Maria, para José e para os pastores foi : “Não temais".

Logo, a primeira atitude do cristão ante o Natal é de coragem para viver, embora com os pés no chão, mas, sobretudo, com o coração e alma na eternidade.A vida pode nos trazer montanhas de dificuldades e dores, mas o Natal é boa notícia para todos, motivo de alegria, de esperança porque para nós "nasceu um Salvador que é o Cristo Jesus”

É preciso coragem para ser cristão. É preciso coragem para aceitar Jesus como Salvador.

2 - Não há Natal sem conversão.
A conversão verdadeira admite que os nossos atos e critérios de ação se assemelhem aos atos e critérios de ação de Jesus Cristo.
E a conversão não é um momento , não é factual, é um processo, é um estado. Nós estamos nos convertendo. Paulo converteu-se ao longo de sua existência inteira.
A própria vida terrena é essencialmente tempo de conversão, de um voltar-se para Deus, de um encontrar-se sucessivamente com a pessoa de Cristo e seus ensinamentos.
Qual a influência do Natal sobre as nossas vidas? Ou o natal de Jesus me muda e me faz assumir compromissos de bondade, justiça, verdade, perdão e paz ou o natal será como ás águas de um rio que passam longínquas do terreno da minha história.

3 – Converter-se significa estar contribuindo para a construção do Reino de Deus.
A construção do Reino de Deus na Terra foi a razão do nascimento de Jesus, diz Emmanuel.Foi nas Mãos Sacrossantas de nosso Amado Mestre que Deus entregou a nebulosa que se desprendeu da nebulosa solar e deu origem à Terra.

Ao invés de olharmos pasivamente para o Jesus Menino, devemos buscar para as razões de seu nascimento. Não é nas nuvens do céu e nem no horizonte longínquo que acontece o Reino. É no homem! E foi para o homem que Ele nasceu!
Para sabermos como anda a construção do Reino dos Céus é só perguntar-nos: como está esta construção dentro de nós?
Como está esta construção em torno de nós?
Quantos milhares ainda morrem de fome ao nosso redor?
Quantos são traídos ou traem e precisam antes de mais nada perdoar e serem perdoados?
Quantos ainda cometem a ingratidão e quantos ainda usam de violência para alcançar os seus interesses, violência nos gestos e nas palavras? Quantos ainda sofrem perseguição por causa do Nome de Jesus?
E quantos ainda cometem crimes em Seu Nome?

4 - O Reino de Deus necessita de gestos concretos.
A nossa maior felicidade consiste em compreender que foi na noite
de Natal que “nos tornamos participantes da natureza divina”, como diz S. Pedro. “ A todos que O reconhecerem deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus". Jo.1,12

No Natal, não podemos permanecer somente na alegria do receber, mas devemos uma resposta àquele que se doou a si mesmo. Que não fechemos as portas do coração, da consciência e da inteligência; que não tenhamos vergonha da nossa pequenez ante a grandeza do amor de Deus.
Ele não veio para permanecer na manjedoura, caso não ache ainda lugar entre nós. Ele precisa encontrar abrigo em nossas vidas.
Ele é a esperança salvadora da humanidade.Mas é também no Natal de Jesus que se manifestam sanguinários como Herodes, o Grande, que manda matar os inocentes de Belém e dos seus arredores, com até dois anos de idade, por causa de seu espírito ambicioso, cruel e injusto.
Na terra, ainda, há Herodes habitando nos corações dos homens.
Natal juntamente com a noticia de alegria é também apelo à vigilância para que não deixemos que o espírito destruidor e injusto de Herodes comande nossas vidas, nossos atos, nossos sentimentos e julgamentos.
Natal é José e é Maria.

A humildade e renúncia de José, o compromisso levado a sério, o cuidado e a proteção. Maria, a fé, a confiança, o sacrifício, o silêncio. A prudência do Plano Espiritual mandou que a Sagrada Família fugisse para o Egito.

A doutrina que estava nascendo naquele natal não poderia ser sufocada. Em troca de sua vida, as das crianças, embora a responsabilidade do ato criminoso ficasse toda nos ombros de Herodes e na sua história espiritual que deveria ser resgatada, como foi.

O Natal, enfim, deve refletir uma humanidade aos pés de Jesus, ofertando dádivas que falem de sua conversão, de sua gratidão e de sua adoração. Sair do pecado de si mesmo e ir ao encontro de Jesus, isso é verdadeiramente NATAL!.

POR QUE DEUS AMOU O MUNDO

Porque Deus amou o mundo...

