domingo, junho 17, 2007

A Mãe e o Livro dos Espíritos


Flávio Mussa Tavares

Por que sofro? diz a jovem

Mãe de um menino enfermo.

Que mal fez esta criança

Para receber do destino

Esta dolorosa sentença

Cumprida neste mundo ermo?




Muitos anos ela buscou

Uma resposta plausível

Que lhe trouxesse um descanso

Ao coração de mãe.

Que era meiga e sensível

Mas que por vezes perdia,

Seu temperamento manso.




Ninguém, ao ver-lhe a angústia

Dos seus dias de impaciência,

Soube mitigar-lhe a prova

Com alguma explicação,

Que lhe abrisse a consciência

E lhe desse uma fé nova.




Mas um dia cai-lhe às mãos

Uma brochura antiga:

É "O Livro dos Espíritos"

emprestado por mão amiga.




Lendo as sábias respostas

Dos espíritos sensatos,

Percebe ali exposta

Uma nova revelação.

Uma nova humanidade

Reacenderia sua fé,

Aclarada pela razão

Deste formoso tripé.




As respostas vem da experiência,

Explicando a nossa ciência.

A Filosofia não é mais hermética,

São respostas sintéticas.

E a Religião é o corolário

Empregando a moral de Jesus

No sustento doutrinário.





Nunca mais a Mãe do menino

Chorou por sentir-se afastada

Da divina compaixão.

Compreendeu que em nosso mundo,

Há a conversão do infortúnio

Na verdadeira redenção.

"O Codificador e o centurião"


Flávio Mussa Tavares




São cento e cinqüenta anos

De uma doutrina nova

Que explica à luz da razão

A expiação e a prova.




É o consolador prometido

Por Jesus em seu Evangelho,

Que justifica o caminho

Desde a criança ao velho.




Nada mais nos é mistério.

Quem quiser tem a resposta.

A caridade é o meio

Que esta doutrina nos mostra.




Salve o Codificador

Da doutrina da razão,

Que entende a fé de Jesus

Qual fez o centurião.

De Lion à Paris


Flávio Mussa Tavares

A notícia do Consolador

Deu a esta humanidade Jesus,

Ensejando uma era de amor,

De justiça, de razão e luz.


Cumprindo sua solene promessa,

De Lion, à Yverdun e Paris,

Por Kardec a verdade se expressa

Em mil vozes, em fino verniz.


Concluiu-se extenso questionário.

O que é Deus? O que é vida? O que é morte?

Mais que um manual, um elucidário


Vindo de um plano extraordinário.

E nós, legatários desta sorte,

Vivemos seu sesquicentenário!

NOMES DE SANTOS CATÓLICOS NOS CENTROS ESPÍRITAS

Nomes de Santos Católicos nos Centros Espíritas
Abaixo, trecho do livro "Por que Sou Espírita", de Américo Domingos, em que o autor responde as acusações feitas ao Espiritismo pelo D. Estevão Bittencourt no livro "Porque não sou Espírita":
" Quanto ao Espiritismo , ' às vezes, se revestir de capa católica, adotando nomes de santos para seus centros e louvando Jesus Cristo', devo informar ao prezado irmão sacerdote que um santo, embora tenha tido atuação no Romanismo, não é privilégio apenas dos católicos, representa uma fonte de luz para toda a Humanidade. Para um espírita, o santo é um missionário de luz, tendo tido ou não uma crença católica. O que faz alguém ser 'santo' é ter alcançado um elevado grau de espiritualidade. Conforme o Mestre ensinou a respeito dos eleitos, o santo exatamente se caracteriza pela prática desinteressada do amor para com todas as criaturas. Será que o prelado considera o 'santo' propriedade da Igreja Católica? Será que o santo, como criatura espiritual de grande expressão, só exerce a fraternidade para os católicos? A resposta é negativa, já que o próprio Jesus não faz diferença entre as pessoas e, conforme foi comentado, anteriormente, o Mestre não se refere a nenhuma crença religiosa, por ocasião do sermão profético, quando fala a respeito dos 'eleitos'. É muito boa a abordagem a respeito desses benfeitores espirituais, pois sabe-se que o fenômeno mediúnico foi marcante na vida dos iluminados irmãos, canonizados pela Igreja. Cito a seguir alguns exemplos a respeito do assunto, compulsados do excelente livro 'Mediunidade dos Santos', de autoria de Clovis Tavares, publicado pelo Instituto de Difusão Espírita, de Araras-São Paulo:
1 - Santa Teresa Galani possuía a mediunidade da vidência; 2 - Santa Margarida Alacoque era dotada da mediunidade da vidência e da audiência. 3 - São Pedro de Alcântara era portador da faculdade mediúnica da cura, premonição e levitação. 4 - Santa Margarida de Cortona exercia a mediunidade da vidência. 5 - São João Crisostomos tinha o dom da psicografia. 6 - São Pedro de Alcântara dominava a premonição,a levitação e a cura mediúnica; 7 - Santa Gemma Galgani apresentava a vidência; 8 - Santa Catarina Laboure tinha a posse da audiência; 9 - Santa Tereza D'Avila desempenhava a vidência; 10 - Santa Brigida era uma médium que levava a efeito a vidência, a audiência, a psicografia, a levitação, a premonição e a cura; 11 - Santa Clara de Montefalco punha em ação a vidência, o desdobramento ou a projeção da consciência, xenoglossia (falar línguas estrangeiras desconhecidas ao médium), premonição e curas; 12 - Dom Bosco foi um médium, principalmente, de efeitos físicos. Praticava também a vidência, a premonição e a cura; 13 - São João Batista Maria Vianney (Cura D'Ars) se distinguiu pela mediunidade da cura e da vidência; 14 - São Eucarpio, São Trofimo, Santa Joana D'Arc, São Francisco de Assis professavam a audiência; 15 - Santo Afonso de Ligorio era versado de audiência e na bilocação; 16 - Santo Antonio de Pádua, além da bilocação, exercitava-se na premonição e na cura; 17 - Santa Catarina de Genova possuía a vidência; 18 - Santa Catarina de Siena exercia a audiência e a cura; 19 - São Bento foi um 'expert' na levitação.
Conclui-se que os denominados Santos eram pessoas dotadas de função mediúnica. Seus dons paranormais são perfeitamente observados e estudados pela Doutrina Espírita, constatando-se nenhum fato miraculoso ou inexplicável. É perfeitamente plausível afirmar, então, que os homens canonizados pelo Catolicismo estão muito mais ligados ao Espiritismo do que a qualquer religião, inclusive a católica. Como espíritos evoluídos, fazem parte da grande falange crística dirigida pelo próprio Jesus. Assim como a Doutrina codificada por Allan Kardec representa 'O Consolador prometido pelo Cristo': 'Vos ensinará todas as coisas e vos lembrará tudo o que vos tenho dito' (João 14:26), e certo que os queridos irmãos, santificados pela Igreja continuam trabalhando espiritualmente para o bem da Humanidade. O Mestre disse que 'O Consolador não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido' (João 16:13). Representa, então, uma falange de mensageiros espirituais, que, sob a ordem de Jesus, ('O Pai enviará em meu nome' - João 14:26), virão ensinar o que o Cristo disse que a Humanidade de sua época não podia suportar (João 16:12). Em 'O Livro dos Espíritos' (questão 625), Allan Kardec perguntou a Espiritualidade: 'Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e de modelo?' A resposta foi incisiva: 'Jesus'. Na resposta da pergunta 627, ressalto a seguinte afirmação dos Arautos do Consolador: 'Estamos incumbidos de preparar o reino do bem que Jesus anunciou'. É lógico, portanto, assegurar que as Entidades santificadas pela Igreja, fazem parte das falanges espirituais, cuja presença entre nós reafirmam as palavras do Mestre: 'Não vos deixarei órfãos...' (João 4:18) O Codificador do Espiritismo, na elaboração da Doutrina Espírita, recebeu ajuda considerável de vários espíritos, laureados pelo Vaticano, como São Luis, Santo Agostinho, São João Evangelista, São Vicente de Paulo, São Paulo, São Francisco Xavier, Cura de Ars e outros. Portanto, não há, para o seguidor de Kardec, constrangimento em homenagear os locais onde pratica o amor ensinado e exemplificado pelo Cristo, com os nomes daqueles que são verdadeiros seareiros do bem, chefiando as falanges responsáveis pela implantação do Evangelho na Terra. Quanto a louvar o Cristo, o Mestre é realmente o exemplo a ser seguido pelos homens. Allan Kardec disse que 'Jesus constituiu o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos tem aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava.' ('O Livro dos Espíritos, comentário da resposta da questão 625). Também deve se ressaltar que o Espiritismo é religião da fé raciocinada e ensina que 'Fora da Caridade Não Há Salvação'. A obra básica da Doutrina, 'O Livro dos Espíritos', começa pela definição de Deus e termina com o estudo das leis morais. Num apanhado de todos os livros básicos do Espiritismo, pode-se dizer: 'O Espiritismo vem confirmar as verdades fundamentais da Religião. Respeita todas as crenças: um de seus efeitos é incutir sentimentos religiosos nos que não possuem, fortalecê-los nos que os tenham vacilantes. Vem opor um dique a difusão da incredulidade. Longe de negar ou destruir o Evangelho, vem, ao contrário, confirmar, explicar e desenvolver, pelas novas leis da natureza, que revela, tudo o quanto Cristo disse e fez. O Espiritismo não vem destruir os fatos religiosos, porem sancioná-los, dando-lhes uma explicação racional. Por tudo isso, posso dizer que um católico pode vir a ser espírita. Afinal, eu mesmo fui católico e deixei de sê-lo. Hoje sou espírita e me ufano disso. Minha religião não é calcada no medo. Responde a todos os meus anseios e perquirições. Não impõe uma fé dogmática, contraditória, punitiva, ameaçando as pessoas com penas e sofrimentos irremissíveis. Estuda o Evangelho em espírito e em verdade, sem se prender a 'letra que mata'. Na minha crença, não há hierarquia religiosa, existe liberdade de pensamento. Não se embala alguém com promessas e mentiras. Não possui sacerdócio, nem liturgia, nem símbolos. O espírita não adora imagens, não usa vestes especiais, não utiliza rituais. Segue o ensinamento de Jesus: 'dá de graça o que de graça recebeste', sem auferir, portanto, rendimentos monetários. A Doutrina Espírita redivive o Cristianismo primitivo em toda a pureza dos tempos apostólicos. Tem como princípios básicos: 1 - A crença em Deus, definido como 'inteligência suprema, causa primária de todas as coisas'; 2 - A evolução ou progresso dos seres e dos mundos; 3 - A Reencarnação, permitindo a evolução, através de varias oportunidades de renascimento na carne e decifrando todos os enigmas, refletindo a justiça de um Pai que é AMOR. 4 - A sobrevivência do espírito, imortal, preexistindo ao corpo somático e sobrevivendo ao mesmo. 5 - A comunicação entre o Mundo Espiritual e o Físico, estudando as leis que regem esse intercâmbio e proporcionando o recebimento de ensinos por parte dos Espíritos Superiores, como também o consolo para os que ficaram na Terra, chorando a perda de seus entes queridos.

