quinta-feira, novembro 02, 2006

Palestra do Dia de Finados Por CLÓVIS TAVARES

Palestra do Dia de Finados Por CLÓVIS TAVARES em 01/11/ 1981

Esta palestra e outras estarão em breve compondo
o livro ROCHA DOS SÉCULOS, que serão palestras
de Clóvis Tavares, reproduzidas no formato escrito. (FMT)


Estas notas da libertação são lembranças, estímulos na comemoração espiritual, singela, de coração para corações e de almas para almas, entre nós, recordando aqueles que recordamos sempre, recordando aqueles que estão na nossa memória, na memória do coração todos os dias da vida, e não somente um dia do ano.
Marcelo Gama foi um poeta gaúcho que viveu no final do século passado e morreu justamente em 1915, por um acidente no Rio de Janeiro. Marcelo Gama sofreu uma morte dolorosa, venceu tudo isso - as dores de além túmulo, padecimento, reajustou-se e nos traz uma palavra de beleza e de esperança:

Para quem ama e trabalha
a morte em si vem a ser
uma luz lembrando um dia
no instante do alvorecer

Que beleza! A morte não é aquela trágica noite, noite de fantasmas, noite de terror, noite de bruxas das lendas medievais. Marcelo Gama, que sofreu e que partiu entre dores da Terra, nos traz uma palavra de beleza e de esperança: “Para quem ama e trabalha” - quando os espíritos falam trabalho, lógico que eles falam em trabalho espiritual, a participação nossa, de cada um de nós, no trabalho do nosso Pai celestial. Jesus, aos doze anos, já estava em trabalho, e disse à Maria, sua mãe, que o procurava: “Não sabias que eu estava cuidando dos negócios do meu Pai?” Para aqueles que trabalham desde a infância, ou desde a adolescência, ou desde a juventude, ou mesmo na idade mais avançada, da maturidade ou da velhice, aqueles que pensam nos trabalhos espirituais, nos negócios do Pai, para estes a morte lembra “um dia no instante do alvorecer”. Para quem ama o trabalho, “a morte em si vem a ser uma luz lembrando um dia no instante do alvorecer”.
Noel de Carvalho, outro poeta destes que a literatura, a história da literatura oficial chama de “poetas menores” nos traz uma beleza maior:

Morrer é buscar na vida
nova forma em nova estrada
o corpo deixado ao mundo
é apenas roupa estragada.

É por isso que eles são chamados “poetas menores”, porque eles falam com a simplicidade do coração e todos entendem. Ele não querem mostrar que esse corpo tão pesado, esse corpo tão embonecado, tão embelezado, esse corpo que as pessoas querem conservar, e até usam processos químicos, imaginando descobertas cientificas futuras, querem deixar os corpos congelados em grandes urnas, a centenas ou milhares de graus abaixo de zero, esperando uma futura descoberta científica que possa restituir a vida ao corpo físico, à “roupa estragada”, uma idéia de perpetuar a vida física, um apelo tremendo ao corpo físico, uma idéia de que este é o corpo e este corpo é a vida, e o homem é o corpo e o corpo é o homem, e cada vez mais cuidados com o corpo. Quem não tem cuidado nenhum com o pensamento, com a alma, com o coração, com o sentimento, faz check up, na idéia de conservar a vida - ou como diz André Luiz, com uma palavra irônica mas bem verdadeira – “lutando bravamente contra a velhice”. Em nossos tempos são sempre cirurgias plásticas de mil coisas, de mil loucuras, de mil comércios, inclusive comércios que prejudicam a saúde física. A força de querer embelezar e conservar e eternizar uma roupa que se estraga

Jésus Gonçalves, amigo tão ligado à nossa Escola Jesus Cristo, como já falei tantas vezes, dá sua palavra, sua nota, sobre a grande libertação que é a morte:

A morte lembra viagem
rumo a júbilos distantes
para quem paga o pedágio
de serviço ao semelhante.

É muito bela a alegoria, a imagem. Ele lembra que a morte leva a “júbilos distantes”. Por isso é que muita gente não crê, porque as alegrias ainda estão longe, não são visíveis, não ouvimos o leve ruflar das asas dos anjos, nem ouvimos o som dos risos, nem a beleza das luzes, nem as músicas distantes, belas, puras, das regiões celestes. Por isso não cremos nestas alegrias espirituais. Nós vivemos aqui, sufocados pela injúria do materialismo que domina tudo, e não sentimos, não temos olhos para ver, não temos ouvidos para ouvir as belezas dos planos mais elevados. Mas diz São Paulo: "O que os olhos nunca viram, os ouvidos não ouviram, o coração humano nunca sentiu, Deus preparou para aqueles que O amam". Vede que beleza de imagem, que esplendor de promessa, que garantia de vida eterna nos dá o grande apóstolo da gentilidade! Aquilo que os olhos nunca viram, que os ouvidos nunca ouviram, e que nunca subiram ao coração do homem são as que Deus reserva para aqueles que O amam. É o que nos lembra o nosso querido Jésus Gonçalves: “a morte lembra viagem rumo a júbilos distantes”, a coisas que nunca vimos. Para quem paga o pedágio do serviço aos semelhantes, para quem sai da casca do egoísmo sórdido e amesquinhado e abre os braços como Cristo de braços abertos na grande estátua do Corcovado - que causou admiração êxtase do Professor Pietro Ubaldi, que quando viu Cristo de braços abertos, disse: “Este é o meu Cristo, este é o Cristo que eu amo, o Cristo de braços abertos para todos, para abraçar a todos, para amar a todos”.

É isto que nos espera se nós pagarmos o pedágio da fraternidade, a pequena contribuição da bondade humana, de um gesto fraterno, de um carinho para quem nunca recebe carinho, de uma palavra de ternura para o solitário, para o triste, e um gesto de fraternidade para os humilhados, para os ofendidos de amor, para o simples, para os pobres, para os que vivem esquecidos e abandonados, para os solitários da estrada humana, este é o pedágio de que fala Jésus Gonçalves.
Nosso bom amigo Lúcio Teixeira, poeta gaúcho, nasceu em 1858 e faleceu no Rio, em 1926. Foi grande jornalista, grande publicista, profundamente interessado em assuntos espirituais. Escreveu obras científicas sobre o magnetismo, era um homem de cultura polimórfica, cultura imensa, e um grande coração. Diz Lúcio Teixeira sobre a morte:

Observa,
se te declaras descrente,
a fala da eternidade
na vida de uma semente.
Aqui havia uma árvore, não há mais uma árvore? Há sim. É que nós não estamos vendo a árvore que deixou de existir, que morreu ou foi cortada. Ela já se multiplicou muito e muito em centenas de outras árvores. Ela vive. Assim é a nossa alma nas sementeiras das vidas sucessivas, nossa alma na multiplicação das experiências múltiplas, das múltiplas encarnações terrestres. É a vida eterna, a beleza da semente que revive sempre, a semente que revive guardando a beleza da espécie aqui, ali, acolá, em outros cantos, em outras covas da Terra. Nós também, como sementes divina que somos, voltamos à Terra muitas vezes. Nos multiplicamos, nascemos e renascemos com a força viva e eterna da semente. Cada um de nós é uma semente da vida plantada no solo da eternidade.
Observa,
se te declaras descrente,
a fala da eternidade
na vida de uma semente.

Meimei, nossa querida amiga espiritual, muito amiga e companheira de longas jornadas:
Entre aqueles que se amam
a morte aparece em vão
pode plantar a saudade,
mas nunca a separação.
Que meiguice desta alma, que já nós sabemos tão carinhosa, tão amiga das crianças no plano espiritual! Alma que abriu em vida - e também depois da morte - seus braços amigos para o amor das crianças, para auxiliar os pequeninos. Deixou familiares na Terra e lá continua trabalhando, trabalhando e trabalhando, com todo carinho, e uma parte do seu carinho, muito de seu carinho, ela dedica à nossa Escola Jesus Cristo. Veja que beleza de palavras de esperança!
Entre aqueles que se amam
a morte aparece em vão
pode plantar a saudade,
mas nunca a separação.
Augusto Comte nas dizia que “os mortos não estão mortos, mas sim ausentes”. Ele não acreditava na imortalidade da alma, ele fala isso no sentido subjetivo, tão subjetivo como quando falou que “os vivos são sempre e cada vez mais governados necessariamente pelos mortos”. Falava isso na lembrança dos nossos antepassados, daqueles que eram antes de nós e nos legaram a sua experiência, o seu valor, a sua sabedoria. Era no sentido subjetivo que ele falava. Mas o grande Victor Hugo, que foi espírita, modificou o conceito de Comte e disse: “os vivos não são ausentes, são apenas invisíveis”. E sem querer de forma alguma desrespeitar a expressão lapidar do grande romancista e grande poeta francês, nós diríamos: invisíveis, mas não sempre, porque às vezes eles se tornam visíveis. O fato é que nunca estão ausentes. Para Comte, “os mortos não estão mortos, estão ausentes”. Para Victor Hugo, “não estão ausentes, estão invisíveis”. Nós dizemos: “quase sempre invisíveis, mas sempre presentes”. Por isso Meimei nos fala assim:
Entre aqueles que se amam
a morte aparece em vão
pode plantar a saudade,
mas nunca a separação.
Eles estão sempre conosco, nos ajudando e nos protegendo. Podem estar a milhares de léguas de quilômetros de distância, mas o pensamento nos une. O pensamento é mais veloz que a luz, que viaja a mais de trezentos mil quilômetros por segundo. Eles estão presentes sempre, nas suas admirações, na sua proteção, no seu amor, que envolve e garante a cada um de nós a sobrevivência no mundo feroz, num mundo cruel, naquilo que o Professor Ubaldi chamou com muita razão de inferno terrestre. Se o poeta Amaral Ornelas diz assim, lembrando da Santa Mãe: “Ai do mundo se não fora a vossa missão de amor!”, nós também poderíamos dizer, parodiando o grande poeta: “Ai de nós se não fosse o amor dos espíritos, ai de nós se não fosse a proteção dos bens amados que já partiram, ai de nós se eles não velassem por nós pelo amor de Jesus Cristo, ai de nós se eles não fossem os anjos de Deus que nos amparam com suas asas de amor e proteção, ai de nós sem eles!”

Sílvio Fontoura - os mais velhos dentre nós certamente se lembram dele - fundador e diretor de um jornal que ainda circula, “A Notícia”, velho jornalista, grande poeta, polígrafo, conheceu o espiritismo. Embora não se tivesse dedicado a ele, tem escrito, por Chico Xavier, inúmeros e inúmeros versos, e tem trazido para psicografia de Chico outros campistas e outros amigos de nossa região Norte Fluminense para integrá-los no mesmo trabalho de difusão da Grande Luz. Eis o que diz Sílvio Fontoura, o nosso poeta campista:
Toda pessoa na Terra,
nesse ou naquele caminho,
nasce, cresce, vive e luta
morrendo devagarzinho.
É bom pensar: nossa Mãe Santíssima, quando ouviu as palavras do anjo, diz o evangelista Lucas, “guardou todas aquelas palavras, meditando-as no seu coração”. Vale a pena, é o nosso dever, apanhar todas essas palavras angélicas, estas palavras de benção espiritual, essas palavras de esclarecimento e de esperança e conferi-las no coração, guardá-las no coração ou, como dizem outras traduções do Novo Testamento, meditá-las em nossos corações. É bom pensar nisso, vale a pena, porque assim como lembra Carmem Cenira, nos grandes versos do “Parnaso de Além Túmulo”, nós não seremos apanhados pela morte como se apanha uma ave na floresta, como o caçador mata um passarinho na floresta. O passarinho está quietinho, lá num galho de árvore, o tiro o acerta e ele cai. É bom pensar, para não sermos vítimas de uma morte inesperada, para a qual estejamos, como tanta gente está, despreparados. Toda pessoa na Terra, nesse ou naquele caminho, no caminho do bem ou do mal, nasce, cresce, vive e luta morrendo devagarinho. Os biologistas, os cientistas de hoje, dizem que o homem começa a morrer na hora em que nasce, que o processo catabólico, o processo de dissolução, por mais incrível que isto seja, nasce com o anabolismo. É o metabolismo da vida, que é assimilação e desassimilação. A gente está crescendo, subindo e crescendo, mas já está começando a morrer - é o que cientificamente nos diz Silvio Fontoura.

