Bezerra no telão |
| Filme sobre o "Médico dos Pobres" estréia em agosto |
| ROSANA SOUZA |
| Estrelado por Carlos Vereza, o filme "Bezerra de Menezes - o médico dos pobres", estréia em agosto nos cinemas de todo o Brasil. A vida do doutor Bezerra de Menezes, uma das mais destacadas personalidades médicas e espíritas do Brasil, vira filme, interpretado por Carlos Vereza. O filme, conta ainda com a participação especial dos atores Lúcio Mauro, Paulo Goulart Filho, Nanda Costa e Caio Blat. Com direção de Glauber Filho e Joe Pimentel, o filme nos remete ao século 19, já que a história narra a vida do médico desde o seu nascimento, no ano de 1831. Para isso foi realizada uma fiel reconstituição da época no figurino, maquiagem e cenário. A vida do homem, do médico, do espírita Bezerra de Menezes, será contada através de fatos ficcionais e relatos de pesquisadores de sua obra. A produção do filme contou com cuidadosa pesquisa histórica de Luciano Klein, biógrafo de Bezerra de Menezes, e também roteirista do filme ao lado de Glauber Filho. Foram gravados também depoimentos de pesquisadores e estudiosos da vida de Bezerra de Menezes, como Luiz Bassuma, Nazareno Feitosa e Nestor Massoti, entre outros. Seja como político devotado às causas humanitárias ou como médico conhecido por jamais negar socorro a quem batesse à sua porta, Bezerra de Menezes tornou-se um exemplo de homem e escreveu sua história de vida marcada pelo amor e pela caridade. Quem foi Dr. Bezerra de Menezes? Nascido na antiga Freguesia do Riacho do Sangue, no Ceará, aos 29 dias do mês de agosto de 1831, e desencarnando no rio de Janeiro, a 11 de Abril de 1900. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, no ano de 1838, entrou para a escola pública da Vila do Frade, onde em dez meses apenas, preparou-se suficientemente até onde dava o saber do mestre que lhe dirigia a primeira fase de educação. Bem cedo revelou sua fulgurante inteligência, pois, aos onze anos de idade, iniciava o curso de humanidades e, aos treze anos, conhecia tão bem o latim que ministrava, a seus companheiros, aulas dessa matéria, substituindo o professor da classe em seus impedimentos. Seu pai, o capitão das antigas milícias e tenente-coronel da Guarda Nacional, Antônio Bezerra de Menezes, homem severo, de honestidade a toda prova e de ilibado caráter, tinha bens de fortuna em fazendas de criação. Com a política, e por efeito do seu bom coração, que o levou a dar abonos de favor a parentes e amigos, que o procuravam para explorar-lhe os sentimentos de caridade, comprometeu aquela fortuna. Percebendo, porém, que seus débitos igualavam seus haveres, procurou os credores e lhes propôs entregar tudo o que possuía, o que era suficiente para integralizar a dívida. Os credores, todos seus amigos, recusaram a proposta, dizendo-lhe que pagasse como e quando quisesse. O velho honrado insistiu; porém, não conseguiu demover os credores sobre essa resolução, por isso deliberou tornar-se mero administrador do que fora sua fortuna, não retirando dela senão o que fosse estritamente necessário para a manutenção da sua família, que assim passou da abastança às privações. Animado do firme propósito de orientar-se pelo caráter íntegro de seu pai, Bezerra de Menezes, com minguada quantia que seus parentes lhe deram, e animado do propósito de sobrepujar todos os óbices, partiu para o Rio de Janeiro a fim de seguir a carreira que sua vocação lhe inspirava: a medicina. Em novembro de 1852, ingressou como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Doutorou-se em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Quando político, levantou-se contra ele, a exemplo do que ocorre com todos os políticos honestos, uma torrente de injúrias que cobriu o seu nome de impropérios. Entretanto, a prova da pureza da sua alma deu-se quando, abandonando a vida pública, foi viver para os pobres, repartindo com os necessitados o pouco que possuía. Corria sempre ao tugúrio do pobre, onde houvesse um mal a combater, levando ao aflito o conforto de sua palavra de bondade, o recurso da ciência de médico e o auxílio da sua bolsa minguada e generosa. O doutor Carlos Travassos havia empreendido a primeira tradução das obras de Allan Kardec e levara a bom termo a versão portuguesa de "O Livro dos Espíritos". Logo que esse livro saiu do prelo levou um exemplar ao deputado Bezerra de Menezes, entregando-o com dedicatória. O episódio foi descrito do seguinte modo pelo futuro médico dos pobres: "Deu-mo na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo: ora, adeus! Não hei de ir para o inferno por ler isto... Depois, é ridículo confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filosóficas. Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a Bíblia. Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para meu Espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!... Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no "O Livro dos Espíritos". Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascença". No dia 16 de agosto de 1886, um auditório de cerca de duas mil pessoas da melhor sociedade enchia a sala de honra da Guarda Velha, na rua da Guarda Velha, atual Avenida 13 de Maio, no Rio de Janeiro, para ouvir em silêncio, emocionado, atônito, a palavra sábia do eminente político, do eminente médico, do eminente cidadão, do eminente católico, doutor Bezerra de Menezes, que proclamava a sua decidida conversão ao Espiritismo. Bezerra de Menezes tinha a função de médico no mais elevado conceito, por isso, dizia ele: "Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate à porta. O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar- se fatigado, ou por ser alta hora da noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro, o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro - esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos de formatura. Esse é um desgraçado, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu Espírito, a única que jamais se perderá nos vaivéns da vida." Em 1883, reinava um ambiente francamente dispersivo no seio do Espiritismo brasileiro. Os centros, onde se ministrava a Doutrina, trabalhavam de forma autônoma. Cada um deles exercia a sua atividade em um determinado setor, sem conhecimento das atividades dos demais. Esse sentimento levou-os à fundação da Federação Espírita Brasileira. Em 1893, a convulsão provocada no Brasil pela Revolta da Armada, ocasionou o fechamento de todas as sociedades espíritas ou não. Em 1894, o ambiente mostrou tendências para melhora e o nome de Bezerra de Menezes foi lembrado como o único capaz de unificar o movimento espírita. O infatigável batalhador, com 63 anos de idade, assumiu a presidência da Federação Espírita Brasileira, cargo que ocupou até a sua desencarnação. Iniciava- se o ano de 1900, e Bezerra de Menezes foi acometido de violento ataque de congestão cerebral, que o prostrou no leito, de onde não mais se levantaria. Verdadeira romaria de visitantes acorria à sua casa. Ora o rico, ora o pobre, ora o opulento, ora o que nada possuía. Ninguém desconhecia a luta tremenda em que se debatia a família do grande apóstolo do Espiritismo. Todos conheciam suas dificuldades financeiras, mas ninguém teria a coragem de oferecer fosse o que fosse, de forma direta. Por isso, os visitantes depositavam suas espórtulas, delicadamente, debaixo do seu travesseiro. No dia seguinte, a pessoa que lhe foi mudar as fronhas, surpreendeu-se por ver ali desde o tostão do pobre até a nota de duzentos mil reis do abastado!... Ocorrida a sua desencarnação verdadeira peregrinação demandou sua residência a fim de prestar-lhe a última visita. Digno de registro foi um caso sucedido com o Dr. Bezerra de Menezes, quando ainda era estudante de medicina. Ele estava em sérias dificuldades financeiras, precisando da quantia de cinqüenta mil réis (antiga moeda brasileira), para pagamento das taxas da Faculdade e para outros gastos indispensáveis em sua habitação, pois o senhorio, sem qualquer contemplação, ameaçava despejá-lo. Desesperado - uma das raras vezes em que Bezerra se desesperou na vida - e como não fosse incrédulo, ergueu os olhos ao Alto e apelou a Deus. Poucos dias após bateram-lhe à porta. Era um moço simpático e de atitudes polidas que pretendia tratar algumas aulas de matemática. Bezerra recusou, a princípio, alegando ser essa matéria a que mais detestava, entretanto, o visitante insistiu e por fim, lembrando-se de sua situação desesperadora, resolveu aceitar. O moço pretextou então que poderia esbanjar a mesada recebida do pai, pediu licença para efetuar o pagamento de todas as aulas adiantadamente. Após alguma relutância, convencido, acedeu. O moço entregou-lhe então a quantia de cinqüenta mil réis. Combinado o dia e a hora para o início das aulas, o visitante despediu-se, deixando Bezerra muito feliz, pois conseguiu assim pagar o aluguel e as taxas da Faculdade. Procurou livros na biblioteca pública para se preparar na matéria, mas o rapaz nunca mais apareceu. |
sábado, agosto 25, 2007
VIDA DE DR. BEZERRA NO CINEMA, com Carlos Vereza
quinta-feira, agosto 23, 2007
LA MEDIANITA' DEI SANTI
Sarà bene ricordare subito che i fenomeni psichici, o medianici, sono vecchi come il mondo.