Luís Alberto Mussa Tavares

Porque Deus amou o mundo,
Mas amou,
Não apenas simpatizou
Ou gostou muito,
Ou demonstrou alguma outra forma qualquer
De afinidade,
Mas amou o mundo,

Não este pedaço
Ou aquele,
Ou esta parte
Ou a outra,
Mas o mundo
Inteiro,
Sem paredes,
Sem muralhas,
Sem fronteiras,
Amou o mundo

Não de um amor passageiro,
Egoístico
Ou fugaz,
Mas amou de modo absoluto,
Completo
E único,

De tal maneira
Que deu a ele,
Mas deu,
Não apenas prometeu
Ou mostrou que tinha,
Ou emprestou,
Ou tão somente contou,

Mas deu a ele O seu filho,
Não o amigo do seu filho,
O primo próximo,
O filho do seu filho,
Mas seu filho,
Não o mais novo,
Não o mais forte,
Não o mais bonito, mas
Deu a ele o seu filho unigênito

Para que todo aquele,
Não um ou outro,
Ou este ou aquele,
Ou uns mais, uns menos,
Ou uns nem,
Mas, indistintamente
E sem reservas,

Todo aquele que nele crê,
Não que fala em nome dele,
Não que prega o nome dele,
Não que escreve o nome dele,
Não que arrebata multidões em nome dele,
Não que grita: Senhor, Senhor,

Mas todo aquele que nele crê
Não pereça,
Ainda que enfraqueça, não pereça,
Ainda que caia,
Ainda que padeça, não pereça,
Ainda que sofra,
Ainda que esmoreça, não pereça,
Ainda que amargue,
Não pereça
Mas tenha vida,
Não glória,
Metal,
Poder,
Ou Honrarias de Estado,
Não fama,
Nome,
Prestígio,
Ou bem estar social,
Mas vida,
Não pequenina,
Passageira,
De efemeridade
Cercada pelas paredes do tempo
Imperdoável,
Mas tenha Vida Eterna...


MENSAGEM DE NATAL

É que Vos nasceu hoje, na cidade de Davi,
O Salvador, que é Cristo, o Senhor..
Lc.2:11


