sábado, março 03, 2007

Dia de Carlinhos


Hoje é dia 03 de março, dia em que Carlinhos, meu irmão Carlos Vítor Mussa Tavares nasceu. Faria hoje 51 anos.

Já contei a todos que Carlinhos é o mesmo Lill, que se fez filho espiritual de Nina Arueira e que escrevia para Papai, quando de sua conversão ao Evangelho, abandonando a luta de classes.

Contei também que Lill era o pequeno marinheiro, que foi a forma de vivenciar a primeira fase do Curso de Humildade, antes de reencarnar, isto é tornando-se criança ainda no plano espiritual. Fazendo isso, deixou de viver as personalidades que antes lhe conduziram à fama e à glória terrenas como Marco Polo, Cristóvão Colombo, Bartolomeu Lourenço de Gusmão, Joseph Montgolfier e Santos Dumont.

Viveu depois, 17 anos internado no corpinho enfermo de Carlinhos, tendo por Mãe a nossa querida Mãe Hilda e por Pai, o nosso amado Pai Clóvis. Esta foi a segunda etapa do Curso de Humildade.

A seguir, desencarna e continua criança na vida espiritual. Os antigos amigos do tempo de glória não reencontram o homem, mas percebem que ele agora era uma simples jovem querendo apenas amar. Esta foi a terceira etapa do Curso de Humildade. Esta etapa é ad aeternum. É uma conquista da alma, é um atributo do espírito, é inalienável, é um azeite divino que não se dá, não se empresta e não se vende... é patrimônio indestrutível e intransferível. Estas reflexões fazem parte de um livro que traz oito mensagens enviadas por Carlinhos a nós, captadas pela sensibilidade psíquica de nosso amigo Chico Xavier. Sim, Carlinhos escreveu em versos suaspróprias emoções vivenciadas na terra e após sua libertação do veículo carnal. Este livro é um livro que Papai gostaria de ter escrito, mas que infelizmente não escreveu. "A Morte É Simples Mudança", título escolhido por Clóvis Tavares, meu Pai. É uma expressão empregada diversas vezes por Carlinhos em suas cartas-poema e pinçada pela sensibilidade de Papai como a mais perfeita para sintetizar o tema do livro de meu Irmão. Leiam A Morte é Simples Mudança. Divulguem, estudem, amem, pois ali está muito mais que um repositório de cartas de um morto, mas uma bênção espiritual.


A Morte é Simples Mudança...



Que Carlinhos, vivenciando hoje uma outra natureza de Glória, que é a espiritual, possa na companhia de Papai, velar por nós outros que aqui quedamos, na companhia de nossa amada Mãezinha, na Escola Jesus Cristo, na comunhão com os amigos da Terra que hoje participam deste espiritual banquete de seu aniversário.

Um beijo do mano,

Flávio

POEMA DE NATAL de Luís Alberto Mussa Tavares

Poema de Natal

Adaptação para estilo poético da "Oração de Natal" do volume "Um poema para o Natal", publicado em 2005 pela Editora Scortecci.

I
Recorda a Humanidade, neste dia
Os fatos que cercaram tua chegada:
O Anjo anunciando-te à Maria,
José quando acolheu a sua amada

De Nazaré a Belém, tua romaria,
Onde não havia vaga na pousada,
O teu nascimento numa estrebaria,
A manjedoura, tua primeira morada...

Recorda a Humanidade, entre louvores,
Os Anjos anunciando-te aos pastores,
Os magos e Herodes, a adoração e o medo...

Recorda a Humanidade nessa hora
Os primeiros movimentos da tua estória
Imensa e encantadora desde cedo...

II
Desde aqueles dias
Já se vão dois mil anos...
Do mesmo modo
Como os pastores,
Aqui estamos...
Soubemos da Boa Nova
E aqui viemos
Como fizeram os pastores
Há dois mil anos...
E, como os pastores,
Nós nos sabemos
Simples seres humanos,
Nada possuímos
Nem trazemos,
Como os pastores
Há dois mil anos...
Não viemos,
Como os pastores,
Tão logo e assim que soubemos...
Nós nos atrasamos...
Mas aqui estamos
Na tua presença e,
Por tão pequenos,
Silenciamos...
E assim, orando,
Nós nos ajoelhamos,
Como os pastores
Nós nos alegramos,
Como os pastores
Há dois mil anos...

III
E aqui estamos de mãos vazias...
O que intencionávamos trazer perdemos
Com companhias, com teorias,
Com coisas que valiam menos...

E aqui estamos. Não trazemos nada.
O que tínhamos ficou pelo caminho.
Nós nos dispersamos pela caminhada
E caminhamos em desalinho...

E aqui estamos. Nada trazemos.
Nem mirra, nem ouro e nem incenso...
Pelo caminho nós os perdemos
E nos restou esse vazio imenso...

E aqui estamos. Nós nos dispersamos.
Nós nos atrasamos. Mas aqui viemos.
Já se passaram mais de dois mil anos
E ainda não aprendemos...

Aqui estamos. Ajoelhados.
De mãos vazias. Em pensamento.
Aqui estamos, muito cansados,
Diante do teu nascimento.

IV
O ouro que traríamos,
Valioso,
Peça imponente,
Belíssima cor,
Recebeu tantas ofertas
Nesses dias
Que o trocamos
Sem nenhum pudor
Por bugigangas,
Quinquilharias,
Sem garantias,
Coisas sem valor:
Bijouterias,
Peças sem valia,
Pedras sem brilho
E sem nenhum teor...
Gastamos todo
Com ninharias,
Trocamos,
Demos
E esquecemos
De repor...
Hoje não temos
Mais do que a lembrança
Do que já tivemos
E, alem disso,
Dor...
E porque gastamos,
E porque perdemos,
Comportamo-nos
Como o mau pastor
Que se descuida
Do que seria
Para cuidar
Como bom cuidador...
Aqui estamos
De mãos vazias,
Nada mais temos,
Nada nos restou...
De mãos vazias
Aqui estamos...
Vazios
Na presença
Do Senhor...

V
O aroma leve de um suave incenso
Nós preparamos para trazer.
Aspecto doce, odor delicado,
Especificamente preparado
Para o menino que viemos ver.

Foi quando ate aqui, pelo caminho,
Outros aromas doces conhecemos,
Por outros cheiros nos atraímos,
Outras essências sentimos,
Outras fragrâncias colhemos

E o aroma leve do incenso suave
Que preparamos foi se perdendo
E como a água quando escorre pelo ralo
Já não nos é possível agora identificá-lo...
_O que é que andamos fazendo?

Por outros cheiros nos seduzimos,
Outros perfumes vulgares,
Azedos, acres, fáceis, sedutores,
Odores oferecidos, maus odores,
Dezenas e centenas e milhares...

E assim o símbolo de tua espiritualidade
Contaminamos em nossa caminhada...
Estúpidos condutores, e descuidados,
E incautos, fomos contaminados
E hoje trazemos a alma infectada...

E o aroma suave do incenso doce
Já não possuímos nesse momento...
Envolve-nos, Senhor, com tua essência,
Ajoelhados, na tua presença,
Reverenciando teu nascimento...

VI
A mirra, preparamos com carinho
E embalamos cuidadosamente...
O sofrimento é parte do caminho...
A dor é sempre presente...

Mas dono de um cuidado tão mesquinho,
De um jeito tão displicente,
Bastou o primeiro copo de vinho
E o primeiro gole amargo de aguardente

E a mirra a derramamos e a perdemos,
A dor embriagada dói bem menos...
Desrespeitamos teu sofrimento...

E hoje aqui, não mais tão embriagados,
Postamos-nos diante de ti, ajoelhados,
Diante do teu nascimento...


VII
Submersos em trevas e isolados,
Por desacertos nos conduzimos...
Enfraquecidos, tolos, derrotados
Que a nós mesmos nos destruímos...

A sombra, como semente alimentada,
Cresceu e se espalhou, erva daninha...
A Humanidade quedou-se, acinzentada,
Perdeu o rumo, perdeu a linha...

O desafeto e o desamor, unidos,
Tornaram-se gestos diários
Que os homens fracos e os distraídos
Trataram como comportamentos necessários...

E assim, do desamor nasceram a usura,
A ira torpe, a falta de perdão,
O ódio entre a criatura e a criatura
E a rudeza do coração...

Mísseis cruzando os céus, caças insanos,
Botões dizimando nações sem piedade,
Homens selvagens, seres humanos
Vestidos de pura bestialidade...

A morte provocada pela guerra,
O lucro à custa da crueldade,
A sombra assustadora sobre a Terra
Ameaçando a Humanidade...

Flagelo. Fome. Miséria. Medo.
Terror. Suspeita. Desamparo. Dor.
O homem que vive entre feras desde cedo
Fica contaminado por esse horror.

A que chegamos... Não sobrou nada.
Nenhuma luz. Só ódio. Só discórdia.
E uma Humanidade necessitada
Da tua infinita Misericórdia.

E longe dela, ai de nós pelo que somos.
Pelo caminho ruim que caminhamos.
Pelo que fizemos. Pelo que fomos
E pelo muito que erramos.