Parola di Rozana Masiero
Nelle testimonianze storiche più antiche, nelle più remote tradizioni religiose, nelle antichissime scritture degli indù, nei canti degli aedi celtici, nelle manifestazioni dei maghi iraniani, dei profeti ebraici, nella letteratura greca e latina, ovunque e in tutti i tempi, si incontrano testimonianze delle relazioni fra Cielo e Terra, un consenso universale a conferma di questa realtà.
L’espressione medianità applicata ai Santi della Chiesa può, a prima vista, apparire non consona al pensiero religioso. Testimonianze inconfutabili dimostrano però che la medianità è di tutti gli esseri umani, sia pure con caratteristiche di ordine vari dovute all’arretramento, allo sviluppo e alla sublimazione del livello morale raggiunto da ogni singolo individuo.
Nella vita dei grandi eroi della fede, che la Chiesa definisce genericamente Santi, incontriamo le più notevoli e meravigliose testimonianze spirituali dell’interagire intelligente del Mondo Invisibile con gli esseri umani. E i Santi sono sempre serviti da intermediari fra le forze della sfera ultraterrestre e le necessità umane. I santi cristiani, coscienti della loro missione spirituale, hanno sempre agito fra il grande Aldilà e la Terra, quali devoti e sinceri missionari nella grande assemblea dello Spirito Evangelico.
Come si può vedere da alcuni esempi tratti da opere con l’imprimatur e il nihil obstat della Chiesa, l’espressione medianità è una conseguenza logica dei fatti stessi, come dice Dante nella Vita Nuova "nomina sunt consequentia rerum". Pertanto non è giusto rinunciare al termine solo per un’avversione preconcetta. Né la parola medianità dev’essere rifiutata per i molti, troppi abusi che ne sono stati fatti da parte di falsi medium o di mistificatori. Se dipendesse solo da questo, a quante parole dovremmo rinunciare per l’abuso che ne è stato fatto, a cominciare dal sacro nome di Dio e dal rispettabilissimo nome di Cristo. Stando così le cose, la parola medianità può essere applicata ai Santi, coscientemente e liberamente, come d’altronde alcuni già fanno.
Ci limiteremo solo ad alcuni esempi. Sono incontestabili i casi di chiaroveggenza. Con gli occhi e l’udito fisici oppure no? Non sappiamo. "Deus scit".
Nella biografia di Santa Gemma Galgani si dice: "Gemma conduceva una intensa vita spirituale. Gesù le appariva, ma mai ai suoi occhi fisici". Uguale testimonianza si ha nell’autobiografia di Santa Margherita Maria Alacoque, la veggente di Paray-le-Monial: "Lo vedevo e sentivo vicino a me, lo udivo molto meglio che con l’udito fisico, che avrebbe potuto distrarmi e portarmi a fare altro".
Padre Thieman, biografo di Santa Margherita da Cortona, testimonia quanto segue: "Non possiamo esimerci, scrivendo la vita di Santa Margherita, dal parlare di visioni, colloqui con Dio, rivelazioni…
La visione si manifesta in due modi: la visione fisica, quando Dio impressiona i nostri sensi ossia assume una forma visibile o parla in modo perfettamente percepibile all’udito; la visione immaginaria quando Dio, senza l’intervento dei sensi, crea un’immagine nell’immaginazione dell’essere umano. Le visioni di Santa Margherita furono soprattutto di questo ultimo tipo".
A volte i Santi devono combattere contro le forze negative dell’Invisibile. Come testimonia Padre A. Auffray nel suo Saint Jean Bosco dove descrive dettagliatamente la dura lotta sostenuta dal Santo nel periodo 1862-1864 "ces persécutions furent vraiment infernales".
Don Bosco vedeva, udiva, percepiva e soffriva, forte della convinzione che il suo spirito era nelle mani di Dio. Nella sua vita, pure notevoli furono i fenomeni di premonizione che si manifestarono fin dall’infanzia. Varie furono le sue predizioni che si compirono con esattezza.
Cosa non dire di Santa Giovanna D’Arco. Affrontando l’incredulità di tutti, dall’età di 13 anni sentiva le voci di San Michele, l’arcangelo guerriero, di Santa Caterina e di Santa Margherita. Queste stesse voci la guidarono all’assedio di Orleans, l’avvisarono che sarebbe caduta prigioniera e l’hanno sostenuta fino agli ultimi istanti sul rogo.
Tanti altri esempi potrebbero venire citati considerando ancora i fenomeni della medianità guaritrice, bilocazione, levitazione ecc. Rimandiamo per ulteriore approfondimento alla fonte segnalata in calce, di prossima pubblicazione.
(fonte: Clovis Tavares, La medianità dei Santi – Casa del Nazareno Edizioni, San Paulo)
sábado, agosto 18, 2007
UM POUCO SOBRE A FAMÍLIA
O capítulo 8, é justamente sobre a Família e começamos
O lar é um pouso que exige
Lições, encontros e esperas,
Onde a vida nos corrige
Os desmandos de outras eras.
E completa-se com o pensamento de Eugênio Silveira:
O lar é uma escola, em que somos, na Terra, aprendizes e professores uns dos outros.
A simbologia da reencarnação como matrícula em uma escola é belíssima. Essa escola é primeiramente o lar. Meu Pai, Clóvis Tavares, sempre nos ensinou que a primeira mensagem de Deus ao homem foram "Os Dez Mandamentos" que em seu quinto artigo reserva espacial atenção a paternidade: "Honrar Pai e Mãe", diz a mensagem divina. Este artigo encontra-se no centro do decálogo, entre os quatro primeiros que nos falam de nossos deveres para com o nosso Criador e os quatro últimos, que nos recordam de nossos deveres éticos para com a nossa sociedade. No centro, a família. E honrar Pai e Mãe é muito mais que respeitá-los, é viver para manter a sua memória íntegra. Viver para dignificá-los diante de Deus e dos homens.
Assim, a escola do lar é um reencontro, onde seremos constrangidos, levemente, a reparar antigos desmandos. Ali, no ninho doméstico, receberemos aqueles a quem humilhamos, aqueles que nos desprezaram, grandes e pequenos desafetos que reclamam reconciliação, reparação, cuidado e entendimento. Quem poderá dizer-se um professor
Milton da Cruz nos presenteia:
Tribulação do passado
Da qual não me desvencilho:
Inimigo reencarnado
No menosprezo de um filho.
