sábado, março 24, 2007

CONCURSO LÍTERO-MUSICAL SOBRE "O LIVRO DOS ESPÍRITOS"

A Escola Jesus Cristo – Instituição Espírita de Cultura e Caridade convida a todos os seus freqüentadores para participar do CONCURSO LÍTERO-MUSICAL que será realizado em homenagem ao sesquicententário de O Livro dos Espíritos.

Tema: "O Livro dos Espíritos: 150 anos na edificação de um mundo melhor”

Categoria 1 – Poesia: Poemas apresentados em documento digitado em papel A4 e entregues em envelope lacrado.

Categoria 2 – Música: Canções apresentadas em fita K7 ou CD (compact disc) com as respectivas letras musicais digitadas em papel A4 e entregues em envelopes lacrados.

Obs.: 1 - As produções de ambas as categorias poderão ser enviadas pelo correio para ESCOLA JESUS CRISTO. Rua dos Goytacazes, 177 . CEP: 28.013-266 Campos-RJ ou pela internet para :

escolajesuscristo@uol.com.br.

2 – Como autores das obras, deverão constar pseudônimos, sendo que, dentro dos envelopes, será necessária a inclusão de outro envelope lacrado, com o verdadeiro nome do autor. No caso do envio pela internet, dois arquivos atachados, um com a poesia com um pseudônimo e outro com o verdadeiro nome.

A entrega deverá ser feita até o dia 27 de maio de 2007. Os trabalhos serão julgados por uma comissão composta de cinco elementos, e os três primeiros colocados de cada categoria receberão como prêmio um exemplar de O Livro dos Espíritos em edição comemorativa da FEB.

A apresentação dos trabalhos e premiação dos vencedores ocorrerá no dia 17 de junho de 2007, às 19h no Teatro Casimiro Cunha. Participe!

sábado, março 17, 2007

O PRINCÍPIO 90/10

Um Princípio é algo que é observado na natureza e que é transmitido na forma de uma hipótese, uma teoria.
É preciso que muitas pessoas o experimentem, que realizem testes e que comprovem para si mesmos os resultados.
Isso dá ao experimentador a certeza íntima de que o princípio é verdadeiro, que está submetido à uma Lei geral, como a gravidade, por exemplo.
Vale a pena tentarmos aplicá-la e passarmos adiante!
Que princípio é este?Através deste argumento , dez por cento de nossa vida está relacionadacom o que se passa conosco, isto é com os acontecimentos involuntários, imprevisíveis, imponderáveis.
Os outros noventa por cento dependem da forma pela qual reagimos ao que se passa conosco.
O que isto quer dizer? Realmente, nós não temos controle sobre 10% do que nos sucede.
Não podemos evitar que o carro enguice, que o avião atrase, que o sinal fique vermelho, que uma doença crônica comece a se desenvolver, reduzindo a nossa liberdade de movimento...
Mas, somos nós quem determinareos oss 90% restantes de nossa vida. Como?
Com a nossa reação. Ela sim, abrirá muitas possibilidades de fatos novos.
Um exemplo corriqueiro na vida de um executivo, de 35 anos, que mora no Rio de Janeiro.
Ele está tomando o café da manhã com sua família. Sua filha, adolescente, ao pegar a xícara, deixa o café cair na sua camisa branca de trabalho. Ele não tem controle sobre isto.
Não pode evitá-lo. São os 10 por cento imprevisíveis.
O que acontecerá em seguida será determinado pela reação de um homem de classe média, sensato, razoável em suas ações programadas, mas que pode ter em um instante, uma reação rápida e impensada.
Isto são os 90 por cento evitáveis. Então, o executivo se irrita. Repreende severamente sua filha e ela começa a chorar. Ele censuara também a esposa por ter colocado a xícara muito na beira da mesa...E acontece, a paritr dali uma verdadeira batalha verbal. Contrariado e resmungando, o homem vai mudar de camisa. Quando volta, encontra sua filha chorando mais ainda e ela acaba perdendo a van que a levaria para a escola. A esposa vai pro trabalho, também aborrecida, pois acha que a reação do marido foi desproporcional.

Ele, então, tem de levar a menina de carro para a escola. Como está atrasado, dirige em alta velocidade e é multado. Depois de 15 minutos de carro parado, uma discussão com o guarda de trânsito e uma multa, os dois chegam à escola, onde a filha entra, sem se despedir de pai.
Ao chegar atrasado ao escritório, o executivo percebe que esqueceu de sua maleta.

Um dia daqueles? Lei de Murphy? Seu dia começou mal e parece que ficará pior.

Você fica ansioso pro dia acabar, as horas se arrastam, toma café, o estômago dói. Às 19 horas, após um trânsito horrível, o homem chega em casa. No meio to tumulto, os problemas do dia, o incidente da manhã já está, para ele, quase esquecido. Entra, querendo descanso, mas sua esposa e sua filha estão sérias, em silêncio e frias com ele. Que fazer?
Ele pára e pensa: Por quê?
Por causa de sua reação ao acontecido no café da manhã.
Pensa então : por quê seu dia foi péssimo?
A) por causa do café?
B) por causa de sua filha?
C) por causa de sua esposa?
D) por causa da multa de trânsito?
E) por sua própria causa?
Conclui que a resposta correta é a E.

O executivo, bancário, corretor, administrador, gerente, não teve como evitar o derramamento do café na sua camisa (10%), mas o modo como ele reagiu naqueles 5 minutos após ter-se levantado naquela manhã foi o que deixou seu dia ruim (90%).
Há outra possibilidade:O café cai na camisa daquele pai de família. Sua filha começa a chorar. Então, gentilmente ele diz a ela:

" Filha, não tem importância. Papai não se queimou e pode trocar a camisa, está bem? Mas vamos combinar todos de ter mais cuidado, ok?"

Depois de pegar outra camisa e a pasta executiva, o pai volta, olha pela janela e vê sua filha pegando a van escolar. Dá um sorriso e ela retribui, acenando com a mãozinha.Que diferença! Duas situações iguais, que terminam muito diferente.
Por quê? Porque os outros 90% são determinados por nossa reação.

Aqui temos um exemplo de como aplicar o Princípio 90/10.

Se alguém nos diz algo negativo, não levemos tão a sério. Não deixemos que os comentários negativos nos afetem tanto. Não sejamos joguetes do que chamamos destino. O nosso futuro próximo, o decorrer de um simples dia, pode ser muito diferente se cultivarmos a tranqüilidade, a oração da manhã, a paz...

Nossa primeira reação será refletida em todo o nosso dia. Como reagir a alguém que nos atrapalha no trânsito? Ficaremos transtornados? Por que? Pela pressa? E o resto do dia? Nossa saúde e a de nossa família não valem mais que quinze minutos? Golpear o volante? Xingar? Aumentar as batidas do coração e a pressão subir? O que aconteceria se o executivo perdesse o emprego? Por quê perder o sono e ficar tão chateado? Isto não funcionará.

Usemos a energia da preocupação para refazer o nosso Curriculum e encontrar um outro emprego, sem auto-piedade.

O mundo não espera nossa aflição passar para continuar girando.

Se nosso vôo ou o nosso ônibus está atrasado, se vai atrapalhar a nossa programação do dia, por quê manifestar frustração com o funcionário da companhia? Ele não pode fazer nada.

Usemos então o tempo para ler, fazer contatos, conhecer os outros passageiros. Estressar-se, entrar em "função turbo" no coração, só pode agravar os acontecimentos.

Conhecendo o Princípio 90/10, utilizemo-lo!

Ele nos surpreenderá com os resultados e nós certamente não nos se arrependeremos de empregá-lo, como se estivéssemos num jogo. Num grande show, num big reality-show da vida. Será até divertido. Às vezes riremos à toa e as pessoas nem entenderão por que estaremos rindo diante de um aparente revés da vida.

Milhares de pessoas estão sofrendo de um estresse, uma pressa, uma luta, uma fuga, ma tensão, que não tem sentido. São sofrimentos antecipados, problemas que ainda estariam por vir, dores de cabeça a respeito de possibilidades ainda não ocorridas, tudo fruto de um pessimismo moderno, espalhado sabe-se lá por quem.

Todos devemos conhecer e praticar o Princípio 90/10.

Pode mudar a nossa vida!!

domingo, março 11, 2007

Expoentes do Espiritismo- Irma de Castro Rocha (Meimei)

O Espírita Mineiro – janeiro/fevereiro – 2007

Órgão da União Espírita Mineira

Irma de Castro Rocha, este encantador espírito, ficou conhecida na família espírita como Meimei.

Trata-se de carinhosa expressão familiar adotada pelo casal Arnaldo Rocha1[1] e Irma de Castro Rocha, a partir da leitura que fizeram do livro Momentos em Pequim, do filósofo chinês Lyn Yutang. Ao final do livro, no glossário, encontram o significado da palavra Meimei – “a noiva bem-amada”. Este apelido ficara em segredo entre o casal. Depois de desencarnada, Irma passa a tratar o seu ex-consorte por “Meu Meimei”. Irma de Castro Rocha não foi espírita na acepção da palavra, pois foi criada na Religião Católica. Ela o era, porém, pela prática de alguns princípios da Doutrina Codificada por Allan Kardec, tais como caridade, benevolência, mediunidade (apesar de empírica), além de uma conduta moral ilibada.