Longe da tua Misericórdia, nada.
Ranger de dentes. Choro. Fome. Frio.
A tua Misericórdia é a luz da nossa estrada,
Cesto de peixe que nunca está vazio...

Aqui estamos, pois. Muito cansados.
Já não suportamos tanto sofrimento.
Aqui estamos, ajoelhados,
Diante do teu nascimento.

VIII
Mas é Natal, e assim,
Ecos dos Anjos
Ainda fazem-se ouvir
Em seu Louvor...
Ecos que anunciam
A Boa Nova:
_Eis que hoje vos nasceu
O Salvador.

Eis que é Natal.
E as vozes dos Anjos vibram.
Cânticos de Anjos
Em Legião
Dizendo:
¬_Hosana... Nasceu Jesus,
Alegrai, pois,
Vosso coração...

Eis que é Natal
E, por ai, pastores
Ainda se alegram
Com a anunciação...
Vibram e falam
Uns para os outros,
E alguns se postam
Em oração...

Que delicado
O cântico dos Anjos,
Escuta-se ao longe
Um trecho seu:
_Gloria a Deus nas alturas
E paz na Terra...
Jesus nasceu...

Santificada essa Boa Nova,
Iluminada essa hora
Como a esperança que se renova:
Toda alegria
Ao mesmo tempo
Agora...

É terna e pura a luz da tua estrela,
Silenciosa e serena,
E vê quem tem olhos de ver seu brilho,
Como quem entende um poema...

Acolhedora a tua manjedoura,
Tão pouco e ao mesmo tempo tanto, tanto...
Impressionantemente acolhedora
Como se fosse seu manto...

Suave e belo o significado
Da tua mensagem de amor,
Ao mesmo tempo imenso, delicado
E inexplicavelmente acolhedor...

Simples pastores por companhia,
Delicadeza, naturalidade...
De onde trouxeram tanta alegria
E tanta felicidade?

E a musica que cantam, como um coro
De varias vozes e grande harmonia,
Como quem cuida um tesouro,
Como se fossem os próprios Jose e Maria?

A musica que cantam... Que serena...
Retalhos inteiros feitos de paz...
Encantador recordar esta cena
Dos seus primeiros Natais...

E a gruta acolhedora, teu resguardo...
A manjedoura... Nenhuma ostentação...
Nem luz, nem brilho e, no entanto, nenhum fardo...
Nenhuma pena... Nenhum senão...

A gruta, feita de simplicidade...
Nenhum Palácio significa tanto...
Não há vestígios de suntuosidade,
Há, sim, sinais de que é um lugar santo...
IX
E dois mil longos anos se passaram...
Aqueles que, como nós, te conheceram,
Durante esse tempo se desviaram
E após tantos desvios se perderam...

E em dois mil longos anos que afastaram
Da tua presença os que viram e não creram,
Multiplicaram-se os que te negaram,
Espalharam-se os que não te receberam...

E dois mil anos não foram bastante
Para que nós chegássemos aqui diante
De ti como em outra época Simeão...

Os nossos olhos, endurecidos,
Envoltos em trevas, escurecidos,
Ainda não compreenderam a tua lição...

X
Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo,
Caminho, verdade, vida,
Recebe nossa alma vazia nessa hora,
Pela tua Misericórdia, estremecida...

E permanece nosso pensamento assim:
Magnificado e em lagrimas submergido...
Deixamos lá fora as sandálias, o pó ruim,
Trazemos o pensamento enternecido,

Exatasiado com tua singeleza,
Complexa, imensa e cheia de verdade,
Admirados com a força gigantesca
Da tua aparente fragilidade...

Trazemos, humilhado,
O coração cansado,
Trazemos, destruído,
O coração sofrido,
Trazemos, derrotado,
O coração errado,
Trazemos, combalido,
O coração doído...

XI
Insufla nossa boca
Com teu sopro santo,
Fazendo-a cheia
Das palavras de Simeão:
Podemos partir,
Desde agora,
Porque nossos olhos
Viram
A salvação...

XII
Senhor Jesus,
Feliz Natal.
Nos Céus
Os Anjos
Dizem:
_Amém...
Cantando:
_Glória a Deus nas alturas
E Paz na Terra
Aos homens
A quem ele quer bem...

Que assim seja...

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Dr. March: Entre Dois Planos- Um livro de Alexandre Rocha

Jáder Sampaio (1)

O professor Eugène Enriquez, em conferência na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG provocou a todos o que o assistiam, quando afirmou que o
brasileiro não conhece a sua história. Passada uma década indignada, após ler a mais recente biografia sobre o Dr. March, escrita pelo editor da Lachâtre, começo a dar-lhe razão, ainda que a contragosto.
Fosse um filme, seria difícil de ser classificado. Aparentemente parece-se com um documentário, mas flui de forma tão natural e desperta tantos sentimentos no leitor, que talvez fosse um drama ou, quem sabe, um filme de aventuras.
Discreto, Rocha aparece pouco na sua narrativa, comenta pouco. Quem pensa que o estilo biográfico é um texto chato, onde se enaltecem os feitos e se descreve a obra de uma pessoa importante, pode ir mudando os conceitos.
Alexandre obteve e utilizou um número razoável de documentos, livros, teses, entrevistas, produções mediúnicas e material obtido em periódicos científicos e jornalísticos. Não é uma tarefa fácil, reunir informações de um brasileiro do século XIX. O livro é um passeio pelo Brasil Império, ambienta-se inicialmente na região de fazendas que se tornaria Terezópolis. George March, pai do biografado, é de uma personalidade ímpar. Português, descendente de ingleses, casado com Dona Inácia, afro-brasileira, decide construir uma confortável sede de fazenda em uma região até então erma. Tão notória é a sua fazenda, que a nobreza e a elite da capital do império viaja até lá para hospedar-se e usufruir da companhia do anfitrião e das delícias que pode proporcionar uma propriedade luxuosa em região serrana. Há um sonoro silêncio em torno da pessoa de Dona Inácia, cuja influência não pode ter se reduzido à cor da pele do biografado. Como se deu a união? Como as elites fluminenses e as autoridades estrangeiras reagiram a este relacionamento? Inácia faleceu antes de George March? Nada disto parece ter chegado às mãos do autor, que diante da falta de informações, nada pode escrever.
Ao redor da fazenda, o tempo passa e com ele segue a história. A mansão, que tem vida breve no pequeno livro, vai da glória às ruínas. Do pedido de visita do próprio imperador (1830) à morte do proprietário (1845) o biógrafo encontra sutilezas da relação entre Brasil e Inglaterra e traz à luz os problemas de herança. Vendida a fazenda, nasce Terezópolis, toma cena a questão Christie, um litígio entre imperadores e o pequeno Guilherme de seis anos fica aos cuidados de tutores no Rio de Janeiro.
Aos quinze anos, o jovem Guilherme estuda medicina e aos vinte e um anos defende tese doutoral, como era exigido à época, graduando-se em medicina. Alexandre compara o jovem Dr. March a Francisco de Assis. Tivesse ele nascido na Úmbria no século XIX, já teria sido objeto de filmes, livros e talvez da devoção popular italiana. Como Francisco, ele adota um estilo de vida devasso na juventude, que só teve fim após uma enfermidade progressiva, possível seqüela da sífilis, doença que vai fazendo perder a mobilidade corporal aos poucos. A dor e o fim da herança paterna fizeram-no mudar o estilo de vida, o que Rocha encontra em correspondência a Dias da Cruz.
De formação tradicional, o Dr. March abandonaria a medicina chamada alopática pelos homeopatas para direcionar sua clínica por esta última. Como se deu esta mudança? Silêncio. Nosso biógrafo, contudo, conseguiu levantar toda a publicação clínica nos Anais de Medicina Homeopática do Instituto Hahnemanniano do Brasil, sua atuação nesta instituição, suas descobertas e lutas. Confesso que fiquei assombrado com a comunicação do Dr. March, já sexagenário, na qual ele apresenta melhoras oftalmológicas significativas de presbiopia e vista cansada com o uso de uma certa substância dinamizada, antecedida por uma irritação do globo ocular semelhante a uma conjuntivite, bem aos moldes da teoria homeopática.
As emoções se multiplicariam nos capítulos seguintes. Residindo em Niterói,
o médico e cientista, com anuência de toda a sua família, inicia seu apostolado na medicina. Médico de todos, do povo e das elites desiludidas com a medicina tradicional, o Dr. March não apenas atende sem perceber remuneração, como monta uma farmácia homeopática em casa, para distribuir medicamentos ao povo e alberga aos que vêm de longe, incapazes de voltar a casa. Diagnosticando a fome, ele tira dos seus para tratar aos desconhecidos que o procuram. Quando questionado pelos filhos, ele lhes ensina o Evangelho. Eleito vereador, continua pobre. Eleito juiz, continua justo. Continua médico. Continua filantropo. Deixa de ser vereador e juiz. Não abandona a caridade. Continua espírita. E os casos vão ganhando vida com a pena do autor, sucintos, rápidos, mas cheios de emoção. A comunidade se incomoda com o estado da
residência do Dr. March e faz um movimento para adquirir-lhe uma nova casa. Falecem-lhe os filhos e a companheira, mas não lhe faltam forças para acolher, tratar e curar. E os casos impressionam.
Neste ínterim, o Brasil se torna república. A armada se revolta e uma de suas naves de guerra dispara tiros contra o Rio de Janeiro e Niterói. Os March se refugiam, mas a caridade continua, uma caridade tão comovente quanto a saúde popular no Brasil que finda o século XIX e inicia o século XX. Quando finalmente a doença o impede de locomover-se e fica no leito, não
se sabe em que estado de consciência, diferentes médiuns fluminenses começam a emitir receituário homeopático assinando G. March. Evidências de comunicação mediúnica entre vivos?
O médico deu seu último suspiro em 1922. A prefeitura de Niterói assume as custas do enterro e fica em luto por 48 horas. Uma multidão acompanhou o féretro até o cemitério do Maruí. O governador do Estado do Rio de Janeiro se faz representar.
Catulo da Paixão Cearense lhe escreve uma poesia. Gilberto Freire faria constar seu nome em um de seus livros. A segunda parte é uma coletânea de mensagens dadas pelo Dr. March a três médiuns: Telma Pereira, Raul Teixeira e Solange Pessa. Nesta parte o biógrafo se cala totalmente, apenas transcreve.
Alexandre Rocha escreveu um texto limpo, que emociona. Eu fico frustrado, porque minha resenha não tem brilho, não lhe faz justiça.