Que se completa com o pensamento de João Augusto Chaves:
Agradece à família em que nasceste; ela é valiosa seção do grande educandário da Terra,
Vede que complementação perfeita: a trova nos fala de um filho que atribula o seu pai com o menosprezo, rememorando a inimizade de outrora. E a prosa nos remete à necessidade de aproveitar esse reencontro de dores antigas para reconstruí-lo. Se o filho tem um temperamento difícil, se é obstinado, temperamental, indócil, certamente estará fazendo suscitar no ânimo do pai, a paciência que não teve
Ainda comentando sobre os encontros e desencontros familiares, recordei a certo momento que meu Pai, ensinava-nos nas aulas da Mocidade Espírita Maria Zenith Pessanha, que "todo casamento é feliz", pois é dirigido pela espiritualidade, para promover retificações em nossa vida emocional.
E terminando, lembrei dos Pais que são afastados do convívio com seus filhos como o Quinto Varro de "Ave, Cristo!" de Emmanuel, psicografado pelo nosso Chico. Ele obteve a conversão de seu filho Taciano, na hora da desencarnação, mesmo tendo vivido pouco tempo com ele em família. E numa mensagem do espírito de Jair Presente, um dos "jovens no além" que converteu-se em benfeitor de nossos espíritos através da psicografia de Chico Xavier, contida no livro "Revelação", publicada pela GEEM há uma belíssima estória contada em verso a respeito de um espírito sofredor que é resgatado da sede de vingança:
REGENERAÇÃO
Pelo médium possuído,
Disse o rude obsessor,
Por favor, ninguém me fale
Em perdão, bondade, amor.
Se roubaram minhas terras
Quebrando normas da lei,
Conheço meus inimigos,
Bem os conheço, bem sei...
Toda terra desta vila
É minha propriedade,
Pela força do progresso
Ei-la virando cidade...
Vários ladrões se reuniram,
Tudo de caso pensado,
E usando papéis de fraude
Puseram-me derrotado.
Firmina, minha mulher,
Morreu de tanto desgosto.
Ela deve estar no Céu
E eu estou firme no meu posto.
Deixei nossos dois pequeninos,
Com nossa tia Constança,
E aqui continuo agindo
Em meus planos de vingança.
Falou o doutrinador:
Meu irmão, perdoa e esquece;
No caminho do perdão,
O ódio desaparece.
O obsessor prosseguiu
Dizendo frases insanas,
Dando incômodos ao grupo
Por quatro longas semanas.
Mas noutra rua existia
Um espírita nobre e genuíno,
Pedreiro de vida simples
Chamado irmão Bernardino.
Ele foi solicitado
A ajudar o vingador;
Sob tensão veio ao grupo,
E orou com grande fervor.
Diante do obsessor,
Exclamou: meu caro irmão,
Soube aqui que a sua paz
Depende do seu perdão.
Ante a pequena assembléia
Da sessão de amor e luz,
Pediu ao pobre rebelde,
Que recordasse Jesus!...
O obsessor em gestos rudes,
Parecia sem lugar,
E com o assombro de todos,
O pobre pôs-se a chorar.
Bernardino compungido
Dava-lhe paz e esperança,
Entretanto o vingador,
Chorava sem confiança.
Depois gritou: Deus me livre
Deste ódio que não sai.
Bernardino, meu amigo,
Vem a mim! Eu sou seu pai!...
Eis um caso em que a relação familiar funcionou entre as duas dimensões da vida. O filho encarnado, era um humilde pedreiro, o pai, expropriado em seus bens, desencarnou na miséria, deixando os filhos com parentes. Na erraticidade, ajuntou-se às sombras por causa do ódio e somente diante da oração de deu filho, que ele se vê constrangido ao arrependimento.
Deus é Pai! Jesus ensinou-nos a chamá-lo assim e é Nosso, é de todos! Nosso Pai, Pai de todos os seres da criação, somos teus filhos, ainda impenitentes, ainda viciosos, ainda desgarrados de Teu aprisco. Aceite-nos Pai, recebe-nos por misericórdia em Teu coração.
sábado, agosto 11, 2007
GESTAÇÃO: ENCONTRO DE ALMAS
Acabei de receber pelo correio o livro "Gestação: Encontro entre Almas - Um Guia de Saúde e Espiritualidade para os pais", escrito pela Dra. Cristiane Assis, lançado em junho, durante o Congresso Internacional Médico Espírita - Medinesp
Neste livro a Dra. Cristiane Assis, médica ginecologista e obstetra, especialista
Além das evidências científcas que apresenta sobre a força vital que já reside desde a concepção , demonstra o por que de nós espíritas sermos convocados a lutar pelo direito à vida.
"Não há dúvidas de que a violência e o desrespeito à vida humana aumentaram consideravelmente nas últimas décadas. Para que essa situação seja diferente, é preciso que cada um faça a sua parte. São os pais que possuem a chave para curar nosso planeta ferido. Quando cada mãe e cada pai entrar em sintonia com seu bebê, o mundo inteiro se transformará. Gestação: Encontro entre Almas busca apresentar aos pais um guia de saúde e espiritualidade para auxiliá-los nas ilustre tarefa de gestar e educar cidadãos." Cristiane Assis
A edição é primorosa, mais uma excelente contribuição da editora FE que edita a Folha Espírita.
Parabéns à Dra. Cristiane e a Editora FE.
sábado, agosto 04, 2007
As Lições do Amor
Tivemos a visita em nossa cidade de um grupo de Teatro genuinamente espírita que nos apresentou para um público pequeno no Teatro Casimiro Cunha, da Escola Jesus Cristo, nos dias 28 e 29 de julho passado, a peça "Lições de Amor".
O grupo é dirigido por Luciano Pereira que há 14 anos vem reapresentando a peça em diversas salas do Brasil.
A peça é um recorte de quadros comuns possíveis em nossa próxima erraticidade. São situações corriqueiras do espírito mediano após o seu desencarne, vivenciadas no palco de modo rigorosamente doutrinário.
Observamos a situação do suicida e do espírito que vive uma tentativa frustrada de reencarnar-se, interrompida pelo aborto e nesses dois casos a performance de Luciano Pereira e de Fábio Rocha são impecáveis. Transmitem com viva alma a emoção que acompanha os espíritos nessas duras experiências-limite da alma humana. As cenas dos obsessores tentando cativar as vítimas do suicídio para o desespero em contrapartida com a ação benéfica dos protetores ficaram bem claras. São dramáticos e impressionantes os momentos da dança macabra em que o obsessor tortura mentalmente o suicida, escutando-se ao fundo gargalhadas entremeadas com gemidos de angústia. Ambos são socorridos, demonstrando que não há abandono e que o desespero deve ser sempre substituído pela fé e pela oração.
A magistral direção de Luciano Pereira intercala estes momentos graves com a doçura do reencontro de mãe e filho na dimensão espiritual. Ela, em desdobramento, ele em estágio de aprendizado. Sem grandes adereços técnicos, quase que tão somente com a delicadeza do momento, somos levados às lágrimas ao ver a ternura com que a Carolina Arêas, representando a mãe, afaga ternamente o seu filho, representado pelo Luciano, deitado ao seu colo, renovando as esperanças, prometendo-se mutuamente o fervor no estudo e o ânimo para o trabalho restaurador das emoções partidas.
Temos também as representações do pai arrependido (Fábio Rocha) diante da filha (Adriana Pinheiro) que desencarnou prematuramente vítima da drogadição. Através da sua persistente permanência ao lado do espírito perturbado de sua filha, com oração e amor, obtém a sua libertação.
As ações da tortura mental produzida por um espírito vingativo, vivido pelo Luciano sobre o cérebro de uma mulher subjugada, vivida magistralmente por Adriana Pinheiro, que também obtém a libertação pela interseção de espíritos amigos, é apresentada em cena que transmite grande comoção.