Prezados ouvintes:
Uma vez mais convosco, e agora, às vésperas do Natal, das doces comemorações da Vinda ao nosso mundo Daquele que é Vida de nossas almas e a bendita luz de nossos destinos: o nosso amado Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Sim, caros irmãos, caros amigos, sejam ternas, sejam tocadas de Celestial doçura nossas lembranças do Divino Amigo, neste natal que se aproxima, natal que recorda sua Divina visita ao nosso mundo angustiado e ingrato...
Relata o Evangelho de Lucas, no seu segundo capítulo, que nas visinhanças de Belém de Judá, numa humilde gruta, nasceu o Salvador do Mundo. José e Maria, em vão buscaram na cidadezinha de Davi um pequeno cômodo em modesta Hospedaria. Vinham de longe, de Nazaré da Galiléia, até a Judéia, para cumprirem seu dever, chamados pelo recenceamento de Augusto. Não encontraram, entretanto, lugar para eles nas hospedarias de Belém, afastaram-se das ultimas casinhas em direção ao campo vizinho e numa gruta, vazia aberta num penhasco, finalmente repousaram... Foi ali, na lapa humilde, que Jesus nasceu... Tudo tão simples, tão pobre; Como é melancólico lembrar que “nem havia lugar para eles na estalagem”... Foi naquele recanto de absoluto desconforto humano, mas, de inefável beleza divina, que o Senhor da compaixão, despontou entre os homens... E foi deitado em uma manjedoura... Pastores que moravam naquelas Campinas estavam velando pelos seus rebanhos durante as vigílias da noite, conta o Evangelho. Eis senão quando, um anjo de Deus lhes apareceu. E no seio do esplendos espiritual que de si irradiava, o Mensageiro do céu disse aos humildes pastores:
“Não temais, pois eu vos trago uma boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo: hoje, vos nasceu na cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo Senhor” (Lc,2:10-11)
Eis, caros ouvinte, a beleza oculta da mensagem do natal trazida pelo anjo do céu: “Hoje vos nasceu um Salvador...”
Meditemos um pouco na grandeza e no conforto dessas abençoadas palavras, que são eternas e universais, e ultrapassam os limites da capina de Belém e permanecem tão vivas como no século de Augusto.
“Hoje vos nasceu um Salvador”. Sim, disse o Anjo, “nasceu para nós”, para nós filhos da terra, para nós, filhos do erro, para nos todos, que trabalhamos e sofremos, que caímos e choramos, que lutamos e temos sede de paz e amor, embora nossos múltiplos pecados e nossas ânsias de sabedoria, no seio das falsas grandezas de nossa civilização ou na solidão glacial de nossos egoísmos... Sim, ele veio para nós! Para todos nós, Deus Louvado!
Veio para a alma simples e humilde, que faz o bem às ocultas, que ama a Deus no santuário silencioso de seu coração e é muitas vezes incompreendida pela sua singeleza dalma ou pela sua intima espiritualidade, que naturalmente a distancia do bulício da vida, das competições da ambição, dos fastígios da glória social. Cristo nasceu para essa alma simples, que ama e sofre, que ajuda e sonha, e que recebe dele, o Bem-Amado de seus sonhos espirituais, a carícia das bênçãos espirituais, a água viva que reconforta e sustenta, o amparo em sua caminhada para Deus...
Cristo veio também para a alma paganizada e inquieta, possuidora de títulos do mundo e vazia da graça celeste, amiga do luxo, escrava da vaidade, angustiada no vórtice de seus prazeres, muitas vezes tristes entre as alegrias estonteantes das festas, dos banquetes, das musicas ruidosas, dos palacetes encantados, dos transatlânticos maravilhosos, dos salões elegantes... Para essa pobre alma, mergulhada nas trevas do materialismo e no sono dos egoísmos cruéis, para essa alma pobre também Cristo veio... Veio para liberta-la das ilusões da efêmera grandeza humana e apontar-lhe o caminho estreito que conduz á vida verdadeira, veio para ensinar-lhe que há uma riqueza que a traça não roi e o ladrão não rouba, eterna nos céus; veio para dizer-lhe mansamente e ternamente que ao lado dos desperdícios e das loucas abundancias dos banquetes e das festas sociais, existe a multidão dos esquecidos, dos esfomeados, dos tristes, a escória dos desgraçados que mendigam uma côdea de pão e um gesto de carinho; veio para trazer-lhes ao coração engolfado nos prazeres do pecado e na loucura das ambições sem limite a doçura de sua palavra de verdade e vida a ternura de um amor sem fingimentos, o jubilo das promessas de seu Reino, uma advertência reveladora de uma vida maior...
“Hoje vos nasceu um Salvador”... Veio para nós, para nos salvar. Veio para todos, por amor a todos, buscar as almas transviadas do reto caminho e conduzi-las ao Regaço de Deus, onde existe paz e sabedoria, onde a alma encontra a felicidade que não se desgasta e a luz que não se apaga.
Cristo veio para o pobre que sofre em silencio os problemas de sua provação e do seu salário minguado. E o Salvador derrama sobre seu coração padecente e seu lar desconfortável os eflúvios da resignação e esperança...
Cristo veio para os órfãos e para os tristes, que nele encontram o amparo e a consolação de seus lábios divinos ouvem, como outrora os apóstolos da ultima ceia: “ Meus filhinhos...”
Cristo veio para os jovens, hoje tão esquecidos das exelencias da espiritualidade porque infelizmente, em sua quase totalidade, tem sido os esquecidos em seus próprios lares, pelos seus próprios pais, sempre ocupados na multiplicação dos cifrões ou nos compromissos da futilidade social, entre o whisky e a passarela. Para os jovens felizes e para os “órfãos de pais vivos”, para a mocidade de consciência retilínea e para a juventude desorientada, Cristo é a esperança e o roteiro, no burilamento de suas almas e na conquista de seus objetivos.
Cristo veio para os ricos, para os poderosos, para os que governam, para os que administram, para os que conservam em suas mãos a liderança do mundo. Veio para comunicar-lhe as noções superiores do exercício dignificante do poder econômico ou político, pois também Ele é chefe, também Ele é Senhor, é Rei, e Rei de um mundo muito maior e mais complexo do que o nosso, de um universo espiritual que transcende nossa compreensão. Cristo veio também para os poderosos da terra, para ensinar-lhes que toda vida e de modo especial a existência é responsabilidade: missão do bem, de justiça, de fraternidade humana, de compaixão pelos mais fracos e mais pobres, entrosando-se com a inerência da responsabilidade, diante de Deus e da própria consciência, no desempenho de suas tarefas sociais ou do usufruto da riqueza terrena, pois Deus é o suplemo Senhor do universo e o legítimo e único proprietário de todas as coisas: “Senhor do céu, da terra e de tudo o que há neles há”, como diz a escritura sagrada.
Cristo veio para as crianças, Ele foi e continua sendo o Maior Amigo de todas as crianças, Ele que abençoou uma criancinha e a ofereceu ao mundo como modelo a ser imitado, dizendo: “Aquele que não se converter e não se tornar humilde como uma criança, de modo algum entrará no Reino dos Céus”. E parece que todas as crianças sentem, no seu intimo, na sua consciencie profunda, que é o seu Grande Amigo do Céu e o amam com extremos de ternura e piedade.
Caros ouvintes, alegremo-nos em Deus, que enviou seu bendito Filho para nós, para todos nós, para nossa ventua, fortaleza e salvação.
Que os justos se regozijem, pois Cristo é seu apoio e sua consolação, no mundo que não os entende e muitas vezes não os suporta.
Que os pecadores se alegrem, pois Cristo veio buscar o que se acha perdido e a oportunidade da salvação é oferecida a todas as almas que andam pelos vales sombrios do pecado e do erro. Jesus estende os braços aos repudiados da vida, aos marginais da sociedade humana e oferece-lhes uma vida nova, longe da corrupção e das ilusões douradas, no amplo risonho abrigo de seu coração compreensivo e magnânimo.
Que os tristes e humilhados da vida se rejubilem também, pois o Senhor da Compaixão os chama para consola-los: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei... Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas...”
Caros amigos ouvintes: esta é a mensagem do Natal, do Natal vivo e permanente, do Natal que não passará Jamais, pois registra a maior dádiva que o mundo já recebeu, a dádiva do Filho de Deus, do Salvador Jesus, que veio para nós, sintamos bem a grandeza dessas palavras: veio para nós, Hoje vos nasceu o Cristo Senhor!
Saibamos fazer doce silencio no mais intimo de nossa alma e meditando na excelsitude do Divino Presente, agradeçamos ao Deus infinitamente Bom, Pai de nossas almas, o seu dom supremo, Jesus, nosso doce e bendito Jesus, nosso amigo que não falha, Médico de nossas almas, advogado de nossos espíritos, construtor de nossa felicidade eterna, Mestre da sabedoria imortal, companheiro da grande virgem, nosso Senhor e nosso rei!
Agradeçamos, no jubilo espiritual desta data magna que se aproxima, agradeçamos ao pai do céu, esse dom supremo de seu Bendito Filho, a que o sábio Emmanuel denominou o “Amigo de todos” e a doce Santa Catarina de Siena só sabia chamar: “Jesus doce, Jesus amor”...
Que do seu reina de luzes inacessíveis e de Beleza inefável Ele nos abençoe a todos, aproximando mais e mais nossos pobres corações impenitentes e rebeldes, nossos corações cansados de sofrer, nossos corações necessitados de paz, do seu Bendito Coração, cheio de Divina Luz e de Inesgotável Amor.