(1) Jáder Sampaio é o autor deste site explicatico da doutrina espírita. Mineiro, é estudioso da Doutrina e autor de inúmeras obras espíritas, algumas à disposição para download no seu site.

TAXA DE GRATIDÃO

Depois da morte do João Hélio somos defrontados agora com o brutal assassinato de um casal francês que organizou um ONG para tratar de garotos de rua. O mentor do crime, era um desses acolhidos pelo casal . Fazia dez anos que convivia com eles. Trabalhava na ONG, cursava uma faculdade, paga pela organização. Entretanto, ele envolveu-se em negócios escusos e desviou 80 mil reais. O medo levou-o a cometer esse ato bárbaro.

Como atribuir isso às condições sociais desfavoraveis, uma vez que ele havia sido resgatado do abandono rua? Uma vez que ele tinha acesso a informações? Será teremos que desacreditar no poder transformador do amor? Que mesmo ajudando a quem se encontra marginalizado, permanece a mágoa social e os motivos para se retornar à margem da sociedade?
E a questão da gratidão? E o amor devido a quem nos ajuda? Existe débito de gratidão? Pode-se amortizar uma dívida de gratidão? Ou somos todos insolventes diante de Deus?

Lembrei-me então dos 10 leprosos curados por Jesus.
A cura das lesões foi progressiva e lenta , de modo que ao verem-se completamente limpos eles já não estavam mais na presença de Jesus. Um deles teve vontade de retornar, para procurar Jesus e agradecer. Os outros, mesmo que sentissem uma gratidão verbal, não queriam dividir o tempo que naturalmente era pouco para fazer tudo que eles queriam, para "correr atrás do prejuízo" e do tempo "perdido". Um deles, apenas um, procura e encontra Jesus. E lhe agradece. Jesus então, faz o que nós muitas vezes temos até vergonha de fazer, isto é questionar o erro:

"Só veio você? Não foram dez os curados?"

Lembro-me também de que Jesus quando foi preso, já com as mãos e os pés atados, recebe o bofetão de soldado. Aquele então que ensinou aoferecer a outra face vai fundo na consciência do torturador e pergunta:

" Se eu fiz mal, dá testemunho do mal. Se porém, fiz o bem, por que me feres?"

Por isso, acredito muito na mensagem consoladora do Evangelho e do Espiritismo, mas entendo que consolação, como está na promessa de Jesus no Evangelho de João, é também colocar a justa medida das coisas, dar-nos sensação exata da justiça e do julgamento de nossas ações.

Aquele tem reconhecimento e é agradecido, é representado pelo hanseniano que retornou para a gradecer. Isso é da ordem de 10%.

Apenas dez por cento é a taxa de gratidão do planeta!

Lembro-me também, de uma palestra do Humberto Vasconcelos, que disse que não há como se resgatar uma dívida de gratidão. O Bem que se faz é impagável ! E que se alguém se tornou ingrato, é por que está doente da alma.

A espantosa taxa de 90 % é de ingratos, mal-agradecidos!

E pior do que isso, podem cair na situação extrema do assassino do casal francês e do soldado diante de Jesus: da ingratidão tão extrema que chega à crueldade.

Portanto, no meu entender, quero tomar por base o questionamento de Jesus ao hanseniano agradecido e curado no corpo e no espírito, e ao questionamento ao soldado violento. É necessário que o processo punitivo seja de uma constante rememoração da pessoa do que se fez de mal.
È ruim? Incômodo? Mas penso que é a única possibilidade psicoterapêutica neste momento atual.

Aos assassinos do João Hélio, do casal francês e outros da mesma natureza, preconizo aulas, programas de psicoterapia, em que se repetirá para eles, até a exaustão mental, tudo o que eles fizeram, analisando todas as consequências minuciosamente.

Acredito que o homem barbarizado e frio de sentimentos, precisa da forma antiga de se punir crianças em escola como escrever 1000 vezes: "Não devo bater no meu amigo".

Algo como a terapia de "Laranja Mecânica", obrigando o psicopata, sociopata a ver, ouvir e tornar a ver e escutar as cenas de barbaridade, violência e crueldade refinada, com as vozes e a visão das imagens das vítimas. Isso com acompanhamento psicológico, produzindo um estado mental de esgotamento e quase que um enjôo.

Acho que essa dispepsia, produzida pela exaustão dos órgãos digestivo sensíveis às cruedades praticadas, lhe causarão enjoo, náusea do mal, da violência, da covardia.

Entendo que desse modo, pode-se esperar alguma coisa das prisões, pois do contrário, de tanto se multiplicar todas as formas de delinquência, a psiquiatria em breve lançará mão de recursos químicos e cirúrgicos, numa concepção futurísitca sofisticada da Pena de Talião, o que significará um retrocesso para a humanidade que se diz cristã.

Acho, portanto, que a educação na forma de uma psicologia compertamental reeducativa a melhor solução no momento.

domingo, fevereiro 25, 2007

A prova dos transtornos compulsivos

Todos os espíritos tendem à perfeição, e Deus lhes proporcionaos meios de ocnseguí-la com as provas da vida corpórea. (Kardec, Livro dos Espíritos, comentário à resposta da questão 171.)

Uma excelente trilogia de mensagens psicografadas por Chico Xavier e comentários judiciosos de Herculano Pires, “o metro que melhor mediu Kardec”, no dizer de Emmanuel é : “Chico Xavier Pede Licença”,Na Era do Espírito” e “Astronautas do Além”. Ali se encontram questões diversas de temas palpitantes no meio espírita, encaminhadas ao médium para apreciação de seus mentores, renovando os esforços de Kardec na aquisição de respostas para o seu “Livro dos Espíritos”, cujo sesquicentenário celebramos este ano.

No primeiro volume citado, no capítulo 37, Emmanuel responde as dúvidas sobre as quedas morais dos espíritas. Os comentários na reunião em Uberaba, dos diversos confrades eram sobre o por quê do fracasso moral do médium, do divulgador espírita, do presidente de centro e após uma prece foi aberto o nosso livro básico na questão 171 que indaga sobre a reencarnação. A resposta dos espíritos foi: “Um pai sempre deixa aberta aos seus filhos a porta do arrependimento”.

Assinala então o nobre espírito Emmanuel uma série de situações em que somos abordados por nosso próprio conteúdo inconsciente que nos arrasta aos mesmos erros de outrora sob a tênue roupagem terrena. Diz o mentor de Chico Xavier: “...de novo ao plano físico a fim de operar a própria desvinculação de hábitos infelizes...”, empregando o termo desvincular para assinalar o quanto estamos ainda acrisolados em nossas próprias ciladas do pretérito. Retornamos à arena terrestre para nos desapegarmos de nossos hábitos viciosos. Esses hábitos figuram em nossa estrutura física e irrompem, via de regra, na adolescência, na forma de impulsos incontroláveis, sempre na busca de algo que para nós significa o máximo prazer. Gula, sensualidade, indolência e poder estão entre os tópicos de erros crassos de outras eras que foram catalogados por Tomás de Aquino como capitais, pois que, como erros básicos, induzem a outros tantos erros e vícios de caráter.

Continua Emmanuel: “...depois de algum trabalho em auto-educação, admite-se portador de imaginário cansaço e retorna aos costumes lastimáveis de outros tempos...”

Está bem clara a questão. Trata-se de auto-educação! Uma grande parte dos espíritos que fracassam na encarnação presente está em condições de lutar com alguma autonomia na própria regeneração. Esses espíritos, que somos nós mesmos, conscientes de nossa situação no planeta, espíritas que somos, estão carregando o fardo da maioridade espiritual. É a ocasião de demonstrarmos o que temos aprendido.