A cena romântica do casal que se reencontra na erraticidade é meiga e enternecedora. Renovam os votos de amor eterno, compreendem que devem permanecer por enquanto separados, para estudo e trabalho, visando uma futura próxima reencarnação novamente juntos. O clímax da cena ocorre quando Luciano Pereira canta um poema de amor e é respondido por Adriana Pinheiro que nos emociona com o cristal límpido de sua voz doce e encantadora.
A peça termina deixando em cada espectador uma leve sensação de leveza espiritual, de ânimo renovado, de entusiasmo para perdoar alguém, para reconciliar-se rápido, para mudar padrões de pensamento e conduta diante de nossa tão efêmera passagem pela terra.
Não podemos deixar de mencionar que a iluminação e a sonoplastia a cargo dos jovens Gustavo e Talita deram ao espetáculo os efeitos especiais próprios do momento específico, seja de angústia, de medo ou de ternura, com os efeitos luminosos oportuníssimos e as introduções de clássicos espíritas instrumentais além da dramática execução da cantata Carmina Burana, no momento da perseguição ao suicida, entremeado com o efeito estroboscópico.
Luciano Pereira, ao final, fala de seu amor pelo teatro, pela vontade de levar a mensagem espírita através da arte e encanta-nos a todos agradecendo-nos a presença num gesto humilde e simpático.
Esperamos rever em breve em nossa cidade e em muitas outras de nosso país, a apresentação deste monumento da arte espírita, uma arte que eleva, uma arte que conscientiza, uma arte que liberta.
Deus continue iluminando Luciano e seu elenco magistral.
EXERCÍCIO DE PERDÃO
"Tiveste hoje motivo de reclamar.
No entanto, perdoa e serve sempre"
Meimei.
(O Espírito da Verdade, psic. Chico Xavier)
Aconteceu num dia de segunda feira, estudando em grupo o capítulo "Perdoa e Serve" de autoria de Meimei, psicografado pelo Chico e inserido em "O Espírito da Verdade". Discorria eu sobre as circunstâncias enumeradas pela nossa benfeitora mineira a saber: a agressão verbal, o desprezo, qualquer espécie de furto, a calúnia, o logro, a intolerância e muitas outras situações decorrentes da inveja, do rancor, do orgulho...Ocorreu-me ao observar o conselho de Meimei para com o nosso dever de compreender o nosso ofensor, que não temos condições de perdoar inicialmente com o nosso coração.
Perdoar com o coração é uma arte dos Heróis da Fé. De acordo com a doutrina da razão, a nós legada pela mente aguda e lógica de Allan Kardec, precisamos exercitar o perdão com o cérebro. É na repetição dos exercícios de perdão cerebral que um dia teremos a possibilidade de perdoar espontaneamente com o coração, isto é, perdão natural, de alma inteira, sem nenhum esforço.
Por enquanto, somos necessariamente convidados pela Doutrina Espírita, através de um repertório consubstanciado na racionalidade , a exercitar dia a dia o perdão mesmo que não nos seja natural. Nós não estamos reencarnados para seguir o instinto. Estamos recorporificados para educar o nosso instinto. Se nosso instinto é de revidar, eduquemo-lo reprimindo a ânsia do revide. Se nossa índole, auto-reconhecida, é de exprimir verbalmente a nossa mágoa, eduquemos o nosso instinto e suprimamos de nossa personalidade a vontade de reagir, de "colocar em pratos limpos", de "lavar a roupa suja", reconhecendo que a repressão destes movimentos em nossa alma, significará um grande progresso moral, para que um dia sejamos indulgentes por natureza.
O cérebro deve ser o nosso guia, mas o coração o nosso objetivo. Perdoemos através de práticas diárias, em exercícios fáceis, com os nossos parentas, colegas e amigos, tolerando-nos, sendo indulgentes mutuamente, como se estivéssemos num grande ensaio teatral. O exercício com o parente difícil, com o colega intolerante, com o cônjuge ciumento, com os filhos ingratos, com as situações decepcionantes, serão um excelente exercício de perdão, através do qual estaremos preparados para conquistarmos essa virtude ao nosso caráter espiritual.
sexta-feira, julho 27, 2007
TEATRO ESPÍRITA EM CAMPOS- LIÇÕES DE AMOR
novo, imenso e ainda inexplorado. Quando o artista houver de reproduzir
com convicção o mundo espírita, haurirá nessa fonte as mais
sublimes inspirações e seu nome viverá nos séculos vindouros,
porque, às preocupações de ordem material e efêmeras da vida
presente, sobreporá o estado da vida futura e eterna da alma...Assim
como a arte cristã sucedeu a arte pagã, transformando-a, a arte
espírita será o complemento e a transformação da arte
cristã..."
Allan Kardec
DOMINGO 29/07 às 19:30 h
no
TEATRO CASIMIRO CUNHA
da
ESCOLA JESUS CRISTO
Rua dos Goitacazes, 177
Lições de Amor
A Imortalidade da Alma Vista no Teatro
Espetáculo inspirado nas Obras Básicas de Allan Kardec. Aborda o
homem como ser imortal a caminho da evolução espiritual.
Utilizando-se do lirismo, através de um texto limpo e de fácil
entendimento, o autor e diretor Luciano Pereira leva ao palco as
questões da vida, do ser, do destino e da dor; os diferentes
estágios do espírito perante a eternidade e a justiça de Deus.
Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? São indagações que
nos acompanham através dos tempos no recôndito de nossa alma.
Lições de Amor apresenta no palco o plano espiritual, mostrando em
diferentes quadros temas como: aborto, drogas, suicídio, mediunidade,
reencarnação,desdobramento da alma durante o sono, relacionamento
entre pais em filhos, lei de causa e efeito....
A peça que já está em cartaz há 14 anos, apresentou-se em
vários estados do país, a saber: Espírito Santo, Rio de
Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso
do Sul, Rio Grande do Sul e Paraná, emocionando platéias
independentemente de idade, religiosidade ou crença. Estreou em 24 de
abril de 1993, sendo assistida por mais de 180.000 espectadores,
totalizando um número superior a 800 apresentações.
Surpreendemente os espetáculos com temática espírita vêem
conquistando uma platéia selecionada que vai aos teatros no intuito
de assistir as montagens profissionais e de alto nível cênico.
Devido a grande procura por esse tipo de trabalho artístico, as
peças geralmente ficam muitos anos em cartaz. O público forma
caravanas de diferentes regiões da cidade, lotando quase sempre, as
casas de espetáculos.
Acreditamos dessa maneira que, hoje em dia, as pessoas não buscam
tão somente ao entretenimento apenas por um momento de lazer, mas por
motivos que satisfaçam também ao espírito e a intelectualidade,
uma vez que as montagens com temas espiritualistas levam ao
questionamento e à reflexão, sem impor qualquer forma de opção
religiosa e espiritual.
Texto e Direção......................................Luciano Pereira
Supervisão do Texto...............................Adayla Barbosa
Elenco...................................................Adriana
Pinheiro
..........................................................Carol Areias
.............................................................Fábio
Rocha
.............................................................Luciano
Pereira
quinta-feira, julho 19, 2007
A MORTE VIOLENTA
O Espírito, colhido de improviso, fica como que aturdido e sente, e pensa, e acredita-se vivo, prolongando-se esta ilusão até que compreenda o seu estado. Este estado intermediário entre a vida corporal e a espiritual é dos mais interessantes para ser estudado, porque apresenta o espetáculo singular de um Espírito que julga material o seu corpo fluídico, experimentando ao mesmo tempo todas as sensações da vida orgânica. Há, além disso, dentro desse caso, uma série infinita de modalidades que variam segundo os conhecimentos e progressos morais do Espírito. Para aqueles cuja alma está purificada, a situação pouco dura, porque já possuem em si como que um desprendimento antecipado, cujo termo a morte mais súbita não faz senão apressar.