Auta de Souza, nossa querida Auta de Souza, poetisa do Rio Grande do Norte, que desencarnou no início deste século, em 1901, portanto há 80 anos, nos fala aqui da sua experiência. Ela, que foi tão sofredora na Terra, nas lutas do dia-a-dia:
Caridade é o passaporte
para as mansões
da alegria que brilham
depois da morte.

Se Jésus Gonçalves fala em pedágio, Auta de Souza fala em passaporte. O que vem em duas alegorias, em duas imagens, significar mais ou menos a mesma coisa: esse passaporte é o amor, significando o direito de trânsito livre, trânsito aberto, sinal aberto para as mansões de alegria que brilham depois da morte. Nós sabemos que na casa de nosso Pai há muitas mansões. Quando Cristo disse “Na Casa de Meu Pai”, quis dizer que o Universo é um imensíssimo palácio de Deus. Ele certamente teve, na sua visão, o quadro dos palácios dos reis do Oriente. Aquele palácio imenso do rei, e em torno do grande jardim real, o jardim que envolvia o palácio real, aquelas mansões, aquelas casas imensas, bonitas, embora menores, mas bonitas, para os príncipes, para cada um dos filhos do rei. A visão magnífica daquele palácio imenso, o palácio real, a casa do pai, do rei, e, em torno, mansões e mais mansões para os príncipes. Essa é a imagem tirada de um quadro da Terra, de um quadro do Oriente, mas muito mais belo na imagem, no pensamento e na realidade espiritual que Jesus Cristo, nosso Mestre, nosso Senhor, nos traça, nos mostra e nos promete: “Na casa do meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar”. Noutras traduções: “Na casa de meu Pai há muitas mansões”. O Pai é o Grande Rei do Universo e “há muitas mansões”, não somente para alguns príncipes, mas para todos os Seus filhos, porque todos nós somos príncipes de Deus, cordeiros de Deus, como diz São Paulo. Todos somos herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, o grande filho, o filho unigênito de Deus.
Então, meus amigos, não é orgulho, não é prosápia, não é vaidade. É nós darmos valor ao status que Deus nos deu. Não ao status do mundo, não às posições idiotas do mundo, conseguidas, muitas vezes, pela hipocrisia, pela falsidade, pelas mordomias, pelas bajulações nojentas, mas o status que Deus nos dá: filho d´Ele, herdeiro d´Ele e co-herdeiro de Cristo. Isso é que é status, porque é dado pelo Criador do Universo, sem que nós precisemos mendigar coisa nenhuma a César, nem aos poderosos da Terra, nem aos exploradores dos homens, nem aos gananciosos do direito alheio, nem aos escravizadores do povo, nem aos massacradores dos infelizes. É Deus que nos dá essas riquezas. “Na casa de meu pai há muitas moradas”, “eu vou preparar-vos um lugar”. Nós somos príncipes de Deus. O Apocalipse diz: “Nós somos sacerdotes do Grande Rei”. Temos tantos títulos maravilhosos, que Deus nos dá de graça, sem mordomias sujas e porcas da corrupção terrestre.
Vêm aí as eleições. Muitos vão dar pérolas em forma de votos aos porcos esquecidos da nossa condição de filhos de Deus, nosso grande título de herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, nosso grande status, nossa glória! Esquecemos o melhor da vida para valorizar somente os titulozinhos, os poderezinhos, as glórias terrenas, as vaidadezinhas de um dia terrestre, que passa rápido. É uma loucura! Por isso um anjo de Deus chamou a um homem que queria grandezas na Terra: “Louco! Hoje mesmo virão pedir a tua alma! E aquilo que juntastes no mundo, para quem será?” Os anjos de Deus chamam essas pessoas de loucas! Não sou eu quem está chamando. É o anjo, na parábola de Cristo. Aquilo de querer juntar, enriquecer e derrubar celeiros, fazer maiores! E o anjo lhe disse: “Louco! Hoje mesmo virão pedir a tua alma! E aquilo que juntaste no mundo, para quem será?” Para os herdeiros brigarem? Os ódios se estabelecem e o pobre idiota fica nas trevas infernais, esquecido dos que ficaram, odiado pelos que ficaram, xingado pelos que ficaram. Que adiantou o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Este é o grande problema, um problema de cálculo, de valorizar as coisas, de entender o valor, de ter o critério dos valores, o conhecimento dos valores, não subornar os valores, de não emboscar os valores da vida. “De que adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”

Oscar Batista foi mineiro de nascimento, mas viveu aqui bem perto de nós, em São Fidélis e em Cambuci. Desencarnou em 1951. Que surpresa para mim quando, há uns poucos anos, fui, a convite de confrades, assistir à inauguração de um orfanato chamado Oscar Batista. Eu conheci Oscar Batista por essas quadras que Chico vem recebendo há muito tempo. Agora imaginem, meus irmãos, a minha alegria, quando depois de terminada a palestra em que eu falei também sobre Oscar Batista e li umas quadrinhas dele e, terminado tudo, aproxima-se de mim um jovem já maduro, e ao me abraçar, com lágrimas nos olhos, diz assim: “O senhor não me conhece, eu sou daqui de Cambuci. Sou filho de Oscar Batista, filho do lugar onde, com alegria, este Oscar Batista tanto trabalhou e lutou!” Esse nosso amigo, desencarnado desde 1951, portanto há 30 anos, nos diz sobre a morte:

Semeia bênçãos de amor
vive sempre atento a isto:
feliz o trabalhador
que a morte encontra em serviço.
Que beleza! Sempre servindo! Nós somos chamados, por São Paulo, cooperadores de Deus. São Paulo usa muito isso – cooperadores. Que quer dizer cooperador? Cooperador quer dizer aquele que trabalha junto de alguém, com alguém. Que glória a nossa! Mais um título que não foi conseguido à custa de lambuja, de hipocrisia humana nem de bajulações aos poderosos, aos barões, aos chefões, aos mafiosos. Título que Deus nos dá - cooperadores de Deus. Disse Cristo: “Deus trabalha sem cessar e eu continuo a Sua obra”. São Paulo vem e diz que nós somos cooperadores de Deus! Deus trabalha e nós trabalhamos com Ele!
Meus amigos, já estamos com tantos títulos maravilhosos! Filhos de Deus, príncipes de Deus, sacerdotes de Deus, cooperadores de Deus, herdeiros de Deus! E andamos ainda querendo bajular mais coisas? Para sujar a nossa alma? Sujar das mãos sujas dos barões imundos, das mordomias e das corrupções políticas e administrativas do mundo? Gente podre espiritualmente, má, perversa, castradora, maldosa, opressora, esmagadora dos humildes, dos pobres, dos humildes de coração, dos pacíficos? Inimigos de Deus, gente do anti-Sistema, das forças do mal! E Cristo nos convida: “Vinde a mim a todos vós, que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei!”, “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas”, “Tomai sobre vós o meu julgo, porque o meu fardo é leve e meu jugo não é pesado”. É verdade que ele nos dá um jugo, uma direção, uma teoria, mas não é pesado isso! Pesado é o jugo do mundo, que massacra. Como diz nas “Grandes Mensagens”, recebidas por Pietro Ubaldi, “O mundo parece semear rosas, mas na verdade semeia espinho. Eu lhes ofereço espinhos, mas ajudarei a colher as rosas”.
Semeia bênçãos de amor
vive sempre atento a isto:
feliz o trabalhador
que a morte encontra em serviço.
Gil Amora, outro poeta também desconhecido, mas cheio de beleza nas suas mensagens:
Para quem viveu amando
a humanidade sofrida
a morte quando aparece
é o grande prêmio da vida.
Vejam, meus amigos! A morte é o grande prêmio da vida as pessoas. Querem prêmios? Loterias? Concursos para ganharem coisas? Até os livros agora vêm com propaganda de prêmios, ciclos de livros, prêmios, prêmios, cinco chevrolets, tantas geladeiras, prêmios, todos querem prêmios, tudo vem com prêmios! É o chamariz para as compras, para o comércio. Prêmios, prêmios, prêmios e todos se esquecem que o grande prêmio da vida é justamente a morte. Aquilo que o poeta Manuel Bandeira - que não teve a felicidade, em vida terrena, de conhecer as coisas espirituais embora fosse uma bela e grande alma - Manuel Bandeira chamou “a indesejada das gentes”. O grande prêmio da vida é a indesejada da gente, é aquela que ninguém quer, é aquela que muita gente fala: “Pára de falar em morte, pára com isso, você está fúnebre, você está com uma cara fúnebre, só fala em morte, pára, por favor, de falar em morte que eu já não agüento mais!” A pessoa fica nervosa, dá escândalo, dá chilique, “Pára com história de morte que eu não agüento mais! Pelo menos em minha presença, pára com essas histórias! Eu não acredito nisso, pára com isso! Vamos falar na vida, na alegria, nos prazeres da vida! Pára com morte!” E a voz imperativa do machão dominador, do marido massacrador, do homem sem “Complexo de Cronos” na cabeça e no coração diz: “Pára, pára de falar nisso!” E deixou de ganhar o grande prêmio da vida, “a indesejada da gente”, na linguagem de Manuel Bandeira.
Para quem viveu amando
a humanidade sofrida
a morte quando aparece
é o grande prêmio da vida.
Para terminar, que o relógio assinala, Maria Dolores, nossa querida Maria Dolores, a grande poetisa baiana, amiga das crianças, sendo casada e não tendo filhos do seu matrimônio, adotou crianças, e sempre crianças e mais crianças! Que belíssimo exemplo! Algumas filhas são hoje professoras de sociologia nos Estados Unidos, outras estão lá no Ceará, todas formadas, todas trabalhando, todas abençoadas e guardando o exemplo, o carinho e a saudade da sua grande mãe terrena, Maria Dolores. É dessa grande alma, que eu tive a felicidade de conhecer pessoalmente, na Bahia, a última quadra que eu quero ler. Esta última quadra, esta última nota da grande libertadora:
Quem aceita as próprias lutas
fazendo o bem ao vence-las
recebe a noite da morte
toda enfeitada de estrelas.
Vejam, meus amigos, o que é a morte para os justos, para aqueles a quem a Escritura chama “os justos” - aqueles que vivem nos caminhos de Deus, que aceitam as próprias lutas, as provas da vida, as dores, as confusões, as crueldades da vida, os massacres da vida, o rolo compressor da vida, quem aceita a Grande Palavra.

terça-feira, outubro 31, 2006

Alegoria do amigo importuno

Palestra de Flávio no dia 29 de outubro de 2006, ainda em celebração dos 71 anos
da Escola Jesus Cristo.