( Na Rádio Continental, em 12 de dezembro de 1959)

domingo, dezembro 10, 2006

O MÊS DE DEZEMBRO

O mês de dezembro é lembrado pela cristandade como o mês do Natal de Jesus.
É uma época de magia para toda a sociedade, quando um hálito de piedade e benevolência para estar sendo aspergida por alguns anjos em todo o planeta.
Quantos não se perdiam mutuamente nesta época?
Quantos não abrem os seus corações e dedicam parte do seu tempo a um pouco de caridade. Será uma falsa caridade? Terá função de apenas reduzir tensões psíquicas de nossa culpa burguesa? Terá apenas objetivo de auto-promoção? Se a nossa vida é regina pelo aspecto da finalidade das coisas, o motivo importará menos. A resultante é boa. Muitos vão se beneficiar dos que buscam fazer o bem por motivos escusos ou simplesmente para acalmar seu super-ego.
Entretanto, há um aspecto interessante nesse processo que é o de esvaziamento. O Natal é próximo do fim do ano. Um ano que termina. Renovação. Restauração. Regeneração. Renascimento.
Natal : nascer. Ano Novo: re-nascer.
Feliz Natal e Feliz Ano Novo: Um bom tempo de nascer e de re-nascer!
Todavia é necessário esvaziar um depósito. Em nossa casa há vários vasilhames que necessitam ser esvaziados. Há várias gavetas, armários, estantes, quarto de guardados, porões, sótãos, todos entulhados de coisas velhas, papéis, roupas, coisas, coisas, coisas. Objetos de estimação? Recordações de parentes que já partiram para a outra vida? Relíquias? Mas continuam sendo coisas.
E em nosso psiquismo, existem elementos arquivados? Quantos gigabites de nossos cérebros estão armazenando arquivos que poderiam ser descartados sem a menor possibilidade de fazer falta? Quantos arquivos estão arquivados na área da mágoa? Do ressentimento? Das recordações amargas? Do ódio? Da sede de vingança? Da desesperança? Da negatividade mental? No desespero, da angústia, do desânimo, dos hábitos e vícos, da impiedade?
Como encontrar espaços vazios em nossa emotividade para aplicarmos o que vimos aprendendo , se nem ao menos nos lembramos de apagar os arquivos velhos?
Como apagá-los? Não alimentando-os! Eles são ávidos, necessitam de sobreviver com muito custo de nossas emoções. Neguemos à eles a vitalidade que só deve ser oferecida ao perdão, à humildade, ao entendimento, à concórdia, ao desapego, à coragem, à vontade...
Armemo-nos de coragem para enfrentar os gigantes de nossa alma.
E ainda existe uma técnica para aprender o esvaziamento emocional. É o esvaziamento de nossas gavetas, dos armários, das casas, das coisas...
Esvaziemos os nossos espaços físicos e treinemos o espírito para esvaziar os espaços metafísicos do coração.
Enriqueçamos o nosso manancial de bênçãos criativas, renovando a nossa capacidade de sentir o amor ao próximo, a nossa capacidade de nos sentirmos irmãos, de nos tornamo-nos gente. Gente como a gente.
Só assim, os nosso espíritos estarão se libertando de antigos pesos e tomando para os seus ombros os novos fardos, leves, suaves, encantadores, como o fardo do Senhor.

sábado, dezembro 09, 2006

O mês do Natal

Faço aqui um início de nossa publicação do mês de dezembro, voltada para o Natal, publicando um pequeno trecho de "Sua Voz" , que nos demonstra que a Lei é a mesma e que o nosso Mestre tem sempre a paciência de nos esperar e nos convencer empregando até mesmo os argumentos nossos.

"Chegarei ao Evangelho de Cristo pelos caminhos da ciência, ou seja, chegarei ao Evangelho pelos caminhos do materialismo, a fim de fundir os dois pretensos inimigos:
a
ciência
e a
.
Isto para mostrar-vos que não existe caminho que não leve ao Evangelho, para impô-lo a todos os seres racionais, tornando-o obrigatório, como o é qualquer processo lógico. Ele é a nova lei super-humana, a superação biológica imposta pela
evolução da humanidade neste momento histórico, quando está para surgir a nova civilização do terceiro milênio. Chegou a hora em que estes conceitos, esquecidos e não compreendidos, pregados mas não vividos, tenham que explodir por potência própria, no momento decisivo da vida do mundo, fora do âmbito fechado das religiões, na vida em que:
o
interesse luta,
a
dor sangra,
a
paixão transtorna. "
(A GRANDE SÍNTESE - Nossa meta - A nova lei - Pietro Ubaldi - Itália - 1937)