Nasceu na cidade de Mateus Leme, Minas Gerais, a 22 de outubro de 1922 e desencarnou em Belo Horizonte, em 1º de outubro de 1946. Filha de Adolfo Castro e Mariana Castro, teve quatro irmãos: Carmem, Ruth, Danilo e Alaíde. Aos dois anos de idade sua família transferiu-se para Itaúna – MG. Aos cinco anos ficou órfã de pai. Desde cedo se sobressaiu entre os irmãos por ser uma criança diferente, de beleza e inteligência notáveis. Cursou até o segundo ano normal, sendo destacada aluna.

A infância de Meimei foi a de uma criança pobre. Era extremamente modesta e de espírito elevado. Pura e simples. Adorava crianças e tinha um forte desejo – o de ser mãe, não concretizado porque o casamento durou apenas dois anos e houve o agravamento da moléstia de que era portadora: nefrite crônica, acompanhada de pressão alta e necrose nos rins.

Irma de Castro, na flor de seus 17 anos, tornou-se uma bela morena clara, alta, cabelos negros, ondulados e compridos, grandes olhos negros bastante expressivos e vivazes. Foi nessa época que se tornou grande amiga de Arnaldo Rocha, que viria a ser o seu esposo.

Casaram-se na igreja de São José, matriz de Belo Horizonte. Na saída da igreja, o casal e os convidados viveram uma cena inesquecível. Depararam-se com um mendigo, arrastando-se pelo chão, de forma chocante, sujo, maltrapilho e malcheiroso. Meimei, inesperadamente, volta-se para o andarilho e, sensibilizada pela sua condição, inclina-se, entrega-lhe o buquê, beijando-lhe a testa. Os olhos da noiva ficaram marejados de lágrimas...

Arnaldo Rocha afirma que toda criança que passava por Meimei recebia o cumprimento: “Deus te abençoe”. Havia um filho imaginário. Acontecia vez por outra de Arnaldo chegar do trabalho, sentar-se ao lado de Meimei e ouvir dela a seguinte frase: “Meu bem, você está sentado em cima de meu principezinho”. Meimei tinha a mediunidade muito aflorada, o que, para seu marido, à época, tratava-se de disfunção psíquica. Estes pontos na vida de Meimei retratam os compromissos adquiridos em existência anterior, na corte de Felipe II, ao lado do marido Fernando Álvares de Toledo – o Duque de Alba (Arnaldo Rocha). Nessa época seu nome teria sido Maria Henríquez.

Apesar do pouco tempo de casados, o casal foi muito feliz. Ela tinha muito ciúme do seu “cigano”. Arnaldo Rocha explica que esse cuidado por parte dela era devido ao passado complicado do marido. Chico Xavier explicara que Meimei vinha auxiliando Arnaldo Rocha na caminhada evolutiva há muitos séculos, por isso a sua acuidade em adocicar os momentos mais difíceis e alegrar ainda mais os instantes de ventura.

Na noite da sua desencarnação, Arnaldo Rocha acorda, por volta de duas horas da madrugada, com sua princesa rasgando a camisola e vomitando sangue, devido a um edema agudo de pulmão. O marido sai desesperado em busca de médico, pois não tinham telefone. Ao voltar, encontra-a morta.

A amizade entre o casal, projetando juras de eterno amor, teve início por volta do século VIII a.C. Um general do império Assírio e Babilônico, de nome Beb Alib, ficou conhecendo Mabi, bela princesa, salvando-a da perseguição de um leão faminto. Foi Meimei quem relatou a história, confirmada depois por Chico Xavier e traduzida inconscientemente pelo escritor e ex-presidente da União Espírita Mineira, Camilo Rodrigues Chaves, no livro Semíramis, romance histórico publicado pela editora LAKE, de São Paulo.

Essas reminiscências de Meimei eram tão comuns que, além desse fato contido no livro citado, há, também, uma referência à personagem Blandina (Meimei), no livro Ave, Cristo! Aconteceu da seguinte forma: Chico passou um determinado capítulo do livro para Arnaldo Rocha avaliar. À medida que lia, lágrimas escorriam por suas faces, aos borbotões. Ao final da leitura, Arnaldo disse para Chico: “Já conheço esse trecho!” Chico arrematou: “Meimei lhe contou, né?” Nesse romance de Emmanuel, Blandina teria sido filha de Taciano Varro (Arnaldo Rocha), definindo a necessidade do reencontro de corações com vista à evolução espiritual.

Através da mediunidade de Chico Xavier, muitas outras informações chegaram ao coração de Arnaldo sobre a trajetória espiritual de Meimei. À guisa de aprendizado, Arnaldo foi anotando essas informações e trabalhando, em foro de imortalidade, aspectos de seu burilamento.

Meimei tinha a mediunidade clarividente, conversava com os espíritos e relembrava cenas do passado. Era comum ver Meimei, por exemplo, lendo um livro e, de repente, ficar com o olhar perdido no tempo. Nesses instantes, Arnaldo olhava de soslaio e pensava: “Está delirando”. Algumas vezes ela afirmava: “Naldinho, vejo cenas, e nós estamos dentro delas; aconteceu em determinada época na cidade...”. Arnaldo, à época materialista, não sabendo como lidar com esses assuntos, cortava o diálogo, afirmando: “Deixa isso de lado, pois quem morre deixa de existir”.

Em seus últimos dias terrenos, nos momentos de ternura entre o casal apaixonado, apesar do sofrimento decorrente da doença, Meimei tratava Arnaldo como “Sr. Duque” e pedia que ele a chamasse de “minha Pilarzinha”. Achando curioso o pedido, Arnaldo perguntou o motivo e recebeu uma resposta que, para ele, era mais uma de suas fantasias: “Naldinho, esse era o modo de tratamento de um casal que viveu na Espanha no século XVI. O esposo chamava-se Duque de Alba e a sua esposa, Maria Henríquez”. Embevecido com a mente criativa na arte de teatralizar da querida esposa, entrava na brincadeira deixando de lado as excessivas perquirições.

Apresentamos esse ângulo da vida de Meimei para suscitar reflexões acerca do progresso espiritual por ela engendrado em suas diversas reencarnações – das quais citamos apenas algumas –, e que conduziram nossa querida amiga Meimei ao belo trabalho realizado em prol da divulgação da Doutrina Espírita, no Mundo Espiritual, aproveitando as vinculações afetivas com aqueles corações que permaneceram no plano terreno.

Em seus derradeiros dias de vida terrena, Meimei começou a ter visões. Ela falava da avó Mariana, que vinha visitá-la e que em breve iria levá-la para viajar pela Alba dos céus. Depois de muitos anos veio a confirmação através de Chico Xavier. Arnaldo recebe do médium amigo, em primeira mão, o livro Entre a Terra e o Céu, ditado por André Luiz, no qual encontra uma trabalhadora do Mundo Espiritual – Blandina – vivendo no Lar da Bênção, junto com sua Vovó Mariana, cuidando de crianças. Em determinado trecho, Blandina revela um pouco da sua vida terrena junto ao consorte amado.

Arnaldo Rocha narra um fato muito importante no redirecionamento de sua vida. No romance “Ave, Cristo!”, que se desenvolve na antiga Gália Lugdunense, encontra-se um diálogo entre os personagens Taciano Varro (Arnaldo Rocha) e Lívia (Chico Xavier), no qual as notas do Evangelho sublimam as aspirações humanas. Lívia consola Taciano, afirmando que “no futuro encontrar-nos-emos em Blandina”. Essa profecia realizou-se mais ou menos 1600 anos depois, na Avenida Santos Dumont, em Belo Horizonte, no encontro “casual” entre Arnaldo Rocha e Chico Xavier, após o qual Arnaldo Rocha, materialista convicto, deixa cair as escamas que lhe toldavam a visão espiritual.

Graças à amizade fraterna entre Arnaldo Rocha e Francisco Cândido Xavier, reconstituída pelo encontro “acidental” na Av. Santos Dumont, a história de amor entre Meimei e Arnaldo manteve-se como farol a iluminar a vida dele, agora em bases do Evangelho, que é o roteiro revelador do Amor Eterno.

Depois daquele encontro, que marcou o cumprimento da profecia de Lívia e Taciano Varro, Arnaldo, o jovem incauto e materialista, recebeu consolo para suas dores; presentes do céu foram materializados para dirimir sua solidão; pelas evidências do sobrenatural, incentivos nasceram para o estudo da Doutrina Espírita, surgindo, por conseqüência, novos amigos que indicaram ao jovem viúvo um caminho diferente das conquistas na Terra.

Passando a viajar permanentemente a Pedro Leopoldo, berço da simplicidade da família Xavier, recebeu de Meimei, sua querida esposa, as mais belas missivas através da psicografia e da clarividência de Chico Xavier.

Faltam-nos palavras para expressar nossa ternura e respeito ao espírito Meimei que, por mais de seis décadas, tem inspirado os espíritas a seguir o Caminho, e a Verdade e a Vida Eterna.

Ao finalizar este singelo preito de gratidão a Irma de Castro Rocha, a doce Meimei das criancinhas, lembramos o pensamento do Benfeitor Emmanuel, que sintetiza a amizade dos trabalhadores do Espiritismo Evangélico em todo o Brasil com o Espírito Meimei: um verdadeiro “sol que ilumina os tristes na senda da dor. Meimei, amor...”.