Comenta-se aqui os versículos anteriores e os seguintes à Alegoria do Amigo que chega do viagem ou do "Amigo Importuno"
Lucas, 11:
"1. Um dia, num certo lugar, estava Jesus a rezar. Terminando a oração, disse-lhe um de seus discípulos: Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos.
2. Disse-lhes ele, então: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso Reino;
3. dai-nos hoje o pão necessário ao nosso sustento;
4. perdoai-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos àqueles que pecaram contra nós; e não nos deixeis cair em tentação.
5. Em seguida, ele continuou: Se alguém de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,
6. pois um amigo meu acaba de chegar à minha casa, de uma viagem, e não tenho nada para lhe oferecer;
7. e se ele responder lá de dentro:
"Não me incomodes";
a porta já está fechada, meus filhos e eu estamos deitados; não posso levantar-me para te dar os pães;
8. eu vos digo: no caso de não se levantar para lhe dar os pães por ser seu amigo, certamente por causa da sua importunação se levantará e lhe dará quantos pães necessitar.
9. E eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.
10. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá.
11. Se um filho pedir um pão, qual o pai entre vós que lhe dará uma pedra? Se ele pedir um peixe, acaso lhe dará uma serpente?
12. Ou se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á porventura um escorpião?
13. Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem."

Aqui temos que a pregação da necessidade de se insistir no que é bom e correto vir depois de se haver ensinado a oração "Pai Nosso".
E segue-se a alegoria, o "pedi e obtereis" e a certeza de que Deus é providente para conosco!

"... no caso de não se levantar para lhe dar os pães por ser seu amigo, certamente por causa da sua importunação se levantará e lhe dará quantos pães necessita".
É necessário que nós sejamos insistentes na verdade e na tentativa de fazer com que as pessoas saiam de seu comodismo, de sua paralisia espiritual, de seu reumatismo psíquico, da dureza de seus corações.
Pedir por amor de Deus , é muito útil, pois creio que essa parábola nos diz que é bom sermos importunos para pedir o que é certo.
É preciso, se tivermos certeza do que é correto, que tenhamos a coragem de deixar certas pessoas embaraçadas e por isso mesmo compelidas a corrigir a sua conduta. O professor deve exortar seus alunos a corrigir suas trajetórias de vida.
Impelir, impulsionar, incentivar, incitar, induzir, inflamar, instar, instigar, intensificar a vontade das pessoas. Ser insistente com a verdade, é correto diante desta parábola.
É por isso que Clóvis Tavares pedia ardentemente nesta tribuna: "Pelo Amor de Deus, crede no que estou vos falando"
Há aqui um debate entre a providência e a previdência.
O homem é obrigado à previdência e necessitado da providência.
A providência é pouco útil a quem não é previdente.
É possível entendermos o amigo importuno como o homem insistindo em pedir a Deus o de que necessita até obter.
É uma interpretação razoável, pois Jesus mesmo disse que nós somos maus e sabemos dar o necessário aos nossos filhos. Assim, é óbvio que Deus que é nosso Pai, saberá nos dar o melhor.
Mas existe outra conotação do amigo importuno.
Ele chega de viagem.
Ele vem nos procurar à meia noite.
À esta hora, a nossa família já está dormindo e dizemos que nos procure no dia seguinte.
Mas na urgência, ele insiste até que nós lhe abrimos a porta!

Quem é o importuno?
É um amigo.
De onde ele vem?
De longe e está necessitado especificamente de nossa ajuda.
O que é para nós acudi-lo nesta hora?
Um aborrecimento.
Que método ele utiliza para nos convencer?
A insistência.

Quem é o nosso amigo?
Alguém que nos importuna. Que nos tira do lugar. Que nos faz pensar. Que nos induz ao bem. Que nos deixa embaraçados e até envergonhados, quase que constrangendo-nos a fazer o bem.

terça-feira, outubro 17, 2006

É fundada a ESCOLA JESUS CRISTO em Nosso Lar

Homenagem à fundação , por Nina Arueira, da Escola Jesus Cristo, localizada na cidade de Nosso Lar em 17 de outubro de 1935.

DEUS

Para obedecer às leis é preciso compreendê-las e senti-las.
É preciso que elas estejam de acordo com a natureza – porque DEUS é uma natureza “infinita e incriada, que nunca teve princípio e nunca há de ter fim”.
DEUS é uma fôrça infinita, e nós somos cada qual uma fôrça.
DEUS é um credo infinito, e nós somos cada qual um credo.
DEUS é o oceano interminável, e nós somos cada qual um mediterrâneo, nas reentrâncias da terra.
É preciso lutar com as margens povoadas de répteis, e voltar, novamente, ao grande pélago.
É ignorância a obediência cega; é sabedoria a compreensão sem limites.
Creia em si, pois, o homem; o mundo é seu e o viver é seu; expanda-se, porque DEUS está muito além da simples crença e o coração muito além da inteligência; galgue-se o raciocínio, cruzem-se os horizontes, devastem-se os oceanos; afunde-se na crosta; multipliquem-se os esforços, porque DEUS está ainda muito depois do último esforço.

A MANEIRA MAIS HUMANA DE SER FELIZ

Quando virdes utopistas, poetas, falarem na distância que se interpõe entre a felicidade e o homem, quando encontrardes, no volver da vossa vida, peregrinos que se afundam nos vales e se alevantam sôbre montanhas e se esfacelam entre pedras brutas e espinhos pontiagudos, tende compaixão deles e convidai-os, pobres, a volver convosco.
Não é lá que se aloja a felicidade; não é ali e nem em parte alguma; podeis circundar com vossos olhares o ambiente que vos é familiar; o céu que vos é conhecido; não encontrareis vosso ideal de ventura.
Depois de caminhardes, de vencerdes todas as distâncias, sentir-vos-eis fatigados e não vos sentireis felizes.
Mas, caminhai dentro de vosso eu; procurai nos mistérios de vosso espírito; provai os frutos de vossa alma e quando vos conhecerdes bem, e quando tiverdes trabalhando muito dentro de vossa própria atividade, quando vos sentirdes satisfeitos com vós mesmos, sentir-vos-eis, então, sublimemente felizes.

domingo, outubro 15, 2006

UM TRIBUTO À GRANDE TEREZA

Hoje, 15 de outubro é o dia de S. Tereza D´Ávila a grande doutora da Igreja, reformadora, renovadora, inspiradora de muitas almas no seio da Igreja e fora dela, onde tantos a amam e admiram. Meu Pai , Clóvis Tavares a amava profundamente e quem ler MEDIUNIDADE DOS SANTOS, poderá entrar em contato com dados curiosos e marcantes da vida desta missionária e mísitca espanhola que muito nos cala ao coração. Também Chico Xavier , que a chamava "A Grande Tereza" é outro admirador dessa alma de escol.

E para homenageá-la neste deia, vamos apresentar uma sua poesia que é um diamante espiritual.


Vivo sin vivir en mí

Vivo sin vivir en mí,
y de tal manera espero,
que muero porque no muero.

Vivo ya fuera de mí
después que muero de amor;
porque vivo en el Señor,
que me quiso para sí;
cuando el corazón le di
puse en él este letrero:
que muero porque no muero.

Esta divina prisión
del amor con que yo vivo
ha hecho a Dios mi cautivo,
y libre mi corazón;
y causa en mí tal pasión
ver a Dios mi prisionero,
que muero porque no muero.

¡Ay, qué larga es esta vida!
¡Qué duros estos destierros,
esta cárcel, estos hierros
en que el alma está metida!
Sólo esperar la salida
me causa dolor tan fiero,
que muero porque no muero.

¡Ay, qué vida tan amarga
do no se goza el Señor!
Porque si es dulce el amor,
no lo es la esperanza larga.
Quíteme Dios esta carga,
más pesada que el acero,
que muero porque no muero.

Sólo con la confianza
vivo de que he de morir,
porque muriendo, el vivir
me asegura mi esperanza.
Muerte do el vivir se alcanza,
no te tardes, que te espero,
que muero porque no muero.

Mira que el amor es fuerte,
vida, no me seas molesta;
mira que sólo te resta,
para ganarte, perderte.
Venga ya la dulce muerte,
el morir venga ligero,
que muero porque no muero.

Aquella vida de arriba
es la vida verdadera;
hasta que esta vida muera,
no se goza estando viva.
Muerte, no me seas esquiva;
viva muriendo primero,
que muero porque no muero.

Vida, ¿qué puedo yo darle
a mi Dios, que vive en mí,
si no es el perderte a ti
para mejor a Él gozarle?
Quiero muriendo alcanzarle,
pues tanto a mi Amado quiero,
que muero porque no muero.

(Santa Teresa de Ávila - Obras Completas. Burgos : Editorial "Monte Carmelo")

sexta-feira, outubro 13, 2006

DIA DAS CRIANÇAS: POR UM MUNDO MELHOR

Por Moab José
moab@elo.com.br

Um triste dia para muitas crianças.

Enquanto houver necessidade de datas comemorativas, é sinal que os objetos dessas datas ainda não são devidamente respeitados. Todos os dias deveriam ser vividos como o dia das mães, dos pais, dos deficientes, etc., incluindo-se nesse âmbito o Natal.

Exatamente hoje, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apresentará ao mundo um relatório sobre a violência praticada contra a criança, entendendo-se criança, como todos menores de 18 anos e que não foram emancipados. O relatório trás números que assustam e, ao mesmo tempo, nos envergonha, uma vez que, diante da violência podemos assumir três papéis: o de agente, o de vítima e o de espectador.

A OMS, Organização Mundial de Saúde estima que em 2002, quase 53 mil crianças morreram em todo o mundo, vítimas de homicídio. No mesmo período, 150 milhões de meninas e 73 milhões de meninos – menores de 18 anos -, foram forçados a manterem relações sexuais ou sofreram outras formas de violência sexual que envolveu contatos físicos. Na África, anualmente, três milhões de meninas e mulheres são submetidas a mutilações genitais.

Por sua vez, a OIT, Organização Internacional do Trabalho, relata que em 2004, 218 milhões de crianças participaram de esquemas de trabalho infantil. Entre estas, 126 milhões em atividades consideradas perigosas. O trabalho escravo atingiu 5,7 milhões de menores. Como vítimas da exploração sexual e da pornografia, tivemos 1,8 milhões e, 1,2 milhões vítimas do tráfico.

O relatório é extenso.
Além de relacionar alguns fatores que contribuem para violência contra a criança (as crescentes desigualdades sociais, a globalização, a migração, conflitos armados, crianças de minorias, grupos marginalizados, etc.), o relatório sugere maneiras para se minimizar tais problemas.

Contudo, podemos afirmar que na base de tudo encontramos o egoísmo e a indiferença. Assim, encerro com esta quadrinha que ouvi dos lábios de Chico Xavier:

"A criança maltrapilha
Que pede pão aos teus pés
São anjos que Deus envia
Para saber quem tu és. "

Paz para todos!
MOAB JOSÉ

(Lar "Pouso da Esperança", São Luís/MA, outubro de 2006).

sexta-feira, setembro 29, 2006

A PIEDADE


" A piedade é a virtude que mais vos aproxima dos anjos; é a irmã da caridade, que vos conduz a Deus. Ah! deixai que o vosso coração se enterneça ante o espetáculo das misérias e dos sofrimentos dos vossos semelhantes. Vossas lágrimas são um bálsamo que lhes derramais nas feridas e, quando, por bondosa simpatia, chegais a lhes proporcionar a esperança e a resignação, que encanto não experimentais! Tem um certo amargor, é certo, esse encanto, porque nasce ao lado da desgraça; mas, não tendo o sabor acre dos gozos mundanos, também não traz as pungentes decepções do vazio que estes últimos deixam após si Envolve-o penetrante suavidade que enche de jubilo a alma. A piedade, a piedade bem sentida é amor; amor é devotamento; devotamento é o olvido de si mesmo e esse olvido, essa abnegação em favor dos desgraçados, é a virtude por excelência, a que em toda a sua vida praticou o divino Messias e ensinou na sua doutrina tão santa e tão sublime.