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Nova tradução de O Livro dos Espíritos

Uma edição especial de O Livro dos Espíritos, com nova tradução e notas de rodapé inéditas, é uma das principais ações que a Federação Espírita Brasileira (FEB) programou para 2007, quando se comemora os 150 anos da Doutrina Espírita. O Livro dos Espíritos – marco inicial do Espiritismo – foi lançado por Allan Kardec no dia 18 de abril de 1857, em Paris, França. O lançamento da nova tradução de O Livro dos Espíritos vai acontecer nos dias 9 e 10 de dezembro de 2006 e assinala a abertura das comemorações dos 150 anos do Espiritismo na Federação Espírita Brasileira. No dia 9, o lançamento ocorre na sede histórica da FEB, no Rio de Janeiro. A solenidade inicia às 10h e contará com palestras de Juvanir Borges de Souza (ex-presidente da FEB), Evandro Noleto Bezerra (tradutor da obra) e Arthur Nascimento (diretor da FEB). É necessário retirar os convites na própria sede histórica. O endereço é Av. passos, 30, Centro. No dia 10 de dezembro, na sede da FEB em Brasília, o lançamento da edição especial de O Livro dos Espíritos está programada para as 16 horas. As palestras previstas são de Evandro Noleto, Altivo Ferreira (vice-presidente da FEB) Antonio Cesar Perri de Carvalho (diretor da FEB). Não é necessário retirar convites. A sede da FEB fica na avenida L-2 Norte, Quadra 603. Asa Norte.
A tradução de Guillon Ribeiro - A FEB publicava, até então, apenas a tradução do seu ex-presidente, Luiz Olímpio Guillon Ribeiro. Uma obra clássica, que tem como marca registrada a linguagem refinada. Engenheiro civil, poliglota, jornalista e vernaculista, aos 28 anos de idade Guillon teve sua competência como escritor reconhecida publicamente por Ruy Barbosa, em discurso pronunciado na sessão de 14 de outubro de 1903. A razão do elogio: o impecável trabalho de Guillon na revisão do Projeto do Código Civil brasileiro. Ele traduziu, ainda, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, A Gênese e Obras Póstumas, todos de Allan Kardec.
A nova tradução de O Livro dos Espíritos – que foi apresentada na reunião do Conselho Federativo Nacional da FEB, de 10 a 12 de novembro passado – é assinada por Evandro Noleto Bezerra. Secretário-Geral da FEB, Noleto já traduziu os doze volumes da Revista Espírita editados por Allan Kardec e, no ano passado, lançou Viagem Espírita em 1862, O Espiritismo na sua Expressão Mais Simples, Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas (todos de Kardec) e organizou Instruções de Allan Kardec ao Movimento Espírita. A tradução de Noleto é fruto de um dedicado trabalho de pesquisa nos originais franceses existentes na Biblioteca de Obras Raras da FEB. Ele tomou como texto básico a segunda impressão da 2ª edição francesa, de 1860 com alguns acréscimos, supressões e modificações feitos pelo próprio Allan Kardec: na 4a edição, de 1860; na 5a edição, de 1861; na 6a edição, de 1862; na 10a edição, de 1863; e na 12a edição, de 1864. Essas alterações acham-se claramente definidas e explicadas pelo tradutor ao longo das páginas correspondentes do livro, sob a forma de notas de rodapé. “Na seqüência da 12ª edição do original francês, incluindo a 13ª, de 1865 e durante todo o restante período em que Allan Kardec esteve encarnado, não consta ter havido qualquer outra modificação, o que torna definitiva essa 12ª edição”, explica o tradutor. Noleto optou por um texto direto, sem inversões, e buscou atualizar algumas expressões usadas por Guillon Ribeiro e que atualmente estão em desuso na língua portuguesa, mas preservando a exatidão do texto original francês.

sábado, novembro 25, 2006

PADRE ÉMILE DES TOUCHES


Clóvis Tavares

Des Touches nasceu na França, de família nobre e rica. Ordenou-se sacerdote na Igreja Católica e, no desempenho de seu múnus eclesiástico, foi um cristão exemplar.
Tão digno e virtuoso, tão profundamente amigo de Jesus, que, pela sua genuína renúncia evangélica, foi muitas vezes incompreendido por seus próprios companheiros da Igreja romana, que não puderam entender sua alma lucidamente abnegada e santa.
Abandonando os bens e as glórias do mundo, deixou para sempre o seu palácio e suas riquezas na França, onde era o aristocrata Émile Hertoux Des Touches de Calignie des Fenets, para ser o apóstolo humilde de Jesus, vivendo como pobre entre os pobres, em renúncia franciscana, incompreendido e magnânimo, incansável no bem e na caridade: um símbolo vivo do Evangelho.
Revelou sempre grande cultura e super-humana humildade e aceitou ainda em vida terrena, a sublime verdade da Revelação Espírita. Considerava Kardec "um grande homem de Deus".
O santo velhinmho, amigo carinhoso dos pobres e das crianças, desencarnou em Campos, aos 14 de novembro de 1930 e é hoje um dos dedicados mentores espirituais da Escola Jesus Cristo.
Que Deus o felicite, cada vez mais na Glória da Pátria Celestial.