Carlos Alberto Braga Costa



[1] Arnaldo Rocha, ex-consorte de Meimei, é trabalhador e conselheiro da União Espírita Mineira desde 1946. Amigo inseparável de Chico Xavier. Organizador dos livros Instruções Psicofônicas e Vozes do Grande Além, FEB. Co-autor do livro “Chico, Diálogos e Recordações”, UEM.

segunda-feira, março 05, 2007

ENTREVISTANDO ALLAN KARDEC

Mundo EspíritaÉ sabido que foi através de seu amigo, Sr. Fortier, que o senhor ouviu falar pelas primeiras vezes nos fenômenos das mesas girantes, e também se sabe que nessas ocasiões o assunto não lhe despertou maior interesse. Em que momento isso aconteceu de fato?
Allan Kardec – Pelo mês de maio de 1855, fui à casa da sonâmbula Sra. Roger, em companhia do Sr. Fortier, seu magnetizador. Lá encontrei o Sr. Pâtier e a Sra. Plainemaison, que daqueles fenômenos me falaram no sentido em que o Sr. Carlotti já se pronunciara, mas em tom muito diverso. O Sr. Pâtier era funcionário público, de certa idade, muito instruído, de caráter grave, frio e calmo; sua linguagem pausada, isenta de entusiasmo, produziu em mim viva impressão e, quando me convidou a assistir às experiências que se realizavam em casa da Sra. Plainemaison, à rua Grange-Batelière, 18, aceitei imediatamente.

Mundo Espírita – E quando se deu essa sua primeira reunião?
Allan Kardec – A reunião foi marcada para uma terça-feira de maio às oito horas da noite.

Mundo espírita. E por que essa reunião mereceu seu destaque no exame dos fenômenos das mesas girantes e na história do Espiritismo?
Allan Kardec– Foi aí que pela primeira vez, presenciei o fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam, em condições tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida. Minhas idéias estavam longe de precisar-se, mas havia ali um fato que necessariamente decorria de uma causa. Eu entrevia, naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim estudar a fundo.

Mundo Espírita – Outras ocasiões importantes se somaram a essa?
Allan Kardec– Bem depressa, ocasião se me ofereceu de observar mais atentamente os fatos, como ainda o não fizera. Numa das reuniões da Sra. Plainemaison, travei conhecimento com a família Baudin, que resi-dia então à rua Rochechouart. O Sr. Baudin me con-vidou para assistir às sessões hebdomadárias que se realizavam em sua casa e às quais me tornei desde logo muito assíduo.

Mundo Espírita – Quem eram os médiuns nessas reuniões?
Allan Kardec – Os médiuns eram as duas senhoritas Baudin. Aí tive ensejo de ver comunicações contínuas e respostas a perguntas formuladas, algumas vezes, até, a perguntas mentais, que acusavam, de modo evidente, a intervenção de uma inteligência estranha.

Mundo Espírita – Quando começou seus estudos de Espiritismo e qual método utilizou para esses estudos?
Allan Kardec – Foi nessas reuniões que comecei os meus estudos sérios de Espiritismo, menos, ainda, por meio de revelações, do que de observações. Apliquei a essa nova ciência, como o fizera até então, o método experimental; nunca elaborei teorias preconcebidas; observava cuidadosamente, comparava, deduzia conseqüências; dos efeitos procurava remontar às causas, por dedução e pelo encadeamento lógico dos fatos, não admitindo por válida uma explicação, senão quando resolvia todas as dificuldades da questão.

Mundo Espírita – Os ensinos dos espíritos, individualmente, têm o caráter de verdade?
Allan Kardec – Estamos longe de aceitar como verdades irrecusáveis tudo quanto ensinam individualmente; um princípio, seja qual for, para nós só adquire autenticidade pela universalidade do ensinamento, isto é, por instruções idênticas, dadas em todos os lugares, por médiuns estranhos uns aos outros.

Mundo Espírita – E como o senhor tem acesso a esse conjunto de informações que lhe permitem tal análise e com tais critérios?
Allan Kardec– Em nossa posição, recebendo comunicações de cerca de mil centros espíritas sérios, disseminados em diversos pontos do globo, estamos em condições de ver os princípios, sobre os quais houve concordância. Sem essa concordância, quem poderia estar seguro de ter a verdade? É, aliás, um dos caracteres distintivos da revelação nova o de ser feita em toda parte ao mesmo tempo.

Mundo Espírita – Os textos que constituem O Livro dos Espíritos, como foram obtidos?
Allan Kardec– Tudo foi obtido pela escrita, por intermédio de diversos médiuns psicógrafos. Nós mesmos preparamos as perguntas e coordenamos o conjunto da obra; as respostas são, textualmente, as que nos deram os Espíritos; a maior parte delas foi escrita sob nossas vistas, outras foram tiradas de comunicações que nos foram remetidas por correspondentes ou que colhemos aqui e ali, onde estivemos fazendo estudos. Os primeiros médiuns que concorreram para o nosso trabalho foram as senhoritas Baudin. Mais tarde os Espíritos recomendaram uma revisão completa em sessões particulares, tendo-se feito, então, todas as adições e correções julgadas necessárias. Esta parte essencial do trabalho foi feita com o concurso da senhorita Japhet.

Mundo Espírita – E assim nasceu O Livro dos Espíritos?
Allan Kardec– Da comparação e da fusão de todas as respostas, coordenadas, classificadas e muitas vezes retocadas no silêncio da meditação, foi que elaborei a primeira edição de O Livro dos Espíritos, entregue à publicidade em 18 de abril de 1857.

Obs.: Os textos aqui apresentados como respostas de Allan Kardec, foram extraídos dos livros:

1. KARDEC, Allan. A minha primeira iniciação no espiritismo.
In:___. Obras póstumas. 29. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, [199-]. pt. 2.
2. REVISTA ESPÍRITA. São Paulo: LAKE, 1858. p. 34.3. REVISTA ESPÍRITA. São Paulo: LAKE, 1858. p. 68.
As perguntas foram compostas pela redação do jornal.

sábado, março 03, 2007

Dia de Carlinhos


Hoje é dia 03 de março, dia em que Carlinhos, meu irmão Carlos Vítor Mussa Tavares nasceu. Faria hoje 51 anos.

Já contei a todos que Carlinhos é o mesmo Lill, que se fez filho espiritual de Nina Arueira e que escrevia para Papai, quando de sua conversão ao Evangelho, abandonando a luta de classes.

Contei também que Lill era o pequeno marinheiro, que foi a forma de vivenciar a primeira fase do Curso de Humildade, antes de reencarnar, isto é tornando-se criança ainda no plano espiritual. Fazendo isso, deixou de viver as personalidades que antes lhe conduziram à fama e à glória terrenas como Marco Polo, Cristóvão Colombo, Bartolomeu Lourenço de Gusmão, Joseph Montgolfier e Santos Dumont.

Viveu depois, 17 anos internado no corpinho enfermo de Carlinhos, tendo por Mãe a nossa querida Mãe Hilda e por Pai, o nosso amado Pai Clóvis. Esta foi a segunda etapa do Curso de Humildade.

A seguir, desencarna e continua criança na vida espiritual. Os antigos amigos do tempo de glória não reencontram o homem, mas percebem que ele agora era uma simples jovem querendo apenas amar. Esta foi a terceira etapa do Curso de Humildade. Esta etapa é ad aeternum. É uma conquista da alma, é um atributo do espírito, é inalienável, é um azeite divino que não se dá, não se empresta e não se vende... é patrimônio indestrutível e intransferível. Estas reflexões fazem parte de um livro que traz oito mensagens enviadas por Carlinhos a nós, captadas pela sensibilidade psíquica de nosso amigo Chico Xavier. Sim, Carlinhos escreveu em versos suaspróprias emoções vivenciadas na terra e após sua libertação do veículo carnal. Este livro é um livro que Papai gostaria de ter escrito, mas que infelizmente não escreveu. "A Morte É Simples Mudança", título escolhido por Clóvis Tavares, meu Pai. É uma expressão empregada diversas vezes por Carlinhos em suas cartas-poema e pinçada pela sensibilidade de Papai como a mais perfeita para sintetizar o tema do livro de meu Irmão. Leiam A Morte é Simples Mudança. Divulguem, estudem, amem, pois ali está muito mais que um repositório de cartas de um morto, mas uma bênção espiritual.


A Morte é Simples Mudança...



Que Carlinhos, vivenciando hoje uma outra natureza de Glória, que é a espiritual, possa na companhia de Papai, velar por nós outros que aqui quedamos, na companhia de nossa amada Mãezinha, na Escola Jesus Cristo, na comunhão com os amigos da Terra que hoje participam deste espiritual banquete de seu aniversário.

Um beijo do mano,

Flávio

POEMA DE NATAL de Luís Alberto Mussa Tavares

Poema de Natal

Adaptação para estilo poético da "Oração de Natal" do volume "Um poema para o Natal", publicado em 2005 pela Editora Scortecci.

I
Recorda a Humanidade, neste dia
Os fatos que cercaram tua chegada:
O Anjo anunciando-te à Maria,
José quando acolheu a sua amada

De Nazaré a Belém, tua romaria,
Onde não havia vaga na pousada,
O teu nascimento numa estrebaria,
A manjedoura, tua primeira morada...

Recorda a Humanidade, entre louvores,
Os Anjos anunciando-te aos pastores,
Os magos e Herodes, a adoração e o medo...