quarta-feira, junho 13, 2007

Nina Arueira, um exemplo de luta histórica

Nelzimar Lacerda

Quando estava para ingressar na Academia Fidelense de Letras, levei alguns dias para decidir sobre qual seria o meu patrono, embora havia pensado em Fernado Pessoa, Castro Alves, alguns dos famosos imortais do mundo da literatura, mas as suas cadeiras já se encontravam escolhidas pelos demais membros e colegas que já haviam tomado posse. Daí perguntei a um colega sobre quais cadeiras estavam para serem escolhidas. E ele foi citando alguns nomes como Sebastião Fernandes, poeta e escritor fidelense, citado até em revistas literárias internacionais no século passado, bem como, prêmio Machado de Assis com o livro “Cuité”. Todavia, ao ouvir o nome de Nina Arueira, sondei por detalhes sobre sua história, o que comoveu-me muito, levando-me a optar pela cadeira referente a ela.

Não obstante, a história de luta e exemplo, da escritora, jornalista e líder sindical revolucionária na década de 30, acredito, hoje, o país carece de líderes como Nina, cuja ausência faz com que se perceba a triste realidade e continuidade de um mesmo processo onde as injustiças sociais permanecem. A jovem menina Nina, aos 16 anos de idade, já se encontrava a quilômetros de avanço sobre a formação de um verdadeiro contexto de cidadania e espírito de luta, o que não se vê na juventude de hoje. Nina levantou uma bandeira em defesa dos direitos sociais em favor dos trabalhadores oprimidos e excluídos por conta de um sistema político perverso, o que não difere do atual. Nina não precisou pintar a cara, não fez parte de nenhuma liga estudantil ou sindicato constituído por líderes pré-fabricados, para serem coniventes com os interesses fisiológicos da corte. Nina caminhou até o fim da sua breve trajetória de vida sem fugir ou trair seus princípios e ideais de luta por uma sociedade igualitária.

Para quem não sabe Maria da Conceição Arueira, era filha de uma família de classe média de Campos, de origem quatrocentista, até onde conheciam no distrito de São Martinho. Uma menina iluminada, vibrante, inteligente e com espírito altamente evoluído. Apesar de ter falecido com apenas 19 anos de idade, ao contrair tifo, doença que dizimou muita gente naquela época, Nina foi uma espécie de anjo que desceu dos céus, para romper com barreiras alienantes e abrir caminhos no sentido de abraçar uma causa e conscientizar o povo sobre a importância de unir forças na luta contra a burguesia dominante que explorava e massacrava o povo. No entanto, comparando o contexto sobre o qual Nina se pôs a lutar pelos direitos sociais, parece-nos que não há muita diferença do contexto de hoje, apesar de termos uma Constituição Federal, onde estão escritos os direitos sociais e fundamentais, mas que não são cumpridos. Pior, não temos líderes como Nina, e a história se repete... A maioria da população brasileira continua vivendo à margem da miséria e pobreza. Não existe saúde pública e nem educação de qualidade e, continuamos vivendo sob as rédeas dos capitalistas do crime e da corrupção, formada pelas elites dominantes que continuam no poder, sendo uma espécie de tifo que mata e corrói com quaisquer princípios de moralidade, ética e justiça nesse país.