Outros há, para os quais a situação se prolonga por anos inteiros. É uma situação essa muito freqüente até nos casos de morte comum, que nada tendo de penosa para Espíritos adiantados, se torna horrível para os atrasados. No suicida, principalmente, excede a toda expectativa. Preso ao corpo por todas as suas fibras, o perispírito faz repercutir na alma todas as sensações daquele, com sofrimentos cruciantes."
O CÉU E O INFERNO - Alan Kardec II - 1
Na morte violenta e acidental, quando os órgãos ainda não estão enfraquecidos pela idade ou por doenças, a separação da alma e o término da vida ocorrem simultaneamente?
– Geralmente é simultâneo, mas, em todos os casos, o momento dessa separação é muito curto.
LIVRO DOS ESPÍRITOS- Allan Kardec -p. 161
A tragédia ocorrida na última segunda feira em São Paulo com o avião da TAM, deixou-nos perplexos. As explicações de Kardec em "Céu e Inferno" e em "O Livro dos Espíritos" dão-nos certeza de que nosso cantinho da saudade é preenchido por algo real.
A erraticidade não é um estado etéreo, nublado e virtual. Feliz quem tem a certeza íntima da imortalidade da alma. Esse sim, o maior sofrimento, a maior angústia de alguém sobre a terra, ignorar a nossa origem, o nosso mister e o nosso destino na criação divina.
Alhures, alguém perguntou-me qual a maior caridade praticada por nosso querido Chico Xavier. Prontamente eu respondi que foi espraiar a todos os rincões desta terra a certeza íntima, aquela que não é dada pela razão, mas por uma razão temperada pelo sentimento, da Imortalidade plena da nossa individualidade. Esse é o maior mérito daquela alma simples que aplicou todos os mandamentos divinos, vivenciou em sua vida na íntegra o sermão da montanha e cumpriu com maestria os capítulos das "Leis Morais" de "O Livro dos Espíritos", tornando-se por isso um ser integral do terceiro milênio.
Não há perdas, não há ganhos, na economia divina, numa extensão cósmica da visão terrena de Lavoisier. As aparentes injustiças, os aparentes sofrimentos imerecidos são equilíbrios íntimos do metabolismo cósmico que ainda não se pode calcular e nem ponderar.
Estudemos a Doutrina Espírita com assiduidade, com humildade, com perseverança e coragem pois como dizia Jesus: "Não se sabe o dia e nem a hora."
terça-feira, julho 17, 2007
Acreditamos dessa maneira, que hoje em dia, as pessoas não buscam tão somente ao entretenimento apenas por um momento de lazer, mas por motivos que satisfaçam também ao espírito e a intelectualidade, uma vez que as montagens com temas espiritualistas, levam ao questionamento e a reflexão, sem impor de opção religiosa e espiritual.
segunda-feira, julho 16, 2007
UMA VIAGEM À PEDRO LEOPOLDO
Encontrei-me lá com o amigo Oceano Vieira de Melo e sua esposa Sônia, que são de São Paulo e ali estavam para lançar o DVD "Chico Xavier, de Pedro Leopoldo a Uberaba". Encontramos também a Wanda Joviano, do Rio de Janeiro, Geraldo Lemos de Belo Horizonte, a Célia Diniz de Pedro Leopoldo, o John Harley e o Fontana de Belo Horizonte a tantas outras pessoas queridas.
Visitamos com o Oceano e sua esposa, a Fazenda Modelo, o açude onde Emmanuel apareceu pela primeira vez a Chico em 1931 para ditar-lhe o compromisso tríplice com a disciplina, o "Luiz Gonzaga" antigo, que hoje é a residência de D. Marta Pena, nora de José Xavier, casa essa onde o próprio Chico nasceu e morou na infância. Ali vimos o quartinho onde ele nasceu, a árvore onde sua maezinha lhe falou pela primeira vez em 1915, a salinha onde foi fundada o "Luiz Gonzaga" em 1928, por José Xavier e onde tantas mensagens de Emmanuel foram psicografadas além de outros espíritos grandiosos. Ali manifestou-se materializado Emmanuel, Dr. Bezerra, Meimei e outros.
Visitamos depois, logo em frente o "Luiz Gonzaga" que foi inaugurado em 1950 e onde meu Pai, Clóvis Tavares palestrou sobre o Evangelho de Jesus muitas vezes. Ali também ocorreu uma palestra de Pietro Ubaldi, traduzida para o português por Papai.
Muitas dessas imagens inéditas estão no DVD lançado em Pedro Leopoldo.
Visitamos ainda o Grupo Meimei, e ali conhecemos a D. Josefa, ali instalada pleo próprio Chico em 1952, quando da fundação da instituição. Ali foram psicofonicamente recebidos "Instruçõss Psicofônicas" e "Vozes do Grande Além".
Como foi reconfortante fazer estas visitas.
Por último visitamos a Praça Chico Xavier e a "Casa de Chico Xavier", que é exatamente a casa onde ele residiu na idade adulta em Pedro Leopoldo com a sua família e hoje foi transformada em Museu pelo nosso amigo Geraldo Lemos Neto. Ali realiza-se aos domingos um Culto do Lar de Francisco Cândido Xavier, e posso testemunhar que é um ambienbte dos mais espiritualizados possíveis.
Aconselho a todos uma viagem a este sítio de amor que é Pedro Leopoldo.
sábado, junho 30, 2007
CIRO, DE ÉFESO
É preciso que se declare aqui que um estudo como este da vida de Ciro, o bem-amado de Célia Lúcius, é possível por que Emmanuel legou-nos o livro "50 Anos Depois". E a nossa querida Wanda Joviano, abriu mão da particularidade das mensagens psicografadas pelo nosso Chico Xavier no Culto do Lar de sua família e emprestou ao público espírita estas duas jóias psicografadas: "Sementeira de Luz", de Néio Lúcio, avô de Célia, e "Deus Conosco", de Emmanuel, que é Nestório, preceptor doméstico das jovens Helvídia e Célia Lúcius, em Roma. Aceitemos, pois esta oferta advinda da generosidade de nossa amiga Wanda, por oferecer para proveito de todos, algo que por direito humano só a ela pertencia, mas que por direito espiritual, reconhece ela, que deve ser conhecido por todo o público que leu e amou "Há Dois Mil Anos", "50 Anos Depois" e "Renúncia". Esta literatura complementar, emoldura os romances de Emmanuel com finas jóias de inestimável valor espiritual.
A primeira vez que li o romance "50 Anos Depois", era um adolescente de Mocidade Espírita, o fiz em 5 dias. Li a série Emmanuel em 5 semanas e aos domingos na minha freqüência natural à Escola Jesus Cristo, em Campos, discutia os pontos mais destacados com os amigos que já haviam também feito estas abençoadas leituras .
Não é novidade alguma relatar a impressão que causa à nossa personalidade o estudo da vida de Célia Lúcius, mas é-me forçoso admitir que a figura do jovem escravo de Éfeso sempre causou-me uma grave comoção no espírito. A esta época era um segredo a revelação de que Ciro era o mesmo Carlos Clenaghan, das páginas de "Renúncia", do mesmo autor. Quem poderia aceitar que o jovem Ciro, sincero e leal a Jesus, converter-se-ia no duro e tirânico inquisidor Clenaghan? E assim, para evitar más interpretações a respeito da questão da retrogradação espiritual, que segundo a codificação é impossível, por muitas décadas ocultou-se esta revelação.