Quando esta doutrina for restabelecida na sua pureza primitiva, quando todos os povos se lhe submeterem, ela tomará feliz a Terra, fazendo que reinem aí a concórdia, a paz e o amor.

O sentimento mais apropriado a fazer que progridais, domando em vós o egoísmo e o orgulho, aquele que dispõe vossa alma à humildade, à beneficência e ao amor do próximo, é a piedade! piedade que vos comove até às entranhas à vista dos sofrimentos de vossos irmãos, que vos impele a lhes estender a mão para socorrê-los e vos arranca lágrimas de simpatia. Nunca, portanto, abafeis nos vossos corações essas emoções celestes; não procedais como esses egoístas endurecidos que se afastam dos aflitos, porque o espetáculo de suas misérias lhes perturbaria por instantes a existência álacre. Temei conservar-vos indiferentes, quando puderdes ser úteis. A tranqüilidade comprada à custa de uma indiferença culposa é a tranqüilidade do mar Morto, no fundo de cujas águas se escondem a vasa fétida e a corrupção.

Quão longe, no entanto, se acha a piedade de causar o distúrbio e o aborrecimento de que se arreceia o egoísta! Sem dúvida, ao contacto da desgraça de outrem, a alma, voltando-se para si mesma, experimenta um constrangimento natural e profundo, que põe em vibração todo o ser e o abala penosamente. Grande, porém, é a compensação, quando chegais a dar coragem e esperança a uni irmão infeliz que se enternece ao aperto de uma mão amiga e cujo olhar, úmido, por vezes, de emoção e de reconhecimento, para vós se dirige docemente, antes de se fixar no Céu em agradecimento por lhe ter enviado um consolador, um amparo. A piedade é o melancólico, nas celeste precursor da caridade, primeira das virtudes que a tem por irmã e cujos benefícios ela prepara e enobrece. - Miguel. (Bordéus, 1862)Evangelho Segundo o Espiritismo Cap.13, ítem 16.

Temos duas acepções principais para Piedade.
A primeira, mais conhecida, que é a abordada pelo espírito Miguel no Evangelho Segundo o Espiritismo, é a da compaixão, da comiseração pelo sofrimento alheio. Ele nos lembra uma coisa muito simples, é possível que abafemos os nossos sentimentos. Vejam que analogia forte! Sentimento abafado é um sentimento asfixiado, impedido de sobreviver.
Neste mundo de ansiedade e pressa, é realmente fácil para o ser humano produzir uma hipóxia na sua emotividade. Fala-se muito hoje nos transtornos afetivos. São a coqueluche da moderna psicologia comportamental. São transtornos emocionais onde está comprometida a capacidade do ser humano de sentir.
E assim como é necessário buscar um exercício prático pra desenvolver habilidades técnicas corporais e intelectuais, como o atletismo, as ciências, é possível também exercitar a nossa capacidade de sentir. Jesus teve piedade da multidão com fome (Mt 15:32).
O apóstolo da gentilidade nos pede:

"Exercita-te na piedade. Se o exercício corporal traz algum pequeno proveito, a piedade, esta sim, é útil para tudo, porque tem a promessa da vida presente e da futura." I Tm 4:8.


Ele mesmo, como um homem culto, que na época foi educado como um romano, deve ter exercitado as artes corporais. A sua cultura física era helênica e é possível que Paulo tivesse tido uma formação atlética na sua juventude, parte de sua aculturação romana. é por isso que ele faz a analogia do exercício da piedade com os exercícios corporais. Ora, o ocidente exercita o corpo isoladamente do seu espírito. Sabe-se que na cultura oriental, da qual os gregos herdaram o "mens sana in corpore sano" é uma autêntica fusão do somático com o psíquico. Um iogue enquanto faz sua prática física, está em comunhão com Deus.

E é justamente esta a segunda acepção de Piedade. O sentimento religioso, o amor pelas coisas celestiais, a devoção a Deus, o culto ao que é sagrado, o sentimento de religiosidade e de sacralidade.

E como são desconhecidas do homem moderno estas questões. A vida prática e sofisticada tornou-nos distantes do Temor a Deus. Temos Medo das coisas que nos são apresentadas pelos obsessores para nos afastar de nossos deveres e esquecemos de respeitar aquilo que é realmente sagrado. Banalizou-se a religiosidade, intelectualizou-se o homem , perdeu a confiança na suficiência de Deus como gerador e mantenedor da vida. A hipertrofia da ciência afastou-nos de Deus, mas fragilizou-nos o espírito a ponto de sermos vítimas da instabilidade emocional moderna. Somos fóbicos frente ao mundo e intimoratos frente a Deus. Não fazemos o que é certo por que temo medo e fazemos o que é errado por que não respeitamos ao Senhor.
Que ironia! Que confusão!
Paulo previu isso na sua segunda epístola a Timóteo:

"Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil.
Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados,
desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons,
traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus,
ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!
Deles fazem parte os que se insinuam jeitosamente pelas casas e enfeitiçam mulheres carregadas de pecados, atormentadas por toda espécie de paixões,
sempre a aprender sem nunca chegar ao conhecimento da verdade.
Como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes homens de coração pervertido, reprovados na fé, tentam resistir à verdade.
Mas não irão longe, porque será manifesta a todos a sua insensatez, como o foi a daqueles dois. (II Tm 3:1- 9)


Essa geração é a nossa. Somos vítimas da impiedade. Buscamos todos os meios para nos euforizar artificialmente por que não obtemos mais alegria de viver. Queremos fazer muitas coisas, por que não sabemos mais ficar parados. Queremos barulho das bandas de rock, rolando as pedras, as pedras dos bárbaros, dos australoptecos, dos hooligans, dos skinheads, dos funkeiros...E de tanto barulho não escutamos mais a voz de Deus nos procurando, nos chamando, nos advertindo...
Essa fase de impiedade dos tempos modernos é muito grave, pois permitimos que nossos corações endurecessem, como nos previu Paulo.
Jesus também disse o que tem o mesmo significado que estas duras palavras de Paulo:

"E, ante o progresso crescente da iniqüidade, a caridade de muitos esfriará."(Mt 24:12)

Esfriar é uma ação que nos dá idéia de duração. O amor, a caridade enfraquece paulatinamente, por causa do crescimento da impiedade. A impiedade cresce no terreno fértil do individualismo, da vaidade, das insaciáveis necessidades materiais, da competitividade, do ciúme, do afastamento da verdade. Foi a isso que Paulo se referiu, quando deu o exemplo dos magos egípcios que resistiram a Moisés. Eles conheceram a verdade pela ciência, mas resistiram no coração. Estamos hoje defrontados com uma multidão que quer cada vez mais buscar o materialismo por causa dos seus benefícios aparentes. Quem buscar cada vez mais o materialismo por causa das comodidades proporcionadas por ele.
E busca abafar, asfixiar a fé e o amor que existem dentro de todos nós, pois somos feitos à imagem e à semelhança de Deus.
Assim, exercitar a Piedade compaixão no exercício da caridade cristã e não deixar arrefecer dentro de nós o respeito pelas coisas espirituais, pelo Amor a Deus, pela religiosidade, pelo reconhecimento de que existem níveis da existência que estão acima de nossas concepções estreitas e que a reverência pela vida, é também amar a Deus. Sentir o próximo como se fôssemos nós mesmos, é também amar a Deus.
E repetir com Jesus o mandamento máximo:

"Achegou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e, vendo que lhes respondera bem, indagou dele: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor; amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças. Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe. (Mc 12:28:31)

terça-feira, setembro 19, 2006

Entrevista de Alcione Peixoto sobre Peixotinho.

O " ESPIRITISMO CRISTÃO" Apresenta a Entrevista dada pela nossa irmã Alcione Peixoto ao site
"Portal do Espiritismo"
1- QUEM FOI PEIXOTINHO?
R. Para os espíritas foi o grande médium de efeitos físicos que veio como contemporâneo de seu amigo Chico Xavier, para, através de sua mediunidade, levantar mais uma pontinha do véu que envolve as realidades do mundo dos espíritos. O que André Luiz descortinava pela psicografia de Chico Xavier era materializado aos olhos dos presentes a essas reuniões de ectoplasmia. Aparelhos descritos por André Luiz em sua obra estiveram sob os olhos dos encarnados. Exemplo disso é o psicoscópio, que ausculta a alma com poder de definir-lhe as vibrações e efetua diversas observações sobre a matéria, como explica André Luiz no livro Nos Domínios da Mediunidade. Peixotinho complementava a obra de Chico com a comprovação daqueles fatos. Por isso vieram na mesma época. Diferencia-se dos demais medianeiros de efeitos físicos pela espontaneidade e autenticidade dos fenômenos e pela luminosidade dos espíritos que por ele se materializavam. A luz era tão intensa que a assistência precisava fechar os olhos até se habituar a ela lentamente. Exemplo disso foram as materializações de Bezerra de Menezes, Clarêncio e outros menos conhecidos do mundo espírita, mas de igual evolução.Para nós, seus filhos, e para os amigos que nos freqüentavam o lar simples, Peixotinho era o amigo, era alegria, bom humor, simplicidade, humildade, e doçura constantes. Sua capacidade de compreender as pessoas, sua compaixão, sua hospitalidade, sua imensa capacidade de perdoar, foram sempre destacadas por todos que o conheceram. Ele e Baby, nossa mãe, foram missionários silenciosos do espiritismo no Brasil. Juntos, eram como farol a iluminar muitas vidas. Muitos Templos Espíritas se multiplicaram a partir deles por nossa região e pelo Brasil.

2-QUANTOS IRMÂOS VOCÊ TEM?
R. Peixotinho teve nove filhos. Uma das filhas - Araci - desencarnou com pouco mais de um ano de idade. Criou com sacrifício os oito filhos. Um único homem (o mais velho) e sete mulheres. Portanto, tenho seis irmãs. Uma destas - Ceila - desencarnou há quinze dias, no dia 20 de agosto de 2006.

3-COMO ERA A VIDA NORMAL DE PEIXOTINHO?
R. Ele militar do Exército e, por isso, teve a vida muito agitada por transferências constantes. Para onde era transferido buscava os espíritas do lugar e instalava logo o receituário homeopático. Era psicógrafo, médium mecânico, vidente, audiente etc. Embora seu compromisso fosse com a ectoplasmia, a ele abria-se um imenso leque de possibilidades mediúnicas. A presença de minha mãe em sua vida acompanhando-o aonde quer que ele fosse, foi o grande amparo ao seu trabalho. Peixotinho era um homem antenado com seu tempo. Acompanhava a política, o futebol como qualquer outro brasileiro. Gostava muito de cinema, de música, tanto as clássicas como os ritmos que lhe lembrava o seu nordeste distante. Gostava muito de conversar, de receber visitas, e, sobretudo de viajar. Nossa casa era sempre cheia. Muito alegre, os nossos colegas jovens adoravam estar conosco e conversar com papai. Também a chegada constante de doentes de todo o Brasil que vinham em busca de tratamento de saúde movimentava nossa casa. Doentes do corpo e da alma e até mesmo doentes mentais. Ele abrigava a todos junto a nós, seus filhos, sua família, com a maior naturalidade e com fé na recuperação de todos. Muitos batiam à nossa porta vindos de cidades distantes sem nos conhecer. E vinham com grandes malas para ficar até o fim do tratamento, na certeza de que teriam abrigo certo nessa casa simples onde hoje eu moro.