Vale também esclarecer a diferença entre expiação e prova, pois, no primeiro caso, apenas estamos mutilados física ou mentalmente, em repressão de nossas más tendências. Na Prova, libertos da algema cármica, somos reportados à própria consciência que, por vezes, funciona como uma panela de pressão. Essa analogia é-nos apresentada por Herculano Pires que compara essas tendências reprimidas de nossa alma encarnada à caldeira que necessita de uma válvula de humildade para suportar a pressão de nossos pensamentos viciosos.

Os manuais de classificação das doenças estão hoje repletos de Transtornos da Personalidade, desde as crianças com os seus déficits de atenção com hiperatividade ou impulsividade, até os adultos com os seus transtornos obsessivos compulsivos. O que há 30 anos era considerado peraltice de criança e mania de adulto, é hoje classificado internacionalmente como transtorno de humor e conduta, que deve ser abordado pelos especialistas com psicoterapia ou medicamento. Diz o sábio Herculano : “Se acrescentássemos às escolas de Psicoterapia de nossos dias a dimensão espírita(...) a causa dos desequilíbrios mentais e passionais tornar-se-ia mais acessível aos métodos de cura.”

Sim, por que uma psicoterapia baseada na evidência da reencarnação buscará para o paciente a solução de seu dilema existencial justamente no ponto em que precisa se transmutar espiritualmente. Ajudar um alcoólico, um jogador compulsivo, uma criança com rasgos de impulsividade destrutiva, uma mulher com hábitos sexuais impróprios para sua condição de mãe de família, uma senhora inclinada a comprar de modo incontrolável em ânsia consumista, um jovem aficionado no sexo de forma perturbadora, todos estarão seguramente melhor assistidos sob a esclarecedora visão da reencarnação.

Não me refiro aqui ás técnicas de revivescência de vidas passadas, conhecidas como TVP, uma vez que as mais notáveis autoridades espíritas têm-se reportado ao cuidado com técnicas invasivas aos nossos arquivos do passado. As indicações que temos, autorizadas pela égide da Universalidade do Ensino dos Espíritos, sugerem que nossas tendências indicam o nosso pretérito delituoso e nada mais é digno de investigação, que não seja o necessário para que vençamos as resistências de nossas provações.

Desse modo, a provação dos distúrbios do humor e da conduta, referidos na atualidade entre as mais complexas epidemias, é sensível a um tratamento espírita. Tratamento esse, que tem na Desobsessão um poderoso auxiliar, uma vez que vivemos em condomínio espiritual, como nos recorda Hermínio Miranda. Neste condomínio, nossos pensamentos estão em sintonia ora com espíritos sofredores, ora com esclarecidos. A simbiose psíquica que estabelecemos com os sofredores faz com que eles estejam, tanto quanto nós mesmos, necessitados de esclarecimento. Não é demasiado afirmar, porém, que o socorro espírita deve ser secundado pela ação esclarecedora do estudo espírita. Isso significa a freqüência a uma casa espírita com estudo sistematizado e palestras. Escutar o Evangelho e a Doutrina é também uma forma de assepsia psíquica. Por fim, necessitamos sempre da ação libertadora da caridade espírita, conscientes que somos da verdade límpida que transborda das inesquecíveis palavras do Espírito de Verdade: "Fora da Caridade Não Há Salvação!” E entendemos por "salvação" não um estado paradisíaco, mas uma oportunidade de reabilitação.

Flávio Mussa Tavares, médico

publicado na Revista Espírita de Campos, nº 81 - ano 23

fevereiro de 2007

flaviotav@gmail.com

sábado, fevereiro 24, 2007

A Cura do Câncer

Uma cliente muito sincera curou-se de um câncer e escreveu para mim. Disse que estava cura e que foram os próprios médicos do IMCA que lhe deram a alta. ela ficou feliz e distribuiu a sua felicidade com todos.
Eu lhe respondi nos termos abaixo:
Querida cliente,
Eu sempre tive certeza de que você alcançaria esse momento.
é um momento glorioso. O que é "cura" para um ser humano?
É libertar-se de um fardo!
Você abraçou um ideal e desvencilhou-se de 'coisas velhas' que insistiam por uma circunstância genética a permanecer no seio de sua organização física.
Mas você rejeitou essa natureza.

Você não quis a herança atávica da enfermidade, assim como rejeitou herança atávica da ira, da impiedade, do ressentimento. Vencer as barreiras mórbidas de nossa genética é ao mesmo tempo curar-se!

Isso é verdadeiramente uma delicadeza de Deus! Ele nos oferece o braço amigo no momento de queda e nós não devemos recusar a sua mão.

Você segurou a mão divina e a luz que dela emana, distribuiu-se por cada célula de seu corpo.

Todas as células que estavam harmônicas com Ele e Sua luz, permeneceram.

As células que estavam dissonantes com o laser divino, dispersaram-se como sombras.

Essa é a cura! Essa é a Graça!

Multiplique, amiga, essa alegria!

Espalhe essa felicidade por todos os lugares, assim como a pobre dona da dracma saiu de sua casa para contar a todos que encontrou a sua moedinha, saia, e grite que você está curada!
Um terno beijo de

É possível ser Bom?

Seria uma utopia o sermão da Montanha?
Segundo a maioria dos leitores do site globo.com, seria!
Eu votei na seguinte pergunta do site:
"O socialismo do século XXI proposto por Hugo Chávez vai funcionar?"

Então eu pensei: acredito que sim. O presidente foi eleito pelo voto popular.
Foi deposto por um golpe militar que não atingindo a massa, não ganhou apoio e o mesmo retornou ao poder.
Foi reeleito.
Tem excelente popularidade.
Melhorou a vida do pobre do país inteiro, mas desagradou um bairro de Caracas (o mais rico) e uma grande parte da cidade turística de Maracaibo ( que tem também uma população de alto poder aquisitivo).
Tem petróleo por mais de 150 anos.
Vende para os Estados Unidos!
Então, é bem provável que o seu sistema de redistribuição da renda seja bem sucedido.
E sem questionamentos, pois tem o apoio popular e do congresso.

Mas a minha resposta, o "Sim" , apesar de bem analisada, não foi a da maioria.
Vejam as respostas:

  • Sim. Acredito que é possível uma alternativa ao capitalismo. 33%
  • Não. Essa teoria baseada no amor ao próximo não se sustenta na vida real. 67%
Total de votos: 499

E não foi a vencedora por que os que votaram aceitaram a forma do organizador do site argumentar: "Essa teoria baseada no amor ao próximo não se sustenta na vida real."

Para estas pessoas, o "Sermão da Montanha" é utopia!
A crítica não poderia ser mais àquela feita ao socialismo cubano, que precisou ser instalado à força. Nem ao chileno, de Allende, que não conseguiu se manter no poder.

Seria uma utopia por que a "teoria do amor ao próximo", segundo os votantes, não se sustentaria na prática cotidiana!!!!

O nosso mundo é o Reino de Mamon!

Mas Jesus disse que não se pode adorar, render culto à dois senhores. Pois das duas uma, ou se amará a Deus e odiará a ganância ou vice versa.

E eu acredito no que disse Jesus!

Acredito que o presidente da Venezuela, com todo o seu jeito exagerado, é portador de uma nova visão do socialismo. Ele vai, provavelmente obter o que o saudoso Salvador Allende não obteve: o sucesso com a via democrática do socialismo.

Não houve revolução! Não houve morte! Não houve paredon! Não houve prisões políticas, perseguições, deportações, exílios, fugas em massa. Não houve nenhum sinal negativo, só a reação indignada dos poderosos contra a perda de seus privilégios.

Por isso, acredito que o Sermão da Montanha não é utópico! Acredito que uma nova era será proclamada e que nesse novo tempo, aquele tem "dois" cederá a quem tem "nenhum" e que será um crime ter "três ou mais".

E o mundo começará, assim, a sua regeneração!
Vi novos Céus e nova Terra!
Vi um mundo renovado, sob um novo mapa celeste!
E o leão e o cordeiro passearão juntos!


sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Coincidências não existem!

Na quarta feira última, no Culto do Lar, um filho me fez uma pergunta: se as emoções eram inferiores aos sentimentos.

A resposta veio num átimo, sem que desse tempo para o raciocínio se elaborar. Não! eu disse. Muitas vezes estamos num momento de emoção equilibrada, mas com o sentimento contaminado. De outras vezes manchamos nossa emoção, mas nem por isso, vamos deixar de ser quem somos em nosso sentimento profundo.

A emoção, em seus melhores momentos não chega a nos santificar e nem tampouco nos seus piores, pode nos condenar totalmente.

É por isso, concluí, que é preciso educar nossas emoções e desenvolver os nossos sentimentos.

Hoje, Glenda falou na Escola Jesus Cristo, sobre a Parábola das Dez Virgens, principalmente sobre a necessidade de vigiar, estar alerta, para não correr o risco de sermos levados por uma onda mental negativa.

Confesso, que eu estava me deixando contaminar por emoções descoordenadas com a divina mensagem.

Quando escutei Glenda a falar sobre a responsabilidade do Espírita, veio-me a mente o que eu mesmo explicara aos meus filhos na quarta fiera anterior.

Coincidências não exitem! Deus é que me sustentou com duas mensagens de Fé e de Esperança, que materializam-se pela Caridade.