domingo, novembro 12, 2006

JUSTIÇA DIVINA- palestra de Flávio de 12/11



Não há uma única imperfeição da alma que não carregue consigo as suas conseqüências deploráveis, inevitáveis, e uma única boa qualidade que não seja a fonte de um prazer. A soma das penas assim é proporcional à soma das imperfeições, do mesmo modo que a dos gozos está em razão da soma das qualidades. A alma que tem dez imperfeições, por exemplo, sofre mais do que aquela que não as tem senão três ou quatro; quando, dessas dez imperfeições, não lhe restar senão a quarta parte ou a metade sofrerá menos, e, quando não lhe restar nenhuma delas, não sofrerá mais de qualquer coisa e será perfeitamente feliz. Tal, sobre a Terra, aquele que tem várias enfermidades sofre mais do que aquele que não tem senão uma, ou que não tem nenhuma. Pela mesma razão, a alma que possui dez qualidades goza mais do que aquela que as tem menos. Allan Kardec. O Céu e o Inferno – Capítulo VII – Parágrafo 3


Mensagem de Emmanuel: Corrigir e Pagar

Cada hora, no relógio terrestre, é um passo de tempo, impelindo-te às provas de que necessitas para a sublimação do teu destino.
Exclamas no momento amargoso: "Dia terrível!".
Esse, porém, é o minuto em que podes revelar a tua grandeza.
À frente da família atribulada, costumas dizer: "O parente é uma cruz".
Tens, contudo, no lar, o cadinho que te aprimora.
Censurando o companheiro que desertou, repetes, veemente: "Nem quero vê-lo".
No entanto, esse é o amigo que te instrui nos preceitos do silêncio e da tolerância.
Lembrando o recinto, em que alguém te apontou o caminho das tuas obrigações, asseveras em desconsolo: "Ali, não ponho mais os pés".
Todavia, esse é o lugar justo para a humildade que ensinas.
Quando as circunstâncias te levam à presença daqueles mesmos que te feriram, foges anunciando: "Não tenho forças".
Entretanto, essa é a luminosa oportunidade de pacificação que a vida te oferta.
Se sucumbes às tentações, alegas, renegando o dever: "Seja virtuoso quem possa".
Mas esse é o instante capaz de outorgar-te os louros da resistência.
Toda conquista na evolução é problema natural de trabalho, porque todo progresso tem preço; no entanto, o problema crucial que o tempo te impõe é debito do passado, que a Lei te apresenta à cobrança.
Retifiquemos a estrada, corrigindo a nós mesmos.
Resgatemos nossas dívidas, ajudando e servindo sem distinção.
Tarefa adiada é luta maior e toda atitude negativa, hoje, diante do mal, será juro de mora no mal de amanhã.
(Justiça Divina, F.C. Xavier/Emmanuel)



Nossa mentalidade é primordialmente centrada na necessidade de pagar, mas Jesus nos dá conta de um Pai que é acida de tudo misericordioso e quer que nós corrijamos nossas atitudes pois é Pai e não simplesmente paguemos, pois não é agiota.
Pagar na Agenda Divina é Corrigir!
No Livro de Contas de Débitos e Créditos, Deus nos oferece sempre créditos que nos facilitem repararmos e sanarmos as nossas falhas pretéritas.
O que importa é reparar.
A Lei de Causa e Efeito pede que melhoremos pela Ação e não pelo nosso Sofrimento. Sofrer somente serve para limitar a ação de nossos erros, mas para curar as nossas enfermidade psíquicas é fundamental Agir. Ação no Bem, na Caridade, no Serviço Humilde, como uma Pena Alternativa que a Justiça Terrestre finalmente considerou necessária para as penalidade humanas.
Se o homem, que ainda é imperfeito já pode conceber a comutabilidade penal em serviços comunitários para o bem geral e educação do faltoso, como Deus, no seu Amor Incondicional, não nos prepara penas alternativas para comutar o nosso castigo em ação meritória? Esse é o formidável panorama que a Lei das Vidas Sucessivas nos ofererce. Disse Jesus citando Oséias 6:6 : "porque eu quero o amor mais que os sacrifícios, e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos."
Jesus disse isso quando encontrou o seu discípulo Levi, que era cobrador de impostos, um publicano. Foi almoçar na casa de Levi e os fariseus o reprovaram. Ao que Jesus respondeu: "Ide e aprendei o que significam estas palavras: Misericórdia quero e não o sacrifício."
Estas palavras demonstram que Jesus no seu tribunal celeste quer reconhecer o que fizemos para reparar os nosso erros e não o quanto nos mutilamos para cumprirmos sentenças .
Da mesma forma, quer que retornemos a este mundo, pois ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo, para repararmos, corrigirmos, reformarmos, reestruturarmos a nossa conduta, nossos hábitos, nossos vícios, transformando a multidão de pecadores num colégio de santos.
E na Doutrina Espírita que nos apresenta Jesus como aquele que faz a promessa de um Novo consolador, afirmando que Ele mesmo também o era, diz que o Paráclito é um Advogado! É um defensor de nossas almas no julgamento de Deus. Toda a cristandade fundamenta-se na Instituição de um julgamento , de um Juizo, de um tribunal superior. E João, nos afirma em sua 1 epístola, capítulo 2: "Filhinhos meus, isto vos escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo."
Jesus Não quer que pequemos, não quer que erremos, não quer que caiamos, não quer que fracassemos, não quer que falhemos em nenhum momento de nossas vidas. Mas afirma o Apóstolo de Patmos, que se errarmos, falharmos, cairmos, fracassarmos, teremos um Defensor Público no Tribunal Celeste.
Assim, tenhamos confiança em Deus, creiamos em Jesus, não perturbemos os nosso corações, creiamos e oremos sempre por mais Fé, por que temos quem por nós interceda nos planos mais elevados da Criação!