Logo, ao falar de Nina nesse mesmo veículo de comunicação histórico e do qual fez parte como colaboradora, é enaltecer a alma preenchendo-a de emoção e razão.
MONITOR CAMPISTA 12 de junho de 2007

segunda-feira, maio 28, 2007

SOU CONTRA O ABORTO... E AÍ?

Apresento a todos a carta e mim enviada pelo meu amigo médico e escritor, Gilberto, enfatizando o seu ponto de vista genuinamente cristão sobre a questão social e espeitual envolvida com a prática do abortamento.

Flávio Mussa Tavares


SOU CONTRA O ABORTO... E AÍ?

De Gilberto Ribeiro Vieira

Eu sou contra o aborto. Acredito que todo o cristão, em sã consciência, também o seja.

A primeira contribuição que devemos oferecer é não praticar o abortamento em nenhuma circunstância. Portanto, é indispensável prevenir. A única prevenção absolutamente segura exige abstinência sexual, e sabemos que constitui uma alternativa para poucas pessoas. Manter atividade sexual tornou-se uma espécie de direito indeclinável para quase toda a humanidade. Porém, eu continuo acreditando que exercer algum controle sobre a sexualidade – variável para cada grau de evolução – representa meta de ascensão espiritual. Assim, não convém se entregar ao intercâmbio sexual, sem a regência do sentimento. Note-se que, anatomicamente, o coração se localiza acima da genitália. Fazer sexo, na ausência de afeto, significa dar vazão ao instinto e perder o norteamento indispensável.

Conquanto para muita gente, a afeição justifique a interação sexual, uma minoria requisita de si mesmo um elemento a mais, que se pode resumir através da palavra compromisso. Portanto, além do carinho, da simpatia ou do amor que o atrai na direção da outra pessoa, o indivíduo mais maduro estabelece em sua própria consciência o dever de arcar com toda e qualquer conseqüência que advenha do intercurso sexual. Registre-se que, simbolicamente situada na cabeça, a consciência encontra-se, pois, acima do coração.

Desse modo, o relacionamento sexual de um sujeito mais sensato mostra-se uma iniciativa bastante complexa, envolvendo afeto e comprometimento. Anda no mundo, sem ser do mundo. Vê as inúmeras complicações que as criaturas se metem por conta do prazer sexual desavisado e elege a porta estreita da renúncia e da fidelidade. Numa época em que a sexolatria impera e o erotismo campeia desbragado, o cristão verdadeiro destoa da grande massa. Ele sabe que a região do quadril é onde fração expressiva da humanidade transita, temporariamente, em sua evolução rumo a estágios mais altos. É nesse nível que a força espiritual se agita e arrasta as figuras invigilantes a dolorosos desregramentos. O discípulo do Evangelho analisa, pondera e escolhe a atitude prudente de evitar o contato sexual, a menos que exista afeto e somente quando já lhe seja possível assumir uma eventual gravidez, ainda que não desejada. E, em qualquer circunstância, havendo intimidade sexual, utiliza os recursos anticoncepcionais, de preferência, associando o preservativo com algum outro.

Sou contra o aborto. A segunda contribuição que podemos oferecer é amar os nossos filhos, sem queixas pelo trabalho que a manutenção ou a educação deles reclama de nossas forças e de nosso tempo. É imprescindível amá-los com alegria. Declarar de cima dos telhados a nossa gratidão por essa tarefa bendita. Seja qual for a dificuldade, seja qual for o problema, seja qual for a angústia que, por causa deles, venhamos a experimentar, a cada dia renovaremos nossa disposição e nosso carinho. Antes de tudo, nós os aceitamos quais são, depois os educaremos, pacientemente, tendo em vista que aprendemos com Kardec a primeiro amar e só então, instruir. Dessa maneira, nós demonstraremos aos vacilantes em tomar o fardo da progenitura que, de fato, vale a pena ser pai/mãe já que o júbilo e a amizade permanecem acima de todas as aflições e aborrecimentos.

Sou contra o aborto. A terceira contribuição que nos cabe aduzir é não compactuar com a realização de qualquer abortamento. Advertir e esclarecer qualquer um que nos cruze os passos abrigando tal objetivo, destacando os aspectos positivos e sublimes da pater/maternidade. Quem sente amor pelos filhos, pelas crianças, pelo próximo, pode contagiar a pessoa que hesita ou que se dispõe ao gesto infeliz, insuflando-lhe coragem, esperança ou resignação.

Sou contra o aborto. A quarta contribuição que podemos ofertar é não incriminar os que cometem a sandice de matar o próprio filho. Existe loucura maior do que esta? Exterminar uma criatura indefesa no próprio ventre, a quem se deveria amar incondicionalmente? Só uma pessoa transtornada e inconsciente de si mesmo e da venturosa missão familiar perpetra um crime tão abominável. Diante desse alienado não é lícito ao cristão o uso do açoite ou da punição. Basta ao doente a loucura em si mesma. Ou haveremos de transferir todos os dementes para as penitenciarias? É necessário tratá-los, cuidando de suas perturbações. Em momento algum o Cristo se alia aos condenadores, mesmo quando alicerçados no direito vigente. Segundo a legislação dos judeus, a mulher adúltera deveria ser apedrejada. Era a lei! Jesus, entanto, recomenda que atire a primeira pedra aquele que esteja sem pecado. O discípulo do Evangelho está convocado para implantar a lei do perdão nas consciências. Mas, ele não pode cruzar os braços diante da dor de milhões de fetos, cujo choro não chega a ser emitido, arrancados violentamente das entranhas maternas. Acrescente-se que incriminar o aborto significa conformar-se com a injustiça, porque se condenaria, frequentemente, a mulher e, bastas vezes, o homem é o principal responsável, ora pela indução, ora pelo abandono.

O Movimento da Fraternidade deve ser contra o aborto e trabalhar ativamente para reduzi-lo entre os fraternistas ou naqueles que freqüentam suas atividades. Em especial, preparando e direcionando orientadores para dialogar com jovens e adolescentes sobre a sexualidade. É recomendável ter um discurso isento de preconceitos e de expectativas exaltadas de sublimação, incompatíveis com o grau evolutivo do ser humano ou da fase cultural em que vivemos. Os fraternistas, podemos e devemos ter alguma iniciativa para minorar esta tragédia planetária, mas que passe muito longe de acentuar o remorso – esses pais faltosos irão despertar um dia, e ai deles, pois muitos ressecarão suas potencialidades germinadoras ou lesionarão gravemente seus próprios órgãos reprodutivos. Precisamos nutrir compaixão por eles e não sentenciá-los. Imagina se o Cristo se juntaria, hoje, com os fomentadores de culpa!

“Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Dize-a, Mestre. Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cincoenta. E não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais? E Simão, respondendo, disse: tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: julgaste bem.” (Lucas, 7:40-43).

Ser contra o aborto é fácil, o desafio é perdoar e realizar algum trabalho de prevenção ou de assistência em favor dos que cometeram o ato.

Então, amigos, é isso. Depois desse arrazoado, eu lhes pergunto: o que é pior, matar o próprio filho, num surto de insanidade espiritual, ou incriminar este louco, dispondo de uma razão lúcida?

Abraços,

Gilberto

sábado, maio 19, 2007

Sou espírita, mas não sou santo...

Li um tópico sobre essa frase numa comunidade espírita do Orkut e resolvi tecer alguns comentários. A maioria de nós, já escutou essa frase, sempre expressa no sentido de uma desculpa prévia por alguma grosseria, irritabilidade, impaciência, mágoa e até mesmo ira.

Certamente não somos perfeitos! E que tem isso em relação à nossa doutrina? Será verdade que é cobrado mais do espírita que de outros religiosos? Creio que sim. Eu mesmo já escutei diversas vezes nos meus deslizes emocionais a expressão: " ...e ele é espírita..." Nessas situações somos constrangidos a responder com a expressão acima: "É verdade, sou espírita! Entretanto não sou santo!"

O risco que se corre é o risco da Justificação viciosa, isto é sob o argumento de que não se é perfeito, vamos nos deixando levar pelos nossos hábitos de vidas passadas quando obedecíamos a nossa natureza impulsiva e irada.

Qual o objetivo da reencarnação? Diz a resposta da questão 132 de "O Livro dos Espíritos" :

"Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta."

A resposta pode ser resumida em duas expressões: expiação e prova!

"Sofrer as vicissitudes da vida corporal." O que significa isso? Estar limitado física e/ou psiquicamente de modo a inibir a nossa compulsão para o erro, os nossos vícios. São as expiações restrições involuntárias. São determinadas por promotores da espiritualidade de modo a bloquear os hábitos que a maneira de programas informatizados, instalamos em nossos perispíritos na sucessão das existências sucessivas e solidárias. As limitações biológicas, seja nos membros, seja no cérebro bloqueia a nossa via do erro. Nossa predisposição a errar está então travada. Suicidas contumazes não mais o praticam sem os membros superiores, vigaristas, jogadores, drogadictos, todos compulsivamente enovelados na trama das reencarnações tem bloqueios neurológicos que lhes inibem a repetição. Estas vidas limitadas física e mentalmente são acompanhadas de outros aprendizados. São treinos na humildade, na paciência das fisioterapias, fonoaudiologias, psicopedagogias, todas levadas a cabo por heroínas das libertações das almas caídas.

A expiação é assim, uma educação corretiva, um processo de cura da alma, pois se por um lado mutila a carne, liberta-se o espírito.

A provação é outra classe de restrição biopsíquica, pois é voluntária. A prova é o momento do testemunho diante de Deus e dos homens. É o momento de viver as penas do corpo, para provar a mudança de caráter. A prova é um estágio superior da nossa evolução, pelo menos em se tratando da faixa evolutiva mediana de nosso planeta. As missões são estágios ulteriores ainda pouco comuns ao ser humano. Somos uma humanidade em expiação e provas, uns ainda involuntariamente bloqueados nas práticas dos seus erros prediletos, outros conscientemente deliberados a restringir as liberdades e facilidades da vida, para desenvolver os atributos mais nobres da humildade, da caridade, da espiritualidade.

Não sou santo, no entanto sou espírita! Essa nova arrumação das palavras nos permite cumprir a primeira sentença da resposta à questão 132: "Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição."


Não somos santos, mas devemos a cada dia depurar a nossa mente. Bem aventurados os puros de coração! Isto é, Felizes os que destilam a sua alma das paixões viciosas. Felizes os que trabalham no esclarecimento de si mesmos, reprimindo a revolta da alma, reprimindo o sentimento de mágoa, reprimindo o hábito da crítica ácida, da ironia, os momentos de irritabilidade. E como fazer isso? Exercitando-se nas pequenas ocorrências de nossa vida diuturna. É na prática diária da tolerância com os nossos irmãos adversários que sentiremos a mão delicada de Deus, oferecendo-nos oportunidades para treinar a paciência e o perdão. É na permanência no ambiente aparentemente desfavorável do nosso trabalho, de nossa família, de nossa instituição religiosa que exercitaremos a humildade, a tolerância, a esperança e desse modo, corrigiremos lentamente, progressivamente nossas viciações psíquicas de milênios no egoísmo. Humilhações, frustrações, dificuldades, fazem parte do repertório de nossas necessidades anímicas que devem nos induzir a repensar a frase e inverter a ordem nessa nova forma: Não sou um santo, mas como espírita, exercitarei a paciência. Não sou um santo, mas como espírita, exercitarei a tolerância.

Não sou um santo, mas como espírita, exercitarei o esquecimento das mágoas, a princípio forçando a minha natureza, depois sendo perdoador por natureza.

Diz Pietro Ubaldi, que a evolução de nosso psiquismo será tal que no futuro, o amor será instintivo.

O capítulo 17 de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, tem uma inesquecível passagem sempre recordada pelos que estão nessa laboriosa tentativa de conversão psíquica:

"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más."

Em outras palavras poderíamos dizer: O verdadeiro espírita é aquele que tem uma imagem sincera de si mesmo, sabe mirar-se no espelho da autoconsciência e emprega todas as forças possíveis para reprimir seus momentos de falta de moderação, de falta de calma, de falta de perdão, de falta de piedade, de falta de paciência.

Somos constrangidos à prática do bem e é por isso que o Mahatma Gandhi, ao responder a uma pergunta de um repórter, se era um santo que queria ser político, respondeu com presença de espírito notável:


“Os homens dizem que eu sou um santo, perdendo-me a mim mesmo em política. O fato é que eu sou um político fazendo o máximo possível para ser um santo” (Gandhi apud Fischer, 1984).

domingo, maio 06, 2007

ORFANDADE ESPIRITUAL


Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.

Jo 19:26-27

Somos todos partes vivas da história deste mundo e Jesus Cristo, nosso Senhor e Mestre, viveu a Sua história pessoal em absoluta harmonia com os elementos cósmicos. É por isso que os relatos de Sua existência são valiosos em se tratando dos sermões, sejam doutrinários, proféticos ou parabólicos e também tratando-se dos elementos factuais da mesma. É assim que é importante anotar os fatos narrados de vida pública e privada do Mestre, pois ali estão simbolismos que podem nos ser úteis em alguns dilemas de nossa vida. Quantas situações conflitantes podem ser solucionadas se observarmos as decisões pessoais de Jesus. Quantas tomadas de decisão podem ser assumidas por nós se nos detivermos em certos detalhes da vida do Cristo, quando foi ele vitima da calúnia e da crueldade, nascida da intolerância religiosa.