A Paz de Deus para todos, principalmente nos dias de Momo, quando estranhos portais abrem-se em nossa já tão conturbada humanidade.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

QUASE SUICIDA - Emmanuel

QUASE SUICIDA
Emmanuel

Quase suicida.
Sentimos-te o passo, à beira do precipício.
Caindo quase.
Entretanto, estamos aqui buscando-te o coração para o reequilíbrio.
Ninguém te pode medir a dor, mas urge reconhecer que por mais que soframos, há sempre alguém na travessia de obstáculos maiores. Abandona a idéia que te induz à própria destruição e medita. Ainda há sol bastante para ser esperado amanhã, tanto quanto surgiu hoje. Nem todas as estradas se fecham de vez no trânsito da vida. E por mais anseies pelo fim, a morte é ilusão. No trabalho e no repouso, na luz e na sombra, dentro do dia ou da noite, achamo-nos naquilo mesmo que fizemos de nós. Não alargues, por isso, as feridas mentais que porventura carregues, acumulando cargas inúteis de aflição, porque além da cela corpórea de que pretendes afastar-te, reconhecer-te-ias simplesmente com tudo aquilo que fizeres de ti.
Recorda: a sabedoria da vida que regenera a erva mutilada tem remédio igualmente para qualquer de nossas dores. Ergue-te do vale conturbado das próprias emoções e larga para trás o nevoeiro da negação e da dúvida.
Segue adiante.
O trabalho salvador te espera o pensamento e as mãos. Escuta. O gemido de um enfermo relegado ao desamparo ou o choro de uma criança sozinha te apontam aqueles que te aguardam a presença amiga como sendo a de um anjo com o divino poder de auxiliar.
Avança mais um tanto. A natureza materna conversará contigo pelo inarticulado da observação no silêncio. As árvores te falarão do prazer de ofertar os próprios frutos e a semente a renascer do claustro da terra te dirá que não há morte.
E quando a noite se te descobre, ante a jornada, os astros refletidos em teu olhar proclamarão por dentro de ti mesmo que força alguma te poderá despojar da condição luminosa de criatura de Deus.

" Caminhos de Volta" psicografado por Francisco Cândido Xavier

sábado, fevereiro 10, 2007

LULA deu opinião que é um mote para o Espiritismo

No Folha on-line, Lula deu uma entrevista, sobre a morte brutal do menor João Hélio

Fernandes, 6 anos, que morreu no Rio, após ter sido arrastado por sete quilômetros no assalto na zona norte do Rio de Janeiro. O Presidente questionou entre outras coisas, a idéia de que a violência tenha por causa, unicamente, a questão social.


"Os Estados Unidos, onde o problema da distribuição de renda não é problema, jovens matam dezenas de jovens em uma escola. Na Rússia, onde o problema da educação não é problema, jovens invadem escolas, seqüestram alunos, matam alunos. No Brasil, gente de classe média entra em cinema, atira e mata pessoas.", disse o Presidente.

Observamos dados estatísticos de criminalidade infanto-juvenil nos Estados Unidos, que são alarmantes. Lá, os menores são julgados e presos, mesmo sendo de classe social privilegiada. Na Rússia, onde o nível cultural é invejado por muitas culturas ocidentais, paralelamente, há a criminalidade entre jovens.Sendo assim, não seria razoável admitir somente uma causa social ou psicológica para o problema da criminalidade crescente nas faixas etárias baixas.


"Esse conjunto de barbaridades que envolve o comportamento humano hoje, nós não resolveremos aumentando a punição" , disse Lula reconhecendo que a simples redução da maioridade penal não seria a solução do problema. Seria antes uma solução apressada, emocional e gerada a partir de análises equivocadas. Um país que não oferece oportunidades ao jovem não pode puni-lo.

Entretanto, se não bastam as proposições educacionais e nem a melhoria do nível do Índice de Desenvolvimento Humano, quais seria as melhores propostas para o problema real?

Parte superior do formulário

A questão não é solucionada de modo simplista. Não pode ser reduzida à pauta socio-econômico-política. Não pode contrapartida ter uma explicação puramente com bases freudianas. Abre espaço para um novo tema: a Reencarnação!

Com a a visão da Complexidade , a introdução do paradigma reencarnacionista, observando o fenômeno por outro prisma, simultaneamente, enriquecerá a análise, que será mais respeitada, isto é, pode-se abordar o tema com mais prudência e equidade.

Na visão reencarnacionista, o escândalo foi necessário. A barbaridade aconteceu para restabelecer o equilíbrio de conta corrente espiritual do ser que a sofreu. Sem adentrarmos em possibilidades, aceita-se que não há injustiça na Lei de Deus.

E quanto aos autores, acredita-se que , respeitando o livre arbítrio, não eram a cometer o ato louco. Não foram por ninguém constrangidos à tal perversidade. Ao tomarem, todavia tal decisão, a Lei de Deus comprime o seu mal constrangendo-o a agir em favor da Lei. Isso nos é explicado de modo bem sucinto e didático por Pietro Ubaldi em A Lei de Deus.
Por isso o mal é limitado, pois os seus efeitos sempre são subordinados a uma necessidade da lei de causa e efeito universal.

Parte superior do formulário

"Mas, ai daquele por quem venha o escândalo", disse o Mestre. No entanto, isso de forma alguma livra os criminosos da culpabilidade do seu ato bárbaro.

O pequeno João é um herói! Resgatou seus débitos de modo corajoso, valoroso, honroso.

Os pobres seres que praticaram a infâmia, iniciam para si um drama cósmico que não se sabe até onde e quando durará. Mais do que em qualquer outra época da humanidade a oração faz-se necessária e imprescindível.

domingo, fevereiro 04, 2007

LEI DE ADORAÇÃO

LEI DE ADORAÇÃO

Pregação do domingo 04 de fevereiro de 2007

Flávio Mussa Tavares

"Em que consiste a adoração?

Na elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração,

aproxima o homem a sua alma."

Livro dos Espíritos, questão 649

A Prece

O Senhor da Verdade e da Clemência

Concedeu-nos a fonte cristalina

Da prece, água do amor, pura e divina,

Que suaviza rigores da existência

Toda oração é a doce quinta-essência

Da esperança ditosa e peregrina,

Filha da crença que nos ilumina

Os mais tristes refolhos da consciência.

Feliz o coração que espera e ora,

Sabendo contemplar a eterna aurora

Do além, pela oração profunda e imensa.

Enquanto o mundo anseia estranho e aflito,

A prece alcança as Bênçãos do infinito,

Nos caminhos translúcidos da crença.

João de Deus, Parnaso de Além Túmulo, psic.F. C.Xavier

Meus irmãos antes de iniciar o estudo do tema da Oração é preciso que eu explique o por quê deste estudo. Estamos no ano do sesquicentenário da Codificação Kardequiana e do lançamento de O Livro dos Espíritos. Quando do seu centenário, em 1957, meu Pai, Clóvis Tavares, mandou erigir esta pedra que se encontra na frente de nossa Escola, que é um dólmen, um monumento celta, em homenagem ao druida Allan Kardec. Precisamos , nesta celebração dos 150 anos, se não temos condição de homenageá-lo como meu Pai o fez, com a pedra e com a publicação de belo artigo no jornal A Cidade, inserido no livro póstumo Sal da Terra, é possível que passemos este ano comentando os pensamentos de Clovis Tavares sobre o Livro dos Espíritos. E valemo-nos de um presente da filha de D. Leda Diniz Nogueira que nos ofereceu uma cópia das anotações de aula de sua saudosa Mãe, palestrante de nossa Escola Jesus Cristo e aluna constante das aulas de Clóvis.

É preciso confessar também que escutei de uma pessoa de outra denominação, certa vez que haveria em sua igreja uma semana de adoração. Quando ela me falou isso, despertou-me um certo incômodo, pois há uma capítulo das Leis Morais em O Livro dos Espíritos, chamado Lei de Adoração! E por que nós espíritas não somos adeptos da Adoração?

A resposta da questão 649 é clara, elevamo-nos a Deus e aproximamos nossa alma da Dele.

Elevamo-nos pela razão e aproximamo-nos pelo coração.

É preciso concentração de nosso pensamento para podermos orar a Deus. É preciso focalizar a nossa mente em um ponto único. Somos vítimas do déficit de atenção, hoje propalado abertamente como distúrbio que acomete tanto a crianças como jovens e até mesmo adultos. vivemos dispersos, desconectados de nossa fonte. Vivemos fazendo muitas coisas e não completando nenhuma. Corremos, num nervosismo, numa pressa, numa hiperatividade de nossos sentidos e de nossos pensamentos de tal forma avassaladora, que mal temos tempo para orar...

Para orar é preciso silêncio. Um obstinado silêncio, como nos disse Jean Guitton, biólogo e filósofo católico francês, preocupado com os rumos do artificialismo e do hedonismo do final do século XX, quando ele desencarnou.

Deus é o centro. Nós somos a periferia. Orar é não apenas elevar o pensamento, mas concentrar-se Nele. Nossos erros afastam-nos no centro gravitacional da vida, direcionando-nos para a periferia e aumentando a nossa angústia existencial, tornando-nos dispersos e despreocupados.