A REENCARNAÇÃO- palestra de Flávio em 10/11



Como pode a alma, que não alcançou a perfeição
durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?
"Sofrendo a prova de uma nova existência."
Livro dos Espíritos, q.166


Como conciliar a necessidade de reencarnar ensinada pelos espíritos a Kardec em O Livro dos Espíritos, na questão acima com o Sede Perfeitos?
Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.Mt 5:48)
Uma criança, em idade escolar pode ser perfeita na terceira série, o que não a habilita para passar à 5a. série.
Estamos nesta Escola que é a Terra em os mais diversos graus de escolaridade espiritual. Aperfeiçoar-se é ordem do Cristo, todavia no patamar possível ao nosso eu. Não é razoável querer tornar-se um São Francisco se ainda temos paixões que nos arrastam. É necessário aprimorar-se renegando dentro de nós mesmos todas as nossas compulsões para o erro, para depois de muitas vidas de exercícios espirituais, converter-se num santo. Santificar-nos é nosso dever, mas isso não é se tornar santo, mas melhorar.
Assim, a questão 166 frisa categoricamente: "Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?" Isto é, como um espírito recém desencarnado, consciente de que não atingiu o objetivo de sua última existência, pode melhorar? Reencarnando!
Nesta nova vida terá pela frente períodos de aferição de seu conhecimento e de sua conduta que caracterizarão a faceta de planeta de provas!
Em outras circunstâncias será submetido à limitações em sua vida através de mutilações do corpo ou ocorrências aparentemente adversas que constituirão a faceta de expiação!
Assim, através de testes de aptidão psíquica e sofrimentos os mais deversos que serão um tratamento para a alma, há uma progressiva assimilação de valores morais que ao longo de novas vidas tornar-se-ão patrimônio inalienável do espírito, convertendo almas perversas em espíritos iluminados; convertendo inimigos mortais em irmãos; promovendo a transformação de paixões avassaladoras e destruidoras em maternidade e paternidade santificante, promovendo o perdão real, sustentando o amor e fortalecendo os laços familiares que serão paulatinamente mais resistentes a corrosão da maldade humana.
No ítem a do mesmo quesito questiona Kardec: "Como realiza essa nova existência? Será pela sua transformação como Espírito? Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida corporal."
O que significa que no período de erraticidade, isto é , de desencarnado, a alma aprende sempre, mas somente reencarnado é que renova sua atitude e reestrutura o seu caráter, moldando um novo ser.

domingo, novembro 05, 2006

A PROFECIA DO ESPÍRITO ESTEVÃO MONTGOLFIER

Em agosto de 1883, a revista Reformador publicou uma mensagem do Espírito Estêvão Montgolfier (Jacques Étienne Montgolfier), recebida pelo médium Ernesto Castro, em Silveiras, cidade do Estado de Minas Gerais, em 30 de julho de 1876, época em que Santos Dumont contava apenas três anos de idade.
Eis o texto:

“Vencer o espaço com a velocidade de uma bala de artilharia, em um motor que sirva para conduzir o homem, eis o grande problema que será resolvido dentro de pouco tempo. Essa máquina poderosa de condução não há de ser uma utopia, não! O Missionário, que traz esse aperfeiçoamento à Terra, já se acha entre vós. O progresso da viação aérea, que tantos prosélitos tem achado e tantas vítimas há feito, não está, portanto, longe de realizar-se. O aperfeiçoamento de qualquer ciência depende do tempo e do estado da Humanidade para recebê-lo. A locomotiva, esse gigante que avassala os desertos e vence as distâncias, será como um insignificante invento ante o pássaro colossal, que, qual condor dos Andes, percorrerá o espaço, conduzindo em suas soberbas asas os homens de vários continentes. Os balões, meros exploradores e precursores da admirável invenção, nada, pois, serão perante o belo e portentoso pássaro mecânico. Esse Deus de bondade e de misericórdia, que nada concede antes da hora marcada, deixa primeiramente que seus filhos trabalhem em procura da sabedoria, e depois que eles se têm esforçado em descobrir a verdade, aí então Ele lhes envia um raio de Sua divina luz. Já vêem, ó mortais, que a navegação aérea não será um sonho, não; mas, sim, uma brilhante realidade. O tempo, que vem próximo, vos dará o conhecimento desse estupendo motor. Brasil, tu que foste o berço dessa descoberta, serás em breve o país escolhido para demonstrar a força dessa grandiosa máquina aérea. Eis o prognóstico que vos dou, ó brasileiros.Estevão Montgolfier”Estêvão Montgolfier(1745-1799) e seu irmão mais velho José (1740-1810), conhecidos como os irmãos Montgolfier, ambos nascidos em Vidalonles-Annonay, França, inventaram em 1783 os primeiros aeróstatos - balões de gás mais leve que o ar e que podem elevar-se na atmosfera - denominados montgolfieres. Os dois irmãos, na verdade, desenvolveram as idéias do clérigo e professor de matemática Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685-1724), nascido em Santos - SP e inventor da máquina aerostática "Passarola", movida a ar quente, com a qual teria voado diante do rei e da rainha de Portugal, na Casa da Índia, e descido no Terreiro do Paço, em 8 de agosto de 1709.(Fonte: Reformador, Número 2098, Jan/2004)