Oportunamente neste texto, ensaiaremos uma hipótese da explicação doutrinária para a aparente queda espiritual de nosso protagonista.
Reconheço que a curta existência de Ciro foi marcada por fortes acontecimentos que profundamente lhe forjaram um espírito estóico e digno.
Criado na Éfeso do apóstolo João, era filho de Nestório, que por sua vez foi discípulo de Johanes que foi discípulo direto de João Evangelista. Bebeu o Evangelho na fonte mais cristalina possível e provavelmente recebeu o afago do Johanes e outros que conheceram diretamente João. Na adolescência é afastado da convivência paterna, após tornar-se órfão de mãe. Permaneceu muito tempo na Índia, onde seus senhores permitiam-lhe os estudos e a leitura farta. Aprendeu o sânscrito e conheceu as leituras do Upanishads. Envolveu-se com a cultura védica e ficou apaixonado pela sua Filosofia natural. Associando os conhecimentos cristãos à educação da alma subordinando os instintos. Aprendeu a idéia das vidas sucessivas e compreendeu o por quê dos insucessos de sua vida presente. Sabia-se ele mesmo, um déspota do passado longínquo.
Retornando à Palestina, passa a servir ao tribuno Helvídio Lúcius. Já no segundo dia , em razão de sues conhecimentos de navegação adquiridos no oriente, é convidado a levar a família Lúcius a um passeio por um lago da cidade de Esmirna. Ciro tinha então cerca de 20 anos. Durante o passeio, disse Célia ao seu avô Néio Lúcius, em conversa particular:
lúcido e calmo, que me produzia uma emoção cada vez mais intensa e indefinível."
Conta Célia que num momento que não sabe explicar como e nem por quê, ela cai do barco nas profundidades do lago, que era lodoso e por si própria não tem forças para retornar à superfície. Nesta hora, sente-se segura pelos braços de alguém, como ela mesmo conta:
A parir de então, Célia passa a palestrar diariamente com Ciro, pelos jardins de sua mansão. Nestas conversas, Ciro lhe falou de Jesus, da Índia e das crenças daquele povo na reencarnação. Disse o que aprendera na literatura védica e as suas conclusões pessoais a respeito das conexões das teorias do karma e da transmigração das almas com o Evangelho de Jesus. Explica, assim a ela, várias passagens das escrituras cristãs, sob a ótica reencarnacionista, secundado pela filosofia hindu. Quando por um momento pensavam em formar uma família feliz na terra, Ciro a lembrava que a sociedade de então era absolutamente intolerante e preconceituosa para admitir o amor de um plebeu e de uma aristocrata. Além disso, ensinou a Célia que a verdadeira vida é a vida eterna prometida por Jesus e que buscar uma felicidade terrena poderia ser a maneira de perder a própria vida.
Este colóquio perdurou por um ano e isso nos permite uma digressão importante. Como entender que duas almas de tal forma sintonizadas pelo mais puro sentimento pudessem suportar a absoluta ausência de contato físico que consumasse de alguma forma humana a extremada emoção que lhes transbordava do ser? Célia confessou ao seu avô, em um diálogo de duas almas de mesma idade espiritual, que a única vez que um ensaio de carícia ocorreu, foi quando por um minuto as mãos de Ciro tocaram os seus cabelos, mas súbito percebeu que era improvável qualquer tentativa de aproximação e a renúncia seria a atitude mais sensata. A lisura do caráter de Ciro fez-se notar sobremaneira por sua temperança e paciência, por sua humildade e autocontrole, que certamente desenvolveu em sua estadia no país de Ganges onde as práticas de exercício de subordinação das emoções à razão são milenares e assinalam uma grande vantagem da cultura oriental que aprende quando quer a educar os instintos.
Entretanto, um outro servo, chamado Pausânias, destes medíocres, que tornam-se intrigadores e bajuladores, como se a destruição de alguém fosse necessária para a sua própria felicidade, observou as repetidas conversas entre ambos e maliciosamente contou a Helvídio. Este pôs Ciro atado a um tronco e deixou-lhe aos cuidados carrascais de Pausânias, que lhe aplicou por dois dias cruéis chibatadas. No entanto, Ciro não odiou o seu senhor, pois em conversa rápida que pode ter com Célia, ainda atado ao tronco, pediu para que ela não se revoltasse com seu Pai, pois todos devemos aos nossos progenitores um dever diante de Deus, enumerado entre os dez mandamentos recebidos por Moisés, falava com um verdadeiro judeu. Disse Ciro a Célia nesse seu inesquecível encontro:
Após este encontro doloroso para Célia, procura sua Mãe, a bondosa Alba Lucínia, para que intercedesse pelo seu bem amado. E é justo reconhecer que desde aqueles tempos, recorria-se à Mãe, para buscar uma intercessão, para buscar um perdão, para se buscar misericórdia. É por isso que Jesus do alto de sua cruz, ofereceu a sua própria Mãe a humanidade inteira representada por seu discípulo amado. E é por isso que eu não quero ser órfão de Mãe no céu e por isso que aceito a oferta de Jesus, a sua doce Mãezinha em nossa vida, como beneplácito de Deus. Mãe é sempre aquele ser benévolo que intercede pelos filhos. E Célia pediu que sua mãe intercedesse por Ciro junto a seu pai, ainda de coração endurecido. E este cede, banindo no entanto o ex-escravo daquela região, escoltado por dois servos da própria confiança, até o porto de Cesaréia, de onde partiria para nunca mais retornar. Ciro ainda pode aconselhar à sua amada que não guardasse mágoa do pai.
O tempo passa e a família retorna a Roma. Na capital imperial, Helvídio recebe um presente de sue futuro genro, um escravo professor. É Nestório que passa a ministrar aulas de cultura romana, história e literatura a Helvídia e Célia. A nossa meiga Célia, porém continuava acabrunhada, melancólica, não conseguindo esquecer-se do seu noivo espiritual. A família pede a intercessão do seu avô Néio Lúcio, esperando que este a convencesse da superioridade da mitologia greco-romana sobre o Cristianismo. Inesperadamente o inverso é que ocorre. Célia cristianiza o seu avô, que não obstante as novas crenças, manteve sua nova fé em sigilo.
Célia é levada por uma amiga de sua mãe, Túlia Cervina, a uma reunião cristã. Nessa reunião, revê num só tempo o seu Ciro e Nestório, seu professor. Escuta os cânticos que aprendera na Palestina na companhia de Ciro e canta com os Cristãos nas catacumbas. O momento do reencontro de Célia e Ciro é o mesmo do reencontro do jovem com seu pai Nestório, o que foi uma surpresa para Célia, saber que seu amado era filho de seu professor.Pai e filho abraçaram-se descobrindo-se ambos ex-escravos do pai da jovem Célia. Ciro por sua vez explicou que no porto de Cesaréia, o comandante do barco conservou-lhe a liberdade e permitiu que ele fosse para Roma, onde jamais imaginaria reencontrar Célia e o seu pai.
Após a reunião pai e filho seguem para o pequeno apartamento de Nestório e ali passam o resto da noite com a conversação íntima entre pai e filho, pensando nas possibilidades decorrentes do retorno de Ciro quanto ao ocorrido na Palestina. Nesta manhã Nestório envia recado ao Censor Fábio Cornélio que não poderia trabalhar aquele dia e vai ao bairro distante buscar os pertences do filho para recebê-lo em sua modesta e pequena habitação. É preciso um pequeno parênteses para explicar que Nestório, após tornar-se liberto, passou a alugar um pequeno apartamento e a dar aulas particulares e estaria em vias de tornar-se um profissional liberal bem sucedido não fosse fiel à Fé Cristã.