Jesus disse que não viera ao mundo trazer a paz , mas a espada (Mt 10:34), reconhecendo de antemão que muitos aspectos de seus ensinos e da própria vida seriam palco de celeuma religiosa.

Quero deter-me no momento culminante de vida de Jesus, quando já aprisionado à cruz, divisou a Sua Mãe. Observou que estava Ela acompanhada de João. Designou então que Ela o adotasse por filho e que este a protegesse em sua nova fase, de mulher viúva que perdera seu único filho. Aos que duvidam de que Maria tinha como filho apenas Jesus, que respondam o por que dessa determinação de seu filho, como se fosse um último pedido.

Como poderia uma mulher judia, viúva, abandonar seus filhos e sair a viver com um jovem em outra cidade?

Como entender essa situação, se não reconhecendo que estava Maria na mesma situação da viúva de Naim, de quem Jesus se apiedou um dia.

São fatos da vida de Jesus que devem ser anotados e entendidos como instrução doutrinária. Jesus havia curado o servo do centurião à distância e dirigia-se à cidade de Naim. À entrada viu o cortejo fúnebre de um jovem que era filho único de uma viúva. Diz o texto de Lucas, capítulo 7, versos 11 e seguintes: "movendo-se de íntima compaixão, disse à viúva: Mulher, não chores!" Dirigiu-se ao moço, chamou-o, ordenando-o que se levantasse e entregou-o à mãe. O que é mover-se de íntima compaixão? É uma alta freqüência de simpatia, de empatia, de sofrer junto, de tomar para si a dor do outro.

Pois a mesma compaixão que sentiu Jesus da viúva de Naim, sentou algum tempo depois, já atado ao madeiro do martírio infame, de Sua própria Mãe. Não podendo oferecer-se a si mesmo como o protetor daquela viúva, escolheu o seu discípulo mais novo. E escolheu a João por que estava com Maria ao pé da cruz ou por que precisava de um filho para Sua Mãe? Assim como para a mãe triste da cidade de Naim, devolveu Ele um filho, para Sua Mãe precisava oferecer um adolescente, que sentisse em si mesmo a necessidade de proteção materna. E ofereceu também um novo filho, como prevenção da melancolia da fase idosa de Sua Mãe. Um filho, um filho escolhido entre aqueles com quem convivera por três anos.

O apóstolo Pedro também não entendeu o motivo de Jesus haver dito na última ceia que precisaria da João na Terra por muito mais tempo e pergunta a Jesus: " Senhor, e este? Que será dele?" (Jo 21:21) Jesus queria, como disse a Pedro que João vivesse até o Seu retorno, que permanecesse, que cuidasse de Maria até o fim, que fosse o médium da revelação apocalíptica e disse então a Pedro que isso não lhe dizia respeito.

Jesus escolheu a João, o mais novo, para ser não apenas o protetor de Maria, mas também para ser seu tutelado espiritual.

Concedeu assim, representando a humanidade em João, seu amado filho, uma Mãe espiritual para todos.


Mãe, eis os Teus filhos! Filhos, eis aí a vossa Mãe!


Esta é a conseqüência conceitual da ordem crística no momento da Sua morte.

È essencial que aceitemos de Jesus o convite para sermos Seus irmãos, pela maternidade espiritual de Maria.

Maria, Mãe de todos os sofredores, que de Éfeso converteu-se na maior discípula de Seu filho, confortando os corações oprimidos com o perfume do Amor infinito da rosa mística de Nazaré.

É por isso que neste Dia das Mães, quero oferecer à minha Mãe, à minha esposa, às minhas filhas, à minha irmã, à minha nora e à minha neta um delicado ósculo espiritual, recordando a presença luminosa deste anjo cósmico que é Maria, Mãe amorosa de todos nós.

E quero declarar também que não quero ser órfão de Mãe no Céu!

Mãzinha do Céu, eu a almejo como minha Mãe espiritual, ofertada por Jesus no momento derradeiro de Sua passagem salvadora por este mundo, na pessoa de João, à toda a nossa humanidade.

Quero fazer parte da parcela da humanidade que aceita a oferta de Jesus e, humildemente, peço à Senhora, Mãe excelsa, que vele por nós pobres pecadores, agora e na nossa hora extrema, assim como velaste até o fim, por Teu filho, Nosso Senhor e Nosso Mestre.

Assim Seja.

terça-feira, maio 01, 2007

LEI DE LIBERDADE


Tem o homem o livre-arbítrio de seus atos?
"Pois que tem a liberdade de pensar, tem também
a de obrar.
Sem o livre-arbítrio, o homem seria
máquina."
Livro dos Espíritos, questão 843

A Liberdade é condição essencial do homem sobre a Terra. É um dom preter-natural, ou seja foi forjado juntamente com o espírito pela mãos divinas. Imagem e Semelhança refere-se principalmente à esta faceta humana, ser livre. Essa condição natural é tratada no capítulo X da terceira parte de "O Livro dos Espíritos". Somos livres enquanto dotados de livre-arbítrio, mas a vida em sociedade nos impõe as limitações necessárias ao abuso, a ganância e ao totalitarismo.

A primeira forma de Legislação veio a Terra por meio da mediunidade de Moisés, no momento em que o povo hebreu após quatro séculos de servidão no Egito, ansiou e arriscou-se na jornada em busca da Liberdade. A liberdade é então um marco na nossa história. Foi a sua busca que nos proporcionou a recepção da primeira Revelação de Deus ao mundo. Moisés legislava e o povo lhe obedecia, sustentado pela promessa divina. Deixou o povo judeu no Egito, pequenas propriedade, alguma posse material, alguns animais. E visando um sonho contido em profecias de seu povo, trocaram a estabilidade mesquinha da terra da servidão, pela instabilidade promissora da terra prometida. Trocaram a mediocridade pela oportunidade, arriscaram tudo por uma promessa. Saíram do Egito, como Abrhão havia deixado a Caldéia, apenas com uma promessa divina de uma Terra dadivosa. Durante essa prolongada e tormentosa travessia, alguns tiveram saudade da servidão e dos velhos ídolos do imediatismo e da idolatria, mas Moisés foi enérgico e proibiu entre eles práticas que recordassem o período em que eram escravos, em que não tinham dignidade, em que não eram homens. Não há preço para a Liberdade. Todos os povos a almejam em todas as épocas da humanidade. Todos os povos submetidos ao imperialismo rebelaram-se e nesse particular, a Epopéia judaica da travessia do Mar Vermelho é incomparável. Erich Fromm refere-se ao Medo à Liberdade, que é o mesmo do pássaro que nasce no cativeiro e não sabe deixar a gaiola se aberta, e se deixá-la fenece.

Stephen King filmou um épico do cinema "Um Sonho de Liberdade", estrelado por Morgan Freeman e Andy Dufresne, onde prisioneiros de uma cadeia pública eram condenados à prisão perpétua por causa do autoritarismo corrupto de um cruel diretor. Quando um velhinho que cuidava da Biblioteca da prisão é libertado, vai para uma cidade e um tempo onde não conhecia mais nada e na melancolia extrema de lutar pela sobrevivência como empacotador de um supermercado, suicida-se. O medo da liberdade foi mais forte que o sonho dela.