4- COMO SE TORNOU ESPÍRITA?
R. Pela própria mediunidade. Na adolescência, em fase de explosão mediúnica aguda, passou por um processo de catalepsia do qual só despertou depois de já estar amortalhado, o que chamou a atenção de muita gente. A notícia correu e o grande tribuno espírita, Major Viana de Carvalho que, na época, ocupava posto de comando em unidade do Exército Brasileiro no Ceará, tomou conhecimento do sofrimento daquele jovem e foi em seu socorro. Saiu desse episódio paraplégico. Foi amparado pela casa espírita que mais tarde veio a ser a Federação Espírita do Estado do Ceará, onde Viana de Carvalho atuava. Com passes e água fluídica ficou curado. Foi Viana de Carvalho o seu orientador na seara espírita. E Peixotinho foi fiel às orientações desse mestre, mantendo por toda sua vida fidelidade a Jesus e a Kardec.
5-QUANDO É QUE ELE DESCOBRIU QUE TINHA CAPACIDADE DE PROMOVER MATERIALIZAÇÕES?
R. Foi em Macaé, em 1936, no Grupo Espírita Pedro e soube por revelação dos espíritos que deram todas as instruções para a realização das reuniões de efeitos físicos. Muitos obstáculos foram vencidos entre eles a sua saúde deficiente, já que era portador de uma asma que não lhe dava descanso, e a falta de preparo espiritual dos assistentes, tendo em vista que ele foi o primeiro médium com tarefa tão definida, numa área mediúnica dedicada exclusivamente ao tratamento de doentes.

6-DAS VÁRIAS MATERIALIZAÇÕES QUE REALIZOU QUAL A QUE MAIS O IMPRESSIONOU?R. Ele não assistia às materializações. Saía do corpo físico levado por uma equipe da espiritualidade. Voltava contando-nos maravilhas da vida espiritual. Contudo, vibrava com os relatos dos companheiros a respeito dos espíritos de luz que se materializavam. Creio que o relato que mais o impressionou foi a descrição do Ministro Clarêncio, de Nosso Lar, que visitou o Grupo Aracy, onde ele atuava como médium. Também a descrição da doçura de Dr. Bezerra de Menezes e de Nina Arueira que na Terra fora noiva do Prof. Clóvis Tavares. Uma senhora costureira que a viu, disse que teve vontade de copiar seu vestido tecido em luz como se fosse de um luar brilhante. Outra bem comentada foi a de sua filha Aracy, espírito de muita luz, desencarnada em 1937, que se materializou vestida como uma linda moça em trajes típicos da Espanha. Sheilla, José Grosso e outros estavam sempre conosco. Essas reuniões eram dirigidas pelo espírito Garcês.

7- E A FAMÍLIA, COMO RECEBIA ESSAS REALIZAÇÕES DO QUERIDO MÉDIUM?
R. Toda a família se beneficiava espiritualmente de seus dons mediúnicos. Fomos muito protegidos pelos benfeitores para que ele produzisse melhor. Ele fazia conosco um culto diário, onde estudávamos o Novo Testamento e ele ficava feliz com nosso progresso no conhecimento dos relatos do Evangelho de Jesus. Lastimo que os lares espíritas não cultivem o hábito de ler o Novo Testamento. Durante nossas orações, os benfeitores compareciam para abençoar nossa infância feliz, premiando-nos com a materialização de flores e perfumes que jorravam sobre nossas pequeninas cabeças. Materialmente éramos muito pobres, mas não nos dávamos conta disso. Nosso lar era tão bom, feliz e alegre!...

8-ALGUÉM MAIS DA FAMÍLIA TEM ESSE TIPO DE MEDIUNIDADE?R. Sim. Mas não tão ostensiva como a de Peixotinho. Eu e Joana chegamos a atuar como médium auxiliar. Joana dedicou-se mais à tarefa de efeitos físicos. Agora um sobrinho e um dos meus filhos apresentam fortes indícios dessa mediunidade. Nossas tarefas na doutrina, contudo, não se prendem a essa forma mediúnica. Trabalhamos, eu minhas irmãs Nina e Joana com outras dons mediúnicos. Mas os espíritos, com certeza, aproveitam-nos sempre a possibilidade de doação ectoplásmica em benefício de doentes. Mesmo que não tenhamos disso consciência.

9- AQUELES QUE NA ÉPOCA VIVIAM EM CONTATO COM A FAMÍLIA AINDA SE MANTÊM AMIGOS DE VOCÊS?R. A maioria dos amigos que nos freqüentava já desencarnou. Os que permanecem na Terra estão sempre conosco. Também os filhos deles continuam a fazer parte de nosso círculo de relações. Todos relembram com uma saudade bonita e suave os momentos vividos em nossa casa. Uma das senhoras aqui tratadas de um câncer na década de 50 e que ainda vive no Rio, chama nossa casa de "Cantinho do Céu".

10- COMO ERA A VIDA DE VOCÊS TENDO UM PAI TÃO CONHECIDO E COMENTADO NO MEIO ESPÍRITA?
R. A vida comum de toda juventude da época, acrescida das tarefas junto aos sofredores, como visita aos doentes, presídios e a lares pobres onde levávamos alimentos e roupas. Isso desde nossa primeira infância era um fato tão normal como o era para nós a mediunidade dele. Quando menina, eu achava que em todas as casas aconteciam tais fenômenos e se convivia naturalmente com os Espíritos. Descobri que nossa casa era diferente através de uma grande dor. Contei fatos acontecidos em casa na escola e fui muito castigada. Narro tudo isso no livro "MATERIALIZAÇÃO DO AMOR" do prof. Humberto Vasconcelos, editado pela DOXA, que considero a melhor obra sobre Peixotinho. Na verdade nunca o vimos como alguém especial, diferente. Sua humildade extrema não nos permitiu dimensionar sua importância para o desenvolvimento do Espiritismo no Brasil. Todos que o conheceram de perto têm a mesma opinião. Só depois de sua morte pudemos avaliar a grandeza de sua obra e de seu espírito. O próprio Chico Xavier, em conversa com o prof. Clóvis Tavares, certa vez, tira do bolso do paletó um retrato de Peixotinho e afirma que foi o maior médium de efeitos físicos que ele conheceu e referiu-se a sua humildade para justificar a pouca divulgação dada à época ao seu trabalho, dizendo que Peixotinho era muito evangelizado, daí os fenômenos serem tão luminosos.

11- COMO É A VIDA DA FAMÍLIA HOJE SEM A PRESENÇA DO MÉDIUM?
R. Sua presença continua uma constante em nossas vidas. Eu, particularmente, estou sempre a receber-lhe as orientações amigas. Falamos tanto nele que seus netos e bisnetos que não o conheceram têm a maior familiaridade com ele e citam-no sempre. Alguns dos seus filhos dedicaram-se mais intensamente às tarefas espíritas. Uns na tribuna, outros nas tarefas mediúnicas ou assistencial e outros guardam só na memória suas lições e se esforçam por praticá-las na vida, sem, porém, manterem maior vinculação com a Casa Espírita. Alguns de seus netos já militam com brilhantismo na tribuna espírita no Recife, são doutrinadores, médiuns, evangelizadores etc.

12- QUAIS AS LEMBRANÇAS E OBJETOS QUE A FAMÍLIA GUARDA DAS MATERIALLIZAÇÕES QUE PEIXOTINHO REALIZAVA?R. Como Chico Xavier, ele distribuía tudo. Às vezes queríamos guardar uma pedra bonita que os espíritos nos davam, mas logo chegava alguém que a vira cair e pedia-nos. Delicadamente, ele nos sugeria a dádiva. Depois dizia-nos: "vocês têm isso tudo todos os dias...". Obedecíamos. Por isso ficamos sem nada material, a não ser alguns poemas escritos pelos próprios espíritos materializados. Mas ficamos com a melhor parte, como Maria de Betânia, as lembranças e os exemplos que nos cabe multiplicar.

13- O QUE NÃO TE PERGUNTEI E QUE VOCÊ GOSTARIA DE RESPONDER?R. A sua entrevista foi bem abrangente e possibilitou-me saudosos relatos. Gostaria, porém, de reafirmar que não existem bons médiuns sem que exista antes um bom homem, um homem cristão em todas as horas de seu dia. Esse é o grande medianeiro a serviço de Jesus na Terra.

14- MANDE SEU RECADO FINAL AOS AMIGOS DO PORTAL DO ESPIRITISMO

.R. Que os companheiros do PORTAL DO ESPIRITISMO se unam às minhas preces de gratidão a Jesus por proporcionar aos homens tantos avanços tecnológicos e por estarem os senhores utilizando essa tecnologia a serviço do desabrochar dos mais elevados sentimentos no espírito dos homens; unindo, assim, conhecimento a sentimento, equilibrando as asas suaves que nos permitirão o vôo definitivo no rumo do Amor de Deus. Mesmo sabendo de minha pobreza espiritual, disponibilizo-me sempre para qualquer atividade em que possa ser útil ao trabalho dos senhores. Que Jesus os ilumine!

Alcione Peixoto Cordeiro. Em Campos dos Goytacazes, 5 de setembro de 2006.
O Portal do Espiritismo agradece de coração a atenção que nos foi dispensada por Alcione Peixoto, na concessão desta entrevista que nos possibilita conhecer mais de perto a vida desse extraordinário médium, rogando a Deus que onde estiver o nosso querido Peixotinho, Jesus com ele também esteja, e a você querida Alcione e a toda família, nossos votos de que todos tenham sempre a assistência dos Bons Espíritos.

terça-feira, setembro 12, 2006

DIA DE AUTA DE SOUZA, 12 DE SETEMBRO

Poesia em vida ( Horto, 1900)

FIO PARTIDO

Fugir à mágoa terrena
E ao sonho, que faz sofrer,
Deixar o mundo sem pena
Será morrer?

Fugir neste anseio infindo
À treva do anoitecer,
Buscar a aurora sorrindo
Será morrer?

E ao grito que a dor arranca
E o coração faz tremer,
Voar uma pomba branca
Será morrer?

II

Lá vai a pomba voando
Livre, através dos espaços...
Sacode as asas cantando:
“Quebrei meus laços!”

Aqui, n’amplidão liberta,
Quem pode deter-me os passos?
Deixei a prisão deserta,
Quebrei meus laços!

Jesus, este vôo infindo
Há de amparar-me nos braços
Enquanto eu direi sorrindo:
Quebrei meus laços!
(Janeiro de 1901, no HORTO)


O SENHOR VEM...
E eis que Ele chega sempre de mansinho,
Haja sol, faça frio ou tempestade;
Veste o manto do amor e da verdade,
E percorre o silêncio do caminho.

Vem ao nosso amargoso torvelinho,
Traz às sombras da vida a claridade,
E os próprios sofrimentos da impiedade
São as bênçãos de luz do seu carinho.

Como o Sol que dá vida sem alarde,
Vem o Senhor que nunca chega tarde,
E protege a miséria mais sombria. Ele chega.

E o amor se perpetua...
É por isso que o homem continua
Ressurgindo da treva a cada dia
(Psicografia de Francisco Cândido Xavier, no Parnaso de Além Túmulo)

quarta-feira, setembro 06, 2006

Chico, Diálogos e Recordações...

Maria Aparecida Vidigal

O livro, aqui apresentado, foi constituído a partir do recolhimento das memórias transmutadas em narrativas de Arnaldo Rocha, sobre as experiências que este viveu com Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo e região.