Por ironia de destino, o mesmo Pausânias, delator de Ciro na Palestina, esteve furtivamente presente a reunião no cemitério, na noite do encontro memorável. Imediatamente denuncia Nestório Ciro ao Censor Fábio Cornélio que imediatamente ordenou a prisão dos dois e mais cerca de 300 pessoas. Conta-nos Emmanuel que "entre mais de três centenas de criaturas, apenas trinta e cinco reafirmaram a sua fé em Jesus-Cristo, com sinceridade e fervor irredutíveis." Para estas não haveria perdão a menos que abjurassem publicamente a fé em Cristo e confessassem fidelidade a Júpiter. E é interessante esta contabilidade. Dez por cento é uma taxa de perseverança, autenticidade, coragem e fidelidade. Assim como de dez hansenianos, apenas um retornou a Jesus para agradecer, das três centenas de cristãos, apenas 10 por cento reafirma a sua fé. Gratidão e Fidelidade são virtudes que estão na mesma faixa de vibração espiritual. O home que tem gratidão, é sincero, tem coragem, volta, enfrenta riscos, enfrenta zombaria, enfrenta críticas mordazes e cumpre com o dever da fidelidade. A taxa de gratidão contida na narrativa da cura de Lucas, capítulo 17, versos 12 a 19, é confirmada no episódio do testemunho dos cristão presos em Roma, juntamente com Nestório e Ciro.
Quando Helvídio Lúcius retorna de uma de suas viagens, toma conhecimento das novidades e pede uma entrevista pessoal com Nestório, por quem nutria uma simpatia indisfarçável, na Prisão Mamertina. Na conversa, Nestório reafirma sua fé cristã e diz que apesar de eternamente agradecido ao seu patrão, não poderia negar Jesus. Mas pede, entretanto pelo filho. Helvídio, que tinha desprezo por Ciro, diz ser impossível fazer qualquer coisa.
Dias depois Célia obtém a licença para, acompanhada do avô, Néio Lúcio, secretamente cristão, ir a Prisão Mamertina, ver Ciro e Nestório pela última vez. Ao ver o noivo abatido e macérrimo, Célia é vencida por um choro convulsivo. Meu Pai, numa de suas palestras sobre Célia, nos recorda que Néio Lúcio não recomendou a sua neta: "pare de chorar, filha" e sim falou as palavras doces que espera quem está com o peito angustiado com a amargura do sofrimento :
começam! Terás de ressarcir, ainda, muitos séculos de erro e treva, de ingratidão e impenitência!... Reconforta o espírito abatido, na contemplação
dos planos sublimados da Criação, para que possas amar a Terra com as suas experiências mais penosas, que valem também por divino aprendizado,
na escola do amor de Deus!... Então, querida, pedi àquela entidade pura e carinhosa que, depois da morte, me auxiliasse a renascer junto de ti, fosse com a responsabilidade das riquezas terrestres, ou na condição da maior miséria. E sei que Jesus, tão poderoso e tão bom, há-de conceder-me essa graça. Não chores mais! Desanuvia o coração nas promessas divinas do Evangelho ! . Suponhamos que vou fazer uma longa viagem, imposta pelas circunstâncias... mas, se Deus permitir, estarei de volta ao mundo, no dia imediato, a fim de nos encontrarmos novamente. Como será esse reencontro? Não importa sabê-lo, porque, de qualquer forma, sempre nos amamos pelo espírito, dentro de nossas realidades imortais! Promete-me que serás alegre e forte, esperando a minha volta. Não permitas que energias destruidoras te maculem o coração!. Confio no teu valor, espero que jamais estranhes a posição social que o Senhor te haja concedido. Nas horas angustiadas da vida, recorda-te que, depois do amor de Deus, deveremos honrar pai e mãe acima de todas as coisas, sacrificando-nos por eles com a melhor das nossas energias ! Dize-me, Célia, que amarás sempre a vida, que terás muita fé e me esperarás, cheia de confiança.. Quero enfrentar o sacrifício com a certeza de que prosseguirás, como sempre, forte na luta e conformada com os desígnios do Criador ! "
Célia então, recorda-se do primeiro encontro no barco em Antipátris e o momento em que seus braços vigorosos a salvaram do peso estupefaciente das águas. Ciro então, como que prevendo a capacidade de renúncia daquele espírito iluminado, reafirma que Deus a queria na Terra e que não fora ele quem verdadeiramente a retirara do lodo do lago, mas Jesus Cristo. Ciro então promete voltar para encontra-se com ela ainda nesta vida e entrega a ela uma cópia do Hino da Prisão Mamertina, composta por ele mesmo e por Nestório, o nosso Emmanuel.
A partir deste encontro, ocorre o martírio de pai e filho em festa bárbara , com o massacre dos cristãos, que desencarnaram cantando o hino abaixo, o mesmo presenteado por Ciro à sua noiva:
Cordeiro Santo de Deus,
Senhor de toda a Verdade,
Salvador da Humanidade,
Sagrado Verbo de Luz!...
Pastor da Paz, da Esperança,
De Tua mansão divina,
Senhor Jesus, ilumina
As dores de nossa cruz!...
Também tiveste o Calvário
De dor, de angústia, de apodo,
Ofertando ao mundo todo
As luzes da redenção;
Tiveste a sede, o tormento,
mas, sob o fel, sob as dores,
Redimiste os pecadores
Da mais triste escravidão!
Se também sorveste o cálice
De amargor e de ironia,
Nós queremos a alegria
De padecer e chorar...
Pois, ovelhas tresmalhadas,
Nós somos filhos do erro,
Que no mundo do desterro
Vivemos a Te esperar.
Dá, Senhor, que nós possamos
Viver a felicidade
Nas bênçãos da Eternidade
Que não se encontram aqui;
O júbilo de reencontrar-Te
Nos últimos padeceres,
Acende em nós os prazeres
De bem morrermos por Ti!..
Senhor, perdoa os verdugos
De tua doutrina santa!
Protege, ampara, levanta
Quem no mal vive a morrer. .
A caminho do Teu reino,
Toda a dor se transfigura,
Toda a lágrima é ventura,
O bem consiste em sofrer!...
Consola, Jesus amado,
Aqueles que nós queremos,
Que ficarão aos extremos
Da saudade e do amargor;
Dá-lhes a fé que transforma
Os sofrimentos e os prantos
Nos tesouros sacrossantos
Da vida de Teu amor!...
A partir de então, a vida de Célia resumia em suas leituras e orações até que uma calúnia irrompe em sua casa. No retorno de uma longa viagem de seu pai, uma serva, chamada Hatéria, traz uma criança abandonada para colocá-la na cama de sua mãe justamente na noite do retorno de Helvídio. O objetivo era inculpara Alba Lucínia de infidelidade. Célia, desperta durante a noite com o vagido do bebê e sabendo que seu pai estava adentrando a casa, toma suas jóias, entrega-as a Hatéria, diz-lhe que aquela criança é sua e que ela confirme isso diante de seu pai. O pai ao entrar e receber da serva a notícia de que sua filha acabava de dar a luz um bebê, expulsa-a de casa sem apelação. Célia sai de casa com o pequeno ao colo, no meio da noite fria, caminhando assustada pelas ruas da capital do mundo, ainda um pouco atordoada e sem saber que direção tomar.
Algum tempo depois Célia vem a descobrir através de uma informação espiritual de seu avô Néio Lúcio, já desencarnado e que do outro lado da vida passou a ser seu espírito guardião, que aquele menino era Ciro reencarnado, em situação expiatória. Célia, faz um roteiro longo, de mais de duzentos quilômetros, de Roma a Nápoles e de Nápoles a Alexandria de barco. Nesse tempo, de quase um ano, o pequeno desencarna, pois era muito frágil e enfermo.