Concentrar nossa mente, é exercício constante que exige força, coragem e determinação.

A oração é a respiração do espírito e como tal consiste na inspiração, que é a assimilação de Deus adentro de nós e da expiração que é a desintoxicação de nossa alma do dióxido de carbono psíquico que nos envenena na degradação de nosso materialismo.

As preces, sejam de louvor, rogativa ou agradecimento, é preciso que sejam concentradas e humildes. Segundo Santo Agostinho, se nós pedimos coisas más (petimus mala) nós não somos atendidos. Coisas que nos degradam mais, que aumentam nosso egoísmo. O rico da parábola se angustiava com a sua falta de celeiros para guardar sua supersafra. A burguesia se angustia com a falta de espaço em casa, nos armários, pra guardar sapatos e roupas. Outras vezes onde investir o dinheiro. E queremos que Deus nos ajude a resolver a nossa angústia paganizada e egoística. Essas preces não são ouvidas.

Se pedimos de modo errôneo (petimus male) , isto é com gritaria, com erudição, com orgulho, com falsidade, também não somos justificados, como o Fariseu da Parábola.

Se pedimos e não corrigimos nossas atitudes de vida, isto é continuamos maus, invejosos, cobiçosos, maliciosos, duros de coração, impiedosos, ( petimus mali) não recebemos também a justificação, que é a resposta de Deus às nossas preces.

E sabemos, por intermédio de André Luiz, que os espíritos inferiores que nos rodeiam, nos espreitam, de modo insidioso e oportunista, esperando nosso momento de invigilância, atuam numa área específica de nosso cérebro que é a córtex cerebral. A córtex é a área que refreia o nosso comportamento repetitivo e incoerente, de modo que uma vez reprimido por ação de obsessores, somos vítimas das obsessões compulsivas, repetitivas, fazendo de nós autômatos de seres poderosos que passam a governar nosso sentimento.

Clóvis Tavares, ensinava aqui nesta Escola um método de nós nos livrarmos dessas obsessões simples. São simples, por que é essa a denominação de Allan Kardec no Livro dos Médiuns.São simples por que é possível que percebamos em nós os sinais. Desde a impaciência, a pressa, o nervosismo, a irritação, como nos lembra o espírito de Scheila, já estamos começando a nos tornarmos vítimas de outras mentes.

E a obsessão é simples, por que é fácil de começar. Jesus advertiu a Pedro que o espírito perverso estava querendo dominá-lo, mas só não o fazia por causa Dele, Jesus ao seu lado. E nós? Estamos orando para nos livrarmos das tentações? Vigiar e Orar, temos agido assim?

Mas esta obsessão simples é simples tanto para nos atingir, como para também sermos curados. É simples. Sentimos sua aproximação. E temos que ouvir os nossos próximos, os maridos escutar as críticas e conselhos de suas esposas e vice-versa. Também os namorados, os irmãos, os amigos, os colegas de escola e trabalho. Os próximos mais próximos nos avisam de que estamos irritadiços e impacientes.

E tão simples é a auto-desobsessão, que como diz o nome, podemos exercitá-la diariamente. Consiste na leitura à noite, em voz alta, de uma página aleatória de O Evangelho Segundo o Espiritismo e depois fazer a oração que Jesus nos ensinou O Pai Nosso. Fazer lentamente, concentradamente. Refletindo nas palavras que se diz. Respirando profundamente a cada frase dita. Inspirando o oxigênio e expirando o dióxido de carbono. Inspirando a palavra de Deus, e expirando o paganismo, o egoísmo, as vaidades, as nulidades da vida mundana. Repetir algumas frases como: Não nos deixe cair em tentação e livra-nos de todo o mal!

Não nos deixe cair em tentação e livra-nos de todo o mal!

Não nos deixe cair em tentação e livra-nos de todo o mal!

Não esquecermos também da oração coletiva que segundo Clóvis Tavares é uma força de vibração do grupo, é um pensamento congregado, como em Nosso Lar às 18 horas.

Segundo Gandhi, a oração deve ser a chave do dia e o ferrolho da noite. Somos cercados por uma nuvem de testemunhas segundo o apóstolo Paulo e nesse terreno espiritual infecto em que vivemos é essencial que busquemos a higiene, a assepsia do espírito.

Que Deus nos ampare, nos sustente, protegendo-nos das obsessões, e que nós, com fé, esperança e através da caridade, busquemos com sinceridade o Reino de Deus e Sua Justiça, para que sejamos ajudados por Ele.

domingo, janeiro 07, 2007

Aula da Sala Clóvis Tavares, do dia 07 de janeiro de 2007

A plataforma do Reino de Deus
(Leitura de palestra de Clóvis Tavares)

A plataforma do Reino de Deus , como alguém chamou ao Sermão da Montanha, termina com uma pequenina parábola, mas por mais estranho que seja para quem medita no sermão da montanha, para quem ama esse discurso do Monte, cheio de belezas, cheio de apelos sublimes, cheios de advertências celestiais, esta pequenina parábola dos dois fundamentos pode ser também como o prólogo de João no seu Evangelho, um prólogo para as meditações no Natal. Um prólogo que nos ensine finalmente, depois de dois mil anos de delongas nossas e de caridade permanente do Cristo, de perplexidades nossas e de sacrifícios imensos de Cristo e seus anjos e seus servos e dos espíritos sábios e benevolentes que estão sob a sua guia e as suas ordens. Esta pequenina parábola, pode ser um prólogo para estes dois mil anos de espera do coração de Cristo. Parábola para nós, para nós que precisamos pensar finalmente em construir o nosso destino como nos diz o professor Pietro Ubaldi no livro A Lei de Deus.

“Todo aquele pois, que ouve estas minhas palavras e as observa será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha e desceu a chuva e vieram as torrentes e sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa e ela não caiu, pois estava edificada sobre a rocha, mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as cumpre será comparado a um homem tolo que edificou a sua casa sobre a areia e desceu a chuva e vieram as inundações e sopraram os ventos e bateram com ímpeto contra aquela casa e ela caiu e foi grande a sua ruína.”

Aqui meus amigos e irmãos está a pequenina parábola, mas por ser pequenina não menos bela, não menos importante de um alcance imenso, a recordar-nos num símbolo muito antigo, como aliás muitos símbolos. O homem Rei, o homem soldado, o homem guerreiro, aqui um símbolo mais belo, o homem construtor e que somos nós, lembrando ainda mais uma vez Pietro Ubaldi: o que somos nós senão todos construtores de destinos ?

Este arquétipo do homem construtor é muito belo. Ainda mais, se nós nos recordarmos, se imaginarmos que Cristo que foi carpinteiro junto com José de Nazaré carpinteiro também naquela época eram os próprios homens, inclusive os mais pobres. Em regime de mutirão, construíam suas próprias casas. Jesus foi carpinteiro. Antes, foi o verbo encarnado, aquele que sendo rico se fez pobre para que pela sua pobreza nós nos enriquecêssemos. Imagem visível de Deus invisível, o verbo encarnado, foi também construtor como todo homem do oriente. Ele sabia que teria que construir a casa sobre a rocha. Em todas as estradas da Palestina, ainda hoje as fotografias, os álbuns, os Evangelhos ilustrados com lindas fotos, nos mostram as casas construídas sobre a rocha, casas fortes, mosteiros antigos da Idade Média, construções dos romanos, edificadas sobre a rocha. Como muitas, que existem por exemplo, nas estradas duras e rochosas, especialmente na estrada que desce de Jerusalém para Jericó. Lá, no alto, nos penhascos, as casas edificadas sobre a rocha. E os séculos passaram e as construções permanecem. Eis porque no oriente, no deserto, nas regiões de areias, nos infinitos areias do deserto os nômades não constróem casas, vivem em tendas. Tendas que eles armam e desarmam, tendas que também são um arquétipo da Bíblia. Uma palavra que aparece muito para mostrar a transitoriedade das nossas construções humanas. Na Bíblia, tenda é chamado nosso próprio corpo. Armou sua tenda entre os homens, que diríamos nós na nossa linguagem de hoje: o homem reencarnou-se na terra. Uma vida transitória. O que nós temos que construir, realmente, não é uma tenda, sempre transitória que o homem do deserto o beduíno arma e desarma nos areias sem fim. Mas construir algo na rocha.

Desde os profetas até os apóstolos, desde os apóstolos até os dias de hoje, aqueles que amam o Salvador, sabem e repetem uma expressão tão bela: Ele é a Rocha dos Séculos. Os séculos passam e Cristo permanece. Passam os grandes conquistadores, Gengis Khan , Alexandre Magno e Felipe II. Ninguém se lembra mais deles. Carlos Magno, Napoleão, até Hittler já está esquecido, já é um mito, já é figura histórica para os jovens de hoje. Todos passam. Napoleão soube sentir isso na prisão de Santa Helena:

“Todos os grandes guerreiros e conquistadores da história passaram. Só Cristo permanece para sempre. Cheguei a essa conclusão aqui no meio dessa ilha batida pelo mar, pela vastidão imensa dos oceanos. Agora compreendo que só o Cristo de Deus é eterno.“

Quando um homem orgulhoso como Napoleão Bonaparte, chega a escrever isso no seu memorial, é porque a experiência foi dura demais para ele como será dura demais para todos nós se não construirmos nossos destinos sobre a rocha dos séculos.
Todo homem é construtor! Nascemos construtores. Vide aqui como Cristo nos diz. Isso e nos dá essa certeza de uma verdade nesse arquétipo solene porque diz respeito a nossa própria felicidade e à nossa salvação. Na parábola, há um homem que constrói na rocha, outro constrói sobre a areia. Ao invés de construir uma tenda construiu uma casa com alicerce talvez de tijolos, de barro...