Recorda a Humanidade nessa hora
Os primeiros movimentos da tua estória
Imensa e encantadora desde cedo...

II
Desde aqueles dias
Já se vão dois mil anos...
Do mesmo modo
Como os pastores,
Aqui estamos...
Soubemos da Boa Nova
E aqui viemos
Como fizeram os pastores
Há dois mil anos...
E, como os pastores,
Nós nos sabemos
Simples seres humanos,
Nada possuímos
Nem trazemos,
Como os pastores
Há dois mil anos...
Não viemos,
Como os pastores,
Tão logo e assim que soubemos...
Nós nos atrasamos...
Mas aqui estamos
Na tua presença e,
Por tão pequenos,
Silenciamos...
E assim, orando,
Nós nos ajoelhamos,
Como os pastores
Nós nos alegramos,
Como os pastores
Há dois mil anos...

III
E aqui estamos de mãos vazias...
O que intencionávamos trazer perdemos
Com companhias, com teorias,
Com coisas que valiam menos...

E aqui estamos. Não trazemos nada.
O que tínhamos ficou pelo caminho.
Nós nos dispersamos pela caminhada
E caminhamos em desalinho...

E aqui estamos. Nada trazemos.
Nem mirra, nem ouro e nem incenso...
Pelo caminho nós os perdemos
E nos restou esse vazio imenso...

E aqui estamos. Nós nos dispersamos.
Nós nos atrasamos. Mas aqui viemos.
Já se passaram mais de dois mil anos
E ainda não aprendemos...

Aqui estamos. Ajoelhados.
De mãos vazias. Em pensamento.
Aqui estamos, muito cansados,
Diante do teu nascimento.

IV
O ouro que traríamos,
Valioso,
Peça imponente,
Belíssima cor,
Recebeu tantas ofertas
Nesses dias
Que o trocamos
Sem nenhum pudor
Por bugigangas,
Quinquilharias,
Sem garantias,
Coisas sem valor:
Bijouterias,
Peças sem valia,
Pedras sem brilho
E sem nenhum teor...
Gastamos todo
Com ninharias,
Trocamos,
Demos
E esquecemos
De repor...
Hoje não temos
Mais do que a lembrança
Do que já tivemos
E, alem disso,
Dor...
E porque gastamos,
E porque perdemos,
Comportamo-nos
Como o mau pastor
Que se descuida
Do que seria
Para cuidar
Como bom cuidador...
Aqui estamos
De mãos vazias,
Nada mais temos,
Nada nos restou...
De mãos vazias
Aqui estamos...
Vazios
Na presença
Do Senhor...

V
O aroma leve de um suave incenso
Nós preparamos para trazer.
Aspecto doce, odor delicado,
Especificamente preparado
Para o menino que viemos ver.

Foi quando ate aqui, pelo caminho,
Outros aromas doces conhecemos,
Por outros cheiros nos atraímos,
Outras essências sentimos,
Outras fragrâncias colhemos

E o aroma leve do incenso suave
Que preparamos foi se perdendo
E como a água quando escorre pelo ralo
Já não nos é possível agora identificá-lo...
_O que é que andamos fazendo?

Por outros cheiros nos seduzimos,
Outros perfumes vulgares,
Azedos, acres, fáceis, sedutores,
Odores oferecidos, maus odores,
Dezenas e centenas e milhares...

E assim o símbolo de tua espiritualidade
Contaminamos em nossa caminhada...
Estúpidos condutores, e descuidados,
E incautos, fomos contaminados
E hoje trazemos a alma infectada...

E o aroma suave do incenso doce
Já não possuímos nesse momento...
Envolve-nos, Senhor, com tua essência,
Ajoelhados, na tua presença,
Reverenciando teu nascimento...

VI
A mirra, preparamos com carinho
E embalamos cuidadosamente...
O sofrimento é parte do caminho...
A dor é sempre presente...

Mas dono de um cuidado tão mesquinho,
De um jeito tão displicente,
Bastou o primeiro copo de vinho
E o primeiro gole amargo de aguardente

E a mirra a derramamos e a perdemos,
A dor embriagada dói bem menos...
Desrespeitamos teu sofrimento...

E hoje aqui, não mais tão embriagados,
Postamos-nos diante de ti, ajoelhados,
Diante do teu nascimento...


VII
Submersos em trevas e isolados,
Por desacertos nos conduzimos...
Enfraquecidos, tolos, derrotados
Que a nós mesmos nos destruímos...

A sombra, como semente alimentada,
Cresceu e se espalhou, erva daninha...
A Humanidade quedou-se, acinzentada,
Perdeu o rumo, perdeu a linha...

O desafeto e o desamor, unidos,
Tornaram-se gestos diários
Que os homens fracos e os distraídos
Trataram como comportamentos necessários...

E assim, do desamor nasceram a usura,
A ira torpe, a falta de perdão,
O ódio entre a criatura e a criatura
E a rudeza do coração...

Mísseis cruzando os céus, caças insanos,
Botões dizimando nações sem piedade,
Homens selvagens, seres humanos
Vestidos de pura bestialidade...

A morte provocada pela guerra,
O lucro à custa da crueldade,
A sombra assustadora sobre a Terra
Ameaçando a Humanidade...

Flagelo. Fome. Miséria. Medo.
Terror. Suspeita. Desamparo. Dor.
O homem que vive entre feras desde cedo
Fica contaminado por esse horror.

A que chegamos... Não sobrou nada.
Nenhuma luz. Só ódio. Só discórdia.
E uma Humanidade necessitada
Da tua infinita Misericórdia.

E longe dela, ai de nós pelo que somos.
Pelo caminho ruim que caminhamos.
Pelo que fizemos. Pelo que fomos
E pelo muito que erramos.

Longe da tua Misericórdia, nada.
Ranger de dentes. Choro. Fome. Frio.
A tua Misericórdia é a luz da nossa estrada,
Cesto de peixe que nunca está vazio...

Aqui estamos, pois. Muito cansados.
Já não suportamos tanto sofrimento.
Aqui estamos, ajoelhados,
Diante do teu nascimento.

VIII
Mas é Natal, e assim,
Ecos dos Anjos
Ainda fazem-se ouvir
Em seu Louvor...
Ecos que anunciam
A Boa Nova:
_Eis que hoje vos nasceu
O Salvador.

Eis que é Natal.
E as vozes dos Anjos vibram.
Cânticos de Anjos
Em Legião
Dizendo:
¬_Hosana... Nasceu Jesus,
Alegrai, pois,
Vosso coração...

Eis que é Natal
E, por ai, pastores
Ainda se alegram
Com a anunciação...
Vibram e falam
Uns para os outros,
E alguns se postam
Em oração...

Que delicado
O cântico dos Anjos,
Escuta-se ao longe
Um trecho seu:
_Gloria a Deus nas alturas
E paz na Terra...
Jesus nasceu...

Santificada essa Boa Nova,
Iluminada essa hora
Como a esperança que se renova:
Toda alegria
Ao mesmo tempo
Agora...

É terna e pura a luz da tua estrela,
Silenciosa e serena,
E vê quem tem olhos de ver seu brilho,
Como quem entende um poema...

Acolhedora a tua manjedoura,
Tão pouco e ao mesmo tempo tanto, tanto...
Impressionantemente acolhedora
Como se fosse seu manto...

Suave e belo o significado
Da tua mensagem de amor,
Ao mesmo tempo imenso, delicado
E inexplicavelmente acolhedor...

Simples pastores por companhia,
Delicadeza, naturalidade...
De onde trouxeram tanta alegria
E tanta felicidade?

E a musica que cantam, como um coro
De varias vozes e grande harmonia,
Como quem cuida um tesouro,
Como se fossem os próprios Jose e Maria?

A musica que cantam... Que serena...
Retalhos inteiros feitos de paz...
Encantador recordar esta cena
Dos seus primeiros Natais...

E a gruta acolhedora, teu resguardo...
A manjedoura... Nenhuma ostentação...
Nem luz, nem brilho e, no entanto, nenhum fardo...
Nenhuma pena... Nenhum senão...

A gruta, feita de simplicidade...
Nenhum Palácio significa tanto...
Não há vestígios de suntuosidade,
Há, sim, sinais de que é um lugar santo...
IX
E dois mil longos anos se passaram...
Aqueles que, como nós, te conheceram,
Durante esse tempo se desviaram
E após tantos desvios se perderam...

E em dois mil longos anos que afastaram
Da tua presença os que viram e não creram,
Multiplicaram-se os que te negaram,
Espalharam-se os que não te receberam...

E dois mil anos não foram bastante
Para que nós chegássemos aqui diante
De ti como em outra época Simeão...

Os nossos olhos, endurecidos,
Envoltos em trevas, escurecidos,
Ainda não compreenderam a tua lição...

X
Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo,
Caminho, verdade, vida,
Recebe nossa alma vazia nessa hora,
Pela tua Misericórdia, estremecida...

E permanece nosso pensamento assim:
Magnificado e em lagrimas submergido...
Deixamos lá fora as sandálias, o pó ruim,
Trazemos o pensamento enternecido,

Exatasiado com tua singeleza,
Complexa, imensa e cheia de verdade,
Admirados com a força gigantesca
Da tua aparente fragilidade...