Após o desencarne do menino o espírito de Néio Lúcio traz Ciro, já reassumindo a sua personalidade espiritual anterior que diz à sua noiva:
Ciro então passa a acompanhar da outra dimensão da vida, os acontecimentos novos na vida de sua bem amada. Ela encontra-se com um bnfeitor no caminho, Lésio Munácio, antigo nobre romano, que fora traído e banido da sociedade por abrandamento de sua pena, concedido por um pedido do seu avô Néio Lúcio, que tinha muito prestígio então. E sem saber que a jovem era neta de Néio, Lésio lhe propõe usar as vestes de seu filho e apresentar-se a um mosteiro que ele mesmo fundara e lá viver longe dos perigos da sociedade barbarizada.
Neste mosteiro, Célia foi recebida com alguma relutância pelo prior do mosteiro, o Pai Epifânio, pois não tinha bens. Mas foi aceita por causa do nome de Lésio Munácio e também por que ela demonstrou saber que o "pai" havia sido o grande benemérito na construção do mosteiro. Em pouco tempo, Célia, agora irmão Marinho, agradou a todos com o seu conhecimento do Evangelho, demonstrado nas reuniões íntimas do pequeno grupo de monges. Enciumado, Epifânio escolheu-a para ser o responsável pelas comprar do mosteiro, o que era feito numa pequena aldeia próxima que exigia uma pernoite na estalagem. Isso afastou o irmão Marinho dos comentários evangélicos que apagavam a presença de Epifânio.
A filha do estalajadeiro, chamada Bruneilda apaixona-se pelo irmão Marinho, que a muito custo e paciência desviava-se da mesma. A jovem afoita engravida então de um soldado romano e acusa o irmão Marinho de ser o pai da criança. Quando a criança nasce, o comerciante chama o Pai Epifânio e diz que entre os seus monges um era o pai de uma criança concebida por sua filha numa relação indigna. Mais uma vez Célia, agora como Irmão Marinho, assume uma criança como filho e desta vez ela já sabe que é Ciro. O primeiro filho ela cuidou durante a sua trajetória de Roma a Nápoles e permaneceu apenas cerca de um ano com ela. O segundo, já em Alexandria, viveu em sua companhia até cerca de 4 anos. Ela estava nos fundos do convento, na área onde plantou o seu Horto, exilada do convívio com os demais irmãos, mas com liberdade para dar aulas às crianças e aos velhos, cuidar de seus males físicos, emocionais e espirituais. E ali viveu quatro anos em companhia de Ciro reencarnado e mais alguns anos, novamente só, contando apenas com a companhia espiritual de seu avô que sempre lhe confortava e lhe dava esperanças.
Mais tarde o seu avô vai lhe explicar o motivo das reencarnações breves de Ciro:
readquirir para a sua redenção espiritual, ansiosamente colimada. As experiências fracassadas hão-de valorizar o seu futuro de realizações e esforços nobilíssimos. Em face da dor e do trabalho, no porvir que se aproxima, seu coração amará todos os detalhes da luta redentora. Saberá prezar no trabalho ingente e doloroso os recursos sagrados da sua elevação para Deus, reconhecendo a grandeza do esforço, da renúncia e do sacrifício!..."
Ciro ainda retorna algumas vezes a arena terrestre. No século XVI, vamos encontrá-lo, em novo encontro com o mesmo espírito de luz, agora chamado Alcione. Desta feita, Ciro está em região errática de sofrimento, preparando-se para reencarnar-se em companhia de seu amigo Menandro, ao qual associou-se nos desmandos da política religiosa. Recebendo na região de sofrimento, a visita do nobre espírito Alcione, promete ele na próxima experiência renovar os votos de fidelidade a Jesus, sem novamente cair nas tramas da religiosidade estéril, da busca desenfreada do poder, da impiedade gerada pelo intelectualismo filosófico inútil e vazio de espiritualidade e de cristandade.
E o Padre Carlos Clenaghan em sua nova oportunidade vê escapar-lhe das mãos mais uma graciosa vida ao lado do excelso espírito Célia/Alcione. Dessa vez o poder político aliado ao Odium Theologicum converteu-o num inquisidor cruel que sofre o seu derradeiro choque anímico quando vê que uma de suas condenadas era a própria Alcione que ele tanto amara, mas que ela respeitando seus votos sacerdotais, aconselhara a manter-se fiel a Cristo. A amargura de seu coração, associado a outros incidentes de sua desventurada experiência terrena narrada no livro "Renúncia", entre os quais, o abandono da vida religiosa, um consórcio matrimonial infeliz, um reencontro com Alcione, que enfim lhe aceitara a corte, mas que o encontra casado, a separação e por fim o retorno à Igreja como um fiscal do Santo Ofício, aliando numa reminiscência reencarnatória dolorosa as suas experiências de tirano político àquelas de estudioso da Filosofia, da intelectualidade, da vaidade do conhecimento, da busca compulsiva do conhecimento egoístico, petrificando seu sentimento, enregelando seu coração, solidificando as bases de sua tênue espiritualidade, soerguida em muitas vidas sob a tutela psíquica de Célia/Alcione.
No século XIX, reencarna em solo inglês o nosso personagem, na pele do professor Alexander Seggie, homem sincero, cristão verdadeiro, desapegado de bens materiais, despojado de vaidade, desprendido da necessidade dos olofotes da terra, despojado de qualquer sentimento de individualismo e dotado de simplicidade natural. Conheceu um brasileiro de quem foi colega e tornou-se amigo: Dr. Rômulo Joviano, que viria a ser diretor de Chico Xavier na Fazenda Modelo. Durante anos a amizade dos dois foi muito profícua e o Dr. Rômulo pode testemunhar o quanto o jovem Seggie foi um cristão sincero e dedicado a ponto de certa feita ajudar aos transeuntes a apagar o incêndio de uma casa em chamas e ao final perceber que havia sido a própria casa. Ajudou sem aperceber-se. Passou a fazer o bem sem interesse, sem nenhuma necessidade de colocar-se em primeiro lugar. O despojamento foi a nova marca desse nobre espírito, o nosso Ciro, de Éfeso, filho de Emmanuel, alma querida de Célia Lúcius, vitorioso, na humildade, na caridade, na tolerância, no esquecimento e na simplicidade. A experiência de decretar a morte de sua amada fora excessivamente atordoadora para o seu psiquismo e o choque anímico, definitivamente impôs uma guinada em sua trajetória evolutiva.
Ciro, de Éfeso, viveu como o humilde professor bondoso Alexander Seggie, a sua vida de retorno à tão almejada condição de espírito nobre, merecedor da companhia de outros nobres espíritos como Emmanuel, Néio Lúcio e todos os companheiros de tantas jornadas, sempre tendo à frente o espírito sublime de Célia a alavancar o progresso de todos com o mesmo desvelo de sempre, com a mesma paciência de sempre, como se a suprema tolerância e longanimidade de Deus, fossem parte de sua natureza íntima.
Que seja essa a nossa homenagem a esse espírito querido, que hoje vela por nossos acertos e qual um Rei David, que oprimido diante do próprio pecado nunca desanimava, esse valoroso amigo, nunca esmoreceu, nunca desistiu, nunca permitiu que o desânimo espiritual o dominasse, oferecendo-nos a todos um exemplo vivo de soerguimento da alma, mesmo nos momentos aparentemente desoladores, num autêntico curso de fisioterapia do espírito, para que nossas almas adoecidas pelas artroses, endurecidas pelos reumatismos psíquicos possam efetivamente reeducar-se para alcançar a dignidade do espírito.