quinta-feira, novembro 02, 2006

Clovis Tavares Regressa ao Mundo Espiritual

Este artigo foi escrito na época da desencarnação de meu
Pai e apresento aqui, celebrando o dia reservado aos
desencarnados,para honra de Clóvis Tavares,
nosso sempre querido pastor de almas.(FMT)



Ronaldo de Carvalho


Regressou ao Mundo Espiritual nosso estimado irmão, o ilustre Professor Clovis Tavares nascido no dia 20 de janeiro de 1915, na cidade de Campos RJ. Deixou viúva a Sra. Hilda Mussa Tavares e 4 filhos. Possuidor de vasta cultura, foi poliglota, falando, fluentemente o Italiano, inglês, Francês e Espanhol Foi Professor de História e de Direito Internacional Jornalista e Escritor Espírita. Com o seu desaparecimento, a cidade de Campos, fica “dividida" em dois grandes períodos: O de antes e após Clovis Tavares
E por que? - Ele mesmo a página 11 do Livro "AMOR E SABEDORIA DE EMMANUEL", interroga, justificando o aparecimento da Obra, por ele mesmo montada, a primeira aliás da sua pena, quando fala de Emmanuel, o Guia Espiritual de Chico Xavier, com suas próprias palavras "Por que não dar a cada um, aquilo que lhe é devido?"
Era, como que, a sua homenagem a justificar, o que ele mesmo naquela magistral obra, falaria de Emmanuel. Eis a razão porque, desta feita, repetimos a pergunta, porém relacionada, agora, com o trabalho de Clóvis Tavares. Por que não reverenciá-lo de Coração, contando sua passagem pela Terra, como tendo sido a do verdadeiro trabalhador da Doutrina dos Espíritos?
Da sua cultura vastíssima, brotou diversas obras para crianças e adultos. " Histórias que Jesus contou; Sementeira Cristã em três volumes; Vida de Allan Kardec" e Os 10 Mandamentos. Para adultos deixou: "Amor e Sabedoria de Emmanuel" obra prima; Como biografia um monumento à imortalidade, porque relata fielmente o vulto que foi o trabalho de Emmanuel e influência em nossa Pátria; "Trinta Anos com Chico Xavier"; - “De Jesus para os que sofrem”, essencialmente consoladora. Fundou na cidade de Campos – RJ a Escola de Jesus Cristo e ali estabeleceu as bases sólidas do Espiritismo, rigorosamente dentro da orientação Kardequiana. - Em sua obra "Amor e Sabedoria de Emmanuel" que se identificou, plenamente com o estilo de nosso grande benfeitor espiritual Emmanuel, não apenas no estilo, mas de igual forma, na maneira carinhosa com que a fez, fazendo-nos adentrar suavemente na vida de Emmanuel. Fala-nos de seu caráter, forjado na têmpera do trabalho, ao longo dos séculos e séculos.
Ali, está demonstrado seu profundo amor por Emmanuel, tendo tido o cuidado de ir a fundo, trazendo ao conhecimento do público as diversas reencarnações da aquela entidade espiritual, tão amorosa quão solene . Forte. - Assim, também, foi o nosso Clóvis Tavares, de têmpera rígida, jamais se abalando com os vendavais da incredulidade, da calúnia, da maledicência, do egoísmo do orgulho e da vaidade... tão comum, ainda, em nós espíritos imperfeitos que somos.
Sua vida, foi toda ela, dedicada não apenas á família, mas também à Doutrina dos Espíritos. Foram mais de Trinta anos trabalhados na divulgação do Espiritismo, tendo deixado exemplos marcantes na vida daqueles que mais diretamente tiveram a oportunidade de transitar lado a lado com ele – Perde a cidade de Campos Clóvis Tavares? – Perde o Brasil esse valoroso homem espírita? – Não! Absolutamente. Todos estamos certos de que, sua vida espiritual, não mais, jungida aos naturais preconceitos da terra, será plena, de lutas no bom combate, a prol de sua terra querida, seu imenso Brasil. Pôde assim, Clóvis Tavares, transitar, transitar, mais uma vez, pelo Planeta, voltando ao verdadeiro Mundo, à Pátria Espiritual de todos nós, com a mala de sua viagem lotada, lotadíssima, sobretudo com a tranqüilidade consciencial de haver cumprido com o dever de espírito de escol. - Que Jesus o ilumine sempre e cada vez mais, pois bem o merece!


O Espírita Fluminense – Junho 1984