Trazemos, humilhado,
O coração cansado,
Trazemos, destruído,
O coração sofrido,
Trazemos, derrotado,
O coração errado,
Trazemos, combalido,
O coração doído...

XI
Insufla nossa boca
Com teu sopro santo,
Fazendo-a cheia
Das palavras de Simeão:
Podemos partir,
Desde agora,
Porque nossos olhos
Viram
A salvação...

XII
Senhor Jesus,
Feliz Natal.
Nos Céus
Os Anjos
Dizem:
_Amém...
Cantando:
_Glória a Deus nas alturas
E Paz na Terra
Aos homens
A quem ele quer bem...

Que assim seja...

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Dr. March: Entre Dois Planos- Um livro de Alexandre Rocha

Jáder Sampaio (1)

O professor Eugène Enriquez, em conferência na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG provocou a todos o que o assistiam, quando afirmou que o
brasileiro não conhece a sua história. Passada uma década indignada, após ler a mais recente biografia sobre o Dr. March, escrita pelo editor da Lachâtre, começo a dar-lhe razão, ainda que a contragosto.
Fosse um filme, seria difícil de ser classificado. Aparentemente parece-se com um documentário, mas flui de forma tão natural e desperta tantos sentimentos no leitor, que talvez fosse um drama ou, quem sabe, um filme de aventuras.
Discreto, Rocha aparece pouco na sua narrativa, comenta pouco. Quem pensa que o estilo biográfico é um texto chato, onde se enaltecem os feitos e se descreve a obra de uma pessoa importante, pode ir mudando os conceitos.
Alexandre obteve e utilizou um número razoável de documentos, livros, teses, entrevistas, produções mediúnicas e material obtido em periódicos científicos e jornalísticos. Não é uma tarefa fácil, reunir informações de um brasileiro do século XIX. O livro é um passeio pelo Brasil Império, ambienta-se inicialmente na região de fazendas que se tornaria Terezópolis. George March, pai do biografado, é de uma personalidade ímpar. Português, descendente de ingleses, casado com Dona Inácia, afro-brasileira, decide construir uma confortável sede de fazenda em uma região até então erma. Tão notória é a sua fazenda, que a nobreza e a elite da capital do império viaja até lá para hospedar-se e usufruir da companhia do anfitrião e das delícias que pode proporcionar uma propriedade luxuosa em região serrana. Há um sonoro silêncio em torno da pessoa de Dona Inácia, cuja influência não pode ter se reduzido à cor da pele do biografado. Como se deu a união? Como as elites fluminenses e as autoridades estrangeiras reagiram a este relacionamento? Inácia faleceu antes de George March? Nada disto parece ter chegado às mãos do autor, que diante da falta de informações, nada pode escrever.
Ao redor da fazenda, o tempo passa e com ele segue a história. A mansão, que tem vida breve no pequeno livro, vai da glória às ruínas. Do pedido de visita do próprio imperador (1830) à morte do proprietário (1845) o biógrafo encontra sutilezas da relação entre Brasil e Inglaterra e traz à luz os problemas de herança. Vendida a fazenda, nasce Terezópolis, toma cena a questão Christie, um litígio entre imperadores e o pequeno Guilherme de seis anos fica aos cuidados de tutores no Rio de Janeiro.
Aos quinze anos, o jovem Guilherme estuda medicina e aos vinte e um anos defende tese doutoral, como era exigido à época, graduando-se em medicina. Alexandre compara o jovem Dr. March a Francisco de Assis. Tivesse ele nascido na Úmbria no século XIX, já teria sido objeto de filmes, livros e talvez da devoção popular italiana. Como Francisco, ele adota um estilo de vida devasso na juventude, que só teve fim após uma enfermidade progressiva, possível seqüela da sífilis, doença que vai fazendo perder a mobilidade corporal aos poucos. A dor e o fim da herança paterna fizeram-no mudar o estilo de vida, o que Rocha encontra em correspondência a Dias da Cruz.
De formação tradicional, o Dr. March abandonaria a medicina chamada alopática pelos homeopatas para direcionar sua clínica por esta última. Como se deu esta mudança? Silêncio. Nosso biógrafo, contudo, conseguiu levantar toda a publicação clínica nos Anais de Medicina Homeopática do Instituto Hahnemanniano do Brasil, sua atuação nesta instituição, suas descobertas e lutas. Confesso que fiquei assombrado com a comunicação do Dr. March, já sexagenário, na qual ele apresenta melhoras oftalmológicas significativas de presbiopia e vista cansada com o uso de uma certa substância dinamizada, antecedida por uma irritação do globo ocular semelhante a uma conjuntivite, bem aos moldes da teoria homeopática.
As emoções se multiplicariam nos capítulos seguintes. Residindo em Niterói,
o médico e cientista, com anuência de toda a sua família, inicia seu apostolado na medicina. Médico de todos, do povo e das elites desiludidas com a medicina tradicional, o Dr. March não apenas atende sem perceber remuneração, como monta uma farmácia homeopática em casa, para distribuir medicamentos ao povo e alberga aos que vêm de longe, incapazes de voltar a casa. Diagnosticando a fome, ele tira dos seus para tratar aos desconhecidos que o procuram. Quando questionado pelos filhos, ele lhes ensina o Evangelho. Eleito vereador, continua pobre. Eleito juiz, continua justo. Continua médico. Continua filantropo. Deixa de ser vereador e juiz. Não abandona a caridade. Continua espírita. E os casos vão ganhando vida com a pena do autor, sucintos, rápidos, mas cheios de emoção. A comunidade se incomoda com o estado da
residência do Dr. March e faz um movimento para adquirir-lhe uma nova casa. Falecem-lhe os filhos e a companheira, mas não lhe faltam forças para acolher, tratar e curar. E os casos impressionam.
Neste ínterim, o Brasil se torna república. A armada se revolta e uma de suas naves de guerra dispara tiros contra o Rio de Janeiro e Niterói. Os March se refugiam, mas a caridade continua, uma caridade tão comovente quanto a saúde popular no Brasil que finda o século XIX e inicia o século XX. Quando finalmente a doença o impede de locomover-se e fica no leito, não
se sabe em que estado de consciência, diferentes médiuns fluminenses começam a emitir receituário homeopático assinando G. March. Evidências de comunicação mediúnica entre vivos?
O médico deu seu último suspiro em 1922. A prefeitura de Niterói assume as custas do enterro e fica em luto por 48 horas. Uma multidão acompanhou o féretro até o cemitério do Maruí. O governador do Estado do Rio de Janeiro se faz representar.
Catulo da Paixão Cearense lhe escreve uma poesia. Gilberto Freire faria constar seu nome em um de seus livros. A segunda parte é uma coletânea de mensagens dadas pelo Dr. March a três médiuns: Telma Pereira, Raul Teixeira e Solange Pessa. Nesta parte o biógrafo se cala totalmente, apenas transcreve.
Alexandre Rocha escreveu um texto limpo, que emociona. Eu fico frustrado, porque minha resenha não tem brilho, não lhe faz justiça.

(1) Jáder Sampaio é o autor deste site explicatico da doutrina espírita. Mineiro, é estudioso da Doutrina e autor de inúmeras obras espíritas, algumas à disposição para download no seu site.

TAXA DE GRATIDÃO

Depois da morte do João Hélio somos defrontados agora com o brutal assassinato de um casal francês que organizou um ONG para tratar de garotos de rua. O mentor do crime, era um desses acolhidos pelo casal . Fazia dez anos que convivia com eles. Trabalhava na ONG, cursava uma faculdade, paga pela organização. Entretanto, ele envolveu-se em negócios escusos e desviou 80 mil reais. O medo levou-o a cometer esse ato bárbaro.

Como atribuir isso às condições sociais desfavoraveis, uma vez que ele havia sido resgatado do abandono rua? Uma vez que ele tinha acesso a informações? Será teremos que desacreditar no poder transformador do amor? Que mesmo ajudando a quem se encontra marginalizado, permanece a mágoa social e os motivos para se retornar à margem da sociedade?
E a questão da gratidão? E o amor devido a quem nos ajuda? Existe débito de gratidão? Pode-se amortizar uma dívida de gratidão? Ou somos todos insolventes diante de Deus?

Lembrei-me então dos 10 leprosos curados por Jesus.
A cura das lesões foi progressiva e lenta , de modo que ao verem-se completamente limpos eles já não estavam mais na presença de Jesus. Um deles teve vontade de retornar, para procurar Jesus e agradecer. Os outros, mesmo que sentissem uma gratidão verbal, não queriam dividir o tempo que naturalmente era pouco para fazer tudo que eles queriam, para "correr atrás do prejuízo" e do tempo "perdido". Um deles, apenas um, procura e encontra Jesus. E lhe agradece. Jesus então, faz o que nós muitas vezes temos até vergonha de fazer, isto é questionar o erro:

"Só veio você? Não foram dez os curados?"

Lembro-me também de que Jesus quando foi preso, já com as mãos e os pés atados, recebe o bofetão de soldado. Aquele então que ensinou aoferecer a outra face vai fundo na consciência do torturador e pergunta:

" Se eu fiz mal, dá testemunho do mal. Se porém, fiz o bem, por que me feres?"

Por isso, acredito muito na mensagem consoladora do Evangelho e do Espiritismo, mas entendo que consolação, como está na promessa de Jesus no Evangelho de João, é também colocar a justa medida das coisas, dar-nos sensação exata da justiça e do julgamento de nossas ações.