Do sonho de Liberdade dos judeus, nasceu a Revelação. Apenas o anseio de liberdade poderia temperar o espírito do ser humano para compreender a Lei de Deus. Ali está o código sintético da Ética na Terra. Em primeiro lugar, Reverência à Deus e ao Seu nome. A seguir, reverência aos nossos progenitores, honrando o seu nome e a sua memória durante toda a nossa vida. E então, uma série de proibições, de limitações à nossa ação que longe de ser restrição à liberdade, são uma educação para ela. Sim, por que a questão 826 nos explica que apenas o eremita no deserto não deve seguir regras. Se estamos em Sociedade há que se respeitar a vida em comum e a nossa natureza de filhos de Deus. O decálogo é a síntese perfeita da ética na Terra. Segui-lo é o primeiro passo para se alcançar a Liberdade plena. Por isso não há como fugir da necessidade de educação. Por isso que Allan Kardec nos deixou a frase lapidar de O Espírito de Verdade: "Espíritas: Amai-vos! Eis o primeiro mandamento. Instruí-vos, eis o segundo!"

Instruir-se é conquistar cada vez mais a liberdade. É necessário conhecer a Lei. "Conhecereis a Verdade e esta vos converterá em homens livres"! Jesus expressou com perfeição, aprender a Lei é libertar-se!

A codificação espírita tem o grande mérito de embasar-se na razão! É através da cerebração dos postulados cristãos, que os internalizaremos em nossas consciências. Estamos há dois milênios aprendendo com o coração. Agora o cérebro precisa aprender apensar com a lógica cristã. É necessário que racionalizemos a nossa Fé para que os edifícios construídos a partir dela, não continuem a ruir como tem sido com as construções espirituais ao logo destes vinte séculos de mensagem cristã.

Somos espíritos em evolução, em passagem. A Fatalidade da Lei só é real para a determinação de nossa morte. Todos os outros momentos de nossa vida que aparentam fatalismo, são na verdade efeitos de ações por nós perpetradas no passado. Livremente agimos e havemos de colher os frutos que conscientemente semeamos. Disse-nos Paulo de Tarso:

Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Gl 6:7-9

Arremessamos livremente dardos em nosso passado cujas trajetórias compõem hoje o que chamamos destino, mas que são apenas as conseqüências das nossas ações conscientes.

Expiações e Provas são momentos específicos de nossa vida. No primeiro momento somos constrangidos a parar de errar pelas limitações físicas e mentais impostas pela Lei de Causa e Efeito, Ação e Reação ou Carma. No segundo momento estamos já amadurecidos, e instruídos para participar da Prova, dos testes. Na hora da prova, não há como pedir explicação. É a hora do julgamento, do juízo. Somos sustentados na hora da expiação, somos preparados para a hora da provação, mas não podemos pedir a ninguém para passar pelas nossas provas ou não podemos sofrê-las por ninguém. A cada um conforma as suas obras. O grande objetivo de Deus é a reparação.

Somos confrontados, pelas provações com as nossas tendências erradas, mas ao vencê-las com o exercício repetido da reencarnação, vencemos e trocamos os círculos viciosos de outrora, pelos círculos virtuosos da liberdade.

Santo Agostinho, revela em suas Confissões que roubava, na infância, as maçãs dos vizinhos, que havia em seu próprio pomar, apenas pelo prazer de pecar. A sublimação de seus instintos levou-o a descobrir o Prazer de Não Pecar.

Essa é a verdadeira Liberdade. Esse é o escopo de nossa vida!

quarta-feira, abril 18, 2007

Sesquicentenário de "O Livro dos Espíritos"

Há um século de meio, justamente num 18 de abril como hoje, a humanidade passou a contar com um código, um questionário que abrange todas as possibilidades de questões apresentadas à nossa razão e respondidas por uma inteligência supra-racional. A razão humana foi coordenada por Allan Kardec. As respostas foram dadas por uma plêiade de espíritos superiores coordenada pelo Espírito de Verdade e recebidas por meninas ainda adoescentes, sem maldade, que captaram com pureza as sólidas concepções filosóficas ali contidas em cerca de mil quesitos.

Esta foi a promessa de Jesus, feita no Evangelho de João e cumprida após dezoito séculos.

Disse uma vez Dr. Bezerra de Menezes que precisaríamos estudar por cem anos detalhada e profundamente "O Livro dos Espíritos" para vivermos numa humanidade melhor. Já estamos
há 150 anos estudando o mesmo e ainda não somos uma humanidade transformada.

Estudemos pois, abracemos pois "O Livro dos Espíritos", divulgemos esta obra que esclarece e consola, aceitando o convite de Dr. Bezerra de Menezes para finalmente, converter a nossa sociedade de imperfeita em uma sociedade melhor.

domingo, abril 15, 2007

A Páscoa de todos os tempos


Flávio Mussa Tavares

A sofisticação de nossa sociedade fez com que nós nos contentássemos com o conforto que o capitalismo nos vem oferecendo. São mil maneiras de nos sentirmos à vontade com a vida, preguiçosamente acomodados e nervosamente apressados com a necessidade de enriquecer e fazer melhorias na nossa vida e nas nossas posses.

Estamos retornando ao Egito de todos os tempos. Não ao Egito histórico e geográfico, que cresce às margens dadivosas do Nilo, sob os auspícios dos poderosos faraós, mas ao Egito metafísico, imagem de nossa prepotência materialista.

Um dia, por uma ordem misteriosa, Moisés fez o seu povo abandonar seus haveres na terra da servidão e lançar-se a uma aventura no deserto, apenas para obedecer a uma ordem e cumprir uma promessa. Deixem tudo. Estas casas, estas terras não são nossas, são dos nossos opressores. Acompanhem-me em direção à terra da promessa, onde viveram nossos pais, além do mar vermelho, além do deserto...

Diante de sinais surpreendentes a massa o seguiu para a jornada longínqua e de tal maneira essa viagem se prolongou, com muitos percalços, que as pessoas duvidaram e tiveram saudade de seus pertences materiais, de sua vida acomodada à terra das maravilhas materialistas e à adoração aos ídolos que lhes facultava benesses materiais e prazeres fáceis. Esses ídolos priorizavam as paixões, pois eles mesmos eram viciosos. Alimentar a ira, a sensualidade e a cobiça fazia parte de um projeto de adulação aos deuses de pedra e da impiedade.

Moisés então psicopictografou nas pedras do Sinai dez artigos que basilavam a conduta humana na adoração a Deus e na retidão de comportamento ente os homens, com respeito e equidade.

A Páscoa é justamente a travessia psicológica do Egito metafísico das paixões e dos vícios capitais da alma humana de todos os tempos, para a terra prometida, para a libertação da servidão. Essa passagem é de longa duração, entremeada de perigos e nostalgia das facilidades do Egito. Ela faz com que nos percamos no desejo de retornar à aparente segurança da servidão. Ela faz com que venhamos a ter medo à liberdade.