Todo homem é construtor e todo homem que edifica, que constrói, tem que fazer uma escolha do terreno. Todas as fundações, todas as construções que o homem fizer sofrerão os mesmos impactos da água, do vento, do clima. Terão que opor a mesma resistência. Mas Cristo nos diz que só uma permanecerá firme, esta é uma verdade fundamental! Antes, são três ou quatro verdades fundamentais desta parábola. Todos nós estamos construindo alguma coisa na nossa vida. Construindo com as nossas palavras. Falando, construímos. Silenciosamente, com os nossos pensamentos invisíveis, bons ou maus.

Construindo muito mais perigosamente, construindo muito mais seriamente, construindo muito mais a longo alcance e a longo prazo do que se fizéssemos realmente uma casa de tijolos ou de pedra, com fundações, porque estamos construindo na mente eterna. Estamos construindo no pensamento que sobreviverá a nossas construções transitórias. E as nossas ações geram carmas de ações transitórias e rápidas na face da terra. Os efeitos dos pensamentos, os efeitos das intenções permanecem vida após vida, até serem eliminados com a aceitação do carma. Ao passo que, as construções puramente humanas, podem ser muitas vezes apenas efeitos da leviandade ou da grosseria ou da ignorância do pobre homem terreno. Mas, aquele que pensa, está construindo a longo alcance, a longo prazo.

Cristo nos quer dizer, nesta parábola, que todos nós somos construtores, construímos pelo pensamento coisas que vão durar muito tempo. Estabelecemos pelo pensamento, pelo sentimento, pelas ações. Nestes três mundos em que vivemos aqui na terra: no mundo mental, no mundo dos pensamentos ou dos desejos. No mundo material, no mundo carnal e no mundo social. Dentro deste três mundo construímos permanentemente. O homem não é realmente o Homo sapiens, é o Homo constructor. Está sempre fazendo alguma coisa, sabendo ou não sabendo. Na sua sabedoria ou na sua ignorância, sendo inteligente ou néscio, prudente ou tolo, ele escolhe o terreno sobre o qual constrói a sua casa. O que quer dizer: escolhe o nível, o plano, o desígnio, a planta da vida sobre a qual edifica a sua construção espiritual e eterna, que é a sua própria existência.
“Todo aquele que ouve as minhas palavras e as cumpre e as observa será comparado a um homem prudente.”
Prudente quer dizer inteligente, sábio, ajuizado. que edificou sua casa sobre a rocha. Sobre fundamento firme, sobre fundação estável sobre alicerce garantidos, esta é a sabedoria da vida. Será que estamos fazendo isto? Se sabemos que Cristo é a Rocha dos Séculos, estamos construindo a sua vida sobre o alicerce que ele nos mostrou no Sermão da Montanha ou mais extensamente no seu Evangelho? A nossa casa está sendo construída de acordo com a planta do Evangelho, de acordo com o desenho do evangelho? Mas essa casa tanto quanto a outra sofre a mesma prova de resistência, então é o terceiro ponto de uma verdade soleníssima: todo homem é construtor, todo homem é obrigado a escolher o terreno para edificar a sua vida, o seu destino, uns são sábios, outros néscios. A inteligência escolhe a Rocha, o terreno firme. Não constrói tendas, constrói moradas. Não constrói acampamentos para diversão transitórias, para recreio de alguns dias, constrói uma morada eterna, como diz São Paulo. A construção que o néscio fez, construção sobre a areia, é construir a vida na terra de ilusão das criaturas. O néscio constrói sobre a areia, o sábio constrói sobre a rocha. O primeiro homem da parábola, o prudente, constrói sobre a rocha dos séculos. Constrói pelo desenho da planta arquitetônica dos Evangelhos. O outro, o beduíno, o viajante, o andarilho aloucado, constrói uma tenda que pode ser destruída pelos vendavais do deserto. A própria casa construída sobre a areia desavisadamente será destruída e será grande a sua ruína. Que construção afinal será esta ? Cada homem é um construtor, nós estamos construindo sempre, eu estou falando aqui e vós estais em silencio. Todos nós estamos construindo, construindo alguma coisa, isto que eu estou dizendo aqui, lembrando a parábola final do Sermão da Montanha, eu estou convicto de que isto é verdade!
Desejaria que estivesses convictos também que é preciso construir, mas construir firmemente e que construir firmemente só se consegue construindo-se sobre a rocha, mas a rocha aqui não é a terra dura, não é o penhasco da base das montanhas, não é a terra sólida, firme, da qual se fazem bons fundamentos e se lançam alicerces seguros. Nesta maravilhosa alegoria, nós podemos sentir com o coração. Ele é a Rocha dos Séculos. Construir de acordo com o Cristo. Ouvistes estas palavras, disse um dia o Senhor Jesus. Ouviste esta palavras, bem aventurados sereis se as cumprirdes! Nós estamos ouvindo aqui esta Parábola chave do Sermão da Montanha, esta Parábola que encerra o discurso do Monte. Ela nos convida a construir nossa vida, nosso destino, sob a filosofia de Cristo, de acordo com a realidade divina que Ele nos trouxe de Deus. E o verbo se fez carne e habitou entre nós e vimos a sua glória. A lei foi trazida por Moisés, mas a verdade e a graça vieram por Jesus Cristo. Construímos a nossa vida como o néscio que construiu na areia. Construímos na areia, na areia movediça da vida terrena, da instável vida terrena. Não é o que a maioria da humanidade faz ? Toda construção, construção de vida construção de destino é mais ou menos baseada em sonhos humanos, em ideais humanos. Nossos projetos, quero dizer, da quase totalidade da raça humana, nossos projetos são projetos para a Terra. Nossas construções são construções aqui na terra lodosa e triste. Nessa terra de que fala Auta de Souza;

Degredados na terra tenebrosa
Terra de sombra estranha e dolorosa
Recamada de prantos e de espinhos...

Nós construímos nessa terra dolorosa, nessa terra de sombra estranha... Aqui estão os nossos ideais, que vivem, sobrenadam e se estendem, ano após ano, como se tivéssemos que viver aqui eternamente. Nossos sonhos são plantados na terra. Nossos ideais são para um amanhã ou depois de amanhã, aqui mesmo na Terra. Quando nós falamos em futuro, falamos em futuro na Terra. Quando os pais olham para os filhos e pensam no futuro dos filhos, eles pensam em construir o futuro dos filhos aqui na Terra.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Pregação de Flávio em 31 de dezembro de 2006




Ó Deus, nosso Pai Celestial, renova-nos o sentido de tua gloriosa presença, e que ela seja, dentro de nós, um constante impulso para dar-nos paz, fidelidade e valor em nossa peregrinação. Deixa que nos apeguemos a Ti, com um coração amante e cheio de adoração; deixa que todos os nossos afetos se fixem em Ti, de tal modo que uma inquebrantável comunhão de nossos corações Contigo nos acompanhe em tudo o que façamos, através da vida e da morte.
Ensina-nos a orar de todo o coração; a ouvir tua voz dentro de nós e a nunca desatender a teus conselhos.
Eis que trazemos nossos corações, como um sacrifício, a Ti; vem e enche teu santuário e não conquistas que coisa alguma impura penetre neles.
(Tersteengem, Sal da Terra, Clóvis Tavares)


Algo muda após o Natal de Jesus.
A renovação íntima induzida pelo ano Novo e refletida na mudança dos hábitos escolares, do crescimento das crianças, dos hábitos de vida, da renovação visual de cada um, de seu vestuário, da necessidade de se desfazer de coisas velhas, da necessidade de doar algo de si mesmo e da esperança que permeia todos os corações ávidos de uma nova vida.
Por isso a poesia de Luís Alberto que reproduzo abaixo é um estímulo otimista, pois algo mudou, alguém mudou, alguém melhorou, alguém se recuperou, se renovou, se restruturou e na visão poética , podem ser "muitos".

Daquela hora em diante...
Desde ali nunca mais muitos homens choraram,
Desde ali nunca mais muitos homens sofreram,
Desde ali nunca mais muitos homens mataram,
Desde ali nunca mais muitos homens morreram,

Desde ali nunca mais muitos homens se odiaram,
Desde ali nunca mais muitos homens temeram,
Desde ali nunca mais muitos homens tramaram,
Desde ali nunca mais muitos homens cederam,

Desde ali nunca mais muitos homens blasfemaram,
Desde ali nunca mais muitos homens pecaram,
Desde ali nunca mais muitos homens se venderam,

Desde ali nunca mais muitos homens falaram,
Desde ali nunca mais muitos homens brigaram,
Porque desde ali muitos homens compreenderam... (Luís Alberto Mussa Tavares- O Nascimento de Jesus. Edição Própria. Campos-RJ, 2006)


A Esperança é ainda transmitida a todos com quem convivemos através de um simples “Feliz Ano Novo”!