Aquele tem reconhecimento e é agradecido, é representado pelo hanseniano que retornou para a gradecer. Isso é da ordem de 10%.

Apenas dez por cento é a taxa de gratidão do planeta!

Lembro-me também, de uma palestra do Humberto Vasconcelos, que disse que não há como se resgatar uma dívida de gratidão. O Bem que se faz é impagável ! E que se alguém se tornou ingrato, é por que está doente da alma.

A espantosa taxa de 90 % é de ingratos, mal-agradecidos!

E pior do que isso, podem cair na situação extrema do assassino do casal francês e do soldado diante de Jesus: da ingratidão tão extrema que chega à crueldade.

Portanto, no meu entender, quero tomar por base o questionamento de Jesus ao hanseniano agradecido e curado no corpo e no espírito, e ao questionamento ao soldado violento. É necessário que o processo punitivo seja de uma constante rememoração da pessoa do que se fez de mal.
È ruim? Incômodo? Mas penso que é a única possibilidade psicoterapêutica neste momento atual.

Aos assassinos do João Hélio, do casal francês e outros da mesma natureza, preconizo aulas, programas de psicoterapia, em que se repetirá para eles, até a exaustão mental, tudo o que eles fizeram, analisando todas as consequências minuciosamente.

Acredito que o homem barbarizado e frio de sentimentos, precisa da forma antiga de se punir crianças em escola como escrever 1000 vezes: "Não devo bater no meu amigo".

Algo como a terapia de "Laranja Mecânica", obrigando o psicopata, sociopata a ver, ouvir e tornar a ver e escutar as cenas de barbaridade, violência e crueldade refinada, com as vozes e a visão das imagens das vítimas. Isso com acompanhamento psicológico, produzindo um estado mental de esgotamento e quase que um enjôo.

Acho que essa dispepsia, produzida pela exaustão dos órgãos digestivo sensíveis às cruedades praticadas, lhe causarão enjoo, náusea do mal, da violência, da covardia.

Entendo que desse modo, pode-se esperar alguma coisa das prisões, pois do contrário, de tanto se multiplicar todas as formas de delinquência, a psiquiatria em breve lançará mão de recursos químicos e cirúrgicos, numa concepção futurísitca sofisticada da Pena de Talião, o que significará um retrocesso para a humanidade que se diz cristã.

Acho, portanto, que a educação na forma de uma psicologia compertamental reeducativa a melhor solução no momento.

domingo, fevereiro 25, 2007

A prova dos transtornos compulsivos

Todos os espíritos tendem à perfeição, e Deus lhes proporcionaos meios de ocnseguí-la com as provas da vida corpórea. (Kardec, Livro dos Espíritos, comentário à resposta da questão 171.)

Uma excelente trilogia de mensagens psicografadas por Chico Xavier e comentários judiciosos de Herculano Pires, “o metro que melhor mediu Kardec”, no dizer de Emmanuel é : “Chico Xavier Pede Licença”,Na Era do Espírito” e “Astronautas do Além”. Ali se encontram questões diversas de temas palpitantes no meio espírita, encaminhadas ao médium para apreciação de seus mentores, renovando os esforços de Kardec na aquisição de respostas para o seu “Livro dos Espíritos”, cujo sesquicentenário celebramos este ano.

No primeiro volume citado, no capítulo 37, Emmanuel responde as dúvidas sobre as quedas morais dos espíritas. Os comentários na reunião em Uberaba, dos diversos confrades eram sobre o por quê do fracasso moral do médium, do divulgador espírita, do presidente de centro e após uma prece foi aberto o nosso livro básico na questão 171 que indaga sobre a reencarnação. A resposta dos espíritos foi: “Um pai sempre deixa aberta aos seus filhos a porta do arrependimento”.

Assinala então o nobre espírito Emmanuel uma série de situações em que somos abordados por nosso próprio conteúdo inconsciente que nos arrasta aos mesmos erros de outrora sob a tênue roupagem terrena. Diz o mentor de Chico Xavier: “...de novo ao plano físico a fim de operar a própria desvinculação de hábitos infelizes...”, empregando o termo desvincular para assinalar o quanto estamos ainda acrisolados em nossas próprias ciladas do pretérito. Retornamos à arena terrestre para nos desapegarmos de nossos hábitos viciosos. Esses hábitos figuram em nossa estrutura física e irrompem, via de regra, na adolescência, na forma de impulsos incontroláveis, sempre na busca de algo que para nós significa o máximo prazer. Gula, sensualidade, indolência e poder estão entre os tópicos de erros crassos de outras eras que foram catalogados por Tomás de Aquino como capitais, pois que, como erros básicos, induzem a outros tantos erros e vícios de caráter.

Continua Emmanuel: “...depois de algum trabalho em auto-educação, admite-se portador de imaginário cansaço e retorna aos costumes lastimáveis de outros tempos...”

Está bem clara a questão. Trata-se de auto-educação! Uma grande parte dos espíritos que fracassam na encarnação presente está em condições de lutar com alguma autonomia na própria regeneração. Esses espíritos, que somos nós mesmos, conscientes de nossa situação no planeta, espíritas que somos, estão carregando o fardo da maioridade espiritual. É a ocasião de demonstrarmos o que temos aprendido.

Vale também esclarecer a diferença entre expiação e prova, pois, no primeiro caso, apenas estamos mutilados física ou mentalmente, em repressão de nossas más tendências. Na Prova, libertos da algema cármica, somos reportados à própria consciência que, por vezes, funciona como uma panela de pressão. Essa analogia é-nos apresentada por Herculano Pires que compara essas tendências reprimidas de nossa alma encarnada à caldeira que necessita de uma válvula de humildade para suportar a pressão de nossos pensamentos viciosos.

Os manuais de classificação das doenças estão hoje repletos de Transtornos da Personalidade, desde as crianças com os seus déficits de atenção com hiperatividade ou impulsividade, até os adultos com os seus transtornos obsessivos compulsivos. O que há 30 anos era considerado peraltice de criança e mania de adulto, é hoje classificado internacionalmente como transtorno de humor e conduta, que deve ser abordado pelos especialistas com psicoterapia ou medicamento. Diz o sábio Herculano : “Se acrescentássemos às escolas de Psicoterapia de nossos dias a dimensão espírita(...) a causa dos desequilíbrios mentais e passionais tornar-se-ia mais acessível aos métodos de cura.”

Sim, por que uma psicoterapia baseada na evidência da reencarnação buscará para o paciente a solução de seu dilema existencial justamente no ponto em que precisa se transmutar espiritualmente. Ajudar um alcoólico, um jogador compulsivo, uma criança com rasgos de impulsividade destrutiva, uma mulher com hábitos sexuais impróprios para sua condição de mãe de família, uma senhora inclinada a comprar de modo incontrolável em ânsia consumista, um jovem aficionado no sexo de forma perturbadora, todos estarão seguramente melhor assistidos sob a esclarecedora visão da reencarnação.

Não me refiro aqui ás técnicas de revivescência de vidas passadas, conhecidas como TVP, uma vez que as mais notáveis autoridades espíritas têm-se reportado ao cuidado com técnicas invasivas aos nossos arquivos do passado. As indicações que temos, autorizadas pela égide da Universalidade do Ensino dos Espíritos, sugerem que nossas tendências indicam o nosso pretérito delituoso e nada mais é digno de investigação, que não seja o necessário para que vençamos as resistências de nossas provações.

Desse modo, a provação dos distúrbios do humor e da conduta, referidos na atualidade entre as mais complexas epidemias, é sensível a um tratamento espírita. Tratamento esse, que tem na Desobsessão um poderoso auxiliar, uma vez que vivemos em condomínio espiritual, como nos recorda Hermínio Miranda. Neste condomínio, nossos pensamentos estão em sintonia ora com espíritos sofredores, ora com esclarecidos. A simbiose psíquica que estabelecemos com os sofredores faz com que eles estejam, tanto quanto nós mesmos, necessitados de esclarecimento. Não é demasiado afirmar, porém, que o socorro espírita deve ser secundado pela ação esclarecedora do estudo espírita. Isso significa a freqüência a uma casa espírita com estudo sistematizado e palestras. Escutar o Evangelho e a Doutrina é também uma forma de assepsia psíquica. Por fim, necessitamos sempre da ação libertadora da caridade espírita, conscientes que somos da verdade límpida que transborda das inesquecíveis palavras do Espírito de Verdade: "Fora da Caridade Não Há Salvação!” E entendemos por "salvação" não um estado paradisíaco, mas uma oportunidade de reabilitação.

Flávio Mussa Tavares, médico

publicado na Revista Espírita de Campos, nº 81 - ano 23

fevereiro de 2007

flaviotav@gmail.com

sábado, fevereiro 24, 2007

A Cura do Câncer

Uma cliente muito sincera curou-se de um câncer e escreveu para mim. Disse que estava cura e que foram os próprios médicos do IMCA que lhe deram a alta. ela ficou feliz e distribuiu a sua felicidade com todos.
Eu lhe respondi nos termos abaixo:
Querida cliente,
Eu sempre tive certeza de que você alcançaria esse momento.
é um momento glorioso. O que é "cura" para um ser humano?
É libertar-se de um fardo!
Você abraçou um ideal e desvencilhou-se de 'coisas velhas' que insistiam por uma circunstância genética a permanecer no seio de sua organização física.
Mas você rejeitou essa natureza.