Erich Fromm, psicanalista alemão que associou o método freudiano à análise marxista da sociedade considerava que o ser humano tem medo à liberdade, tema aliás de um de seus livros. "A história da humanidade é a história da busca da individuação e da aspiração de liberdade", diz Fromm, sinalizando para a sua concepção amalgamada das teorias marxista de sociedade e freudiana da psique humana. O medo à liberdade pode ser visto como o medo do oprimido, do pássaro que não quer voar para além dos limites do viveiro e o medo do opressor, que não quer perder o seu poder. Ambos vivem, em posições diametralmente opostas, mas igualmente prejudicadas, o medo à esse dom divino que é a liberdade. No Egito, alguns escravos tiveram medo de deixar suas casas e se aventurar no deserto. E a classe aristocrática egípcia teve medo de perder seus servos humildes e mansos.

Nos nossos dias a "egiptificação" de nossa sociedade produz um retorno voluntário ao estado de servidão. A Educação para a Servidão está na polaridade inversa da educação para a liberdade.

A história tem sido um fluxo e refluxo de nossas estados de retorno à servidão e alguns poucos surtos de busca de liberdade.

As avenidas largas que nos conduzem à servidão são sempre lindas e sofisticadamente ornamentadas pelos profissionais de marketing e propaganda do materialismo e da educação para a servidão. Utilizam-se da mídia escrita, da falada e televisiva, além da internet, empregando técnicas refinadas de neurolinguística, com a finalidade de formatar as mentes dos indivíduos, notadamente os jovens para se tornarem adoradores da ilusão. As mensagens subliminares constantes de todos os jogos e filmes visam a nos fazer cada vez mais tolerantes com os valores egípcios e cada vez mais descrentes da possibilidade de se cumprir leis divinas no mundo.

Os pecados capitais são a inversão polarizada do decálogo divino. É muito fácil tender psicologicamente para os chamados pecados capitais, por que eles são atavismos gravados em nosso subconsciente nas épocas imemoriais de nosso passado egípcio. Digo passado egípcio, não me referindo, obviamente a uma hipotética encarnação nossa nas férteis terras marginais do Nilo, mas a uma memória de nosso tempo em que vivemos na era da servidão, da idolatria e da supervalorização das paixões e dos bens materiais.

Que época é essa? A dos faraós? Não! É justamente essa época em que vivemos quando o refluxo cíclico à nossa egiptificação nos conduz a um tempo jamais visto de materialismo e de convite ao individualismo e a sensualidade. Jamais em época alguma da humanidade os valores materialistas ousaram tanto, de modo a "enganar até os escolhidos".

Politeísmo pragmático é o que vivemos hoje. Idolatria aos deuses do mercado. Mamon é o grande deus do mercado financeiro. Mamon é o rei do mundo e quase todos lhe servem, já que é impossível servir à ele e à Deus.

Não se honra mais a memória de seus pais.

A astúcia, levando-nos a idéia de que é preciso "levar vantagem em tudo", transformou quase que toda a humanidade em ladra.

O adultério banalizou-se e já não se sente culpa pelo desmantelamento de uma instituição fundada desde os primórdios.

Assassinar é um jogo, desde os videogames, passando pelo gosto de filmes de violência até as vias de fato, produzindo emoção mórbida em muita gente.

Mentir virou uma arte e os jogos de pôquer da vida, onde o blefe, a mentira faz enriquecer, os reality shows, onde o público hipnotizado escolhe os mentirosos como seus ídolos petrificados na imolação da justiça frente a infâmia.

A cobiça é a regra básica de Mamon, fazendo do gosto ao luxo o desejo de prazer e da preguiça, as molas mestras de sua enganação.

Converter o vício da terra da servidão em virtude da terra da promessa é a maior arte dos que crêem na Páscoa. Não apenas na libertação de um momento, mas a libertação atemporal. Pessach é a passagem através do deserto. Deserto é lugar de aridez, de solidão, de abandono, de secura de alma, de conflitos, de nostalgia da servidão, de vontade de retornar ao passado de erros, de quedas na idolatria e na sensualidade, de vergonha de nossa indolência, de nossa covardia e de nossa cupidez.

Mas acima de tudo é lugar de bênção, de maná,de graças dos céus, de oásis auspiciosos e de promessa esperançosa. Perseverar até o fim, este o nosso propósito máximo.

Páscoa, educação para a liberdade. Não para a liberdade de seguir o erro, de seguir o atavismo, que é na realidade escravizar-se, retornar à servidão. Mas liberdade de resistir, de recuar diante da tentação, de criar novas tendências virtuosas, substituindo os velhos ciclos viciosos de nossa alma. É preciso frear o processo de corrupção de valores intrínsecos do nosso ser imortal e buscar a indestrutibilidade de nossa verdadeira essência no prazer de não pecar, no prazer de ser simples, no prazer de ser humilde, no prazer de ser brando, no prazer de ser sincero, no prazer de ser corajoso e no prazer de ser fiel até o fim.

sábado, abril 07, 2007

Variações sobre a Epístola de Tiago sobre a Fé e a Razão



Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tg 2:18




Apresenta-me a tua certeza no Amor de Deus sem convertê-la em ações beneméritas e eu apresentarei a ti a minha certeza no Amor de Deus representada pela minha bondade.


Fala na certeza de tua salvação sem que isso transforme o teu caráter e eu te mostro a certeza de salvação através da mudança de meu caráter.


Mostra-me a certeza de que Deus te conhece pelo nome sem que necessites realizar nada, que eu te mostro que Ele passou a me conhecer por que eu procuro realizar algo em favor da instalação do Seu Reino de Amor.


Se me queres demonstrar Piedade sem perdão, eu te mostro a minha Piedade através de meu intuito de perdoar.


Se me queres mostrar a tua Esperança sem humildade, eu te mostro a minha Esperança por intermédio de minha humilhação.


Falas de tua religiosidade sem fraternidade e eu quero apenas através da fraternidade exercitar a minha religiosidade.


Se te dizes arrependido por palavras, vem que eu te mostro o meu arrependimento pelas minhas reparações.


E se tens coragem sem saberes sofrer, eu te apresento a minha coragem por meio de minha tolerância.


Se, enfim, clamas tua Salvação, sem reconhecer que o Amor de Deus é tão imenso que indistintamente, a todos abraça,


Se reconheces-te salvo a partir da condenação de teu irmão,


Se o ponto de referência de tua salvação é a perdição dos teus amigos,


Eu te mostro que entendo e quero a Salvação de toda a criação, num inefável amplexo cósmico que a todos reabilita na sucessão de reencarnações com vistas a grande reconciliação com o Eterno.




Flávio Mussa Tavares

quarta-feira, abril 04, 2007

A A R R O G Â N C I A DOS M A U S




Clamam, porém Ele não responde
Por causa da arrogância dos maus.
Jó 35:12



O texto de Jó, afirma que Deus não responde aos que clamam por ele, por causa de sua arrogância.