Chico, Diálogos e Recordações... é uma obra leve e ao mesmo tempo impregnada de lições acerca de experiências vividas e lições apreendidas por seres que se uniram pelos laços espirituais no orbe terreno.
O estilo de escrita é um híbrido de diálogos, narrativas e impressões daqueles que, durante quatro longos anos, encontravam-se para conversar sobre o médium Chico Xavier. De um lado, um jovem e dedicado obreiro da Seara Espírita, Carlos Alberto Braga Costa; do outro lado, a experiência evidenciada pelas cãs de um altivo senhor, trabalhador incansável da Doutrina Revelada por Jesus e Codificada por Allan Kardec, Arnaldo Rocha.
A obra escrita em 21 capítulos traz à comunidade espírita momentos de reflexão e de aprendizado. Particularmente, sob este prisma, o livro é dadivoso em lições, pois nos aproxima e nos cientifica de que a evolução dos seres humanos nas lides terrenas é possível e inevitável, conforme asseverou Allan Kardec: “A Humanidade progride, por meio dos indivíduos que pouco a pouco se melhoram e instruem. (...) O progresso dos povos também realça a justiça da reencarnação.”
O Espírito Chico Xavier, por exemplo, não só “desceu” de esferas superiores para trazer belas obras sobre as Revelações do Consolador; também, vivenciou através de milênios, experienciou vidas diversas de amores incontroláveis, sofrimentos, angústias e momentos de profundo encarceramento físico e espiritual, até, finalmente, poder apresentar-se nesta encarnação como um dos mais profícuos escritores da Doutrina dos Espíritos, sempre amparado por seus amigos espirituais e companheiros da lide terrena.
Existe um provérbio chinês que diz: “A pedra não pode ser polida sem fricção, nem o homem ser aperfeiçoado sem provação”. Em Chico, Diálogos e Recordações.., a vida do narrador, assim como a de tantos outros amigos para sempre, é prova de que para atingirmos o aperfeiçoamento e a beleza do esplendor de uma pedra preciosa, precisamos, antes, percorrer um caminho de provações, dores e burilamento de nossas tendências. Este caminho que, a priori, apresenta-se difícil é suavizado pelo exemplo de vida de Jesus, pelos ensinamentos da Revelação Espírita e por nosso esforço individual de melhorarmos a cada dia um pouco mais.
Arnaldo Rocha, nosso querido narrador, através de seu percurso de descrença, grandes batalhas, empreendimentos faraônicos e decepções nas mesmas proporções, chega, nesta encarnação, ainda materialista, até encontrar e perder o coração querido de Meimei, e, em seguida, reencontrar outro: Chico Xavier. A lição mais marcante deste espírito Rocha – os nomes não são ao acaso – não é observá-lo hoje, na beleza de seus 82 anos, na firmeza de suas convicções doutrinárias e na fidelidade para com seus amigos, muitos já no plano espiritual. A grandeza desse homem reside no caminho por ele percorrido ao longo das sucessivas vivências carnais, nos obstáculos superados e nas dores transmutadas em benções de aprendizado. Esse percurso narrado no livro nos remete à promessa de Jesus, quando nos diz que “nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá.”
Vale destacar, ainda sobre esta bela obra, a importância da memória, como receptáculo das lembranças de Arnaldo Rocha. A memória, conforme nos elucida André Luiz “(...) é um disco vivo e milagroso. Fotografa as imagens de nossas ações e recolhe o som de quanto falamos e ouvimos... Por intermédio dela, somos condenados ou absolvidos de nós mesmos.” O redator dessas memórias, Carlos Alberto Braga Costa, com disciplina, responsabilidade, lealdade e fé fez-se instrumento indispensável para que hoje esta obra traduzida em diálogos e recordações estivesse ao alcance de todos nós.
Em tempos remotos os homens transmitiam o conhecimento às gerações, através dos recursos da memória e da narrativa oral. Os sábios anciãos, acomodados em locais tranqüilos, relatavam aos jovens escolhidos as tradições e experiências de seu povo. E estas experiências, posteriormente lapidadas, eram transferidas por sucessivas gerações do porvir. Desse modo, verificamos a importância da memória para a evolução das primeiras civilizações do Planeta.
Chico, Diálogos e Recordações..., guardadas as proporções espaciais e temporais, remete-nos aos tempos antigos, em que as revelações eram registradas nas almas dos aprendizes, que, posteriormente, transformavam-nas em conhecimento para que outros seres pudessem deles utilizar-se. Na Doutrina dos Espíritos, quando refletimos sobre o processo da evolução, como uma Lei Divina de progresso contínuo e ordenado, não podemos ter dúvidas de que as constantes encarnações são bênçãos sagradas que propiciam o aperfeiçoamento dos seres. Assim, o jovem recebe do ancião o conhecimento das tradições de seu povo, pelo registro da memória. Cada vez que vivenciamos uma nova oportunidade reencarnatória dinamizamos impressões guardadas em nossa consciência espiritual.
Nesse sentido, através da obra narrada por Arnaldo Rocha e escrita por Carlos Alberto Braga Costa, somos convidados à leitura de experiências de vida, sem sensacionalismos, mas repletas de sabedoria. O livro, apesar de apresentar-se numa seqüência de 21 capítulos, pode ser lido conforme o leitor desejar, pois cada uma de suas partes está impregnada de amor à Doutrina dos Espíritos e fidelidade aos ideais cristãos deixados ao longo da história por Grandes Amigos Espirituais.

domingo, agosto 27, 2006

AULA DE HILDA MUSSA TAVARES no domingo 27 de agosto de 2006

TEMA : HARMONIA DOS EVNGELHOS, 4ª PARTE, CAP.XV, ITEM 75


Trata - se do fato narrado nos Evangelhos de Mateus e de Marcos, respectivamente,

:Mt, 15, 21-28 e Mc. 7, 24-30.

É a segunda tentativa de retirada de Jesus, quando vai para as terras de Tiro e Sidon, que correspondem ao atual Líbano.

A multidão sabendo de sua retirada o segue e uma mulher sírio- fenícia clama em alta voz :

“ Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim e salva a milha filha que sofre miseravelmente endemoninhada.”

Diz o Evangelho que Jesus não lhe respondeu e, logo em seguida, chegam os seus discípulos rogando :

- Senhor, despede-a parque vem gritando atrás de nós. Ela nos importuna, mande-a embora. E para eles Jesus responde : -não fui enviado senão para as ovelhas perdidas da casa de Israel, ou seja, a casa de Israel não está limitada aos judeus, daí ele não mandar a mulher embora, mas testa-la na sua fé para exemplo de todos nós.

Que é que Ele faz?

1º - Ele a ignora, não a responde. Ela supera essa indiferença e continua clamando, persiste no seu pedido.

2º - Ele apresenta um fato que era culturalmente vivenciado : o preconceito racial.

Ele diz para ela que não é lícito, não é certo tirar o pão dos filhos e dá-lo aos cachorrinhos, ( os judeus chamavam os pagãos de cães). Mais uma vez ela resiste à barreira e contrargumenta:

3º- É certo Senhor. Isso é mais do que verdadeiro, mas nada impede que as migalhas que caem da mesa dos donos possam alimentar os cachorrinhos.

Ela não se ofende, pelo contrário, aceita a sua condição de estrangeira, de “ cão”, junto àquele Judeu que tinha poder para libertar sua filha da terrível possessão em que se encontrava e vence, heroicamente esta 3ª etapa : a da ofensa.

Ela já era uma desiludida dos seus deuses, do materialismo de seu povo. Ela tinha grandeza interior, tinha humildade, tinha fé, tinha certeza de que Jesus era o Filho de Davi, o Messias de que tanto ouvia falar, embora sem entender muito esta boa Nova tão comentada. A dor a aproximou do Mestre e a fez amá-lo e confiar Nele. Nenhuma ofensa a afastaria Dele.

Ela, então, foi provada em três aspectos diferentes : o silêncio, a discriminação e a ofensa, superando a todos de forma heróica e exemplar.

Sua última gota de orgulho se rompeu naquele gest0o de humildade. Seu amor próprio se resumiu num ato de coragem e superação em favor do amor à sua filha em sofrimento.

Diz o Evangelho que ela se prostrou e adorou o nosso Senhor.

E foi assim que Jesus deixou para a posteridade, para nós todos que ainda não somos filhos do Seu Reino, somos estrangeiros, “ cachorrinhos” em busca das migalhas de Sua Mesa Farta de Amor e de Misericórdia.

A frase dita por Ele com grande manifestação de alegria :

“Mulher, grande é a tua fé?” Que se faça como tu queres”.

Como, pois, funciona a fé?

Como diz S. Paulo em Carta aos Hebreus, 11,1:

“ A fé é a certeza das coisas que se esperam e a prova das que não se vêem. “

Ela funciona, e então com : perseverança, humildade, aceitação e esperança.

E tudo isso precisa fazer parte de nosso exercício diário, repetindo as palavras desses heróis do Evangelho e da espiritualidade:

"Senhor, aumenta-nos a fé.” Lc. 17,5

" Senhor, não sou digno de que entres na casa de meu coração, mas dize apenas uma palavra e serei ajudado”Mt. 8,8

"Senhor, eu creio, mas ajuda a minha incredulidade". Mc. 9,24

" Se formos lançados na fornalha de fogo o nosso Deus a quem servimos nos livrará. " Dn, cap 3

"- O Senhor é meu pastor, nada me faltará". Salmo 23

- A fé vem, também pelo ouvir : o estudo sério e compromissado da palavra de Deus, estudando, ouvindo, lendo, meditando e praticando o quarteto tão bem explicado por Emmanuel :
Oração.
Estudo.
Trabalho.
Obediência.

domingo, agosto 20, 2006

Professor Pietro Ubaldi

É nosso imperioso dever apresentar a todos quanto são estudantes da Escola Jesus Cristo, o nosso testemunho sobre essa figura impressionante que residiu em nossa casa, que foi o Professor Pietro Ubaldi.

O centro de sua filosofia foi a pessoa de Jesus Cristo.

A sua obra fundamental, A Grande Síntese, encerra uma verdade primordial: A Lei é uma só! Existe um só sistema de leis que funciona do átomo ao arcanjo. Os princípios que regem o nosso universo físico de espaço e tempo, as leis da biologia, os princípios da química orgânica e inorgânica, da sociologia, da história, da política, da psicologia, podem ser enquadrados em uma única e perfeita legislação universal.

A Palingenesia é a resposta lógica que tudo equaciona e não podemos evoluir sem reencarnarmos.

O Homem foi criado por Deus num estado de perfeição relativa e a ele foi solicitada uma confirmação de que aceitava fazer parte do processo criador. Uma parcela desta mesma criação destacou-se dos demais e com a contra-vontade, isto é, negando-se a integrar o Sistema divino, por uma possibilidade única do erro que estava embutida na Criação: A Liberdade!

Estava criado então o Anti-Sistema, formado pelas almas rebeldes, capitaneadas pelo espírito mais belo, aquele a quem era dado, como a um novo Prometeu, levar a Luz do Céu para as trevas
. Mas o portador da Luz, preferiu arregimentar um exército para lutar contra o Criador.

Vivemos num mundo que gravita entre a aquiescência da Lei de Deus, expressa em sua máxima fluência pelo capítulo 5 do Evangelho de Mateus, no Sermão do Monte e às nossas forças tanáticas, impressas em nosso espíritos, pela impressão causada por esta quda dimensional, a nossa expulsão do paraíso.
Pietro Ubaldi, em Deus e Universo, O Sistema e em Queda e Salvação, antecipadamente estada A Grande Síntese, nos indica como, quando e por que necessitamos nos desvencilhar das amarras deste momento cósmico atemporal, vivenciado por nós mesmos e que suscita uma reflexão para que nos tornemos artífices de nosso próprio destino no universo.

sábado, agosto 19, 2006

SANTOS DUMONT

Quanto se tem escrito e falado sobre a personalidade do genial mineiro, Alberto Santos Dumont, que jovem ainda viu-se sozinho em Paris, obcecado com a idéia de voar.

Sua trajetória na terra francesa culminou há 100 anos, quando finalmente alçou vôo o 14-Bis, pontuando o início da aviação mundial.