Você não quis a herança atávica da enfermidade, assim como rejeitou herança atávica da ira, da impiedade, do ressentimento. Vencer as barreiras mórbidas de nossa genética é ao mesmo tempo curar-se!

Isso é verdadeiramente uma delicadeza de Deus! Ele nos oferece o braço amigo no momento de queda e nós não devemos recusar a sua mão.

Você segurou a mão divina e a luz que dela emana, distribuiu-se por cada célula de seu corpo.

Todas as células que estavam harmônicas com Ele e Sua luz, permeneceram.

As células que estavam dissonantes com o laser divino, dispersaram-se como sombras.

Essa é a cura! Essa é a Graça!

Multiplique, amiga, essa alegria!

Espalhe essa felicidade por todos os lugares, assim como a pobre dona da dracma saiu de sua casa para contar a todos que encontrou a sua moedinha, saia, e grite que você está curada!
Um terno beijo de

É possível ser Bom?

Seria uma utopia o sermão da Montanha?
Segundo a maioria dos leitores do site globo.com, seria!
Eu votei na seguinte pergunta do site:
"O socialismo do século XXI proposto por Hugo Chávez vai funcionar?"

Então eu pensei: acredito que sim. O presidente foi eleito pelo voto popular.
Foi deposto por um golpe militar que não atingindo a massa, não ganhou apoio e o mesmo retornou ao poder.
Foi reeleito.
Tem excelente popularidade.
Melhorou a vida do pobre do país inteiro, mas desagradou um bairro de Caracas (o mais rico) e uma grande parte da cidade turística de Maracaibo ( que tem também uma população de alto poder aquisitivo).
Tem petróleo por mais de 150 anos.
Vende para os Estados Unidos!
Então, é bem provável que o seu sistema de redistribuição da renda seja bem sucedido.
E sem questionamentos, pois tem o apoio popular e do congresso.

Mas a minha resposta, o "Sim" , apesar de bem analisada, não foi a da maioria.
Vejam as respostas:

  • Sim. Acredito que é possível uma alternativa ao capitalismo. 33%
  • Não. Essa teoria baseada no amor ao próximo não se sustenta na vida real. 67%
Total de votos: 499

E não foi a vencedora por que os que votaram aceitaram a forma do organizador do site argumentar: "Essa teoria baseada no amor ao próximo não se sustenta na vida real."

Para estas pessoas, o "Sermão da Montanha" é utopia!
A crítica não poderia ser mais àquela feita ao socialismo cubano, que precisou ser instalado à força. Nem ao chileno, de Allende, que não conseguiu se manter no poder.

Seria uma utopia por que a "teoria do amor ao próximo", segundo os votantes, não se sustentaria na prática cotidiana!!!!

O nosso mundo é o Reino de Mamon!

Mas Jesus disse que não se pode adorar, render culto à dois senhores. Pois das duas uma, ou se amará a Deus e odiará a ganância ou vice versa.

E eu acredito no que disse Jesus!

Acredito que o presidente da Venezuela, com todo o seu jeito exagerado, é portador de uma nova visão do socialismo. Ele vai, provavelmente obter o que o saudoso Salvador Allende não obteve: o sucesso com a via democrática do socialismo.

Não houve revolução! Não houve morte! Não houve paredon! Não houve prisões políticas, perseguições, deportações, exílios, fugas em massa. Não houve nenhum sinal negativo, só a reação indignada dos poderosos contra a perda de seus privilégios.

Por isso, acredito que o Sermão da Montanha não é utópico! Acredito que uma nova era será proclamada e que nesse novo tempo, aquele tem "dois" cederá a quem tem "nenhum" e que será um crime ter "três ou mais".

E o mundo começará, assim, a sua regeneração!
Vi novos Céus e nova Terra!
Vi um mundo renovado, sob um novo mapa celeste!
E o leão e o cordeiro passearão juntos!


sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Coincidências não existem!

Na quarta feira última, no Culto do Lar, um filho me fez uma pergunta: se as emoções eram inferiores aos sentimentos.

A resposta veio num átimo, sem que desse tempo para o raciocínio se elaborar. Não! eu disse. Muitas vezes estamos num momento de emoção equilibrada, mas com o sentimento contaminado. De outras vezes manchamos nossa emoção, mas nem por isso, vamos deixar de ser quem somos em nosso sentimento profundo.

A emoção, em seus melhores momentos não chega a nos santificar e nem tampouco nos seus piores, pode nos condenar totalmente.

É por isso, concluí, que é preciso educar nossas emoções e desenvolver os nossos sentimentos.

Hoje, Glenda falou na Escola Jesus Cristo, sobre a Parábola das Dez Virgens, principalmente sobre a necessidade de vigiar, estar alerta, para não correr o risco de sermos levados por uma onda mental negativa.

Confesso, que eu estava me deixando contaminar por emoções descoordenadas com a divina mensagem.

Quando escutei Glenda a falar sobre a responsabilidade do Espírita, veio-me a mente o que eu mesmo explicara aos meus filhos na quarta fiera anterior.

Coincidências não exitem! Deus é que me sustentou com duas mensagens de Fé e de Esperança, que materializam-se pela Caridade.

A Paz de Deus para todos, principalmente nos dias de Momo, quando estranhos portais abrem-se em nossa já tão conturbada humanidade.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

QUASE SUICIDA - Emmanuel

QUASE SUICIDA
Emmanuel

Quase suicida.
Sentimos-te o passo, à beira do precipício.
Caindo quase.
Entretanto, estamos aqui buscando-te o coração para o reequilíbrio.
Ninguém te pode medir a dor, mas urge reconhecer que por mais que soframos, há sempre alguém na travessia de obstáculos maiores. Abandona a idéia que te induz à própria destruição e medita. Ainda há sol bastante para ser esperado amanhã, tanto quanto surgiu hoje. Nem todas as estradas se fecham de vez no trânsito da vida. E por mais anseies pelo fim, a morte é ilusão. No trabalho e no repouso, na luz e na sombra, dentro do dia ou da noite, achamo-nos naquilo mesmo que fizemos de nós. Não alargues, por isso, as feridas mentais que porventura carregues, acumulando cargas inúteis de aflição, porque além da cela corpórea de que pretendes afastar-te, reconhecer-te-ias simplesmente com tudo aquilo que fizeres de ti.
Recorda: a sabedoria da vida que regenera a erva mutilada tem remédio igualmente para qualquer de nossas dores. Ergue-te do vale conturbado das próprias emoções e larga para trás o nevoeiro da negação e da dúvida.
Segue adiante.
O trabalho salvador te espera o pensamento e as mãos. Escuta. O gemido de um enfermo relegado ao desamparo ou o choro de uma criança sozinha te apontam aqueles que te aguardam a presença amiga como sendo a de um anjo com o divino poder de auxiliar.
Avança mais um tanto. A natureza materna conversará contigo pelo inarticulado da observação no silêncio. As árvores te falarão do prazer de ofertar os próprios frutos e a semente a renascer do claustro da terra te dirá que não há morte.
E quando a noite se te descobre, ante a jornada, os astros refletidos em teu olhar proclamarão por dentro de ti mesmo que força alguma te poderá despojar da condição luminosa de criatura de Deus.

" Caminhos de Volta" psicografado por Francisco Cândido Xavier

sábado, fevereiro 10, 2007

LULA deu opinião que é um mote para o Espiritismo

No Folha on-line, Lula deu uma entrevista, sobre a morte brutal do menor João Hélio

Fernandes, 6 anos, que morreu no Rio, após ter sido arrastado por sete quilômetros no assalto na zona norte do Rio de Janeiro. O Presidente questionou entre outras coisas, a idéia de que a violência tenha por causa, unicamente, a questão social.


"Os Estados Unidos, onde o problema da distribuição de renda não é problema, jovens matam dezenas de jovens em uma escola. Na Rússia, onde o problema da educação não é problema, jovens invadem escolas, seqüestram alunos, matam alunos. No Brasil, gente de classe média entra em cinema, atira e mata pessoas.", disse o Presidente.

Observamos dados estatísticos de criminalidade infanto-juvenil nos Estados Unidos, que são alarmantes. Lá, os menores são julgados e presos, mesmo sendo de classe social privilegiada. Na Rússia, onde o nível cultural é invejado por muitas culturas ocidentais, paralelamente, há a criminalidade entre jovens.Sendo assim, não seria razoável admitir somente uma causa social ou psicológica para o problema da criminalidade crescente nas faixas etárias baixas.


"Esse conjunto de barbaridades que envolve o comportamento humano hoje, nós não resolveremos aumentando a punição" , disse Lula reconhecendo que a simples redução da maioridade penal não seria a solução do problema. Seria antes uma solução apressada, emocional e gerada a partir de análises equivocadas. Um país que não oferece oportunidades ao jovem não pode puni-lo.

Entretanto, se não bastam as proposições educacionais e nem a melhoria do nível do Índice de Desenvolvimento Humano, quais seria as melhores propostas para o problema real?

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A questão não é solucionada de modo simplista. Não pode ser reduzida à pauta socio-econômico-política. Não pode contrapartida ter uma explicação puramente com bases freudianas. Abre espaço para um novo tema: a Reencarnação!

Com a a visão da Complexidade , a introdução do paradigma reencarnacionista, observando o fenômeno por outro prisma, simultaneamente, enriquecerá a análise, que será mais respeitada, isto é, pode-se abordar o tema com mais prudência e equidade.