De “Sal da Terra” retiro ainda além da oração inicial do sábio protestante Tersteengem, um texto do Sadu Sundar Singh, também um valoroso cristão indiano:

“Certo dia, um lixeiro passou por mim com uma vasilha de lixo tão malcheirosa que quase me fez vomitar. Ele, entretanto, estava de tal modo afeito aquilo que, com a outra mão, levava o alimento a boca. E o apostolo dos pés sangrentos assinala que nos habituamos de tal maneira ao pecado e ao mal, que vivemos no mundo quase sem os notarmos: mas, Cristo deveria sentir-se aqui como eu me senti naquele dia. É engano pensar que os sofrimentos de Cristo se limitaram à cruz. Ele esteve trinta e três anos na cruz”.

Isso nos faz recordar que nós também, assim como o lixeiro, estamos habituados ao odor fétido de nosso mundo. Que exala pecado em todas as suas formas e expressões.

As nossas células olfativas habituam-se sempre a um odor característico e já não o sentimos mais. Se em nosso ambiente de trabalho há um odor característico como hospital, usina de açúcar, com o seu vinhoto, laboratório químico, etc. passamos a não sentir nada quando ali estamos. Se , entretanto, recebemos uma visita no seu interior, ela logo comentará a sua sensação de cheiro desagradável.

Biologicamente a adaptação é uma parada na evolução. A desadaptação, ao meio , ao contrário, conduz o ser vivo a novas formas de adaptação, a mudanças em sua natureza, configurando uma evolução. Assim, o meio desfavorável, é paradoxalmente responsável pela evolução biológica. O ambiente hostil suscita “riquezas escondidas” nas espécies que a farão alcanças mecanismos biológicos mais sofisticados e evoluir. É isso que tem ocorrido ao seguir dos milênios de evolução planetária.

E é justamente diante das provas da vida que logramos evoluir, que logramos empregar os mecanismos mais sofisticados com que Deus nos tem prodigalizado a alma para alcanças maiores degraus em nossa escalada evolutiva através de nossa cadeia de vidas sucessivas e soldarias pelo planeta Terra.

E diz novamente Clovis Tavares em “Sal da Terra”:

“Os homens, ainda hoje, são aqueles mesmos seres de quem Jesus teve grande compaixão porque andavam desgarrados e errantes como ovelhas que não tem pastor. (Mat.9:36).
Hoje, graças a Deus, as trevas fogem e o esplendor das luminosidades eternas deslumbra e edifica as almas.
O dogma perde o seu fulcro e cai, para que a lâmpada seja colocada sobre o velador.
E a abençoada promessa do Cristo de Deus já é vista fulgurante e consoladora, pelos que tem olhos de ver, já é ouvida entre angélicas sinfonias, pelos que tem ouvidos de ouvir.
O Paráclito, o Espírito da verdade, já veio ensinar todas as coisas, guiar os homens em toda a verdade, repetir tudo o que o Mestre lecionara. (Jo. 14:26 e Jo.16:13).
E os seus ensinamentos, complementares da revelação messiânica, nos descem das sagradas regiões da luz, como a terceira explicação do Amor de Deus aos homens.
Allan Kardec, o Paulo de Tarso da história moderna, grande apóstolo cristão da geração de hoje, recebe de Deus a missão de clamar, como ordenava o profeta Isaias, anunciando á raça humana que são chegados os tempos em que são chegados os tempos em que o reinado da matéria terá que ser substituído pelo império do espírito.
A Nova Revelação, o Espiritismo, codificado pelo missionário lionêns, aparece aos que querem fazer do Evangélio o poder de Deus para salvar as criaturas como a legítima dispensação do Espírito da Verdade.
E não é a afirmativa gratuita: as novas luzes que ele traz, a palavra balsâmica de esperança, a prova da imortalidade do espírito, a revelação esplendorosa do Grande Alem, as grandes conversões de ateus à Verdade Divina, mostram a ascendência celestial do Espititismo, que anuncia hoje “os tempos do refrigério pela presença do Senhor”. (At.3.19).
Como consolador, ele fala as almas ctivas do desespero e das lagrimas, revelando-lhes a vida imortal, as muitas moradas da casa de nosso Pai.E aponta-lhes a pureza a virtude, o amor a divina ciência, entre as visões maravilhosas do infinito.
Como Espírito de verdade, vem dizer aos homens sem fé que uma vida se estende além da morte, dando aos descrentes e epicuristas as provas vivas e rigorosamente inabaláveis da sobrevivência do ser , da vida espiritual e, conseguidamente, da existência e do poder de Deus.
E as conversões se multipliquem, relembrando o dia glorioso de Pentecostes.
E o Consolador continua a sua obra divina, dando a palavra meiga de esperança aos que sofrem e fazendo brotar no coração dos ateus a fonte de água viva que mana para a Vida Eterna.”

E na qualidade de presidente da Escola Jesus Cristo, agradeço sinceramente a todos aqui presentes, a todos que freqüentaram todos as nossas reuniões públicas, de oração, de trabalho, de evangelização, nossos assistidos, nossas crianças , nossos jovens, nossos amigos, nossos visitantes do Rio, o já querido de todos, André Marinho, de Belo Horizonte, como o nosso querido Geraldo Lemos e Walter Barcelos e do Recife, o nosso estimado Humberto Vasconcelos.
Envolvemos todos em nossas vibrações melhores de Paz e reconhecimento, esperando que no próximo ano estejamos juntos lutando para sermos sempre melhores na ação, na palavra e na interação.

Assim seja.

Pregação de Flávio Mussa Tavares na sexta feira, 20 de dezembro de 2006


"Terminados os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém, para apresentá-lo ao Senhor
(conforme está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito será consagrado ao Senhor),
e para oferecerem um sacrifício segundo o disposto na lei do Senhor: um par de rolas, ou dois pombinhos.
Ora, havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem, justo e temente a Deus, esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele.
E lhe fora revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor.
Assim pelo Espírito foi ao templo; e quando os pais trouxeram o menino Jesus, para fazerem por ele segundo o costume da lei,
Simeão o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse:
Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra;
pois os meus olhos já viram a tua salvação,
a qual tu preparaste ante a face de todos os povos;
luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo Israel.
Enquanto isso, seu pai e sua mãe se admiravam das coisas que deles se diziam.
E Simeão os abençoou, e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este é posto para queda e para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição,
sim, e uma espada traspassará a tua própria alma, para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.
Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era já avançada em idade, tendo vivido com o marido sete anos desde a sua virgindade;
e era viúva, de quase oitenta e quatro anos. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.
Chegando ela na mesma hora, deu graças a Deus, e falou a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém. (Lc 2:22-38)


É interessante anotar a virtude da Esperança que predomina no rabino Simeão. Ele apenas “esperava”, mas com uma certeza tal que não cogitava de sua própria morte antes que tivesse certeza de que olhara nos olhos Aquele a Quem percebesse que era a Salvação do mundo.

No dia em que Jesus foi levado ao Templo, ele, já idoso, provavelmente não comparecia mais diariamente à Casa de Deus, mas neste dia foi “movido pelo Espírito”, isto é com uma forte intuição, predisposto por sua mediunidade apurada, por sua percepção, por sua pré-cognição, por sua premonição.

E lá chegando e vendo Jesus, seus sentidos espirituais se aguçaram ainda mais e através da “segunda vista” reconheceu Jesus pelo olhar.
É lindo saber que alguém pode reconhecer o outro pelo olhar.
“Meus olhos já puderam contemplar a salvação!”
“Vi através do brilho deste olhar de bebê, a Salvação, a Redenção, não somente para Israel, mas para tôo o mundo!”

Na narrativa do primeiro livro de Samuel, capítulo 9 , verso 17, há o relato de como Samuel reconheceu o Rei nos olhos de Saul:
“E quando Samuel viu a Saul, o Senhor e disse: Eis aqui o homem de quem eu te falei. Este dominará sobre o meu povo.”
Após a desobediência de Saul, Samuel foi buscar na pequena aldeia de Belém, entre os filhos de Jessé, os olhos de David: E Deus disse a Samuel: “Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura.. porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (I Sm 16:7)
E avistando David, fitando os seus olhos, reconheceu que era ele a quem o Senhor escolhera para ser o novo Rei do povo Judeu e de cuja descendência nasceria Jesus.

Assim, ainda no espírito do Natal, preparando os nossos corações para o Ano Novo, revisitemos Samuel e Simeão!

Escutemos as palavras de Deus, revelando-lhes através da pureza de seus sentimentos o que o olho humano não pode vislumbrar.

Purifiquemos nossos sentimentos, purifiquemos o nosso olhar sobre as coisas, aperfeiçoemos a nossa vivência e aproveitemos a graça doada por nosso Senhor de uma super-visão do espírito, que pode ver além dos olhos da carne e revelar-nos verdades que não são nem a carne e nem o sangue que nos revelam, mas o Pai que está no Céu.