Muito se tem comentado sobre este brasileiro no meio espírita, uma vez que sabemos que no ano de 1932, ele veio a suicidar-se na praia paulista de Guarujá, onde descansava em providencial repouso médico.

Em 1948, Alberto Santos Dumont, psicografa através do também mineiro Francisco Cândido Xavier. Ela está inserida no livro Trinta Anos Com Chico Xavier, de Clóvis Tavares. Antes de apresentá-la na íntegra queremos afirmar que Santos Dumont entremeava seus estudos com a mais lírica poesia e como representante de sua verve poética, destaco o poemeto mais singelo que fez ele em homenagem ao seu primeiro balão:

"O meu primeiro Balão
O menor
O mais lindo
O único que teve um nome: Brasil."

Eis a mensagem enviada particularmente ao meu pai, Clóvis Tavares na noite de 20 de julho de 1948, em Pedro Leopoldo, captada pela antena mediúnica sensibilíssima de Chico Xavier:

“Amigos, Deus vos recompense.
A lembrança da prece me comove as fibras mais íntimas.
O Espírito liberto esquece o homem prisioneiro.
A alvorada não entende a sombra.
Tenho hoje dificuldades para compreender a luta que passou e, não fosse a responsabilidade que me enlaça ainda o campo humano, em vista das aflições que me povoaram as últimas vigílias na carne, preferia que as vossas recordações, ainda mesmo carinhosas e doces, não me envolvessem o nome de lutador insignificante.
Descobrir caminhos sempre foi a obsessão do meu pensamento. Reconheço hoje, porém, que outra deve ser a vocação da altura.
Dominar continentes e subjugar povos através do ares, será, talvez, extensão de domínio da inteligência perversa que se distancia de Deus. Facilitar com8nicação entre as criaturas que ainda não se entendem, possivelmente será acentuar os processos de ataque e morte, de surpresa, nas aventuras da guerra. Dolorosa é a situação do missionário da ciência que se vê confundido no ideais superiores. Atormentada vive a cultura que anão alcançou ainda o cerne sublime da vida.
Terei errado, buscado rotas diferentes? Certo, não.
O mundo e os homens aprenderão sempre. A evolução é fatal.
Todavia, recolhido presentemente à humildade de mim mesmo, procuro caminhos mais altos e estradas desconhecidas, no aprendizado do roteiro para o Cristo, Senhor do nossas vidas.
Não há vôo mais divino que o da alma.
Não existe mundo mais nobre a conquistar, além do que se localiza na própria consciência, quando deliberamos converter-nos ao bem supremo.
Sejamos descobridores de nós mesmos.
Alcemos corações e pensamentos ao Cristo.
Aprimoremo-nos para refletir a vontade soberana e divina do Alto por onde passarmos.
Crescimento sem Deus é curso preparatório da queda espetacular.
Humilharmo-nos para servir em nome Dêle é o caminho da verdadeira glória.
De qualquer modo agradeço-vos.
O trabalhador que prepara as possibilidades para ser útil jamais se esquecerá de endereçar reconhecimento às flores que lhe desabrocham na senda.
Crede! Não passo de servidor pequenino.
Que o Senhor nos enriqueça com Sua divina bênção."
Alberto Santos Dumont

Meu pai afirma, no livro em questão, que na noite anterior à recepção da mensagem, pensava, durante pequena viagem de trem, nos caminhos espirituais de Santos Dumont, que ele sempre considerou como um mártir da ciência. Meditava na viagem pensando na notícia que Chico Xavier lhe houvera dado desde 1936, de que o Pai da Aviação encontrava-se entre os benfeitores da Escola Jesus Cristo.

Chico então revela ao meu Pai, que desde o seu desencarne em 1932, iniciara o genial brasileiro um processo de redução perispirítica visando tornar-se uma criança. Aproveitando, assim, um sonho de Nina Arueira, em sua curta existência terrestre, de ter um filho, faz-se filho espiritual da mesma, e assim manifesta-se mediunicamente ao nosso Chico Xavier em 1944, em poema apresentado no livro A Morte é Simples Mudança (Madras- SP, 2005):

"De um filhinho espiritual
Papai, quando chega a noite,
Diz Mamãe banhada em luz:
- Vamos Lill, orar por ‘ele’
E, preces ao bom Jesus!
Diz Mamãe: Dai-lhe, Jesus,
Do vosso divino pão!
E eu digo:- Do pão de luz
Da vossa consolação!
Mamãe roga: Dai-lhe Mestre,
espírito de servir.
E eu peço:- Com forças novas
Para as glórias do porvir.
Mamãe pede:- Mestre Amado,
Ajudai-o a caminhar.
E eu digo:- Inspirai-lhe a vida
Nas bênçãos de nosso lar.
E assim, nós ambos pedimos
na fé que nunca se esvai
A bênção do Bom Jesus
Às suas provas de pai.
Que Deus lhe conceda sempre
coragem para a missão
É o que deseja, Papai,
O filho do coração."
Lill.

Adota, a partir de então o pseudônimo de Lill, que tornou-se o filho espiritual do casal.
Nina que havia desencarnado em 1935, passou então a velar, juntamente com o menino Lill, da vida espiritual, pela saúde de meu Pai, que ainda permaneceu solteiro por mais 10 anos. Casando-se com minha Mãe, Hilda, em 1954, Lill reencarna-se em 1956 e recebe o nome de Carlos Vítor. Aos nove meses, cai de um carrinho de bebê e sofre uma paralisia que se instala lenta e progressivamente e que se constituiu num calvário doloroso para ele e para meus pais. Tetraplégico, o pequeno menino, vive 17 anos incompletos entre a cama e o colo dos pais. Após essa experiência de resgate e libertação, desencarna em 1973 e desde esse mesmo ano, mais precisamente no dia 21 de julho, inicia série de nove mensagens-poema, todas psicografadas pelo querido médium Xavier. Desde então, torna-se o único caso conhecido de um espírito que se comunica antes e depois de uma curta existência, pelo mesmo medium. Estes poemas comentados, estão no livro citado A Morte é Simples Mudança, editado pelo já saudoso Eduardo Carvalho Monteiro, que ao ler as mensagens percebeu, por sua fina sintonia com a espiritualidade, a identidade de meu irmão com Santos Dumont. Pedi a ele que mantivesse segredo, pois não era da vontade do próprio espírito que o fato fosse revelado. Quando de sua mensagem enviada a Chico em 1948, pede que não pensássemos no seu nome, pois fazia retorno à humildade, com a redução de seu perispírito.

Todavia, a divulgação expressiva de textos mediúnicos, que não compreenderam o seu processo de auto-aniquilamento do Ego, processo esse, legítimo, quando levado a cabo pela reflexão e pela decisão consciente de mudar a trajetória da evolução, levaram ao público aleivosias comparando-o a um espírito que perdeu a sua forma perispiritual, semelhante aos espíritos degradados e degredados descritos no livro Libertação, de André Luiz, psicografado por Chico Xavier.

Apresento aqui trecho de uma das cartas espirituais de Carlinhos que revelam a sua disposição de mudar sua senda evolutiva, deixando para trás as vidas de glória da ciência e da política, para voltar a ser criança , num processo que ele mesmo denominou Curso de Humildade:

"Meu Papai do coração
Minha Mãezinha querida
Retornei de vossos braços
Para a bênção de outra vida.
Agradeço o vosso amor
No berço que o céu me fez.
Convosco encontrei meu sonho
De ser criança outra vez..."

"...Louros suspensos da história,
Brilhos de estampa ilusória,
Renome vazio e vão.
Monumentos e honrarias
Não valem frágil parcela
Da riqueza viva e bela
Que temos no coração...
... Papai querido sigamos...
Ontem púrpuras faustosas,
Espadas, festas e rosas
Que o tempo exibe em museus...
Hoje, é a trilha diferente
De culto ao Bem e à Verdade
Na conquista da Humildade,
A prenda maior com Deus. "
Carlinhos (A Morte é Simples Mudança. op.cit.)

É também preciso acrescentar que esse nobre espírito, decidiu reduzir-se fisicamente, de modo não apenas a reparar o seu intento contra a vida, porém para redirecionar sua rota espiritual. Não desejava mais as glórias do mundo, almejava a humildade num corpo de criança. Essa idéia perseguiu-o até que encontrou uma companheira de eras priscas, também desiludida das grandezas da terra e aceitou ser seu filho: Lill, o menino que nunca nasceu ! Essa sua decisão corporificou-se em 1956 e durou 17 anos.

Disse-nos o Chico que antes de Santos Dumont, ele já vivera duas vidas em inesgotável pesquisa sobre a aviação: a do padre brasileiro Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685-1724) e a do balonista francês Joseph Montgolfier (1740-1810) . Antes disso, dedicara-se à navegação marítima nas personalidades dos navegadores italianos: Marco Polo (1254- 1324) e Cristóvão Colombo (1451-1506), sempre com a ânsia de descobrir novos caminhos e reduzir as distâncias entre os povos. É interessante o fato de que estas revelações tenham sido feitas pelo medium mineiro Chico Xavier ao meu Pai, Clóvis Tavares que as manteve em sigilo. Todavia, são passíveis de ser pesquisadas as suas biografias, os escritos e percebidas as semelhanças de suas trajetórias evolutivas, revelando-se as coincidências e podendo-se inferir historicamente a possibilidade de ser um caso de reencarnação.

Foi o que fez o historiador Sady Carlos de Souza Jr. em tese de mestrado apresentada e aprovada, na Unicamp: "Para uma abordagem semiotico-linguistica do discurso histórico": Neste projeto científico aprovado e financiado pela universidade, o professor Sady informa que buscou informações com o pesquisador espírita César Burnier, que também faz pesquisas histórias buscando comprovar a reencarnação. Diz ele:
" Trata-se de um estudo cientifico lançando as bases e hipóteses cientifica da Reencarnação através de uma analise comparativa da vida de três grandes personagens da historia: Marco Polo - Cristóvão Colombo - Santos Dumont."
Desse modo, Sady trocou o "objeto fenomênico histórico, para o signo lingüístico histórico." Passou a comparar os termos e expressões de "Livro de bordo da primeira viagem do descobrimento da América" de Colombo, ao "Os Meus Balões" de Dumont."

Continua o professor Sady : "Nesta dissertação há mais de 300 dados de comparação entre Cristóvão Colombo e Santos Dumont (alguns deles admiráveis), dando-nos a reconhecer objetivamente a possibilidade da relação existente entre dois personagens de uma historia não subseqüente fortemente ligados entre si pela reencarnação."

Portanto, é imperioso salvaguardar a memória de nosso brasileiro notável, que corajosamente alterou os parâmetros de sua jornada espiritual, imprimindo à sua biografia, uma humilhação voluntária, em uma restrição volumétrica de seu perispírito, promovendo o que ele mesmo denominou curso de humildade, realizado em três etapas:

1- Lill, de 1948 a 1956- na erraticidade, restringindo a seu volume perispiritual.
2- Carlinhos, de 1956 a 1973- encarnado, filho de Clóvis e Hilda Tavares, como tetraplégico.
3- Carlinhos, já desencarnado novamente, que permaneceu criança até cerca de 1984. As suas poesias foram enviadas intermitentemente de 1973 a 1993. Neste período, como tratamos no A Morte é Simples Mudança, ele passa por um crescimento na espiritualidade. À época da primeira mensagem de meu pai, no ano de 1984, também psicografada pelo Chico, Papai diz que ao desencarnar, recebeu o apoio do filho:

"Quando reconheci que me achava nos braços fortes de nosso Carlinhos., agora um homem vigoroso, reconheci que reencontrara não o nosso filho que aprendemos a amar tanto, e sim o aconchego da dedicação de um pai que me houvesse retirado de sua ternura de companheira para encaminhar-me com segurança." Clovis Tavares, psic. F. C. Xavier ( A Saudade é o Metro do Amor, no prelo)

Através desse auto-burilamento, reescreveu Santos Dumont a sua biografia espiritual, empregando um recurso explicado pelo nosso Chico em entrevista à Hebe Camargo e inserido no livro Jesus em Nós (GEEM-SP-1987):

"...Se ela ( a criança especial), se enforca, ela vem com a paraplegia, depois de uma simples queda que toda criança cai do colo da ama, do colo da mãezinha; então, quando o processo é de enforcamento, a vértebra que foi deslocada vem mais fraca e, numa simples queda, a criança é acometida pela paraplegia."