Na visão reencarnacionista, o escândalo foi necessário. A barbaridade aconteceu para restabelecer o equilíbrio de conta corrente espiritual do ser que a sofreu. Sem adentrarmos em possibilidades, aceita-se que não há injustiça na Lei de Deus.

E quanto aos autores, acredita-se que , respeitando o livre arbítrio, não eram a cometer o ato louco. Não foram por ninguém constrangidos à tal perversidade. Ao tomarem, todavia tal decisão, a Lei de Deus comprime o seu mal constrangendo-o a agir em favor da Lei. Isso nos é explicado de modo bem sucinto e didático por Pietro Ubaldi em A Lei de Deus.
Por isso o mal é limitado, pois os seus efeitos sempre são subordinados a uma necessidade da lei de causa e efeito universal.

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"Mas, ai daquele por quem venha o escândalo", disse o Mestre. No entanto, isso de forma alguma livra os criminosos da culpabilidade do seu ato bárbaro.

O pequeno João é um herói! Resgatou seus débitos de modo corajoso, valoroso, honroso.

Os pobres seres que praticaram a infâmia, iniciam para si um drama cósmico que não se sabe até onde e quando durará. Mais do que em qualquer outra época da humanidade a oração faz-se necessária e imprescindível.

domingo, fevereiro 04, 2007

LEI DE ADORAÇÃO

LEI DE ADORAÇÃO

Pregação do domingo 04 de fevereiro de 2007

Flávio Mussa Tavares

"Em que consiste a adoração?

Na elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração,

aproxima o homem a sua alma."

Livro dos Espíritos, questão 649

A Prece

O Senhor da Verdade e da Clemência

Concedeu-nos a fonte cristalina

Da prece, água do amor, pura e divina,

Que suaviza rigores da existência

Toda oração é a doce quinta-essência

Da esperança ditosa e peregrina,

Filha da crença que nos ilumina

Os mais tristes refolhos da consciência.

Feliz o coração que espera e ora,

Sabendo contemplar a eterna aurora

Do além, pela oração profunda e imensa.

Enquanto o mundo anseia estranho e aflito,

A prece alcança as Bênçãos do infinito,

Nos caminhos translúcidos da crença.

João de Deus, Parnaso de Além Túmulo, psic.F. C.Xavier

Meus irmãos antes de iniciar o estudo do tema da Oração é preciso que eu explique o por quê deste estudo. Estamos no ano do sesquicentenário da Codificação Kardequiana e do lançamento de O Livro dos Espíritos. Quando do seu centenário, em 1957, meu Pai, Clóvis Tavares, mandou erigir esta pedra que se encontra na frente de nossa Escola, que é um dólmen, um monumento celta, em homenagem ao druida Allan Kardec. Precisamos , nesta celebração dos 150 anos, se não temos condição de homenageá-lo como meu Pai o fez, com a pedra e com a publicação de belo artigo no jornal A Cidade, inserido no livro póstumo Sal da Terra, é possível que passemos este ano comentando os pensamentos de Clovis Tavares sobre o Livro dos Espíritos. E valemo-nos de um presente da filha de D. Leda Diniz Nogueira que nos ofereceu uma cópia das anotações de aula de sua saudosa Mãe, palestrante de nossa Escola Jesus Cristo e aluna constante das aulas de Clóvis.

É preciso confessar também que escutei de uma pessoa de outra denominação, certa vez que haveria em sua igreja uma semana de adoração. Quando ela me falou isso, despertou-me um certo incômodo, pois há uma capítulo das Leis Morais em O Livro dos Espíritos, chamado Lei de Adoração! E por que nós espíritas não somos adeptos da Adoração?

A resposta da questão 649 é clara, elevamo-nos a Deus e aproximamos nossa alma da Dele.

Elevamo-nos pela razão e aproximamo-nos pelo coração.

É preciso concentração de nosso pensamento para podermos orar a Deus. É preciso focalizar a nossa mente em um ponto único. Somos vítimas do déficit de atenção, hoje propalado abertamente como distúrbio que acomete tanto a crianças como jovens e até mesmo adultos. vivemos dispersos, desconectados de nossa fonte. Vivemos fazendo muitas coisas e não completando nenhuma. Corremos, num nervosismo, numa pressa, numa hiperatividade de nossos sentidos e de nossos pensamentos de tal forma avassaladora, que mal temos tempo para orar...

Para orar é preciso silêncio. Um obstinado silêncio, como nos disse Jean Guitton, biólogo e filósofo católico francês, preocupado com os rumos do artificialismo e do hedonismo do final do século XX, quando ele desencarnou.

Deus é o centro. Nós somos a periferia. Orar é não apenas elevar o pensamento, mas concentrar-se Nele. Nossos erros afastam-nos no centro gravitacional da vida, direcionando-nos para a periferia e aumentando a nossa angústia existencial, tornando-nos dispersos e despreocupados.

Concentrar nossa mente, é exercício constante que exige força, coragem e determinação.

A oração é a respiração do espírito e como tal consiste na inspiração, que é a assimilação de Deus adentro de nós e da expiração que é a desintoxicação de nossa alma do dióxido de carbono psíquico que nos envenena na degradação de nosso materialismo.

As preces, sejam de louvor, rogativa ou agradecimento, é preciso que sejam concentradas e humildes. Segundo Santo Agostinho, se nós pedimos coisas más (petimus mala) nós não somos atendidos. Coisas que nos degradam mais, que aumentam nosso egoísmo. O rico da parábola se angustiava com a sua falta de celeiros para guardar sua supersafra. A burguesia se angustia com a falta de espaço em casa, nos armários, pra guardar sapatos e roupas. Outras vezes onde investir o dinheiro. E queremos que Deus nos ajude a resolver a nossa angústia paganizada e egoística. Essas preces não são ouvidas.

Se pedimos de modo errôneo (petimus male) , isto é com gritaria, com erudição, com orgulho, com falsidade, também não somos justificados, como o Fariseu da Parábola.

Se pedimos e não corrigimos nossas atitudes de vida, isto é continuamos maus, invejosos, cobiçosos, maliciosos, duros de coração, impiedosos, ( petimus mali) não recebemos também a justificação, que é a resposta de Deus às nossas preces.

E sabemos, por intermédio de André Luiz, que os espíritos inferiores que nos rodeiam, nos espreitam, de modo insidioso e oportunista, esperando nosso momento de invigilância, atuam numa área específica de nosso cérebro que é a córtex cerebral. A córtex é a área que refreia o nosso comportamento repetitivo e incoerente, de modo que uma vez reprimido por ação de obsessores, somos vítimas das obsessões compulsivas, repetitivas, fazendo de nós autômatos de seres poderosos que passam a governar nosso sentimento.

Clóvis Tavares, ensinava aqui nesta Escola um método de nós nos livrarmos dessas obsessões simples. São simples, por que é essa a denominação de Allan Kardec no Livro dos Médiuns.São simples por que é possível que percebamos em nós os sinais. Desde a impaciência, a pressa, o nervosismo, a irritação, como nos lembra o espírito de Scheila, já estamos começando a nos tornarmos vítimas de outras mentes.

E a obsessão é simples, por que é fácil de começar. Jesus advertiu a Pedro que o espírito perverso estava querendo dominá-lo, mas só não o fazia por causa Dele, Jesus ao seu lado. E nós? Estamos orando para nos livrarmos das tentações? Vigiar e Orar, temos agido assim?

Mas esta obsessão simples é simples tanto para nos atingir, como para também sermos curados. É simples. Sentimos sua aproximação. E temos que ouvir os nossos próximos, os maridos escutar as críticas e conselhos de suas esposas e vice-versa. Também os namorados, os irmãos, os amigos, os colegas de escola e trabalho. Os próximos mais próximos nos avisam de que estamos irritadiços e impacientes.

E tão simples é a auto-desobsessão, que como diz o nome, podemos exercitá-la diariamente. Consiste na leitura à noite, em voz alta, de uma página aleatória de O Evangelho Segundo o Espiritismo e depois fazer a oração que Jesus nos ensinou O Pai Nosso. Fazer lentamente, concentradamente. Refletindo nas palavras que se diz. Respirando profundamente a cada frase dita. Inspirando o oxigênio e expirando o dióxido de carbono. Inspirando a palavra de Deus, e expirando o paganismo, o egoísmo, as vaidades, as nulidades da vida mundana. Repetir algumas frases como: Não nos deixe cair em tentação e livra-nos de todo o mal!

Não nos deixe cair em tentação e livra-nos de todo o mal!

Não nos deixe cair em tentação e livra-nos de todo o mal!

Não esquecermos também da oração coletiva que segundo Clóvis Tavares é uma força de vibração do grupo, é um pensamento congregado, como em Nosso Lar às 18 horas.

Segundo Gandhi, a oração deve ser a chave do dia e o ferrolho da noite. Somos cercados por uma nuvem de testemunhas segundo o apóstolo Paulo e nesse terreno espiritual infecto em que vivemos é essencial que busquemos a higiene, a assepsia do espírito.

Que Deus nos ampare, nos sustente, protegendo-nos das obsessões, e que nós, com fé, esperança e através da caridade, busquemos com sinceridade o Reino de Deus e Sua Justiça, para que sejamos ajudados por Ele.