Temos assim três categorias: o clamor, o silêncio de Deus e a arrogância.

Em primeiro lugar há que se considerar o clamor. Que é clamar?. Segundo Houaiss, em uma de suas acepções é: “rogo ou queixa proferida em altas vozes”.

Seria errado clamar a Deus? Diz o profeta Isaias no início do capítulo 58: "Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta...". Isso nos leva a reconhecer que é justo clamar a Deus, pois ele nos conhece até o mais profundo de nossa alma, ele nos perscruta os sentimentos, como diz Davi: “ Senhor, tu me sondas, e me conheces.” (Sl 139:1). Se Ele vasculha nosso interior e conhece nossa angústia, há de nos encorajar em nosso clamor, pois nesse momento estamos sendo sinceros.

O tom da voz daquele que fala a Deus está muitas vezes na medida da angústia. A expressão “clamar” é empregada muitas vezes no contexto de um grande sofrimento seguido de um desesperado pedido de socorro. O Rei Davi canta em seu salmo: “Então clamaram ao Senhor na sua angústia, e os livrou das suas dificuldades. ”Salmo 107.13

Por que então ocorre o silêncio de Deus, descrito por Jó? Alguns versos bíblicos revelam esta possibilidade de nosso clamor ser ignorado por Deus:

1- Então naquele dia clamareis por causa do vosso rei, que vós houverdes escolhido; mas o Senhor não vos ouvirá naquele dia.( I Samuel 8.18): Nossas escolhas são livres e após determinadas opções é necessário que se sofra o efeito gerado pela nossa livre escolha. E o intuitivo texto é claro: “nesse dia, ele não nos ouvirá, pois é dia da reação necessária.

2- Clamaram, mas não houve quem os livrasse; até ao Senhor, mas ele não lhes respondeu.( Salmos 18.41);
Estou cansado de clamar; a minha garganta se secou; os meus olhos desfalecem esperando o meu Deus. (Salmos 69.3); Então clamarão a mim, mas eu não responderei; de madrugada me buscarão, porém não me acharão. (Provérbios 1.28) :
Esses três versículos são também demonstrações de segunda vista de Davi e de seu filho Salomão. A resposta às orações parecem não acontecer pois muitas vezes pedimos de modo errado, como ensinou S. Agostinho: Petimus mala.
No salmo 18, observa-se a resultante de uma ação voluntária, a reação é necessária e provavelmente a ajuda espiritual virá para o nosso socorri, para a nossa capacidade de suportação, mas não para nos livrar das responsabilidades.

No salmo 69, existe a prova da paciência. Nós temos que aprender a esperar e a perseverar. Quantas vidas temos desperdiçado bênçãos espirituais ofertadas com fartura. Tempo, espaço, recursos financeiros, saúde, conhecimento, suporte familiar, ambiente social favorável, religião...É necessário então, que os nossos amigos da espiritualidade que velam por nossa felicidade, nos promovam uma vida de espera, de paciência, de dificuldade, para que registremos em nossa alma as reações que ainda não nos são conhecidas. Aprender a Esperança é um exercício da alma. Só se aprende vivendo.
E quanto ao texto dos Provérbios, trata da busca em hora errada, tardia. Existem coisas que só podem ser obtidas em momentos determinados. Existe uma hora de aprender e uma hora de sermos testados. Não se pode pedir explicação a professora na hora da prova. Ela é professora, mas aquela hora é de teste, de provação.

Outro ponto, também registrado por S. Agostinho é o de nós pedirmos para nós, sendo irredutíveis e incomplacentes com o próximo. Petimus mali, é o que pede sendo mau em seu interior. Pede, mas sem humildade, pede, mas pede com egoísmo, quer para si, não divide, não tem compassividade, não sabe esperar, não sabe reconhecer que é igual aos demais. O que tapa o seu ouvido ao clamor do pobre, ele mesmo também clamará e não será ouvido. (Provérbios 21.13)

Mesmo as orações intercessórias podem ser em momento indevido. Muitas pessoas que recebem orações não estão no momento certo para receber a ajuda. Alguams orações podem ser inclusive, segundo nos revela André Luiz, em Obreiros da Vida Eterna, refratadas, isto é redirecionadas para outras pessoas em estado real de necessidade e que não receberam orações intercessórias. A justiça de Deus é perfeita e nenhuma energia se perde. Por isso diz o profeta Jeremias:

Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor nem oração; porque não os ouvirei no tempo em que eles clamarem a mim, por causa do seu mal. (Jeremias 11.14)

O silêncio espiritual é uma possibilidade razoável.
Não pode haver resposta para o que não quer escutar a verdade. A arrogância é a prepotência. Um homem prepotente considera que tem força e poder suficiente para se bastar. Por que então pede? Por alguma forma de hipocrisia. O arrogante é vaidoso, não pode descer de seu trono de glória para fazer uma súplica e se faz é puramente um teatro. A arrogância ainda mescla o egoísmo e a hipertrofia do ego. Não pode ver nenhuma barreira ao seu objetivo, considera-se importante demais. É daqueles que gosta de dizer: “Você sabe com quem está falando?” ou “Eu tenho um nome a zelar”. O elevado conceito que tem de si mesmo, associado a um desprezo pelos demais impede qualquer forma de diálogo com as forças espirituais.

O espírito auto-centrado não recebe resposta ao clamor, que pode provavelmente ser um clamor teatral, nada ressonante aos ouvido de Deus.O orgulho introduz um ruído intransponível na comunicação entre o ser humano e Deus. Este silêncio de Deus exposto no texto de Jó : “Clamam, mas Ele não responde por causa da arrogância dos maus”, refere-se também a uma impossibilidade real de que os altos planos da criação ouçam os reclamos dos que já se consideram portadores de poder autônomo. Pedir é antes de tudo um ato de humildade.
Escutar um pedido é a sintonia da humildade de quem pede com a bondade de quem escuta. A falta de um dos fatores aborta a comunicação. O prepotente não é afeto a pedir por que não se acha em necessidade.
O seu clamor é apenas ritualístico, mostruário da vitrine das religiões vazias. A arrogância, filha dileta do Orgulho é um estado de alma que reproduz um momento metafísico dos anjos decaídos, que impossibilitados de serem os portadores de todo o poder de Deus, rebelaram-se contra a Criação, criando um motim que teria resultado o nosso universo físico, segundo as concepções ubaldianas.
Longe de ser uma contradição ao conceito doutrinário da criação “simples e ignorante”, o conceito ubaldiano da “queda” introduz um forte componente de responsabilidade espiritual de todos nós, tornamo-nos simples e ignorantes por livre escolha e é necessário que resgatemos através de nossas vidas sucessivas a nossa condição inicial .
Clamar verdadeiramente e com fé , é um último ato de nossa indigência espiritual, de seres que já vestimos a veste de filhos e que hoje descemos ao nível sub-humano de guardadores de porcos. Purifiquemo-nos para que o nosso clamor seja escutado e que sejamos justificados.