Particularmente, ele nos revelou que ao contar esse episódio, recordava-se do caso específico de nosso irmão Carlos Vítor.

Com o único interesse de resguardar a verdade e a integridade moral e espiritual de nosso querido irmão, é que trazemos a público estas revelações tão bem guardadas por tanto tempo.

Todavia, urgia que fossem divulgadas, a fim de que, em nome da reencarnação, não se desonre a memória de ninguém e que a mediunidade seja sempre uma porta aberta à consolação, configurando a nossa doutrina abençoada como realmente deve ser: a do Consolador prometido pelo mestre.

Flávio Mussa Tavares
flaviotav@gmail.com

Durval Capute

Durval Andrade Capute.
Acredito que tinha 80 anos. Mas ainda era forte o bastante para ajudar a todos em todos os trabalhos da Escola Jesus Cristo.
Desencarnou na última terça feira, 15 de agosto.
Compôs , juntamente com os saudosos Ubaldo, João Torquato, Antônio Oliveira, Vladimir, (desencarnados) e com Milton Teixeira, Ronaldo Gonçalves, Everaldo Lima e João Amaral um seleto grupo que ao lado de Clóvis Tavares fez época em nossa Escola, pelas visitações aos sábados à casa dos companheiros enfermos. Foi uma época feliz!

Capute foi uma figura indispensável em qualquer serviço da Escola que envolvesse o trablho braçal, o trabalho humilde, o serviço inaparente. Ele foi um campeão, talvez na companhia dos saudosos S. Barcelos e S. Odorico, do trabalho humilde, sincero e silencioso.

Quantos espíritos, o nosso querido Capute não resgatou pelos seus exemplos de bravura e de coragem?
Em companhia de sua filha valorosa, a nossa amiga Cirley, representa um dos mourões da Escola Jesus Cristo, quea agora vai levantar uma cerca em outra dimensão!

Vai irmão Capute! E dê um forte abraço nosso para todos estes queridos irmãos que te esperam no reencontro da Liberdade!

sábado, julho 29, 2006

ALBERTO SANTOS DUMONT

Alberto Santos Dumont (Palmira, 20 de julho de 1873 — Guarujá, 23 de julho de 1932) foi o pioneiro da aviação. Ele foi o primeiro decolar a bordo de um avião, impulsionado por um motor aeronáutico. Santos Dumont foi o primeiro a cumprir um circuito pré-estabelecido sob testemunho oficial de especialistas, jornalistas e da população parisiense. Em 23 de outubro de 1906, voou cerca de 60 metros e a uma altura de 2 a 3 metros com seu 14 Bis, no Campo de Bagatelle em Paris. Menos de um mês depois, repetiu o feito e, diante de uma multidão de testemunhas, percorreu 220 metros a uma altura de 6 metros. O vôo do 14-Bis foi o primeiro verificado pelo Aeroclube da França de um aparelho mais pesado que o ar na Europa, e possivelmente a primeira demonstração pública de um veículo levantando vôo por seus próprios meios, sem ser catapultado, isto é impulsionado por uma alavanca externa.

TRECHO DA MENSAGEM DE SANTOS DUMONT,
PSICOGRAFADA POR FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

“...Descobrir caminhos sempre foi a obsessão do meu pensamento. Reconheço hoje, porém, que outra deve ser a vocação da altura...
...Terei errado, buscado rotas diferentes? Certo, não.
O mundo e os homens aprenderão sempre. A evolução é fatal.
Todavia, recolhido presentemente à humildade de mim mesmo, procuro caminhos mais altos e estradas desconhecidas, no aprendizado do roteiro para o Cristo, Senhor do nossas vidas.
Não há vôo mais divino que o da alma.
Não existe mundo mais nobre a conquistar, além do que se localiza na própria consciência, quando deliberamos converter-nos ao bem supremo.
Sejamos descobridores de nós mesmos.
Alcemos corações e pensamentos ao Cristo.
Aprimoremo-nos para refletir a vontade soberana e divina do Alto por onde passarmos.
Crescimento sem Deus é curso preparatório da queda espetacular.
Humilharmo-nos para servir em nome Dêle é o caminho da verdadeira glória.
De qualquer modo agradeço-vos.
O trabalhador que prepara as possibilidades para ser útil jamais se esquecerá de endereçar reconhecimento às flores que lhe desabrocham na senda.
Crêde! Não passo de servidor pequenino.
Que o Senhor nos enriqueça com Sua divina bênção.
Alberto Santos Dumont

(Página psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier na noite de 20 de julho de 1948, em Pedro Leopoldo, dirigida a Clóvis Tavares e inserido no TRINTA ANOS COM CHICO XAVIER)






POESIA DE LILL PSICOGRAFADAS POR CHICO XAVIER


DE UM FILHINHO ESPIRITUAL

Papai, quando chega a noite,
Diz Mamãe banhada em luz:
-Vamos Lill, orar por ‘ele’
E, preces ao bom Jesus!
Diz Mamãe: Daí-lhe, Jesus,
Do vosso divino pão!
E eu digo:-Do pão de luz
Da vossa consolação!
Mamãe roga:-Daí-lhe Mestre,
espírito de servir.
E eu peço:-Com forças novas
Para as glórias do porvir.
Mamãe pede:-Mestre Amado,
Ajudai-o a caminhar.
E eu digo:- Inspirai-lhe a vida
Nas bênçãos de nosso lar.
E assim, nós ambos pedimos
na fé que nunca se esvai
A bênção do Bom Jesus
Às suas provas de pai.
Que Deus lhe conceda sempre
coragem para a missão
É o que deseja, Papai,
O filho do coração.
Lill. ( Psicografado por Chico Xavier em março de 1944)




POEMA DE CARLINHOS PSICOGRAFADO POR CHICO XAVIER



Prenda Maior

Papai querido, eis-nos juntos,
A morte é simples mudança,
A vida nova me alcança
Em lindo recomeçar...
No entanto em tudo o que vejo,
Minha ventura consiste
Em saber que o céu existe
Na bênção de nosso Lar.
Com meus cadernos felizes
De pequeno marinheiro
Estudando o mundo inteiro,
Nada achei de mais valor
Que a nossa união bendita
Nos caminhos que transponho,
Em nosso ninho risonho
Entretecido de amor.
Douradas pompas da Terra,
Louros suspensos da história,
Brilhos de estampa ilusória,
Renome vazio e vão.
Monumentos e honrarias
Não valem frágil parcela
Da riqueza viva e bela
Que temos no coração
De cada excursão que faço,
Regresso ao nosso recanto
E sinto que me levanto
Para colher nova luz...
Com Mãezinha em nossos passos,
Nós dois e os irmãos queridos
Estamos fortalecidos
Para a união com Jesus.
Papai querido sigamos...
Ontem púrpuras faustosas,
Espadas, festas e rosas
Que o tempo exibe em museus...
Hoje, é a trilha diferente
De culto ao Bem e à Verdade
Na conquista da Humildade,
A prenda maior com Deus.


(Carlinhos, Uberaba, 26 de julho de 1975)

domingo, julho 16, 2006

BEM AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO

Palestra de sexta feira 14 de julho de 2006, de Flávio Mussa Tavares

Cap. VII de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”
Ev. de Mateus 5:3
“Bem aventurados os Pobres de Espírito, por que o Reino dos Céus é deles.”

Iniciaremos este estudo com a e idéia agostiniana de Jesus sobre o seu sermão do monte :

"Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha.”

E Jesus, segundo S. Agostinho, não disse as minhas palavras, mas sim estas minhas palavras. De modo que nosso entendimento e o nosso coração devem estar inteiros no processo evolutivo expresso neste sermão.
Sim, por que Moisés exarou no seu decálogo artigos de proibição. Ali está um código de ética.
Mas o Sermão do Monte é um decálogo de Amor. Não é tão simples seguir este novo código de Deus, como o de Moisés. Para seguir o código divino psicopictografado por Moisés, é necessário reprimir as nossas más-tendências, colmo irar-se, ambicionar, avançar naquilo que não é nosso e tomá-los como se o fosse, deixar-se dominar por paixões viciosas como a concupiscência, etc.
Entretanto, para seguir os preceitos do código de Deus psicofonado por Jesus é necessário muito aos que reprimir-se.
Reprimir é sempre um bom começo. Há tendências psicológicas que aconselham a catarse, mas alguns seguidores de Freud, como Maslow, era favorável a que nós sublimássemos nossos impulsos. Não podemos ser escravos da instintividade.

Assim, Felizes os Humildes. Kardec começa o comentário de O Evangelho Segundo o Espiritismo afirmando que pobre de espírito não é ser ignorante e pobre de caráter, como é comum se dizer: “coitado, é um pobre de espírito”; mas sim refere-se ao verdadeiramente humilde. E este mesmo Kardec, defendo os humildes proletários de Lyon, discriminados por serem iletrados e terem aceito o Espiritismo. Kardec os defende, afirmando que Jesus também agradeceu a Deus por ter revelado àquelas coisas aos simples e por tê-las velados aos sábios e doutos.

Ser pobre do ponto de vista psicológico é considerar-se sempre devedor. Tudo para quem é verdadeiramente pobre em espírito é uma graciosidade. Nada lhe é demais. São também chamados no Evangelho de os pobres de Deus, ou os Anawin. Há diversas orações de pobres de Deus:
“Senhor, Aumenta-nos a fé”, “Jesus, filho de Davi, tenha piedade de nós”, “Senhor, salva-nos, perecemos”, “Creio, Senhor, vêm em socorro de minha pouca Fé”.

Jesus abençoa aqui não espíritos puros, mas espíritos humildes e arrependidos como o publicano, cuja prece é também a de um anawin: “Senhor, apieda-te de mim, que sou um miserável pecador.”
Estes pobres em espírito acreditam que tudo é doação, é dádiva extra. As coisas, as amizades, o emprego, o ser atendido em último lugar, o receber uma esmola, a ajuda de um estranho. Em tudo ele vê uma graça de Deus. Sente-se sempre devedor da vida. O seu prêmio é o Reino do Espírito.
O orgulho e a vaidade são empecilhos a evolução do espírito. “Tudo é vaidade e presunção de espírito”, diz o Eclesiastes.

Já São Paulo no diz na epístola aos Coríntios capítulo 8, verso 1: “A Ciência infla, mas a caridade edifica.”

Para o orgulhoso, o Rico em espírito, tudo lhe é devido. As coisas, as amizades, as informações, os primeiros lugares, as honras, as prioridades. Se não podem ser atendidos como esperam que sejam, irritam-se , indignam-se, ofendem-se. São pessoas difíceis de relacionamento, complicadas, quase não se agradam. Querem pressa e perfeição para tudo, sentem-se sempre credoras diante da vida. O prêmio deles é o mundo! “Eles já tiveram a sua consolação.”

Pobre é o pobre de desejo, de ambição, pobre de ilusões, de exigências, pobre do Ego.

Ele é bem aventurado! Ele é feliz! Ele é bem sucedido espiritualmente, mesmo sentindo-se dependente de Deus.